Momentos económicos… e não só

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saúde no programa “PàF” (6)

A coligação “PàF” tem ainda um conjunto de propostas interessantes na área da digitalização da saúde: sistema de informação georeferenciado de dados de saúde – que suponho queira dizer que cada cidadão ou profissional de saúde poderá aceder à informação de saúde em qualquer ponto do país (às vezes o jargão técnico não é muito claro) e saúde digital – registo clínico electrónico. Nesta parte do eHealth e mHealth (jargão técnico para acedermos a informação e a serviços relacionados com o Serviço Nacional de Saúde através da internet e dos telefones móveis), tem havido desenvolvimentos que provavelmente irão ser continuados por quem quer que seja venha a formar o novo Governo. As funcionalidades existentes ainda andam um pouco aos soluços e os interfaces ainda não são totalmente amigáveis ao utilizados.

Numa experiência que fiz para testar o que está disponível, não houve dificuldade em criar e entrar numa área do portal da saúde que me seja dedicada. Consegue-se agendar consultas de médico de família, mas não com rapidez (ou seja, para ver o meu médico de família com brevidade para qualquer problema de imediato, a app no telemóvel não serve); há também uma área onde posso colocar medicação tomada, mas desconfio que o meu médico de família não sabe o que eu lá indicar se não for falar com ele – talvez fosse útil ter um botão para enviar informação registada ao médico de família que depois poderia assinalar que viu (isto é detalhe excessivo para um comentário ao programa eleitoral, mas mostra que é adequado dar atenção a estes desenvolvimentos – como nota final, talvez aqui o sector público possa aprender com plataformas privadas que estão a ser desenvolvidas, incluindo algumas de raiz nacional). Mas confirmei que a informação que coloco fica disponível imediatamente para o médico de família. “Atrasei” 5 minutos uma consulta para fazer um teste ao vivo, em que no meu computador coloquei nova informação no portal da saúde, na minha área pessoal, e um refresh no computador do médico de família revelou imediatamente essa mesma informação. Quando propus o teste real não acreditei que fosse funcionar, mas foi rápido e simples. O esforço realizado ao longo dos anos no desenvolvimento desta ligação está a dar os seus resultados em termos de sistema, e por isso será de passar à fase da utilização desta informação.


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saúde no programa “PàF” (5)

Outras ideias que surgem no programa “PàF” são a integração entre níveis de cuidados, a criação de um SIGIC para MCDTs, desenvolvimento dos cuidados paliativos e a atenção a dar à saúde mental, em particular as demências.

Todos estes aspectos são relevantes no sistema de saúde português, e no Serviço Nacional de Saúde. E expressos de forma genérica são também provavelmente bastante consensuais. Refletem, com grande probabilidade, as pessoas que foram ouvidas na elaboração do programa.

Desta lista, seria interessante saber mais sobre a intervenção que se pensa fazer nos cuidados paliativos, por um lado, e na saúde mental, por outro lado.

Também surgem as ideias de programar a rede hospitalar (e estou curioso para ver como é que esta programação da rede hospitalar é compatibilizada com a liberdade de escolha que também se quer promover – e se as pessoas não escolherem o hospital que foi “programado” para elas, muda-se a programação ou “obriga-se” à escolha?), rever a gestão das Unidades Locais de Saúde; e aqui seria bom conhecer qual a base de evidência de que se parte, quais os problemas encontrados que sugerem necessidade dessa revisão, e que aspectos têm que ser incluídos na revisão para que alcance os objectivos pretendidos – as intervenções políticas propostas também podem ter um pouco de “remuneração por objectivos”?

Dentro desta linha, surge uma vez mais a devolução de hospitais às Misericórdias, que é uma opção política e válida enquanto tal, mas não uma opção técnica com evidência que a suporte de forma inequívoca (na verdade, também não conheço evidência que se lhe oponha).


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saúde no programa “PàF” (4)

Outros aspectos focados no programa do PàF, para a área da saúde, são o papel do enfermeiro de família, as farmácias como parceiro do Serviço Nacional de Saúde, e a qualidade.

Sobre estes três aspectos, é de realçar a importância que a procura de “qualidade” pode ter para a melhoria permanente das instituições públicas que prestam cuidados de saúde, se for bem usada e não se traduzir apenas em obrigações de reporte e auditoria que em nada alteram a organização interna. Qualidade é “fazer bem à primeira”, evitando repetições de actos, por exemplo. Para maior desenvolvimento do que me parece adequado como papel da qualidade, remeto para o que está escrito do Relatório da Gulbenkian “Um Futuro para a Saúde – todos temos um papel a desempenhar”.

Quanto ao papel das farmácias, é uma mudança mais importante do que possa parecer, uma vez que se trata de as ver como um parceiro privado (ou muitos parceiros privados, na verdade) e não como um fornecedor de serviços. Mas será importante a distinção entre a rede de farmácias, e sua densidade, e cada farmácia por si só. A forma concreta como se concretizará fará toda a diferença. A tendência é que sejam definidos programas de prestação de serviços, com remuneração e avaliação de desempenho. A alternativa seria a “nacionalização” das farmácias para as incluir no Serviço Nacional de Saúde, mas duvido que seja essa a ideia. Este é um caminho que está a ser iniciado em vários países, e será de ir aprendendo com essas outras experiências, sem receio de também experimentar opções novas e adaptadas à situação portuguesa.

No que toca ao enfermeiro de família, depois de um longo (demasiado longo) processo de aceitação da ideia em termos formais, é necessário cuidar de a aplicar adequadamente. É um esforço que terá de ser feito ao nível de cada unidade de cuidados de saúde, e não tanto a nível central. A tentação nacional é sempre a de estabelecer regulamentos que nunca chegam a ser cumpridos mas que impedem a acção, ou pior ainda de estabelecer documentos legais que remetem para regulamentos que têm de ser feitos, e que nunca chegam a ser feitos. Desconheço o que se passa neste momento com os enfermeiros de família, mas gostaria que o primeiro passo não fosse o de estabelecer o regulamento dentro de cada unidade de saúde do que pode ou não pode, do que deve ou não deve fazer. Seria também bom saber se está previsto algum tipo de acompanhamento na recolha de informação, que permita vir a documentar os resultados das primeiras experiências de funções e integração dos enfermeiros de família.


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saúde no programa “PàF” (3)

Prevenção – não poderia faltar num programa eleitoral a habitual “aposta na prevenção” (com esta ou outra formulação) Vai-se depois a ver e o que se propõe é em termos de orçamento, e não por objectivos – o objectivo da prevenção é … prevenir… prevenir é evitar … evitar é não acontecer, o objectivo é então fazer com que não aconteça, pagamento por objectivos (ver o post anterior) é então pagar por algo que não aconteça, o que implica medir o que não aconteceu… ou então fixa-se um orçamento para prevenção (paga-se o processo) e deixa-se de lado o princípio enunciado…

Ora, parece-me razoável exigir que haja coerência interna das propostas feitas (e este não é um problema apenas da coligação PàF), pois o arrumar de termos da moda, no que é quase um bingo de buzzwords (mais uma para o bingo), normalmente significa ausência de pensamento concreto sobre o que fazer.

Ou seja, há ainda aqui muito trabalho de concretização de pensamento a fazer, e tenho a sensação que não será durante a campanha eleitoral que essa clarificação será feita. Até porque na verdade não se encontra, regra geral, muito pensamento estruturado, cá e lá fora, sobre qual a melhor forma de pagar e medir os resultados de prevenção (acaba-se sempre por pagar “processo”).


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saúde no Programa “PàF” (2)

Continuando a leitura do programa no campo da saúde da coligação PSD e CDS, outros termos chave usados são: financiamento por resultados, remuneração por objectivos, maior autonomia aos hospitais com resultados financeiros equilibrados, princípio da livre escolha, reforçar a contratualização, sistemas de incentivos.

Há uma opção clara pela utilização de mecanismos típicos do sector privado que têm sido importados para o sector público desde há pelo menos duas décadas. O problema central não está na utilização destes instrumentos, mas na verificação das condições para o seu uso e saber se há a intenção de levar até ao fim as implicações. Tomemos um que parece óbvio – remuneração por objectivos – mas é necessário definir objectivos que façam sentido e que possam ser medidos sem ambiguidades. O que na área da saúde poderá não ser tão evidente assim. O objectivo é tratar mais pessoas? Basta pagar de acordo com o número de pessoas atendidas, mas atender mais significa melhor saúde da população? Se o objectivo for saúde, como medidos a contribuição de cada intervenção para esse objectivo? Pagar por resultados implicitamente significa não pagar pelo processo, mas depois queremos que todos utilizem o mesmo processo senão há queixas de que alguém foi discriminado, como resolver essa tensão?

Resultados financeiros equilibrados quando é a mesma entidade que determina em grande medida as receitas e os custos (pelas obrigações de atendimento que impõe) é algo facilmente manipulável e não reflecte necessariamente boa gestão.

Os princípios enunciados são acertados e fáceis de receber concordância, o problema é que são demasiado genéricos e é depois na sua concretização que está o problema (e onde facilmente surgem as contradições). Nas condições de conhecimento e até consenso actuais não basta enunciar estes princípios, é necessário dizer como se reflectem em termos operacionais.


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debatezzzzz

é inescapável que haja um comentário sobre o debate de ontem, o problema é que há milhentos comentários sobre o debate … deixando de parte a ideia de originalidade na apreciação política, rápidas notas pessoais:

a) a dada altura já estava a contar quantas vezes Passos Coelho dizia o nome sócrates (até estava à espera de quando dizia não vou falar no nome sócrates, ooops I did it again…)

b) a dada altura já estava a antecipar que o António Costa ia olhar outra vez para mim (lá está ele a olhar para a camara directamente)

c) a dada altura, adormeci, literalmente, tenho testemunhas…

Ou seja, a primeira sensação foi de media training a mais, exageraram um pouco nisso, António Costa por vezes até parecia estar a recitar o que tinha treinado durante o dia.

Sobre conteúdo, não senti novidade em qualquer dos lados. António Costa naturalmente mais interessado em divulgar as suas propostas eleitorais. Passos Coelho basicamente a dizer que não se pode voltar à governação socialista anterior.

Houve uma área onde gostaria de ter visto mais detalhe e discussão no debate, mas provavelmente este não era o local certo: a segurança social – há aqui de facto duas propostas diferentes, e uma distinção relevante – o plafonamento que a coligação avança pretende ser uma solução para os problemas da segurança social, em termos de descontos e benefícios futuros (parece-me), enquanto o corte de contribuições proposto pelo PS pretende ser um instrumento de relançamento da economia, e como tal de natureza mais voluntária, deixando que as discrepâncias entre descontos e benefícios futuros sejam resolvidas pelo crescimento económico que argumentam seria conseguido. Por isso, as diferenças entre as duas visões são na realidade muito diferentes.

Nas várias reacções ao debate, e sobre “quem ganhou”, um exercício interessante seria confrontar a opinião do “fazedor de opinião” com o seu posicionamento na “bússola política“. No final de cada comentário deveria surgir esta informação – à primeira leitura de muitas reacções há uma associação muito grande entre quem se acha que esteve melhor no debate e o posicionamento (que pressuponho) nesta bússola política.


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sobre a uber

Hoje o dia começou, nas notícias radiofónicas, com a manifestação dos taxistas contra a Uber. O desagrado dos taxistas formais e dos seus representantes contra a Uber tem crescido de tom. A imagem pública que é dada é a de defesa da sua situação protegida contra uma nova empresa que presta um serviço concorrente.

Devo dizer que não utilizei a Uber. E tenho continuado a utilizar os táxis. A descrição que outras pessoas fazem da utilização do serviço da Uber é bastante favorável. Mesmo nos casos em que algo corre mal, e já ouvi relatos de situações menos agradáveis, a empresa foi rápida a tomar uma posição e a informar o cliente do que fez, oferecendo mesmo uma viagem gratuita. Os clientes da Uber que conheço apreciam o serviço prestado e a sensação de que como clientes têm impacto nesse serviço. E antes que perguntem, a Uber passa recibos e paga impostos em Portugal – esses utilizadores pedem recibo com número de identificação fiscal portuguesa e não têm problema em o obter.

Do outro lado, a experiência com os taxistas – da última semana. Chamada para central telefónica. Resposta rápida e sem problema. Taxista com viatura relativamente moderna e limpa. Cortês. Sendo uma viagem curta para o aeroporto, colocou bagagem de mão na bagageira, e informou-me que devido às dimensões da mesma não seria cobrado qualquer valor. E não o fez. Recibo passado sem problema. Regresso. Táxi apanhado nas partidas do aeroporto (como qualquer utilizador do aeroporto de Lisboa com os anos aprendi a poupar irritações desta forma). A mesma bagagem colocada na bagageira. Necessidade de corrigir o trajecto. Bagagem na mala cobrada, mesmo que o autocolante indicasse o contrário. Mea culpa que não tive paciência para discutir a opção. Recibo passado sem problema. Existindo a Uber e havendo tanta divulgação dessa opção, fiquei com vontade de na próxima vez experimentar.

Se até aqui foram reflexões de um consumidor, tome-se algum distanciamento sobre a situação. A Uber aparece com um novo modelo de negócio, que tem duas características essenciais – mais centrado no cliente e na qualidade de serviço. Não tem em contrapartida a facilidade de identificação e mandar parar para utilização como os táxis. Preço para a mesma distância aparenta não ser muito diferente e se alguma diferença existe é a favor da Uber. Em termos tecnológicos a oferta da Uber pode ser replicada por redes de táxis. A qualidade de serviço do condutor fica então como elemento distintivo fundamental. E neste campo a Uber surge como mais determinada a ter um controle apertado, dando poder ao cliente. E é um aspecto onde existe uma grande heterogeneidade nos táxis, e onde não é visível como poderão resolver esse aspecto, dando à Uber uma vantagem permanente.

De um ponto de vista de funcionamento do sector, de vantagem para o cliente, não encontrei motivo para que a Uber não tenha a possibilidade de operar. Não substituirá a conveniência imediata do táxi que passa na rua, mas certamente apanhará uma parte substancial do negócio. Da mesma forma que os tuk-tuk apanharam outra. O crescimento de novos negócios faz parte da evolução normal da economia. E não vejo aqui, numa primeira análise, qualquer razão para a manifestação dos taxistas que não seja a defesa da sua posição apelando para restrições legais em vez de fornecerem uma alternativa que seja preferível pelos clientes. Natural, mas dificilmente sustentável por longo tempo.


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e passando à “concorrência” nos programas eleitorais

o comentário de hoje é dedicado ao programa “PàF”, por enquanto nos aspectos relacionados com o sistema de saúde e o Serviço Nacional de Saúde.

A referência às apostas no SNS são as habituais, falando-se em sustentabilidade, competitividade, excelência e condições de exercício de liberdade de escolha. Sobre sustentabilidade, seria interessante que apresentassem uma definição do que entendem por esse conceito e como irá guiar a política pública.

Competitividade é também um conceito interessante neste campo, porque havendo regulação de preços, imposição de atendimento e regulação de qualidade, não é claro o que significa competitividade do Serviço Nacional de Saúde (ou das unidades que prestam cuidados de saúde) e quais as implicações da falta de competitividade (saída, via falência ou venda, na actividade económica em geral, duas alternativas que não estão tradicionalmente disponíveis no SNS).

Quanto às condições de exercício de liberdade de escolha, é necessário saber onde quando e como se pode ter, e sobretudo ter em conta que concorrência permite esse exercício, mas que ele também pode existir sem concorrência (ou pelo menos concorrência nos aspectos mais habituais de preço e qualidade). Sobre o exercício de liberdade de escolha, a sugestão de leitura do recente documento do Expert Panel on Efficient Ways of investing in Health sobre este tema precisamente (aqui), para se perceber melhor o papel de liberdade de escolha e o que são as condições necessárias para que possa funcionar em conjunção com o aspecto de concorrência (e sempre que há liberdade de escolha, tem que haver escolha, se há escolha há alternativas que concorrem entre si, e o que se torna crucial é saber em que variáveis se faz essa concorrência e que instrumentos as unidades de saúde têm para concorrer, explícitos ou implícitos).


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perceber as diferenças (2)

No post anterior, dei alguma atenção à comparação entre as estimativa do cenários com e sem propostas do programa do PS com as previsões da Comissão Europeia e do Conselho das Finanças Públicas (que são uma média de várias previsões internacionais). A principal informação retirada dessa comparação é que as estimativas de impacto aparentam ser optimistas (o que não é novidade neste tipo de exercícios, relembro o primeiro documento de estratégia orçamental do actual Governo que criticava os desvios anteriores no crescimento económico previsto e realizado, sendo que depois sucedeu o mesmo tipo de situação).

Trabalhando um pouco mais sobre os valores absolutos, uma vez que é dado o valor do PIB nominal previsto, um indicador que vejo como relevante é o PIB por trabalhador empregue. Apesar de o programa do PS ver o problema de crescimento da economia portuguesa como sendo decorrente de falta de procura, o crescimento da produtividade será essencial para que os níveis salariais possam aumentar de forma sustentada. Tomando o valor do PIB (em termos reais, com aplicação das taxas de crescimento indicadas) a partir de 2015 e dividindo pelo emprego total, pode-se comparar a evolução no cenário inicial e no cenário com as políticas.

Ao fazer este exercício resulta, como seria de esperar, um aumento da produtividade ao longo do tempo, à volta de 1% por ano no cenário com políticas, mas com valores mais elevados, cerca de 1,3% por ano nos dois últimos anos, no cenário inicial. Ou seja, o crescimento da produtividade é menor com a aplicação das políticas propostas. Este é um aspecto que gostaria de ver melhor esclarecido – qual o mecanismo no modelo usado que está na base no abrandamento do crescimento da produtividade?

Evolução do PIB (real) por trabalhador - cenário com políticas e cenário inicial

Evolução do PIB (real) por trabalhador – cenário com políticas e cenário inicial

 

 

Nota final: infelizmente não é possível  comparar as políticas propostas dos dois principais programas candidatos (PS e coligação PàF), pois apenas o PS deu, até ao momento, informação susceptível de ser analisada.

 


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Mobilidade transfronteiriça de doentes

Hoje surgiu no Público uma notícia sobre a (falta de) mobilidade de doentes portugueses no espaço europeu, num trabalho da Alexandra Campos (ver aqui). A pouca mobilidade de doentes entre países não é uma surpresa por si mesma, apesar de frequentemente se falar em turismo de saúde (mais na perspectiva de Portugal receber doentes, mas obviamente que se pode colocar também a questão de os portugueses irem receber tratamentos noutros países) e de ter sido publicada uma directiva na União Europeia que pretende facilitar esses fluxos.

Para uma discussão sobre turismo de saúde (turismo médico, mais exactamente), sugiro o recente Handbook on Medical Tourism and Patient Mobility, e para o papel da Directiva Comunitária sugiro a também recente Opinião do Expert Panel for Effective Ways of Investing in Health. Por fim, embora menos recente, é útil rever o documento da Entidade Reguladora da Saúde sobre o tema.

Essencialmente a mensagem é que mobilidade internacional de doentes é mais complicado do que parece, em termos de vantagens, desvantagens, condições necessárias para que seja efectiva e efeitos que pode produzir nos sistemas de saúde.