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Espirito Santo Saúde: Angeles ou José de Mello Saúde?

A concorrência pela Espirito Santo Saúde (ESS) aqueceu ontem, não se pode dizer que de forma inesperada, com a proposta da José de Mello Saúde (JMS). O interesse da José de Mello Saúde traz animação a esta operação de venda da Espirito Santo Saúde. A oferta feita em termos financeiros limita-se a cobrir no (quase) mínimo decente a oferta do grupo Angeles, pelo que não é de excluir que este grupo queira realizar uma oferta que se sobreponha à proposta da José de Mello Saúde.

Uma comparação rápida do que pode trazer cada uma das propostas:

a) para a Espirito Santo Saúde – ambas as propostas implicam um grupo accionista estável, o que é desejável. No caso da proposta Angeles, e atendendo ao que é dito no comunicado da ESS, percebe-se que haveriam contactos anteriores, e há um (aparente, pelo menos) alinhamento com o desenvolvimento estratégico desenhado pela actual equipa à frente da ESS. No caso da JMS, sendo concorrentes em Portugal, haverá a subordinação dos activos da ESS à estratégia global da JMS.

b) para os accionistas da Espirito Santo Saúde: Em termos puramente financeiros, a existência de duas entidades interessadas (pelo menos duas, à data de escrita) é bom para quem vende.

c) para quem recorre ou encara recorrer aos serviços da ESS: separar em três situações – paga directamente no momento de utilização, utiliza os serviços da PPP da ESS (hospital de loures) ou utiliza os serviços da ESS com cobertura de seguro ou subsistema. No primeiro caso, a oferta Angeles permite manter alguma oferta concorrencial e é mais interessante que a oferta JMS. No caso da PPP não deverá ter qualquer impacto, dada a existência de um contrato. No terceiro caso, dependerá das relações com as seguradoras e subsistemas e acordos que sejam estabelecidos. A redução de alternativas (ver abaixo) dificilmente melhorará a situação para os doentes.

d) para os profissionais de saúde: tendo a JMS o seu próprio grupo na área da saúde com tradição em Portugal, é apenas natural que a liderança de gestão clinica e das decisões técnicas passem a ser realizadas pela JMS. Por outro lado, para os profissionais de saúde em geral reduz-se o leque de empregadores possíveis, levando a prazo a menores salários para todos os novos contratados, em qualquer parte do que seria o novo grupo JMS. Caso a aquisição seja feita pela Angeles, como é entrada de uma nova entidade, não será de esperar alterações significativas.

e) para a equipa de gestão:  a meu ver será sempre uma questão de tempo até à sua substituição. No caso da proposta JMS, deverá ocorrer de imediato; no caso da Angeles, poderá levar entre 1 e 3 anos, na minha estimativa, consoante a curva de aprendizagem do mercado português do grupo mexicano.

f) para as seguradoras – passam a defrontar um menor número de alternativas, pelo que é de esperar a revisão de algumas condições e com menor concorrência, os preços pagos pelas seguradoras tenderão em média a ser mais elevados do que sem essa concorrência, e que posteriormente serão passados aos segurados via prémios de seguro. A aquisição pela JMS tem neste aspecto consequências menos positivas que a aquisição pela Angeles.

Tudo junto, a aquisição pela Angeles, sendo entidade que não se encontra actualmente a funcionar em Portugal, é menos problemática que a aquisição pela JMS. O que pode “baralhar” isto tudo é a avaliação do potencial relativo de cada um dos grupos em assegurar uma gestão eficiente da ESS. A JMS conhece o mercado português, o que lhe confere à partida uma vantagem sobre a Angeles. A Angeles poderá querer trazer algumas das suas práticas de gestão do México, que poderão resultar ou não. É este o único factor de que um ponto de vista global poderá fazer pender, em pura análise técnica, a vantagem para a JMS (a Angeles fazer asneira a gerir a ESS), pois não acredito que haja grandes poupanças de custos que sejam passadas aos “clientes” (incluindo doentes e seguradoras) com a junção da ESS com a JMS.

Tenho também curiosidade de saber o que a Autoridade da Concorrência irá dizer, mas fica para outro momento a análise referente às decisões de aprovação pela AdC.


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trocas de palavras

entre o vice-Governador do Banco de Portugal e o responsável da KPMG sobre quem disse o quê e com que vigor sobre as contas do BES fizeram lembrar um livro, “O atiçador de Wittgenstein“, em que a dificuldade de reconstruir o que se passou em 10 minutos de discussão foi patente. A consequência mais recente poderá estar na reorganização de pelouros no Banco de Portugal.

Ou seja, provavelmente ambos estão certos nesta discussão – do lado do Banco do Portugal ficou a sensação de a chamada de atenção não ser suficientemente forte, do lado da KMPG ficou a sensação de ter dado a importância devida ao aviso – e como ambas são percepções, podem ser correctas enquanto tal, com ambos os lados genuinamente convencidos da sua razão.

Significa que se for necessário fazer uma avaliação de onde o aviso falhou se terá de ir além destas percepções dos intervenientes. Mas se não houve registo do que foi dito (mesmo que haja testemunhas da conversa, e não sei se foi uma conversa a dois, não é certo que se consiga reconstruir fielmente – regresso ao livro referido), ficará apenas o que de escrito se tenha feito antes e depois para suporte da reunião. Insistir no jogo de palavras e no que cada parte se lembra do que terão sido as reuniões relevantes pouco trará de clareza, e nenhum ganhará com a troca de acusações.

 


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voltaram as sinergias

para justificar decisões. Retirando do Diário Económico online: “A criação de uma nova empresa de infraestruturas em Portugal, através da fusão da Refer com a Estradas de Portugal, deverá trazer uma poupança de mil milhões de euros para o Estado nos próximos cinco anos, garante fonte oficial do ministério da Economia”.

As revisões das expectativas deste tipo de ganhos levanta-me sempre dúvidas porque:

a) qual a razão da incompetência na primeira previsão (não é clara qual a informação nova adicional)

b) há interesse em empolar as sinergias e poupanças (hipotéticas, neste momento)

c) em geral, nas operações de concentração e fusões, uma das regularidades observadas é que mais de 50% dos casos não tem as sinergias pré-anunciadas, e destrói mesmo valor face às empresas separadas antes, e não há razão para com empresas públicas esta regularidade ser diferente

d) quem anuncia estas sinergias não tem qualquer custo se as previsões de sinergias falharem

e) neste caso, como parecem estar a basear as sinergias na venda de imóveis significa que esperam poupanças sobretudo nos custos fixos, resta saber se os custos variáveis também registaram alguma poupança

f) se as poupanças são sobretudo a nível de custos fixos não é claro porque não há outras alternativas de obter essas poupanças que não passem pela concentração (já agora, se vamos de concentração em concentração, qual a diferença para uma direcção geral de infra-estruturas?)

Ficaria mais confiante neste tipo de afirmações se fosse dito que os responsáveis por estas afirmações devolveriam um terço do que ganham desde hoje até, digamos, 5 anos depois da operação de concentração se for verificado que após cinco anos não ocorreram essas sinergias. Desta forma teriam um custo de fazer previsões excessivamente optimistas apenas para justificar a sua decisão e teriam interesse em ser mais precisos nessa estimativa.


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novo dia, nova semana, novo ano escolar, nova vida

para os milhares de alunos que entraram para o ensino superior este ano. Chegam numa altura em que as universidade públicas, tal como o sector público, enfrentam imposições de redução de despesa e cortes salariais. Sou obviamente parte interessada neste tema, e esse facto deve ser sempre tido em conta pelo leitor.

É inevitável que as universidades participem no esforço de redução da despesa pública. E que se tornem mais eficientes. O problema está em definir o que é essa eficiência e qual o valor acrescentado. Em particular, é relevante saber o que se pretende que o ensino superior faça. Uma solução minimalista, para as áreas de economia e gestão (para as outras, quem lá está saberá sugerir o que é minimalista em cada caso): se o objectivo é apenas fazer passar os alunos 3 anos numa instituição de ensino superior enquanto ganham a maturidade necessária para trabalhar, então a solução “mais barata” é deixar de ter professores em exclusividade, e ter apenas professores convidados oriundos dos principais empregadores, que não só darão a perspectiva da “vida real” como podem estabelecer pontes para emprego dos alunos formados. Afinal, também não é raro ouvir dizer que na universidade não se aprende nada, que é depois no posto de trabalho que se faz a verdadeira aprendizagem.

Para assuntos mais sofisticados, depois de alguma experiência laboral, os trabalhadores fariam os cursos (mestrados, pós-graduações) que fossem realmente precisos.

Assim por alto, sendo as despesas com pessoal a principal fatia, não chegando a transferência do orçamento do estado para os pagar na totalidade em várias instituições, esta “simples” alteração poderia trazer uma poupança de mais de 50% !  Sendo natural que a maior parte desses professores convidados também trabalha, as aulas seriam dadas de manhã cedo ou ao final do dia, libertando as salas para outras actividades, incluindo aluguer ao exterior, possibilitando receitas extra (se todas as escolas o fizerem, haverá um excesso de oferta e as receitas poderão afinal ser pequenas, mas adiante).

Os actuais professores permanentes, sendo dispensados, poderão ir para as empresas mostrar que o seu conhecimento tem algum valor, ou procurar, no mercado internacional, que oportunidades valorizam as suas competências (alguns já o fizeram nos últimos anos, com sucesso).

A visão de que o ensino superior serve apenas como filtro de ordenação de candidatos a empregos, sendo o seu fim último satisfazer as necessidades do mercado de trabalho implica uma apreciação de produtividade da universidade em que há ainda imenso onde cortar despesa.

Numa visão alternativa, o ensino superior tem como missão dar uma formação de capacidade de aprendizagem, de ensino de conteúdos e de processos que permitam uma actualização futura desses conteúdos, de desenvolvimento da capacidade de análise e de trabalho, de criação inclusivamente.  Em que o objectivo não é o emprego imediatamente obtido no final da formação e sim uma preparação para uma vida activa, que enquanto profissional poderá ser bastante distinta da formação inicial. Neste caso, as características do corpo docente são distintas, a importância da investigação científica e de como a avaliar tornam-se mais relevantes, não bastará ter relatos imediatos da vida empresarial para uma formação completa, e sobretudo a métrica de avaliação é mais complicada, pois muitos dos efeitos relevantes surgirão muitos anos depois. E aqui torna-se mais difícil saber o que é a produção da universidade, e logo saber qual é a sua produtividade.

Uma solução é deixar que as escolhas feitas pelos alunos expressem esse valor esperado da universidade. Afinal, os alunos e as suas famílias têm o maior interesse em fazer essa avaliação num tempo longo. Só que deixar às escolhas dos alunos é perigoso, pois podem não escolher as áreas e as instituições que o Governo decidiu que são apropriadas, ou simplesmente decidiu que algumas instituições que não seriam escolhidas num contexto de total liberdade acabem por receber alunos por imposição de limites noutras.

Há naturalmente ainda uma terceira via, dizer que as universidades vão bem, fazem bem o que têm de fazer, é preciso é gastar menos, e por isso é necessário impor cortes orçamentais e regras que limitem a capacidade de fazer despesa. Esta é porém uma visão que também tem custos elevados, pois o espartilho de regras do sector público começa a ficar desproporcionado face ao que é o peso das transferências do estado para o funcionamento das universidades.

Voltando aos novos alunos, espero que encontrem à sua frente professores e funcionários universitários dedicados à visão de lhes proporcionar uma preparação para a vida activa (e não apenas maximizar a possibilidade de terem um emprego no final, para cumprir indicadores de empregabilidade), mesmo num contexto orçamental e organizacional difícil.

 

ps. Neste tema, tenho dupla declaração de interesses – como professor de uma universidade pública, como pai de estudantes universitários, estreante este ano num dos casos.

 

nova


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Das leituras recentes de investigação, o efeito mortífero do dia de recebimento do salário

é dos mais curiosos. De acordo com uma análise feita com dados suecos sobre os funcionários públicos, há um aumento da mortalidade devida a enfartes cerebrais, ataques de coração e problemas do sistema circulatório, no dia em que é recebido o ordenado.

Os autores têm um cuidado metodológico grande a procurar garantir que é um efeito causal (receber o ordenado provoca risco de mortalidade) e não apenas uma coincidência, explorando a situação de nem todos os funcionários receberem o ordenado no mesmo dia ou na mesma data e do motivo do óbito. Além do tipo de mortalidade, os dados revelam também que esta resposta em termos de mortalidade é mais forte para quem tem menores rendimentos. Aliás, o efeito “letal” de receber o ordenado desaparece para quem tem níveis de rendimento mais elevados.

Conseguem também verificar que este efeito de mortalidade não é por antecipação no curto prazo de uma situação de ocorreria no curto prazo (ter um enfarte no dia de receber o salário em vez de ter esse mesmo enfarte uma semana depois, por exemplo).

Em termos de mortalidade adicional por ano, a estimativa dos autores é de 96 mortes prematuras devido a este efeito, numa população empregada de 4,7 milhões de pessoas. Não sendo um efeito muito elevado, faz pensar se não haverá também outros custos de stress ainda por contabilizar (ansiedade de limitações financeiras que não resulta em reacções físicas que levam à morte) e quais os mecanismos que poderiam ajudar a mitigar este efeito.

Em particular, fica a curiosidade de saber se pagar semanalmente poderia levar a uma diferente gestão pessoal que evitasse os picos associados com o recebimento mensal do vencimento. Não foi um aspecto explorado no trabalho porque só tinham dados de recebimento mensal, mas fica a ideia para investigação futura.

 


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o que devia ter sido feito antes, mas surge vários anos depois

uma avaliação dos possíveis efeitos da famosa descida da TSU, por Pedro Rodrigues e Alfredo Marvão Pereira (aqui), com a  principal conclusão a ser: “a descida da TSU (compensada por um aumento da taxa geral do IVA) é uma medida com pouca potência para criar emprego e acelerar a nossa convergência à União Europeia em termos do nosso rendimento.”

Para leitura, discussão e contraditório, se for o caso.

 


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os ventos que sopram do World Economic Forum

o salto positivo que Portugal deu no ranking de competitividade do World Economic Forum tem recebido bastante atenção; é uma evolução boa, significa que a percepção sobre a economia portuguesa melhorou. E quando escrevo percepção é porque o ranking é construído em grande medida com base num inquérito a líderes empresariais – e as categorias do ranking que mais contribuíram para este subida, eficiência no mercado de trabalho e eficiência nos mercados de produtos, não têm uma medida objectiva universal e comparável entre países. Resulta então de percepções face às mudanças legais que foram sendo operadas nos últimos anos. 

Mas o ranking tem ainda duas outras características que estando também presentes no passado não têm sido valorizadas – o ranking nas áreas de inovação e tecnologia é melhor que o global, tal como as infra-estruturas, enquanto  a dimensão do mercado e a capacidade empresarial estão abaixo.

Ou seja, os desafios que este ranking ilustra são os de sempre, mesmo depois desta subida – conseguir alargar mercado, ou seja exportar, e melhorar a qualidade de gestão em Portugal. 

E agora claro cumprir as expectativas presentes na percepção sobre a maior eficiência nos mercados de trabalho e ter mais concorrência nos mercados de bens intermédios e produtos finais – tal como ficamos bem este ano, se a realidade não acompanhar as medidas tomadas, também rapidamente se inverte. 

(ps. no campos das infra-estruturas também se tem uma boa classificação, não é preciso mais investimento em obras públicas, pelo menos antes de melhorar a capacidade empresarial em Portugal)


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Orçamento rectificativo e ‘euromilhões’: quem deveria ser o vencedor?

Tinha pensado não escrever sobre o orçamento rectificativo, mas uma chamada de atenção na primeira página de um jornal a dizer “Retificativo dá ‘euromilhões’ a Pires de Lima”, chamou a atenção (cumpriu o seu papel), e sobretudo fiquei com preocupado.

Com a dívida pública a subir, o tempo é de não gastar para a reduzir. Mas a tentação de outros caminhos é grande. E a tentação é fácil de apregoar – basta dizer que o valor que se gasta dinamiza a economia (afinal, Pires de Lima é o ministro da economia) e com isso gera mais receita que compensa essa despesa – suspeito que em breve surgirá esse argumento.

Teria sido preferível que o orçamento rectificativo fizesse apenas o ajustamento das despesas de pessoal indispensável às decisões do Tribunal Constitucional, mesmo que as receitas de impostos tenham sido melhores que planeado. Se há “alguma folga”, que seja usada no pagamento da dívida pública que tem maiores juros.

Encontro dois motivos para esta preferência.

O primeiro é da natureza humana na política – instalando-se a ideia de haver alguma folga para despesas extra, todos os ministérios se vão posicionar para usar essa folga, todos os grupos de interesses se vão sentir tentados a procurarem novamente um bom lugar à “mesa do orçamento”, e os velhos hábitos saíram reforçados. Se a “folga de receita” diminuir, a despesa tende a ser permanente, e a sua redução não costuma ser nos que entretanto aproveitaram algum aumento de despesa que ocorra. Ou seja, não é improvável que aconteça algo como: diga-se que existem 100 de receita adicional, e logo apareceram propostas para gastar 300, dos quais 200 serão permanentes, mesmo que no próximo ano os 100 desapareçam.

O segundo motivo é saber qual o verdadeiro custo de oportunidade de alguma receita adicional que exista, ou de alguma folga conseguida por colocação de dívida pública a aproveitar as baixas taxas de juro para as emissões realizada. Na medida em que a dívida pública portuguesa tem uma diversidade de taxas de juro pagas em diversas partes, o custo de oportunidade de qualquer receita adicional é a taxa de juro mais elevada da dívida. Por exemplo, se houver dívida com juros de 4 ou 5%, então ou a despesa realizada tem um retorno para o Estado desta magnitude ou é preferível pagar antecipadamente dívida (o IGCP tem ao longo do tempo feito emissões a taxas mais baixas para substituir dívidas com taxas mais elevadas, é dar-lhes a verba adicional para que o façam com estas receitas de “folga”). Não só a “folga” aplicada desta forma reduz a dívida pública, como reforça a robustez do estado face a subidas de taxas de juro em futuras emissões.

Mas aproxima-se tempo de eleições, e o custo de oportunidade de mais despesa pública vai passar a incluir os votos que se podem ou não ganhar com mais despesa pública, em vez de redução de pagamento de juros e de dívida pública.

Retomando o título que originou este comentário, preferia que o ‘euromilhões’ fosse não para Pires de Lima e sim para o IGCP, com o objectivo de reduzir a dívida pública, com ela a redução do pagamento de juros, e então começar a tratar da asfixia fiscal sobre a economia portuguesa.