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Sessão “Novo Pacto para a Europa”

Decorreu na semana passada uma sessão dedicada a “Novo Pacto para a Europa”, na Fundação Calouste Gulbenkian (ver programa aqui), e dinamizado por Maria João Rodrigues nesta sessão. Corresponde a um esforço europeu, com site aqui.

Aqui fica um breve resumo dessa discussão, que se afigura como o início de um caminho importante para a União Europeia e onde fará todo o sentido que Portugal tenha uma participação activa, com contributos sérios e de afirmação. São as minhas notas da sessão, ligeiramente editadas (o que significa que vai em estilo resumo e sem preocupação de estilo).

Abertura por Maria João Rodrigues que introduziu o objectivo final deste processo de discussão: elaborar proposta de pacto para a União Europeia. Desafios identificados: desemprego, estado social, como competir; divergências internas; sistema político europeu distante dos cidadãos, problemas de liderança; Desafios culturais: identidade colectiva europeia? Falta de projecto comum; Desafios externos: alteração da ordem global, risco de declínio da europa.

Três questões chave para a discussão: Outros desafios? Opções, há mais? Dentro das opções, qual a melhor para Portugal?

As opções apresentadas, com os seguintes titulos: 1-Regresso ao essencial; 2-Consolidação do acervo do passado; 3-Progressão ambiciosa; 4-Salto em frente; 5-Mudar a lógica do mais/menos europa.

(Comentário: É deixada a pergunta de qual a opção preferida de cada um: depois de ler os documentos, a minha preferência vai 3+ (societal dimension e  external dimension da opção 5). Mas a opção como cidadão ou como técnico pode ter algumas diferenças. E sobretudo fica uma questão: Condições para cumprir as opções?)

Do painel convidado, o moderadora Seixas da Costa, introduziu alguns tópicos e a sua visão: Urgência financeira retirou capacidade de pensar nas questões europeias; Esquecem desequilíbrios interinstitucionais gerados pelo tratado de Lisboa; Diferenciada capacidade dos diferentes estados membros de gerirem a sua participação; Capacidade dos parlamentos europeus em controlar o processo europeu

O primeiro comentador convidado, Viriato Soromenho-Marques: Falta engenho e cultura política, conhecimento. 1ª cenário – não é possível pelos custos de transição; cenário existe porque não há suficiente centralidade; seria preciso mais coordenação para funcionar do que avançar. Falta a coordenação que o cenário pressupõe. 2º cenário – fazia sentido nos anos 50, hoje esta lógica é irrelevante; o vulcão da divida soberana pode acordar a qualquer momento; 3º cenário – junta o melhor de duas hipóteses contraditórias e consegue irritar toda a gente. Super-comissário das finanças dá demasiado poder à CE. Não resolve o problema do orçamento comum. Lista transnacional é um erro. Federalismo de nações e não apenas de cidadãos. A CE faz parte do problema e não faz parte da solução. 4º cenário – direcção certa, mas corre risco de tropeçar, apostar na sua melhoria. Tem potencial de gerar hostilidade. Deixar cair exército europeu e política de segurança comum. Referendo é erro, tratado constitucional a ratificar estadualmente é correcto. Ignora duas questões centrais: mudança de estatutos do BCE (duplo objectivo: estabilidade de preços e emprego), capacidade de emissão de dívida europeia. Limitar o poder dos “engenheiros” da UEM. 5º cenário – pós-moderno, quem é limpa a casa desarrumada; passa ao lado dos desequilíbrios dentro da UE. Balanço que faz: número de actores limitado; uma crise sem sujeito; assimetria entre poder e democracia; quem defende a europa neste momento com posição de poder; ausência de sujeitos transformadores; grande défice de competência democrática – as elites europeias não estão à altura dos desafios europeus; falharam os governos, os partidos, as universidades.  A resposta que está a ser dada é monstruosa. Há um discurso de insensibilidade nos dirigentes que mistura ignorância com arrogância ideológica, cada órgão puxa para o seu lado; trivialidade sistémica; só um milagre poderá salvar a europa de cair definitivamente numa nova balança do poder e seu derradeiro suicídio .

O segundo comentador foi Vitor Martins: “Impossível unir a europa no quadro da desconfiança dos cidadãos” – citação; desconfiança como problema central; opção preferida: 2-3-4 é onde se consegue focar; não consegue pensar à volta da 5, e a opção 1 não é opção; coração na opção 4, racionalidade atira para a opção 3. A apresentação “back to basics” não é correcta. O “passado” tinha uma visão política aprofundada e consistente. Tinha um método, o método comunitário. O fracasso do euro será o fracasso do mercado único. O centro de gravidade europeia está no euro. 2º cenário – é preferida por políticos europeus por significa gerir com o mínimo custo possível e máxima aparência política. Contribui a prazo para a desconfiança dos cidadãos. Euro foi salvo do colapso por medidas pontuais. Não se tem certeza sobre a sustentabilidade do euro. Retira aos líderes e políticos a necessidade de se assumirem com uma visão. É uma opção sem visão. 3º cenário – temos que olhar para as respostas do Euro; colocar o euro no mapa de uma zona económica e monetária consistente e credível; há a questão central do BCE;  relações entre parlamentos nacionais e instituições comunitárias; provavelmente exige revisão de tratados, mas como fazer isso num quadro de desconfiança dos cidadãos. 4º cenário – sentiu-se a ler o projecto de constituição de 2003; no quadro de desconfiança não há forma de andar em frente; 5º cenário – não consegue lidar com esta opção.

O terceiro comentador, João Ferreira do Amaral: Dois aspectos que não assinalados: disparidade de poderes entre estados membros. Acabou a igualdade entre estados. Houve desproporcionado aumento do poder alemão. É um problema para a Europa lidar. Estreitaram-se os leques de opções políticas. Ou é política ultra-conservadora ou não é política. Não há uma grande diferença entre as opções 3 e 4. Opção 5 não é incompatível com nenhuma das outras. Importante reforço das questões relativas aos direitos humanos. Discordância face à opção 1.  Não se trata de regresso ao passado. A UE nunca fez o que era básico, e fez várias coisas que não eram básicas (exemplo: PAC). Opção deve ser fazer o essencial, independente do passado. O que é fazer o essencial? Estados com interesses comuns, a actividade da EU deveria incidir sobre os interesses comuns. Esta expressão é ambígua: interesses comuns colectivos vs interesses em todos os estados e por isso são comuns. Focar-se nos interesses comuns colectivos: cooperação monetária mas não moeda única; defesa; ambiente; comércio livre; recursos naturais transfronteiriços. Adepto da Europa à la carte. Tudo o que não sejam estes interesses comuns colectivos devem ser facultativos. Disparidade de interesses com 28 países não é possível fazer de outra forma. A UE deve existir para proteger os estados da globalização, e que a melhor forma de o fazer é transferir poder para o centro da UE. É uma visão errada reduzir as autonomias nacionais. Globalização reforçou o papel das nacionalidades e a coesão nacional como resposta a essa globalização. Federalismo não é estado federal, mas era isso que se pensava. Ter moeda única obriga a ter estado único, de outro modo não funciona. É preciso ter os mecanismos próprios em termos monetários e em termos orçamentais, Preservar autonomia nacional versus união de estados federados. Autonomia como gestão de interdependências, com instrumentos próprios: moeda própria e orçamento.

Da audiência surgiram os seguintes comentários:

[1]: PAC foi básica e essencial, mas depois transformou-se num instrumento perverso. De resto não está de acordo com o J Ferreira de Amaral.

[2]: Nunca encontra discurso optimista sobre a Europa. Como e com quem implementamos as opções estratégicas? Hoje qual é a coligação política, geográfica, o método e a forma, de aplicar cada uma das estratégias.

[3] Novo pacto precisa de ser esclarecedor quanto à nova visão. O mundo mudou imenso desde a época dos fundadores. Qual a visão que mobiliza as novas gerações. Continuamos a tentar responder a uma crise, mas será possível ter o conhecimento dos interesses genuínos que não sejam apenas reactivos.

[4]  Não sabe o que é o federalismo republicano. Vive as angústias das empresas portuguesas. Posiciona-se entre o 2 e o 3. Hoje fala-se na reindustrialização na europa, essencial para a europa no mundo.

[5] Para questões complexas não há respostas simples. Será que a política tradicional tem os instrumentos para encontrar as respostas. Fazer política com outras regras. O maior problema identificado é o que é o projecto europeu. Não há um pensamento orgânico. Grande política só se pode fazer com grandes compromissos. É possível gerir esse compromisso entre as grandes famílias políticas europeias (PPE e Socialistas). O pacto deverá encerrar um desafio às famílias políticas europeias para dar confiança aos cidadãos. Está entre a 3 e a 4.

[6]  Distinguir entre o que desejamos e o que podemos esperar alcançar. Evitar exercícios agressivos de engenharia social. Pensar em soluções compatíveis com processos democráticos nacionais. Elimina a 4 e 5 como opções razoáveis, por muito que sejam desejáveis. Identifica-se com muito do que disse o J Ferreira do Amaral. Mas hoje não é possível retroceder. Não se sabe onde se pararia, e pode-se deitar o essencial fora. Opção 2 é o status quo. A actual construção teve resiliência suficiente. Está entre a 2 e 3, não é excessivamente critico para a actual situação (abanou-se mas resistiu-se). Introduzir mecanismos de coordenação macroeconómica. Necessário ter mecanismos de ajustamento simétrico.

[7] Não é favorável ao cenário 1, mas é necessário discutir por causa da Inglaterra. As próximas eleições podem trazer muitos eurocépticos para o parlamento europeu. 2º cenário – não é necessário ter preocupação com ele. Tende a fundir 3º e 4º cenários. Entre aquilo que se pode pensar e o que as populações querem pode ter uma diferença grande. A UE tem a ganhar com alargar algumas das suas políticas (exemplo, política europeia de imigração). Política europeia de combate à exclusão social. O grande problema é a zona euro. Tal como está não vai funcionar. Funciona hoje com regras ditadas pelos alemães, mas não tem mais nada. É preciso alguma integração fiscal. Problema da soberania fiscal dos estados membros. Cria distorções no mercado interno. Necessário ter harmonização fiscal. Não acredite que se mude facilmente. Tem que haver simetria no ajustamento.

Maria João Rodrigues explicitou um pouco o que tem sido a discussão noutros países: Cenário 5 – não é opção integral, mas pode valorizar outras opções; Cenário 1 – Reino Unido, mas não só. Maioria divida entre 2 como suficiente, ou não, para lidar com a crise. E nesse caso avançar para 3 ou 4. Países do Norte: maioria para 2 como suficiente; resto com 3 e 4.

Continuando com a audiência:

[8] Portugal tem mostrado capacidade de identificar o interesse comum. Podemos dar um contributo real.

[9] Pontos chave:

–       restaurar acesso mais normal ao crédito, tem que se ter supervisão bancária mais forte e solução que não penalize os contribuintes

–       se os estados membros querem uma perspectiva de crescimento sustentado, com policy mix para crescimento e protegidos de choques macroeconómicos, exige orçamento da zona euro; mas para caminhar nesse sentido tem que haver mais coordenação de políticas económicas, sociais e orçamentais

–       reduzir peso da dívida pública, é necessário instrumentos europeus, mas requer maior coordenação orçamental incluindo impostos, e imposto europeu.

–       Em termos políticos, é necessário funções de governo da zona euro, com capacidade de responder politicamente perante um parlamento europeu.

–       Sequência política é chave para poder resultar, passar da 2 para a 3 pensando na 4.

[10] Sobre países do Leste, estas opções têm impacto sobre a integração diferenciada. A europa a la carte está minimizado, a diferenciação é entre os que são da zona euro e os que se querem juntar. Não acredita numa revisão do tratado de Lisboa. Seria utilizado pelo Reino Unido para voltar atrás. Mas será preciso rever algumas coisas para orçamento e governo da zona euro.

[11] Vamos fazer as contas das opções. Para saber os custos de cada opção/cenário. É preciso conhecer os benefícios e custos porque isso pode alterar as visões. Humildade de reconhecer que a realidade é mais rica. Estamos sempre a trabalhar em contextos de incerteza. Cépticos na inteligência e optimista na vontade. Não podemos separar da questão quem vai fazer isto e da desconfiança quanto a quem vai fazer isto.  Federalismo republicano: o modelo americano é o exemplo. Os estados são responsáveis pelas suas finanças públicas. Mutualização das regras de independência e da guerra 1812-1815.

(e mais foi dito, mas tive que sair)

Li o resumo que estava disponível, e depois da apresentação e da discussão, a leitura do documento principal fica agendada. Quem quiser o documento, está aqui.


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Expert Panel on Effective Ways of Investing in Health da Comissão Europeia

Três documentos  do Expert Panel on Effective Ways of Investing in Health da Comissão Europeia, sobre:

a) definição de cuidados de saúde primários

b) critérios de avaliação de sistemas de saúde

c) PPPs em saúde

E sobre o painel e as suas actividades, ver aqui.

 


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a adse e o veto do presidente da república

O Presidente da República não promulgou o aumento da contribuição para a ADSE, sendo que o diploma legal continha também uma transferência a titulo de consumo de medicamento que foi igualmente vista com olhos negativos (ler aqui).

Esta decisão não deve ser vista como uma surpresa, nem num caso nem no outro.

O aumento na taxa de contribuição para a ADSE tinha o objectivo de gerar um excedente (lucro) a ser depois transferido para financiar as despesas públicas em geral (contribuição para baixar o défice público). Do ponto de vista do Orçamento do Estado pretendia ser uma forma equivalente a baixar salários e pensões. Ora, o Estado fazer lucro com a ADSE através de um aumento das contribuições dos trabalhadores acima do valor necessário para o seu equilíbrio financeiro, mesmo que o Estado reduzisse a zero a sua contribuição directa, foi considerado como abusivo por parte da Presidência da República. E bem, a meu ver, pois constituiria um “abuso de poder de mercado”. O que está previsto desde o início é a contribuição do orçamento do estado passar a zero, e até aí, para compensar essa diminuição de receita, poderá ser aumentada a contribuição.

O segundo aspecto é a transferência de verba da ADSE para o SNS a título de despesa com medicamentos. O argumento é o de que os medicamentos se encontram já cobertos pelo SNS. Este argumento é verdadeiro mas só até certo ponto. Exemplos ajudam a ilustrar. Suponhamos um doente crónico, que tem sempre a mesma despesa mensal em medicamentos, e que não se altera ao longo do ano. Se não tiver ADSE tem esse consumo pago pelo SNS. Se tiver ADSE, como paga os mesmos impostos, a cobertura dada pelo SNS continua a ser dada (de outro modo discriminam-se os cidadãos com base no subsistema que usam, e apenas por isso), logo não deve ser feita qualquer transferência.

Suponha-se agora que esse mesmo doente por ter ADSE vai mais facilmente a consultas de especialidade (uma hipótese alicerçada na evidência empírica disponível), e que nessas consultas são prescritos medicamentos. Como resultam de “consumo adicional” que não ocorreria caso o doente não tivesse ADSE devem ser imputados à cobertura ADSE. De outro modo, a existência da ADSE gera despesa indirecta para o Serviço Nacional de Saúde. É este acréscimo que deve ser pago pela ADSE ao SNS e não toda a despesa, pois este acréscimo corresponde ao efeito de procura adicional de cuidados de saúde gerada pela cobertura ADSE.

Agora, segundo o i-online (aqui), o diploma seguiu para a Assembleia da República tal qual estava, e por isso vamos assistir a uma batalha política sobre como reduzir salários “por linhas tortas” dos funcionários públicos, com a única diferença de neste caso haver para os funcionários públicos uma possibilidade de evitar esse corte, saírem da ADSE, o que poderá complicar as contas de receita a transferir da ADSE para o orçamento do Estado. Será que ainda se ouvirá o argumento de como os beneficiários da ADSE receberam do orçamento do estado no passado é agora justo que paguem para esse orçamento do estado mais do que os outros cidadãos? (há dias em que nada me surpreende)

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e sobre o manifesto dos 70,

tinha pensado não dizer nada, pois as opiniões têm tido um cunho emocional imediato, e considerei ser preferível deixar passar algum tempos; adicionalmente, o J Gomes Ferreira (aqui) e a Helena Garrido (aqui) expressaram  em grande medida a minha reacção inicial. Além disso, custa-me reagir ao manifesto com base apenas no que “os mercados” ou “os credores” possam pensar, ou aquilo com que queremos imputar que seja o pensamento deles. É um jogo de adivinhação pouco interessante para mim.

E como no fundo o manifesto irá passar adiante sem grande efeito, como outros documentos no passado, estava a programar manter a minha “teimosia” de continuar a escrever sobre cuidados de saúde. Afinal, cada um é livre de expressar a sua opinião, qualquer que seja o seu fundamento e sentido.

Contudo, a importância que acaba por ter a exoneração de dois dos assinantes do manifesto do cargo de assessores do Presidente da República e as reacções às reacções  fez-me pensar que talvez valesse a pena chamar a atenção num par de aspectos, diferentes do que a maioria das pessoas tem referido, mas que me surgem como mais centrais e fundamentais:

a) a ligeireza com que o texto se encontra escrito (pode ser lido aqui, entre outras possibilidades);

b) a ausência de uma  concretização de como definir e ter uma estratégia macro-económica em Portugal.

Vejamos o porquê desta visão e porque era de exigir mais na própria escrita do manifesto, e nos comentários produzidos (não dá normalmente para perceber se as pessoas que comentam leram de facto o manifesto, ou se comentam com base em comentários que ouviram ou resumos que leram).

O meu primeiro comentário ao manifesto é não ser claro (rigoroso) quanto ao que é opinião/interpretação e  quanto ao que é matéria de facto. Apresentar opiniões ou opções como verdades é pelo menos discutível, embora possa ser efectivo como mensagem num primeiro momento. Por exemplo, a frase de abertura do manifesto “Nenhuma estratégia de combate à crise poderá ter êxito se não conciliar a resposta à questão da dívida com a efectivação de um robusto processo de crescimento económico e de emprego num quadro de coesão e efectiva solidariedade nacional.” Para ser totalmente correcto, deveria dizer dívida pública (?). E ao dizer-se que não há “nenhuma estratégia”, o que querem dizer é que na opinião dos subscritores não há alternativa, mas tal não significa que outros não considerem melhores outras opções. Ou existe uma demonstração cabal do “nenhuma” – não haver outra possibilidade – que possam referenciar ou apresentar?

O segundo parágrafo refere que “tem sempre em atenção (…) as melhores práticas de rigorosa gestão orçamental”. Como não se diz quais são, cada subscritor pode entender as suas, cada leitor pode entender as suas, como estando aqui reflectidas, ganhando adesão para o manifesto, mas sendo vazio em termos de conteúdo de acção proposta.

Terceiro parágrafo, começa com a culpabilização da crise internacional iniciada em 2008. Subscrevem os autores do manifesto que sem crise internacional Portugal não teria qualquer problema? e o problema foi a crise, ou foi aumentado por decisões nacionais, que se adicionaram ao funcionamento dos chamados “estabilizadores automáticos” (despesa pública que aumenta naturalmente em situações de recessão, receita pública que diminui naturalmente em situações de recessão)? Considerar que tudo se deveu ao que se passou lá fora é errado e não ajuda a procurar soluções, tal como dizer que a crise internacional não teve efeito não é razoável.

De seguida, é referido que saldos “orçamentais primários verdadeiramente excepcionais” (suponho que queiram dizer positivos e elevados, no seguimento do argumento) são “insusceptíveis de imposição prolongada” – até posso concordar, mas sei quais as razões que estão subjacentes a esta afirmação. Porque é que não são possíveis?

Continuando, “A nossa competitividade tem uma base qualitativa demasiado frágil (…) É preciso uma profunda viragem, ruma a especializações competitivas geradas pela qualidade (….)”. Certo, mas qual a diferença para o que se disse há dez anos, e há 20 anos, e quando o Michael Porter fez um famoso relatório sobre os clusters em Portugal? porque ainda não sucedeu?

A secção seguinte está dedicada à necessidade de “reestruturar a dívida para crescer” – a abertura “deixemo-nos de inconsequentes optimismos” aplica-se curiosamente à própria proposta de achar que apenas reestruturar a dívida pública (aqui é acrescentado o “pública”) resolverá todos os problemas de crescimento. Quando muito podem defender que será uma condição necessária, mas dificilmente se consegue estabelecer um nexo de causalidade suficiente.

Para que o argumento seja único, haveria que definir uma estratégia de crescimento e mostrar (demonstrar) que a reestruturação da dívida é condição necessária, ou que ajuda a essa estratégia e minimiza os riscos para os credores. Por exemplo, será que a reestruturação da dívida implica uns ganharem e outros perderem obrigatoriamente, ou consegue-se encontrar situações em que todos possam ganhar? e ganhar o quê?

Do ponto de vista dos credores, porque irão ter interesse em reestruturar? para Portugal voltar a contrair mais divida (pois facilmente haverá um manifesto seguinte a dizer que só com financiamento se consegue fazer investimento necessário ao crescimento…)? ou será que é possível dizer que a reestruturação consegue fazer com que seja mais provável ter certeza no pagamento e no evitar de problemas futuros? e se os nossos credores principais hoje em dia envolvem instituições internacionais, reestruturar em Portugal não dará o sinal para que todos aqueles a quem eles emprestam (socorrem) e irão emprestar no futuro quererão fazer o mesmo, e que antecipado destrói a noção de empréstimo?

Segue-se depois um conjunto de considerações sobre os problemas da economia portuguesa, que são reais, mas surgem todos misturados – por exemplo, se há emigração de desempregados, então há previsivelmente redução de pagamentos sociais, e as desigualdades tendem a baixar – é a forma adequada de o fazer? não certamente, mas há que atender aos vários efeitos dos elementos que se enunciam. De forma similar, o aumento de impostos foi muito grande? foi, reduz desigualdades na distribuição do rendimento? com o aumento da progressividade é muito provável que sim; mas reduzir desigualdades deixando menos rendimento disponível em média não é usualmente a forma como o queremos fazer, mas diminuir as desigualdades se for esse o objectivo. Fica por isso a sensação que o que fica escrito reflecte sobretudo a opinião (de muitos? de alguns?) mas sem ter a força de evidência e de consistência entre os vários argumentos. Há certamente afirmações correctas, mas todas elas ao mesmo tempo poderão ter nuances ignoradas.

É feita também a defesa da reestruturação dentro do espaço europeu, apelando sobretudo à noção de a Alemanha ser o “inimigo”, e indo buscar o que foi feito com as reparações das guerras mundiais do século XX e do perdão da dívida alemã.  É muito redutor dizer que é apenas um problema com a Alemanha, e é errado. Há outros países que podem não ter o poder económico da Alemanha nem a sua dimensão mas que são extremamente vocais contra os países do Sul da Europa e os seus excessos, incluindo-se aqui a Finlândia por exemplo, os estados bálticos e a própria Holanda até certo ponto. E no final toda a argumentação apresentada só reforça os receios de “risco moral” que esses países têm sobre o Sul da Europa. Sobretudo quando a proposta de reestruturação não surge associada a qualquer compromisso credível de não repetição da situação, e apenas dizer que problemas num país do euro alargam-se aos outros países do euro – mas então isso só dá força a quem nesses países defende uma europa a duas velocidades, uma zona euro para uns e uma zona de qualquer outra coisa para outros.

Sobre as condições da reestruturação, deveria ter sido reconhecido que discretamente tem ocorrido um abaixamento da taxa média de juro, que houve um alongamento dos prazos da dívida. Além disso, suavizar picos de pagamento de dívida pode ser feito com outros instrumentos (e que pelo que se vai sabendo até vão sendo usados), porque é que a reestruturação tem vantagem sobre a utilização desses instrumentos?

É que em lado algum se refere que possam haver consequências negativas da reestruturação. Se não as há, deveria ser dito; se as há deveriam ser esmiuçadas e demonstrada a presunção razoável que as consequências positivas dominarão as consequências negativas. Sem o fazer, o propósito do documento não será o de gerar uma discussão técnica e depois política sobre a opção, e sim “exigir” que as autoridades económicas, o Governo, aceite que deve fazer o que este manifesto diz, os detalhes depois alguém que trate?

Aliás, também deveria ser explicitado qual o contributo de Portugal para tornar a solução de reestruturação atractiva para os nossos credores, não apenas dizer que nós beneficiamos. E mesmo sobre este último ponto, é evidente que se beneficia por não pagar, mas qual o mecanismo pelo qual a ausência de dívida fará crescer a economia, de forma consistente, o que significa aumentar a produtividade e o seu ritmo de crescimento? E as consequências de não pagar, não afectam o crescimento? (por exemplo, se a reestruturação implicar que internacionalmente não se consegue colocar dívida pública portuguesa durante alguns anos, isso não obriga aos saldos primários positivos para o défice público,  que nos termos do manifesto são “insusceptíveis de imposição prolongada”?

Como escrevi anteriormente, noutro post, a nossa principal preocupação deverá ser ter linhas de estratégia para as políticas económicas que sejam credíveis (no sentido em que não vamos querer fazer diferente do que se escrever na primeira oportunidade para o fazer), e que satisfaçam a preocupação fundamental de quem empresta, reaver o que emprestou.

O manifesto é uma desilusão no sentido em que não tem uma estratégia coerente de longo prazo, apenas a ideia de alterar as condições da dívida pública, e depois tudo se resolverá, sem olhar aos efeitos negativos que possa ter e sem enquadrar num contexto mais geral de definição do rumo das políticas económicas. A discussão à volta dele é uma desilusão por focar apenas no que possam ou não possam pensar os “mercados” financeiros (aspecto certamente relevante, mas não único).


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sobre a utilização de cuidados de saúde, 2012 vs 2014 (3)

A correcta utilização dos cuidados de saúde primários é um elemento central para o bom funcionamento do sistema de saúde português e do Serviço Nacional de Saúde em particular.

A questão seguinte procura avaliar em que medida o conhecimento sobre os cuidados de saúde primários melhorou (ou não) nos últimos dois anos.

Foi pedido que respondem sim ou não às seguintes afirmações:

    • Conheço o serviço Saúde24
    • Sei como posso recorrer ao serviço Saúde 24
    • Antes de ir à urgência procuro usar o serviço Saúde 24
    • Sei exactamente o Centro de Saúde/USF a que me posso dirigir
    • Conheço os horários de funcionamento do Centro de saúde/USF
    • Antes de ir à urgência de um hospital procuro ir ao Centro de Saúde
    • Prefiro ir directamente à urgência de um hospital porque é mais rápido
    • Prefiro ir à urgência de um hospital porque podem fazer logo todos os exames necessários

O gráfico seguinte mostra a percentagem de respostas positivas em cada item (descrição abreviada na legenda).

graf2

Essencialmente não há diferenças assinaláveis entre os dois anos, excepto na proporção de pessoas que diz usar o serviço  Saúde24 que aumentou de um período para o outro. E esse aumento não surge associado com qualquer característica dos entrevistados. Não é claro porque ocorreu este aumento.

(a ausência de diferenças sistemáticas entre os dois anos foi comprovada estatísticamente).


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sobre a utilização de cuidados de saúde, 2012 vs 2014 (2)

Interessa conhecer o recurso aos cuidados de saúde, pelo que uma das questões colocadas foi quantas vezes se recorreu a cuidados de saúde no último ano. As diferenças entre os dois anos, por classe de resposta, estão no quadro seguinte.

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Como as amostras que responderam nos dois anos podem não ser exactamente as mesmas, condiciona-se a probabilidade de escolher cada uma das categorias em factores de caracterização de quem respondeu (idade, género, educação, estado de saúde em geral). A utilização de um modelo probit ordenado, com a inclusão de uma variável que identifica o ano (2012 vs 2014) de resposta permite ver se há uma maior propensão à utilização nos tempos mais recentes, eventual reflexo de um menor estado de saúde.

A conclusão é a de não haver um efeito associado com o ano. Os únicos efeitos sistemáticos são as mulheres recorrerem mais vezes, por um lado, e ter seguro de saúde levar também a maior utilização. E as diferenças mais importantes ocorrem na maior utilização na classe 5-10 idas aos serviços de saúde no último ano.

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sobre a utilização de cuidados de saúde, 2012 vs 2014 (1)

Há umas semanas, coloquei a quem quisesse aceitar o desafio de preencher um breve questionário online, similar a outro realizado em 2012, dois anos antes (ver aqui). A ideia foi ver o que teria mudado em dois anos, numa amostra que não é representativa, de uma forma simples e que não pretende substituir-se a análises mais rigorosas que têm de ser feitas.

O interesse neste exercício decorre de considerar que alterações muito bruscas e acentuadas da situação se acabariam por reflectir também numa amostra pequena e enviesada para utilizadores de internet. Os resultados, que irei aqui mostrando ao longo da semana, têm por agora a surpresa (?) de não mostrarem mudanças negativas acentuadas em dois anos. Aliás, se alguma evolução há, é positiva, na redução das esperas muito longas.

Uma possibilidade é porque o Serviço Nacional de Saúde conseguiu manter a sua capacidade de resposta durante este período de dois anos. Outra possibilidade é que apenas posso retirar essa conclusão na resposta às pessoas que têm computador, paciência para responder a inquéritos online, com um nível de educação e rendimento acima da média nacional. Mesmo com essas ressalvas, e também como agradecimento a quem colaborou respondendo, os próximos posts irão dando conta dos valores encontrados, até para ver a aparente ausência de evolução negativa se mantém.

A existência de maiores barreiras de acesso a cuidados de saúde pode ser avaliada pela análise das percepções sobre tempos de espera médios. No inquérito realizado foram incluídas perguntas sobre essas percepções. A primeira questão foi sobre “Qual a sua percepção acerca do tempo de espera médio desde o momento em que entra no serviço de urgências, até ser atendido por um médico num [hospital público/hospital privado/centro de saúde]?”

Para isso, três indicadores são usados: proporção de pessoas que percepciona um tempo médio de espera superior a uma hora, proporção de pessoas que tem uma percepção de tempo médio de espera inferior a 30 minutos, e por fim proporção de pessoas que percepciona um tempo médio de espera superior a duas horas.

Esta informação foi recolhida com referência a três entidades prestadoras de cuidados de saúde: hospitais públicos, hospitais privados e cuidados de saúde primários.

Um aumento destas percepções e sob a hipótese de que em média reflectirão a experiência da respectiva actividade poderá ser resultado de um aumento da procura, uma menor capacidade de resposta, ambas, ou mesmo apenas um aumento da procura que ultrapassou a capacidade de resposta. Apenas com esta informação não é possível fazer uma separação entre as diferentes explixações alternativas.

O gráfico seguinte apresenta de forma combinada as respostas, e a parte que tem surpresa é que 2014 parece reflectir uma situação melhor do que em 2012.

Grafico2

Realizando testes de diferenças de médias entre anos para cada uma das categorias, confirma-se que em alguns casos há uma percepção de menores tempos de espera em 2014.

Como esta diferença de percepção média pode ser ditada por características da amostra, análise de regressão (para resposta 0/1 em cada um dos três indicadores), traduz-se num conjunto de efeitos curioso.

Para a expectativa de esperar mais de 2 horas nos cuidados de saúde primários, 2014 tem uma menor probabilidade de as pessoas indicarem essa situação, sendo que quem tem cobertura adicional de subsistema público e/ou seguro privado tem uma percepção de maior tempo de espera.

(Nota: nas análises de regressão foi usado um nível de significância individual dos efeitos de 10%, alguns dos efeitos associados com diferenças entre anos desaparecem se for usado um nível de significância de 5%, mas o resultado de redução de pessoas que antecipam esperar mais de 2 horas nos cuidados de saúde primários permanece).

Sobre os tempos de espera para atendimento em hospitais públicos ou em hospitais privados, as diferenças entre anos nunca são significativas, sobretudo depois de acomodadas as diferenças entre as amostras, e em que algumas características de quem respondeu se encontram associadas com efeitos sistemáticos: os mais idosos têm uma expectativa de menor tempo de espera nos hospitais públicos, e as pessoas com seguro e/ou subsistema público (ADSE sobretudo) apresentam uma expectativa de tempo de espera nos hospitais mais elevado. Quanto aos hospitais privados, não se detectou nenhum padrão que associe características individuais aos tempos de espera para atendimento antecipados.

Para ilustrar a importância de acomodar as diferenças entre amostras, de 2012 e 2014, a figura seguinte apresenta a distribuição das idades, mostrando que as pessoas que responderam em 2012 tinham uma idade média mais baixa.

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Sol, por fim,… para a série “janela do posto de trabalho” (3)

Não, não é publicidade ao jornal com o mesmo nome. É mesmo almoço no local de trabalho, pela primeira vez ao ar livre este ano. Sem teorias ou interpretações económicas. Só mesmo aproveitar o Sol. Não é da janela do posto de trabalho propriamente, mas lá muito perto.
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Objectivos da troika e medicamentos genéricos

Entre os compromissos do Memorando de Entendimento resultante da 10ª avaliação para a área da saúde consta:

“3.37. The above measures should aim at gradually and substantially increasing the share (in volume) of generic medicines reaching 45% of all NHS reimbursed medicines in the outpatient setting by end of 2013. This share will increase to 60% by the end of 2014.”

Na avaliação da troika mantém-se, por isso, o objectivo de atingir em finais de 2014  60% de quota de mercado (em volume) do mercado do Serviço Nacional de Saúde.

Olhando para os valores mais recentes disponibilizados pelo Infarmed neste momento (datado de Novembro de 2013, e referente a Outubro na informação estatística), a quota de mercado dos genéricos no mercado do SNS teve um máximo em Agosto de 2013 com o valor de 39,6%, e em Outubro foi de 38,5%. O valor da quota de mercado no período acumulado de Janeiro a Outubro de 2013 era de 38,9%. Ou seja, a tendência de crescimento desta quota de mercado parou no final do Verão. O objectivo de ser 45% em 2013 e 60% em 2014 ficou por isso um pouco mais longe.

Talvez por isso, o Infarmed retomou a publicação de valores em DDD – Dose Diária Definida, que normaliza os consumos para um tratamento padrão, e permite comparar volumes independentemente da composição das embalagens. De acordo com as quotas de mercado em volume de embalagens, um mesmo tratamento com uma embalagem de genérico de 60 comprimidos ou com duas embalagem de  genérico de 30 comprimidos significa maior quota de mercado no segundo caso.

Ora, usando as DDD como forma de cálculo das quotas de mercado, o valor em Outubro de 2013 era de 52,3%, claramente acima do valor baseado em embalagens, e cumprindo o objectivo para 2013 e aproximando-se do objectivo para 2014.

Será desta forma que provavelmente se reclamará ter alcançado o objectivo da troika, que é especificado em volume, sem se dizer qual a variável de volume relevante.

É mais correcto tecnicamente o cálculo com DDD, como se ilustrou com o exemplo da embalagens acima, e por isso, esperemos que o seu cálculo continue a ser feito e disponibilizado, mesmo depois de terminado o acompanhamento pelo Memorando de Entendimento.


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série “janela do posto de trabalho” (2)

 

 
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Não, não são os vidros que estão sujos. É mesmo o nevoeiro que está do outro lado do vidro.

É semelhante aos cortes temporários que têm de ser permanentes mas não o serão, apesar de terem de ser porque não vamos voltar aos níveis anteriores. Nevoeiro.

O que me parece ser correcto é: os cortes actuais nas pensões e salários serão temporários; mas haverá no corte de salários e pensões actual uma parte que será temporária e uma parte permanente. O que falta saber: no mundo empresarial (o aparente referencial para uma nova política salarial na função pública), a produtividade dita, a prazo, a evolução possível dos salários. E dita de duas formas – a empresa só poderá pagar se tiver valor da produtividade gerado suficiente; oportunidades exteriores para os seus trabalhadores. E se a consequência da saída de bons trabalhadores nas empresas privadas poderá ser o seu encerramento, se não conseguir ter produtividade suficiente para pagar os salários que os trabalhadores conseguem obter noutro emprego alternativo, no caso da função pública não estou a ver qual a analogia – ficar apenas com os piores e deixar o serviço público degradar-se? ter que acompanhar os salários que possam ser tidos por essas pessoas no sector privado? Sem que haja uma clarificação do que será a política de recursos humanos, em geral, da função pública, falar apenas em cortes salariais será pouco. Será nevoeiro para compreender os desafios que realmente se colocam a uma administração pública que terá de possuir maior capacidade de resposta e e de adaptação às necessidades da sociedade. Enfim. Talvez nos próximos dias faça sol.