Momentos económicos… e não só

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dia da República, dia pós-eleições

Como é dia de comemoração da implantação da República, mesmo que não seja feriado, fica essa saudação (mesmo que sem grande sentido haja um Presidente da República desaparecido…). Passemos então a alguns comentários aos resultados das eleições.

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Sobre os resultados das eleições, no meio de tantos comentadores não há muito de novo que se possa dizer. Primeiro, os resultados propriamente ditos. A coligação perdeu cerca 730 mil votos. Não é tão pouco assim. Quem foi buscar esses votos? Sobretudo o Bloco de Esquerda (ganhou 261 mil votos, quantos deles se deverão às perguntas de Mariana Mortágua no inquérito parlamentar sobre o caso BES?). O PS ganho 182 mil votos, praticamente o mesmo que o aumento da abstenção. O PCP manteve-se estável (mais três mil votos). A desilusão é claramente o PS e não faltarão as análises sobre os erros de António Costa e da sua equipa (surgirão certamente os aspectos de falta de mensagem clara e mobilizadora, e de não ter conseguido aproveitar para colocar na discussão o documento estratégico sobre política económica que pediu a vários economistas, hoje deputados). Curioso é também registar que para basicamente o mesmo universo de eleitores a abstenção subiu apesar da sensação em muitos sítios de se ter maior afluência às urnas. Significa que a organização foi pior este ano, escolhendo (?) locais mais pequenos com maior dificuldade de circulação das pessoas (terá sido sequer pensada?).

Vão ter que ser tempos de negociação, inevitavelmente, e o centro dessa negociação será o PS. Seja para não derrubar um eventual governo PàF seja para liderar um governo que tenha o apoio do Bloco de Esquerda e da CDU (será difícil antever que se consiga ter um governo PS com não oposição PàF).

Em termos de grandes decisões estratégicas, significa que provavelmente se ficará bloqueado no actual status quo.

Tomando o campo da saúde, e retomando os programas dos partidos, até nem é difícil encontrar áreas onde se pode gerar consenso (desenvolvimento dos cuidados de saúde primários e dos cuidados continuados, genéricos e medicamentos) e áreas onde haverá divergência (devolução de hospitais às misericórdias, nalguma medida as PPP, integrar segurança social e saúde num único ministério). Noutras áreas as questões técnicas manterão a evolução, com mais ou menos soluços, como as questões de eHealth e mHealth (saúde digital é outro nome para essa evolução). A municipalização provavelmente ficará também mais pelas declarações do que pelas realizações.

Nos recursos humanos, não será complicado prosseguir com o desenvolvimento do papel do enfermeiro de familia, pois o ponto de desacordo está nas “revalorizações” salariais, em que quem estiver no governo quererá limitar à capacidade orçamental e quem estiver fora, incluindo organizações de profissionais – ordens e sindicatos, quererá sempre mais.

No modelo de financiamento global, a opção por financiar o SNS via impostos não é colocada em causa por nenhuma das forças políticas, e a verba destinada ao SNS dependerá da folga orçamental que o governo sentir. Não fará muita diferença quem esteja no governo, parece-me.

A principal ameaça virá da criação de despesa e de dívidas por as unidades de saúde, em particular os hospitais, se sentirem menos observados neste período e entrarem, como sucedeu recorrentemente no passado, em situações de gastar porque alguém irá pagar, e até lá não se paga à indústria farmacêutica (este problema é algo que reconheço me preocupa desde o final do século passado, sem ainda ter encontrado uma solução ou ter confiança que alguém encontrou a solução). O problema das dívidas, como escrevi várias vezes neste blog, é um problema de gestão e não apenas um problema de dar mais ou menos dinheiro. E em períodos de maior incerteza governativa será fácil voltar a realizar despesa sem saber se contribui realmente para melhorar a saúde da população, melhorar o acesso ou preparar a evolução do Serviço Nacional de Saúde.

O ponto de partida para criar actuações de consenso terá de ser um bom e permanente conhecimento do que se passa no SNS, e não apenas as ideias baseadas em observações casuísticas, ou de uma observação pessoal transformada em “verdade do sistema” (e é frequente isso suceder no campo da saúde).


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dia de eleições,

cinzento, de manhã, com chuva esporádica

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mas sem impedir que na Escola Básica 2,3 Professor Lindley Cintra – Rua Mário Sampaio Ribeiro – Lumiar, fosse hora de ponta, explicações possíveis:

a) menos mesas de votos e má organização

b) mais eleitores a votar antes do almoço para evitar a chuva

c) mais eleitores a votar.

Logo à noite saber-se-á, quando sairem os resultados.

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Se quiser usar os programas eleitorais sobre a saúde para decidir o seu voto…

(este é um post comum com o IPP – Instituto de Políticas Públicas Thomas Jefferson – Correia da Serra)

Há duas formas de olhar para os programas eleitorais dos partidos políticos (e várias coligações). Primeiro, olhar por temas, e ver para cada tema o que cada partido ou coligação apresenta como proposta. Segundo, ver onde estão as grandes semelhanças e grandes diferenças.

Decidi incluir nesta apreciação os programas eleitorais do PS, da PàF, da CDU, do Bloco de Esquerda e do Livre/Tempo de Avançar. O objectivo não é induzir qualquer orientação de voto, e sim dar informação sobre o que surgem como principais características das propostas de cada partido ou coligação, para que o leitor possa fazer a sua avaliação própria.

Começando pela segunda abordagem, é fácil identificar um conjunto de áreas de consenso, onde apesar das diferentes formas de escrever, as propostas coincidem em grande medida.

Todas defendem explicitamente o Serviço Nacional de Saúde (o que significa para cada um dos partidos poderá ser diferente, mas em termos de retórica sobre o grande modelo de organização do sistema de saúde português não há aqui divergência).

Também todos coincidem na importância de reforçar os cuidados de saúde primários, e uma maioria dos programas refere explicitamente o aumento do número de unidades de saúde familiar. Igualmente coincidem na importância e reforço dos cuidados continuados. Não é muito arriscado que terão coincidência de visão no papel dos genéricos.

As diferenças estão no papel do sector privado, rejeitado pelos partidos mais à esquerda do espectro político, mas não pelos dois maiores candidatos a ganhar as eleições.

O programa do PS tem uma preocupação maior com os aspectos de pagamentos directos das famílias, enquanto o programa PàF tem como elemento de maior diferenciação a saúde digital (o que é ainda mais expectativas do que realidades) e a utilização de mecanismos de mercado dentro do sector público. Mesmo que ambos os programas destes dois candidatos falem em liberdade de escolha, não é claro quais as consequências que retiram desse princípio.

Olhando agora por temas.

  • Cuidados de saúde primários – consensual o seu reforço e unanimidade.
  • Cuidados continuados – consensual o seu reforço e unanimidade.
  • Taxas moderadoras – propostas de eliminação por parte da CDU, Bloco de Esquerda e Livre. De alguma forma implícita no programa do PS quando refere os elevados pagamentos directos.
  • Hospitais – surgem aqui diferentes preocupações, que não são mutuamente exclusivas mas que revelam distintos pontos de interesse. O programa do PS destaca a gestão interna dos hospitais, enquanto o programa da PàF dá mais relevância a novos modelos de prática clínica e a ideia de crescente autonomia de acordo com os resultados alcançados. A preocupação com a gestão interna dos hospitais está também presente no programa do Livre. No caso da CDU não há uma ideia clara do que possa ser a intervenção. O Bloco de Esquerda tem como ponto central parar a devolução de hospitais às Misericórdias, o que deve ser incluído noutro ponto, relações entre sector público e sector privado.
  • No campo dos recursos humanos, os programas da CDU, Bloco de Esquerda e Livre enfatizam a revalorização salarial dos profissionais de saúde, sendo que o Bloco de Esquerda menciona ainda a exclusividade no exercício de funções no sector público. O programa do PS destaca-se pela menção à cooperação entre profissionais e o programa da PàF refere o enfermeiro de família. A diferença é menor do que parece nestes dois últimos casos, sendo a menção no programa do PS mais ampla ainda assim.
  • Medicamentos – defesa geral da utilização de genéricos, com indicação explícita nos programas do PS, da PàF e da CDU. Mas existem também diferenças. O programa do PS é o único a falar do acesso à inovação, com a preocupação de juntar a necessidade de rigor orçamental. O programa da CDU fala em acesso gratuito a medicamentos para doentes crónicos e o programa do Livre refere uso racional dos medicamentos e maior literacia (além da redução de copagamentos).
  • Nas questões de financiamento do Serviço Nacional de Saúde, há uma proposta concreta, do Bloco de Esquerda, de aumentar para 8,5% do PIB a verba disponibilizada ao SNS (resta saber o que diminui em contrapartida, ou se são aumentos de impostos que garantem este valor). O programa da CDU é mais prudente e refere apenas que deve ser o adequado, enquanto o Livre diz o mesmo, quando afirma que o financiamento deve ser o “suficiente”. Tem a proposta mais arrojada de retirar orçamento aos hospitais para dar aos cuidados de saúde primários (ficando por saber que serviços hospitalares são encerrados e onde, ou onde se diminui a actividade). O programa do PS refere o aumento do financiamento público reduzindo o privado, o que pode significar diferentes alternativas (que não são mutuamente exclusivas), como reduzir copagamentos nos medicamentos ou reintroduzir os benefícios fiscais para as despesas privadas em saúde. Globalmente, é mais interessante a primeira do que a segunda possibilidade. Não há uma explicitação do que pretende a coligação PàF neste campo, sendo provavelmente o mais simples assumir que é manter a situação actual de financiamento anual a partir do Orçamento do Estado.
  • Farmácias – são apenas mencionadas pelos Programas PàF e PS, ambos falando em valorizar o seu papel (expressão bastante vaga, e que não permite antecipar o que cada um fará caso seja eleito).
  • No papel dos cidadãos, o programa do PS e da PàF coincidem na ideia de introdução e desenvolvimento da liberdade de escolha, enquanto a proposta da CDU inclui a criação do estatuto do doente crónico (de forma consistente com a proposta no campo do medicamento). O Bloco de Esquerda fala em campanha de defesa dos direitos dos utentes do SNS, enquanto o Livre menciona apoio domiciliário, novos hábitos alimentares, e direitos dos utentes. Interessantemente, a referência aos novos hábitos alimentares remete também para o papel que os cidadãos devem ter na promoção da sua saúde (e prevenção da doença).
  • As relações público-privados apresentam diferenças importantes entre os vários programas. O PS fala em acompanhar as parcerias público – privadas (PPP), a CDU fala em terminar as PPP (suponho que seja resgatar? Ou não respeitar o contrato?) e rejeitar a gestão privada por princípio. O programa PàF tem dois aspectos centrais: papel das câmaras municipais e a devolução dos hospitais às Misericórdias. O Livre fala em parcerias locais, embora sem dar pormenores sobre como são estabelecidas essas parcerias e sobre quem recaem as obrigações financeiras. O Bloco de Esquerda apresenta uma proposta de imposto sobre vendas para apoiar a inovação.
  • Por fim, quanto às propostas que vão mais directamente à eficiência de funcionamento do SNS, há igualmente diferenças importantes entre as propostas. No caso do programa do PS há uma referência a modelos de governação baseados na melhoria contínua da qualidade. Para a PàF o elemento central é o pagamento por resultados e objectivos e a saúde digital. A CDU aposta na gestão pelos profissionais de saúde e suas organizações, e rejeita a municipalização (no que é um contraponto interessante à extensa experiência autárquica da CDU) e advoga a auto-gestão das unidades de saúde pelos profissionais de saúde. O Bloco de Esquerda alinha com este rejeitar da municipalização, e adiciona a realização de auditorias e aumento da autonomia dos agrupamentos de centros de saúde. O Livre tem uma opção diferente, falando em comunidades locais de saúde.

Aspectos positivos que destaco em cada programa eleitoral, no que têm de diferente: no caso do PS, a aposta na melhoria contínua da qualidade como forma de garantir eficiência no sentido de cuidados apropriados e permanentemente reavaliados; no caso da PàF, a atenção proposta aos cuidados paliativos, no que é acompanhada pelo Livre; no caso da CDU, o chamar de atenção para a saúde mental. No caso do Bloco de Esquerda, não identifiquei aspecto positivo distintivo face às restantes propostas.

Nos aspectos negativos, destaco, no caso do PS, a ideia de integrar a segurança social e a saúde (pois têm horizontes de intervenção muito diferentes, e problemas de natureza muito diferentes). Nas propostas da PàF, vejo como mais problemático o processo de devolução de hospitais às Misericórdias, caso ganhem um peso elevado no SNS. No programa da CDU, o que me preocupa é ignorar o papel dos “incentivos” (em sentido lato) que as respectivas propostas apresentam, como na gratuitidade absoluta na cedência de medicamentos e na auto-gestão pelos profissionais de saúde (na medida em que parece assumir que será sempre dado o dinheiro que for pedido, necessário ou não). No Bloco de Esquerda, a ideia de que basta gastar 8,5% do PIB, sem explicar como e porquê este valor, preocupa por ser fácil desaparecer o dinheiro (em aumentos salariais, por exemplo). Finalmente, relativamente ao Livre, preocupa a incerteza sobre o que significam as parcerias locais.

Em todos os casos, há um aspecto comum que é preocupante: todos falam no que querem alcançar, em objectivos, mas sem referir que restrições se defrontam e que escolhas ou prioridades estarão presentes se não for possível alcançar todos esses objectivos simultaneamente. Restrições neste contexto terão uma componente financeira, mas não exclusivamente. Existência de recursos humanos em termos de composição e dimensão poderão ser igualmente uma restrição activa a várias das medidas propostas. Todos os partidos são omissos quanto a este aspecto.

Uma visão complementar do André Peralta Santos está disponível aqui –  IPP – Instituto de Políticas Públicas Thomas Jefferson – Correia da Serra.


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feeling tired…

de manhã, apresentação do trabalho sobre (algumas) políticas públicas em saúde, sumário e apresentação disponíveis para download (tentarei responder a todas as perguntas em 48h ou menos).

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De manhã, em Lisboa

depois aulas na Nova SBE, e

ao final da tarde, intervenção na Organización Médica Colegial de España sobre patentes e medicamentos.

De tarde

De tarde, em Madrid, a exercitar um espanhol sofrível…


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Observatório mensal da dívida dos hospitais EPE, segundo a execução orçamental (nº 17 – Setembro 2015)

Os valores da execução orçamental referentes a Agosto de 2015 têm um valor mais baixo da dívida dos hospitais EPE (gráfico 1). A evolução descendente do último mês mais do que compensou a tendência de subida anterior. O valor do mês de Julho estava acima do que seria previsível pela tendência de descida, e o de Agosto ficou abaixo. Em termos de valores tendenciais, não se rejeita que a evolução verificada no final do Verão de 2014 seja similar à que ocorre desde abril, com um ritmo de descida que tem uma estimativa pontual de -9 milhões de euros por mês, embora não a variação que tem tido não exclua que seja nula em média (por conta dos dois meses de acréscimo que estão incluídos neste período). Apesar de tudo, o ano de 2015 teve, neste campo das dívidas dos hospitais EPE, uma evolução global mais favorável que o ano de 2014. Resta saber o papel que os diferentes reforços financeiros foram tendo, uma vez que sendo realizados de forma mais suave e sob diferentes nomes tiveram também um efeito mais diluído. A hipótese alternativa é que se começam a ver mudanças reais neste campo. Com a informação que tenho disponível não é possível fazer uma escolha entre as duas interpretações.

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Gráfico 3

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descubra as 8 diferenças…

Por uns momentos fiquei baralhado.

Teria ocorrido mais uma fusão académica em Lisboa sem ter dado por isso?

Seria um episódio Twilight Zone?

Ou apenas uma versão de “descubra as 8 diferenças”?

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Isto há cada coisa…

(Nota: este ISEG está localizado em Paris)


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sou do tempo em que…

nos aviões se tinha o aviso de proibição de fumar, e não o moderno proibido usar o telemóvelIMG_2353


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puxar o brilho à prata da casa

5 anos de Pordata. Ideia de António Barreto. Liderança e concretização de Maria João Valente Rosa. Apoio da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Uma nova forma de acesso a estatísticas sobre Portugal. Uma nova forma de as entidades que produzem estatísticas se relacionarem com o mundo exterior.

Comemorações com Hans Rosling, que desenvolveu um método de apresentar estatísticas de forma viva e apelativa (gapminder). Entre as várias estatísticas internacionais que falou, referiu que Portugal hoje tem a melhor esperança de vida para os países que têm rendimento (PIB per capita) similar. E essa característica não estava presente em 1980, primeiro ano  do Serviço Nacional de Saúde (criado em 1979). Os dois gráficos seguintes do gapminder ilustram esta diferença de 33 anos (2013 é o ano mais recente). Temos aqui uma base para maior ambição, que deve passar pela melhoria da qualidade de vida em idades mais avançadas, além da longevidade.

De qualquer forma, foi simpático vir alguém de fora “puxar o brilho à prata da casa”.

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Sábado. Expresso. Modelo de negócio.

Sábado. Fim de semana na Madeira para reunião de trabalho. Desejo de comprar um famoso semanário português. Procura de um ponto de venda. Ponto de venda encontrado dentro de um centro comercial. Como esperado, jornal só chega depois de almoço (pareceu-me natural). Pedido de reserva de exemplar, como faço frequentemente noutros locais. Não é possível. Dá para perceber, nunca se sabe se o “turista do continente” regressa para pagar. Proponho pagar adiantado, retirando todo o risco do negócio e se não aparecer até certa hora poderá vender novamente. Diz a vendedora que não tem autorização para aceitar. Peço para ligar a quem tenha a autoridade de poder aceitar. Não pode telefonar porque a patroa zanga-se. Como eu, quatro outras pessoas, também “turistas do continente”. Ok, pode ser uma venda pequena e não lhe fazer diferença. Mas não deixou de contrastar com o que tenho encontrado noutros locais. E não sei se toda a atitude de não querer vender é bom sinal para o modelo de negócio.

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sondagens, margens de erro e euforias (ou depressões)

As sondagens ganharam peso mediático inquestionável ao longo dos anos, e no caso das próximas eleições há, claramente, uma vontade de cada lado procurar criar um efeito de arrastamento por surgir melhor colocado nas sondagens. As que causaram maior impacto recente foram as sondagens RTP/CESOP, que dão vantagem entre 6 e 7 pontos percentuais à coligação “PàF”.
Uma sondagem sobretudo com poucos que respondem tem uma imprecisão grande e na descrição desta sondagem RTP isso é assinalado (aqui): “Dada a margem de erro desta sondagem, de 3,8 por cento, o limite mínimo do intervalo associado à votação na coligação (35,7 por cento) é inferior ao limite máximo do intervalo associado à votação do PS (38,2 por cento). Sublinham os autores da sondagem que, assim sendo, “isto quer dizer que, com base apenas nesta sondagem, não se pode dizer que a coligação tenha hoje mais intenções de voto do que o PS”.

Para seguir as diversas sondagens e a sua agregação, a recomendação que deixo é a informação do popstar, que tem desde o início do mês de Setembro de 2015 uma situação de empate técnico (com sobreposição quase total dos intervalos de confiança das intenções de voto nos maiores partidos, PaF e PS), e a opinião de Pedro Magalhães (aqui), que a ler tecnicamente os resultados das várias sondagens é insuperável.

Relativamente à sondagem da RTP, mesmo não conhecendo os ponderadores de cada resposta, só olhar para os valores absolutos dá uma ideia da imprecisão que pode estar presente – se todos os inquiridos tivessem a mesma ponderação de representatividade (e sabemos que não é assim), então dos 678 inquiridos 87 votavam PaF e 74 no PS, esta diferença de 13 votos, comparando com os 285 indecisos, dá uma ideia do grau de imprecisão que pode estar presente. [mesmo aplicando os ponderadores esta comparação deve ter a mesma ordem de grandeza]. A isto adicione-se os 45% que não completaram o inquérito ou recusaram responder (cerca de 554-555), e que provavelmente não têm a mesma distribuição de votos que os que responderam. Ou seja, sondagens são úteis quando têm um número de observações suficientemente elevado, o que não tem sido o caso. Por isso a agregação das várias sondagens é a melhor forma de obter informação. Comentar sondagem a sondagem é apenas adicionar ruído.

E também seria útil ir sabendo, além das margens de erro em percentagem que as fichas técnicas apresentam, qual o número de votantes na sondagem que separa os dois principais partidos/coligação e o número de indecisos.