Momentos económicos… e não só

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Observatório mensal da dívida dos hospitais EPE, segundo a execução orçamental (nº 28 – Agosto 2016)

Tendo saído na semana passada o boletim de Agosto da execução orçamental, é possível fazer uma atualização da evolução da dívida dos hospitais EPE. Nos números “em bruto”, o valor de Julho de 2016 é mais baixo do que o valor de Junho anterior. Apesar de esta ser uma noticia obviamente melhor do que um aumento da dívida dos hospitais EPE, na verdade altera pouco a tendência que vem desde o verão passado de crescimento. Nos últimos três meses ocorreu um crescimento mais acelerado da dívida dos hospitais EPE, depois do que também tinha sido um mês de decréscimo. E no último ano todos os meses em que houve uma descida da dívida dos EPE face ao mês anterior, rapidamente se retomou pelo menos o ritmo anterior. Ou seja, os factores pontuais que justificam uma descida da dívida dos EPE num mês normalmente perdem efeito muito rapidamente.

Realizando as contas habituais de determinação da tendência de médio / longo prazo de crescimento da dívida, constata-se que o valor de Julho de 2016 está sobre a linha de tendência histórica, e que o de Junho tinha estado acima dessa tendência.

Não há, pois, qualquer boa novidade no valor deste mês quanto aos factores estruturais subjacentes à dívida dos hospitais EPE, pois apesar de o valor ser mais baixo, tal revela apenas que a aceleração do crescimento da dívida nos últimos três meses foi pelo menos momentaneamente contida.

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novela Caixa Geral de Depósitos, episódio ??

Mais um comunicado do Ministério das Finanças (aqui) dando conta do acordo com a Comissão Europeia. Mas há algo que preciso de perceber melhor. Segundo o comunicado:

“O acordo assenta num plano de negócio que garante a competitividade da CGD, reorganizando o banco com o objetivo de recuperar a rentabilidade de longo-prazo através de um aumento de eficiência, redução do custo do risco de crédito e corte de custos.

Do plano de negócio para a recapitalização da CGD faz ainda parte um novo modelo de governação da instituição financeira, bem como uma equipa de gestão com experiência no setor financeiro.

O Plano vai assegurar um retorno adequado para o Estado, em condições idênticas às que seriam aceites por um investidor privado.”

Afinal, os membros da nova equipa que foi anunciado nos media terem que ir fazer cursos de gestão bancária numa instituição fora do país, afinal têm experiência no sector financeiro ou não?

Mas mais importante é outro aspecto: as linhas apontadas no acordo são as mesmas que surgiriam num banco privado; ou seja, pretende-se que as decisões da Caixa sobre crédito – por exemplo – sejam iguais às que seriam tomadas caso o banco fosse privado (“seriam aceites por um investidor privado”); só que então os projectos que serão financiados pela CGD também podem ser financiados pelos bancos privados, pelo que não há qualquer “falha de mercado” que a CGD venha resolver neste aspecto de crédito à economia. E assim sendo, ou é “instrumento de política pública” como alguns defendem que deve ser e não respeita este acordo, ou deixa de ter sentido ser uma instituição pública.

Ou seja, a pergunta que gostava de ver respondida é: qual  a margem para a CGD se comportar diferente de uma instituição privada caso este acordo com a Comissão Europeia seja respeitado?

 

 


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CGD e administradores não executivos

A “emoção” do dia de hoje foi criada pelo comunicado do Ministério das Finanças (disponível aqui), sobre a nova administração da Caixa Geral de Depósitos. O que está escrito no comunicado é muito menos do que tem sido transmitido por vários órgãos de comunicação social, e só o conhecimento do texto total da decisão do Banco Central Europeu poderá esclarecer.

O que o comunicado diz é

a) o BCE prefere um modelo com separação entre presidente da comissão executiva e presidente do conselho de administração, mas que aceita uma solução transitória (6 meses) de acumulação.

b) o BCE verificou que em vários administradores não-executivos propostos se tem uma situação de acumulação de “funções desempenhadas em órgãos sociais de outras sociedades”, limite que é mais baixo em Portugal do que na directiva comunitária relevante (e que por esta noticia motiva uma intenção de alteração legislativa desse limite para que as pessoas escolhida possam ser consideradas).

Dado que no passado o modelo de “duas cabeças” foi utilizado na caixa com insucesso, primeiro, e sem problemas, cerca de 10 anos mais tarde (ver aqui um resumo dos modelos de governação da CGD), tudo aponta para que o bom (ou mau) desempenho do modelo dependa bastante das pessoas que são escolhidas. Em particular, que cada um perceba o seu papel nessa estrutura é central para funcionar ou não.

No caso dos administradores não-executivos, a preocupação com “turbo-administradores” é razoável, tanto mais se há a pretensão de que exerçam efectivo controle sobre a comissão executiva. E é aqui que será curioso ver que solução será encontrada. O ter administradores não executivos em muitos órgãos sociais de outras entidades levanta problemas de potenciais conflitos de interesses – sobretudo se essas outras entidades forem fornecedoras ou clientes da CGD, e mesmo noutras situações poderá ser delicado. Se, hipoteticamente, for dada informação ao conselho de administração sobre operações envolvendo concorrentes de empresas onde administradores não-executivos da CGD tenham participação em órgãos sociais, tal poderá ser um problema (?). Portugal é um país pequeno, e teias cruzadas de interesses são fáceis de criar e de subverter a lógica de modelos de governação que funcionam bem noutros contextos.

O segundo aspecto é se os administradores não-executivos com muitas acumulações de cargos terão tempo para dispensar à CGD para poderem ter uma função de controle efectiva. Por outro lado, ter experiência de outras entidades até pode ser útil, e limitar a capacidade da gestão executiva em “capturar” os administradores não-executivos. Há um balanço a ser conseguido. E deveria ser completamente claro que o único critério relevante para as nomeações para estas posições é a capacidade de cumprir as funções de controle que se esperam destes administradores não-executivos, e não se constituem “prémios de carreira” (ou outros) para os nomeados.

Toda esta “confusão” à volta dos nomes – quantos são, quem são, que faziam, porque são nomeados – aliada à imprecisa (mas perigosa) ideia de que a CGD deve ser um instrumento  para financiar a economia conforme o Governo a entenda sugere que o papel de controle dos administradores não-executivos terá também, quase inevitavelmente, uma dimensão política.

 

 

 


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Amartya Sen em experiência directa no SNS italiano

Um amigo e colega, Francesco Franco, chamou-me a atenção para um recente texto de Amartya Sen, prémio Nobel da Economia em 1998, publicado no Corriere della Sera (quem não souber italiano, pode abrir o link no browser Chrome e ter uma tradução aceitável para perceber o texto), onde descreve a experiência da sua mulher numa ida de emergência ao Serviço Nacional de Saúde italiano, relatando como foi operada a meio da madrugada por um cirurgião que provavelmente não estaria disponível aquelas horas no sector privado em Boston (onde Amartya Sen reside). O interessante da história é Amartya Sen, que tem também experiência de viver em Inglaterra com um Serviço Nacional de Saúde, se ter dado ao trabalho de agradecer de forma tão pública, fazendo o contraponto tão claro com o que teria nos Estados Unidos, com uma outra forma de organização da prestação de cuidados de saúde. Curiosamente, a mulher de Amartya Sen foi tratada no hospital Gemelli em Roma, que está ligado ao Vaticano, e que presta serviços ao Serviço Nacional de Saúde italiano. A satisfação de Amartya Sen com o Serviço Nacional de Saúde italiano é não só mérito do sector público, mas também de como o sector público, neste caso, se associou com um hospital que não é público para a disponibilização de serviços. Há provavelmente mais nesta história do que apenas o confronto público em Itália – privado em Boston.


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Observatório mensal da dívida dos hospitais EPE, segundo a execução orçamental (nº 27 – Julho 2016)

Com algum atraso, devido ao momento do ano, a análise do dívida dos hospitais EPE com base na execução orçamental de Julho mostra uma aceleração dessas dívidas, claramente visível no facto dos três últimos valores conhecidos terem um crescimento médio mensal em valor absoluto superior ao que é a tendência histórica (juntando os períodos de crescimento da dívida dos hospitais EPE desde Janeiro de 2013).

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Há, no texto de análise da execução orçamental, uma potencial justificação: a “evolução no 1º semestre não reflete ainda as ações desenvolvidas no sentido de regularizar as dívidas a fornecedores, nomeadamente a utilização de saldos de gerência de 2015 (até junho foram utilizados 70 milhões de euros para este fim).”

Se passado meio ano ainda não foi feita essa utilização, a questão que se coloca é saber porquê. O aspecto preocupante contudo não é o nível absoluto, mas o ritmo de crescimento. Estando os hospitais neste momento já a operar com o orçamento de 2016 (ou deveria ser esse o caso), então se este orçamento fosse suficiente para cobrir as suas despesas não deveria haver mais crescimento da dívida dos hospitais EPE (a dívida passada lá estaria à espera de ser paga com os saldos de gerência). Havendo esse crescimento, ou a despesa dos hospitais EPE está em crescimento acima do orçamento razoável, ou o orçamento inicial não era razoável. Mas qualquer que seja a resposta, há um problema que não foi ainda resolvido. De acordo com a estimativa englobando a informação mais recente, o ritmo de crescimento das dívidas dos hospitais EPE é de cerca de 30 milhões euros por mês.

Com o novo portal do SNS e a sua área dedicada ao tema “Transparência” é possível olhar para a dívida total, vencida e pagamentos em atraso. Os valores apresentados são essencialmente os mesmos que estarão na base do valor global divulgado pela Direção-Geral do Orçamento na Execução Mensal (encontrei uma diferença de 0,06%). Desta informação, referente a Maio de 2016, 5 hospitais eram responsáveis por 60,35% dos pagamentos em atraso, e o top 10 correspondia a 80,91% do total dos pagamentos em atraso. Ou seja, o problema aparenta estar concentrado num grupo pequeno de hospitais (alguns são hospitais grandes, outros nem tanto).

 

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a sensação de estar a ficar velho surge quando

  • tenho que revalidar a carta de condução por idade
  • os filhos falam nos cabelos brancos a aumentar
  • o Portuguese Economic Journal quer saber como “estacionei” na Economia da Saúde (entrevista de 5 min aqui, e outros videos do PEJ aqui)


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European Health Economics Association

The 2016 conference of the European Health Economics Association took place in Hamburg in July 2016 (website here, contains program with abstracts of papers presented).

It was a great conference, organised by an excellent team lead by Jonas Schreyoegg.

It was also the end of my term as President of the European Health Economics Association. The new President is Andrew Jones (University of York), and the Assembly of Delegates voted for Lise Rochaix (Paris School of Economics) to be President-Elect (taking office in two years).

All current and past members of the Executive Committee of EuHEA and current and past members of the Assembly of Delegates were and are extremely helpful in building up EuHEA (an association of national associations and groups related to health economics). Thank you all for your efforts in the starting years of EuHEA.

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Present, future and past presidents of EuhEA (July 2016)


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Opinião sobre a evolução da ADSE

tornada pública no início de Agosto, disponível no site da ADSE (aqui) para quem tiver paciência para ler e não ficar apenas pelos resumos saídos na imprensa.


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Dilema: ter sanções ou não ter sanções?

A grande discussão económica das últimas semanas, brevemente interrompida pelos sucessos desportivos recentes, é se a União Europeia irá, ou não, aplicar sanções de natureza económica a Portugal, no cumprimento das regras a que Portugal voluntariamente se comprometeu quando integrou como fundador a zona euro.

É evidente que para Portugal, agora e neste momento, é melhor não sofrer sanções. E será sempre verdade “agora e neste momento”, qualquer que ele seja. O que está em causa não é se as sanções por si vão ajudar a economia portuguesa. Não vão. A questão é saber se Portugal (e já agora cada um dos restantes países do euro, pelo menos) tem capacidade de viver num mundo de decisões de política económica com regras fixadas previamente. O propósito dessas regras é evitar erros de política económica ou aproveitamento dos mecanismos europeus à custa dos restantes parceiros (e se todos fizerem isso, no final todos ficarão pior – é o velho problema da “conta do restaurante” ).

A criação de regras tem o potencial de gerar melhores decisões de política económica em geral, mas tem que lutar contra a tentação de subverter essas regras no futuro, argumentando que não se aplicam. Este debate sobre a relevância das regras é permanente. Há cinco anos, num outro texto, procurei explicitar o que nos diz a análise económica (ver aqui).

Mas qual é o problema de Portugal argumentar que não lhe devem ser aplicadas as sanções previstas pelos tratados que Portugal livremente assinou? Se o argumento se baseia em não estarem preenchidas as condições para essa aplicação, então a discussão é sobretudo uma discussão técnica, e deverá ser conduzida nesse plano. E Portugal tem neste caso toda a razão em discutir com os serviços da Comissão Europeia que preparam os documentos para a decisão política.

Mas se o argumento é que apesar de estarmos nas condições de aplicação de sanções, essa aplicação é prejudicial à economia portuguesa e como tal não deverá ser aplicada, então estaremos a ajudar a minar a credibilidade da estrutura montada para o enquadramento das decisões económicas, e também a minar a credibilidade nacional (quando Portugal se comprometer no futuro com decisões de longo prazo, os nossos parceiros “aprendem” desta situação que procuraremos renegociar mais tarde, o que afectará os termos com que quererão trabalhar com Portugal). O que se joga com as sanções a Portugal e Espanha no contexto europeu é a credibilidade de um sistema em que podem ser tomadas decisões de longo prazo e esperar que os países as cumpram versus um sistema de negociação permanente, com a incerteza a ele inerente. A discussão que tem sido feita em Portugal mostra a preocupação (grande) com o momento presente, ignorando os efeitos de longo prazo na credibilidade e reputação do país e dos mecanismos europeus (aspecto em que Portugal não está sozinho, claro).

 


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o “nosso” Euro 2016

Sim, este é mais um texto de parabéns à seleção portuguesa, e a todos os que nela participam, não esquecendo os 11 milhões, que serão mais do que isso, que fora do campo com ela estiveram.

Desde há 50 anos que as gerações de portugueses têm os “seus” jogos de uma época. No campeonato do mundo de 66, foi a glória do jogo com a Coreia do Norte, com Eusébio, e a derrota face à Inglaterra com as lágrimas de Eusébio. A este não assisti, mas ouvi falar repetidas vezes, e a internet permite rever a qualquer momento.

No campeonato da Europa de 1984, perder a meia-final contra a França de Platini, nos últimos momentos, e depois de ter estado a vencer. Menos de dois anos depois, a glória de um golo do meio do nada de Carlos Manuel num jogo na Alemanha, que levou a Seleção ao mundial do México.

Muito mais tarde, no Europeu de 2000, a reviravolta no jogo com a Inglaterra, com Figo, João Pinto e Nuno Gomes a marcarem os golos. Foi um dos dois jogos de glória dessa geração. Mas a meia-final contra a França e o penalty atribuído a Abel Xavier deixaram uma vez mais em lágrimas uma geração.

Quatro anos volvidos, a mesma geração, novo jogo épico – o Portugal Inglaterra, em que uma “bomba” de Rui Costa leva para as grandes penalidades, com Ricardo a entrar para a história – em 5 minutos defende uma grande penalidade sem luvas para logo de seguida rematar ele para fechar a vitória. As lágrimas apareceram depois, com a derrota na final frente a uma Grécia férrea.

Entramos depois de 2004 na época de Cristiano Ronaldo, onde a Seleção vai às fases finais, passa as fases de grupos mas acaba eliminada sem chegar às finais. O jogo mais marcante terá sido o que colocou Portugal no Mundial do Brasil, contra a Suécia, em que Ronaldo marca os três golos de Portugal no jogo para uma vitória que deixa Zlatan Ibrahimovic em casa. É o triunfo do capitão que corre e marca golos.

Em várias ocasiões, a França surge no caminho, e consegue sempre vencer. Até ontem.

O jogo de ouro da Geração Ronaldo tem a particularidade de Ronaldo não ter jogado. Mas as lágrimas de dor e depois de alegria de Ronaldo fecham um ciclo de 12 anos, para ele e para os portugueses. Vencer a França em Paris trouxe um sentido profundo de mudar o destino habitual. Mas este campeonato europeu não foi só este jogo.

Foi dito e redito. Vai ser analisado e reanalisado. Como todos têm direitos a bitaites, aqui ficam alguns. Os meus 6 destaques desta Seleção.

1. Fernando Santos, o treinador – jogaram 21 dos 23 jogadores (só os dois guarda-redes suplentes ficaram de fora). Construiu uma equipa dentro e fora do campo. Falou sempre com determinação, mesmo que por vezes não quiséssemos acreditar no que dizia quanto a regressar a 11 de julho com a taça. As escolhas que fez, retrospectivamente, tiveram todas bons resultados. Ficamos a saber que jogar bem não é igual a jogar bonito. Sim, o engenheiro sabe de futebol, mesmo que faça menos alarde disso que outros treinadores portugueses.

2. Cristiano Ronaldo, o capitão – vimos um Ronaldo capitão, a sacrificar-se pela equipa, a lutar pela equipa, aqui e ali com os tiques de vedetismo dentro de campo (podia ter deixado o Raphael Guerreiro marcar um ou outro livre, sobretudo depois de ter acertado pela milionésima vez no “boneco” da barreira). Foi um Ronaldo que queria o sucesso da equipa, e não o seu sucesso individual. Marcou dois golos para a história deste Euro – um de calcanhar e um de cabeça, este decisivo para abrir o caminho para a final. O Ronaldo capitão nas grandes penalidades contra a Polónia mostraram uma determinação dele e da equipa.

3. Pepe, o varre-tudo – Há anos que Pepe impressiona como defesa central, mas também como assumiu a sua condição de português. Quando fala sobre os jogos nota-se esse sentimento. Pepe varreu tudo na defesa em muitos jogos, e em vários deles seria, a meu ver, o homem do jogo. Ontem foi, e teve a sorte de na única vez séria que foi ultrapassado por um jogador francês ter um poste a ajudar.

4. Rui Patricio, o guardião – O guarda-redes pode ir do céu ao inferno em questão de segundos. Quando Rui Patricio desce ao inferno, recebe o cognome de Franguício. Mas nos momentos decisivos do jogo de ontem, os “frangos” ficaram em casa, os galos da França não cantaram porque Rui Patricio defendeu tudo o que foi preciso, e não foi fácil. Se houve sempre a sensação de que a França poderia marcar um golo (e teve ocasiões para tal), com o decorrer do jogo nunca foi por falta de confiança do e no guarda-redes. Deveria ter sido o homem do jogo.

5. Éder, o improvável – o único goleador dos 23 escolhidos por Fernando Santos era, foi, o “patinho feio” do grupo, como muitos falaram. Também tratado por o “pino” e ser representado por um pino de trânsito em vários pontos das redes sociais. Também achava graça às piadas sobre a improbabilidade do Éder vir a marcar o golo decisivo. Uma sua entrevista no início do Euro mostrava um jogador humilde, consciente até da imagem que tinha mas determinado a dar o seu contributo. Ontem, depois de entrar no jogo, vimos um Éder que conseguiu segurar o jogo fisico dos franceses, ganhando várias faltas importantes (e que poderiam ter resultado em golo), dando um ponto de referência avançado seguro para os médios colocarem as bolas e por fim marcar O golo do jogo e do Euro 2016 português.

6. A teimosia de toda a equipa – jogaram muitos prolongamentos, não desistiram quando estiveram a perder e recuperaram sempre, não houve histerias visíveis de desentendimentos quando estiveram em desvantagem. A teimosia chama-se hoje resiliência para lhe dar um ar mais positivo. Seja o nome que quiserem. Mas a teimosia de não desistir, e de chegar lá apesar do que os “outros” diziam, o querer este campeonato fez com que esta equipa conseguisse jogar e ganhar mesmo sem o seu jogador mais emblemático em campo. Aliás, tão equipa é que Cristiano Ronaldo lesionado se tornou em Cristiano Ronaldo treinador (só agora, a rever imagens do jogo me é possível aperceber do que foi esse papel do Cristiano Ronaldo, resultado de um querer ganhar por e com todos mesmo não estando dentro do campo de jogo).

Este foi um jogo de gerações!

Pela mão de  meu filho, Henrique Pita Barros, o passado veio dar apoio

“Já há 500 anos Camões pensava no jogo de hoje…

Cessem do sábio croata e do islandês
Os jogos grandes que fizeram;
Cale-se de Bale e de Lewandowski
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem os deuses do futebol obedeceram.
Cesse tudo o que a França canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

É hoje!” (retirado do facebook)

 

E uma fotogaleria dos momentos mais marcantes do jogo de ontem (“roubadas” em vários locais, os direitos de autor pertencem a quem tirou as fotos):

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A primeira defesa de Rui Patrício, a mostrar os perigos da França e a segurança da defesa portuguesa.

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Desde os tempos do liceu que não via uma “paralítica” destas. Na jogada que foi, é inevitável pensar no propósito maldoso da jogada, de lesionar um outro jogador para dar vantagem à própria equipa. Mais intencional, mais (muito mais) eficaz e mais subtil que os pontapés altos de Bruno Alves.

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Um sonho que se parece esfumar

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o momento de transição de capitão (e braçadeira retornaria mais tarde, para receber a taça)

O insólito do jogo foram as traças que por ali andavam, que aliás motivam duas teorias diferentes, sobre “ajudas sobrenaturais”

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Cá se fazem, cá se pagam. Censuráveis as duas, com consequências mais graves a primeira.

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Ainda o espirito de grupo, aqui com o humor dos adeptos e uma traça na câmara, que parece um fantasma negro em jogo.

A internet a divertir-se à conta do Éder:

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A resposta do Éder, a melhor de sempre:

Ronaldo transformado em treinador, nas costas de Fernando Santos

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Já nos treinos, Ronaldo dava a táctica do jogo.

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O regresso com a taça!

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até a policia de trânsito contribui para a festa!

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