só por graça, e por ter surgido em comentários que recebi, aqui fica a noticia de uma conferência de economia e gestão num cruzeiro nas Caraíbas; também há possibilidades no Hawaii e noutros destinos igualmente “pouco” atractivos. Mas o custo da inscrição nesta conferência (hesitei sobre a utilização de aspas) acaba por ser inferior ao custo de inscrição de outras conferências academicamente com mais reputação (menos de 400 USD nesta conferencia vs cerca de 900 USD noutras), que agora se dedicam também a praticar preços elevados para gerar receita para os organizadores (abuso de posição dominante?).
Author Archives: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE
publicação académica e empreendedorismo a mais, ou como o “empreendedorismo” prejudica a ciência
Este não é um texto sobre as tão faladas ligações entre universidade e mundo empresarial. Este é um texto sobre spam e fraude científica.
Nos últimos meses tem vindo a subir o número de mensagens de spam de pretensas revistas académicas de ciência, nomeadamente da SciEdu – com o argumento de “open access”, se eu pagar umas quantas centenas de dólares poderei disseminar a minha investigação numa revista dita científica. Nestas revistas, o processo de “controle de qualidade” dos artigos (o chamado processo de revisão pelos pares, “peer review” soa melhor a tradução) é basicamente inexistente e existe já um site dedicado a listar as entidades, os empreendedores, que criam estas “casas editoriais” e as revistas que publicam, que têm recebido o nome de revistas predatórias. O site Scholarly Open Access (também conhecido como Beall’s list (por ter sido criada por Jeffrey Beall) reporta casos conhecidos de “editoras cientificas predatórias“, em que o modelo de negócio consiste em fazer autores pagarem a publicação em supostas revistas científicas, como forma de “aumentarem” linhas no seu CV.
Com a “quantificação” do mundo académico – quantos artigos em revistas internacionais ? – em vez do contributo – o que avançou no conhecimento a investigação feita? – surgiu uma oportunidade para os empreendedores – criarem editoras.
Como a quantificação e pretensa objectividade também é usada nos concursos académicos (basta ir ver os editais de concursos, por exemplo, fazendo no google uma busca por: concurso para professor associado + edital), resulta que mais cedo ou mais tarde estes próprios concursos irão ser afectados por este “empreendedorismo” na publicação científica – candidatos com muitas publicações “compradas” irão querer ser preferidos, e contestarão decisões onde estas publicações sejam “desclassificadas” ou pelo menos muito desqualificadas. A parte séria e preocupante é que facilmente se poderá passar a ter uma parte da comunidade científica assente nestas ditas “publicações”.
produtividade, se faz favor
O anúncio de novas medidas de estágio para desempregados (programa Reativar, noticia aqui e aqui) levou a uma reacção das centrais sindicais que se baseou numa interpretação política da medida (aqui e aqui) e também seguida pela oposição parlamentar (aqui) – como forma de reduzir artificialmente o desemprego.
Embora não tenha conseguido encontrar detalhes do programa no site do Governo, a informação disponibilizada na comunicação social sugere que este programa terá algumas condições adicionais sobre as empresas (terem contratado de forma permanente estagiários anteriores) e sobre os trabalhadores.
Pode-se esperar que esta medida seja solução para o desemprego de pessoas com mais de 30 anos (as abrangidas pelo programa)? a resposta é quase certamente um “não”, pois para um retomar duradouro do emprego é necessário aumentos de produtividade, que terão de estar na base do crescimento económico que todos dizem querer. É aliás curioso notar como o tema da produtividade saiu da atenção pública e mediática.
Ora, aumentos de produtividade na economia como um todo surgem ou da mobilidade entre sectores, passando trabalhadores de sectores com pouca produtividade para outros com maior produtividade (e que podem implicar mobilidade geográfica dos trabalhadores), ou transformação de processos produtivos, ou produção de bens e serviços de maior valor (neste caso, aumenta o valor da produtividade e não apenas a produtividade física).
O programa anunciado pode ajudar neste aspecto? ao promover que trabalhadores (que já passaram pelo mercado de trabalho) e empresas “experimentem” a sua relação, pode contribuir para que sejam encontradas situações de maior produtividade, boas para ambos os lados (sobre esta lógica de “experimentação” e pares trabalhador – empresa, deixo a sugestão de (re)ler o livro de Mário Centeno, O trabalho, uma visão de mercado).
As medidas acessórias criadas apontam para que se evitem “os profissionais dos estágios e formações” (sejam empresas ou trabalhadores), e até o facilitar da mobilidade geográfica parece estar a ser contemplado.
Dois aspectos adicionais que podem ajudar a um papel útil destes estágios: a) haver uma majoração no apoio ao estágio se o trabalhador entrar num estágio numa área de actividade distinta das que teve no passado; b) a avaliação final do programa (estará prevista?) ter informação não apenas sobre estagiários e transformação em emprego dos mesmos mas também sobre produtividade dos trabalhadores colocados, como forma de perceber o papel que o programa possa ter tido na criação de melhores “pares”, como contraponto das acusações de serem apenas apoio às empresas” ou terem “fins meramente eleitoralistas”.
No fundo, a pergunta é como é que a medida contribui para que haja maior produtividade na economia, que é a única forma duradoura de ter mais emprego (todos estarão de acordo com este objectivo) e salários mais elevados (todos estarão de acordo também com este objectivo).
Gato Fedorento na gestão da PT?
A PT SGPS que é accionista da Oi que é dona dos activos da PT Portugal que estão para ser vendidos à Altice adiou a sua Assembleia Geral. A PT SGPS como accionista da Oi pode impedir que a Oi venda à Altice os activos da PT Portugal. Preciso sempre de escrever detalhadamente estas ligações dada a confusão que facilmente geram. Ora, este detalhe é essencial para se perceber que
a) se a PT SGPS parar a venda dos activos da PT Portugal à Altice, significa que a PT Portugal continua nas mãos da Oi, logo é empresa brasileira, e como não faz parte da estratégia da brasileira Oi (que já assumiu não ter uma estratégia lusófona global e sim local no Brasil), não é claro qual será o rumo dado às operações em Portugal;
b) se a PT SGPS parar a venda dos activos da PT Portugal à Altice, a PT SGPS não fica a gerir os activos da PT Portugal (só para reforçar o ponto anterior);
c) se a PT SGPS parar a venda dos activos da PT Portugal à Altice, a actual gestão da PT Portugal continuará em gestão corrente sem poder verdadeiramente pensar a longo prazo;
c) se a PT SGPS parar a venda dos activos da PT Portugal à Altice, sem haver outra entidade que possa entrar na concorrência para os adquirir, e apenas por “birra nacional” face aos “erros” de gestão da PT com o investimento na Rioforte, está-se a prolongar a falta de rumo estratégico de longo prazo, o que a Nos e a Vodafone, principais concorrentes da PT nas telecomunicações em Portugal, agradecem.
Ou seja, como os “erros” de gestão não são reversíveis, devem ser vistos como um custo afundado da actividade, e ver-se daqui para a frente qual a melhor opção para a PT Portugal como empresa. Não sendo recuperável a situação pré-fusão com a Oi, e não tendo a Oi interesse em Portugal como mercado, a venda é inevitável.
O adiamento obtido agora não trará provavelmente novos compradores da PT Portugal, e não trará uma nova definição estratégica da Oi para o mercado português. Servirá quando muito para melhor se compreender o que foi feito no passado recente, mas sem verdadeiramente alterar a venda à Altice.
Entretanto, Armando Almeida, à frente da PT Portugal, que disse há uns meses não lhe ter sido dito que a empresas estava à venda, tem-se mantido silencioso. Espero que por esta altura tenham falado com ele, quem vende e quem compra a empresa que está a gerir.
Todo este último ano da PT parece ter sido criado pelos Gato Fedorento, que passaram da publicidade para a condução estratégica da empresa, não fora os muitos milhões “enterrados” no BES.
salários na função pública, e o ministério das finanças como excepção?
O Ministério das Finanças anunciou recentemente que será atribuído um suplemento remuneratório aos trabalhadores do respectivo ministério, e desde logo surgiram as críticas, baseadas até no tradicional “trabalho igual, salário igual”, sem cuidar de saber se o trabalho desenvolvido neste ministério é de facto igual ou não. A necessidade de apetrechamento em recursos humanos adequados no ministério das finanças é clara e tem sido reclamada. Até agora, houve sempre o pudor de o próprio ministério das finanças assumir as suas dificuldades de recrutamento. A lógica de dar o exemplo, com limitação das contratações resultou, ao longo dos anos, numa situação difícil para os recursos humanos deste ministério. Aliás, na série de seminários Sextas da Reforma, um dos assuntos recorrentes foi a falta de recursos humanos no ministério das finanças.
Significa então que há um problema na necessidade do ministério das finanças atrair trabalhadores qualificados? tudo indica que sim.
Dada esta resposta, a pergunta seguinte é saber se o suplemento remuneratório é um instrumento útil e desejável, se atinge os objectivos pretendidos.
E é aqui que creio surgir a dúvida central – este reenquadramento remuneratório deveria fazer parte de uma nova política de recursos humanos para toda a administração pública, onde o princípio de salário igual para trabalho igual fosse aplicada, sendo que “trabalho igual” não é o mesmo que “categoria na carreira igual”. E onde se pensasse na utilização efectiva dos instrumentos que foram criados nos últimos dez anos dentro da administração pública. Mesmo com igual massa salarial, a sua distribuição poderia ser feita de forma distinta; em particular, a reposição de cortes que começou a ser feita este ano poderia ter sido usada de forma selectiva atendendo à produtividade e contributo dos diferentes funcionários. Se os trabalhadores do ministério das finanças tiverem um maior horário de trabalho, uma maior exigência sobre as suas vidas profissionais e até pessoais, então o suplemento remuneratório surgiria por essa via, e não por pertencerem a um ministério em particular.
Acresce que aceitando esta diferenciação de acordo com o ministério onde se trabalha se abre a porta para a pulverização em excepções das condições remuneratórias dentro da função pública. O que se irá trazer complexidade e opacidade, e devíamos ter aprendido já com essas duas características estão na origem de maior despesas sem correspondentes resultados.
Ou seja, esta excepção é um erro não por diferenciar mas por diferenciar de acordo com uma característica que não está necessariamente associada com melhor desempenho de funções e por permitir que conceptualmente possam haver excepções (hoje esta, amanhã certamente aparecerão outras funções públicas especialmente penosas a requerer suplementos remuneratórios).
e o post do dia foi substituido por “je suis charlie”
Hepatite C, novamente,
a propósito de um artigo sobre a situação em Espanha de Fernando Lamata e Ramon Galvez, que além de colocar um valor presumível no tratamento em Espanha tem alguns dos mesmos argumentos que coloquei aqui há poucos dias.
Comentário recebido via facebook: “Repegando” neste caso, até que ponto faria sentido as patentes de tecnologias consideradas essenciais não deveriam estar sujeitas a um regime de “fair cost” (i.e. que tomasse em conta os benefícios da exploração da mesma, duração da protecção intelectual e custos de desenvolvimento)?”
Esta é uma questão antiga – de qual a melhor forma de remunerar a inovação?
O sistema de patentes, o mais generalizado, tem a vantagem de ser um sistema descentralizado – verifica-se se há inovação, e depois cabe a quem diz que tem essa inovação “provar” que é desejada, vendendo o novo produto ou serviço. A patente dá uma protecção, mas depois o produto ou serviço tem que mostrar os seus méritos no mercado, isto é, convencer os cidadãos/consumidores a preferi-lo face às alternativas. Para bens de consumo, temos imensos casos de sucesso de funcionamento deste sistema.
No caso dos medicamentos, em cima da protecção da patente tem-se um sistema de defesa dos cidadãos face às consequências financeiras de custos inesperados com cuidados de saúde – que faz com o interlocutor de quem obtém a inovação e a patente não seja o cidadão (ou o doente), e sim quem paga, companhia de seguros de saúde nalguns países, fundos específicos noutros e Serviço Nacional de Saúde (ou pagador central), noutros países entre os quais se inclui Portugal.
Num contexto em que tudo o que os cidadãos queiram o Estado (ou qualquer outra entidade, normalmente designada de forma genérica como terceiro pagador) deve pagar, o preço da inovação (e da não-inovação) cresce desmesuradamente, e essa situação levou à criação de mecanismos adicionais em que os terceiros pagadores de cuidados de saúde procuram influenciar a adopção de inovação e o preço a que essa inovação é introduzida. As empresas, pelo seu lado, procuram naturalmente obter o melhor preço possível para os seus produtos, com o argumento de pagar a inovação presente e futura (para investimento em investigação e desenvolvimento de novos produtos).
O “fair cost” aqui seria o valor mínimo que garantisse à empresa a recuperação do investimento realizado e que pague os custos de produção. Mas significa que em vez de ter mecanismos de mercado se quer avançar para regulação de preços mais apertada. Numa economia fechada, até nem seria conceptualmente complicado. Contudo, numa economia global com muitos países, coloca-se também a questão do que é a “fair share” de contribuição de cada país para o “fair cost” de investigação e desenvolvimento.
Uma solução conceptualmente possível mas de difícil operacionalização é um fundo global, com contribuições de todos os países, comprar a patente pelo seu “fair cost” e depois permitir que seja genérico imediatamente (aproveitando as “forças da concorrência” para aproximar o preço do produto do seu custo de produção). Problemas imediatos: consenso sobre a ideia, definição do que cada país contribui para o fundo e determinação do “fair cost” a pagar à empresa.
Pode um país por si só tentar determinar o “fair cost”? a posição isolada de um país tem algumas dificuldades adicionais – se for suficientemente pequeno para não ter grande impacto na remuneração da inovação, também será suficientemente pequeno para eventualmente a empresa considerar não colocar o produto disponível nesse país (e os novos medicamentos não ficam disponíveis ao mesmo tempo em todos os países, por decisão das empresas, como regularidade empírica encontrada em várias análises das últimas duas décadas); se todos os países tomarem essa posição, de pagar apenas pelo “fair cost” de produção, deixará de haver retorno para a investigação e desenvolvimento, mas se cada país quiser incluir no “fair cost” a sua “fair share” da investigação e desenvolvimento, como se garante que no final a soma de todos paga de facto a inovação desenvolvida não deixa de ser um problema de coordenação entre países.
Encontrar outras formas de remunerar a inovação e ter ao mesmo tempo os incentivos certos para essa procura de inovação e disponibilização da inovação é um tema em discussão. Uma sugestão de leitura: o livro de Suzanne Scotchmer.
Pacto para a saúde (5)
Voltando ao tema do pacto para a saúde, e sem preocupação de seguir a ordem dos vários pontos, tomemos o referente às deduções fiscais na saúde.
As deduções fiscais na saúde têm dois efeitos – por um lado, dão protecção pública, via sistema fiscal, a despesas de saúde, quer sejam realizadas no sector público (taxas moderadoras, co-pagamentos de medicamentos comparticipados pelo SNS) quer sejam no sector privado. São, na verdade, uma cobertura de seguro adicional num sistema de pagamento antecipado pelo cidadão e reembolso posterior pelo Estado. Por outro lado, são uma protecção selectiva, na medida em que apenas quem paga impostos beneficia destas deduções – quem não tem rendimentos ou rendimentos suficientemente elevados não tem qualquer ganho das dessas deduções fiscais. A dedução fiscal é uma percentagem da despesa realizada (10% em 2014, 15% em 2015: “dedução das despesas de saúde: 15% do valor suportado como despesas de saúde, por qualquer membro do agregado familiar, com o limite global de € 1.000, com a aquisição de bens e serviços, isentos de IVA ou à taxa reduzida.“), significando que quem gasta mais também recebe mais em termos dedução fiscal. A limitação do total de dedução fiscal em rendimentos mais elevados procura fazer com quem tenha rendimentos mais elevados tenha menor benefício fiscal.
De qualquer forma, apenas pelo aspecto de as famílias que não pagam impostos não terem benefício fiscal por não terem imposto ao qual abater esse benefício, as deduções fiscais reduzem a progressividade do sistema fiscal.
Antes de discutir os valores concretos destas deduções, o primeiro passo é saber qual o papel que se pretende para estas deduções fiscais, e se esse papel não poderia ser cumprido de outra forma. Por exemplo, em tudo o que seja pagamento das famílias em despesas de saúde no Serviço Nacional de Saúde (SNS), a protecção financeira deve ser dada logo no pagamento (taxa moderadora ou co-pagamento), ou ser por reembolso via sistema fiscal? E no caso das despesas privadas realizadas pelas famílias, porque é preferível o reembolso via sistema fiscal a pagamentos directos do SNS a serviços que sejam prestados pelo sector privado e que o SNS considere dever cobrir? É importante que a arquitectura global do sistema de saúde seja internamente consistente, em que os instrumentos de protecção financeira usados sejam consistentes com os objectivos. Por exemplo, se for dado como desejável que o primeiro ponto de contacto do cidadão com o sistema de saúde seja nos cuidados de saúde primários, a decisão do cidadão recorrer directamente a um especialista (ou a um hospital) privado deverá ter cobertura financeira via sistema fiscal? é que a dedução fiscal actua como uma redução do preço pago pelo cidadão quando recorre a uma alternativa que não é a considerada mais desejável na arquitectura do sistema.
Elementos centrais desta discussão são a) que grau de cobertura financeira dar pelo Estado (seguro público)? b) em que medida considerações de eficiência devem ser incluídas? c) em que medida considerações de equidade devem ser incluídas; d) qual o melhor instrumento para assegurar esse grau de cobertura financeira?
A discussão deste ponto do pacto para a saúde passa por responder a estas perguntas. Veremos se com o aproximar das eleições os programas partidários lhes darão resposta, ou se simplesmente se limitam a “jogar” com os valores e abrangência das deduções fiscais em saúde.
(Nota: para a importância destas deduções fiscais no sistema de saúde português, sugere-se a consulta da conta satélite da saúde publicada pelo INE, sendo de apontar que antes das recentes reduções nestas deduções, o seu valor – o seguro público dado pelo sistema fiscal – era claramente superior ao total dos prémios de seguro privados pagos pelas famílias em Portugal – ver aqui)
e o evento que mais marcou 2014, em termos económicos, foi
a) não o ter-se mantido o euro (ainda houve quem apostasse no seu fim no início do ano, mas agora para 2015, isso parece ter desaparecido), mas podia ter sido;
b) não o fim do programa de ajustamento, apesar do contador decrescente (inicialmente com data errada) que até existiu;
c) não a prometida reforma do estado, ainda que adiada e provavelmente mal entendida no que deve ser: a criação de um processo continuo de melhoria do estado, em lugar de um big bang determinado por algum (ou alguns) iluminado(s)
d) não o “estourar” do GES, com o BES a ser dividido, apesar do prometido impacto sistémico ter até ver sido bastante contido, se exceptuarmos a PT e o seu ruinoso “investimento” (aspas porque se duvida que tenha sido investimento no sentido que habitualmente se dá);
A meu ver, a verdadeira novidade económica esteve ligada ao GES, mas não pela intervenção do Banco de Portugal, ou pelo que se vai descobrindo do funcionamento interno do GES.
O que marca uma viragem decisiva face ao passado é a decisão do Governo de deixar falir o que era visto como o banco do regime, levando a sério o funcionamento da economia, e impondo o ónus de má gestão e de decisões erradas a quem as toma. É certo que pelo meio houve “danos colaterais”, nomeadamente quem desconhecendo os riscos tenha ido ao aumento de capital do BES, mas não há investimento em acções que sejam imunes ao risco. De qualquer modo, o diferente está na atitude perante as grandes empresas, mesmo financeiras. Se esta for uma mudança permanente, então um elemento importante da “reforma do estado” terá sido alcançado. Faltarão muitos outros. Mas a sensação de que o Estado não tem como missão salvar grandes empresas, privadas, dos seus erros de gestão é fundamental para um bom funcionamento da economia. Para que empresários mais inovadores se possam colocar objectivos de “destronar” empresas reinantes, que não irão ter possibilidade de recorrer ao Estado para as proteger.
Veremos se esta primeira decisão é seguida, no futuro, por outras similares, mesmo que venham a ser governantes diferentes a tomá-las. Será uma mudança mais profunda que muitos eventos que se classificaram como caracterizadores de 2014.
Como nota final, tinha pensado em não comentar o ano de 2014, e não fazer previsões para 2015. Cumpro apenas a segunda parte, pois quanto à primeira parte, depois de várias leituras e comentários sobre o que foi 2014, cheguei à conclusão que não alinhava pelo mesmo olhar de muitos comentadores.
Blog: 2014 in review, by courtesy of WordPress
Com um obrigado aos leitores e comentadores deste blog, a informação coligida pelo WordPress.
The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2014 annual report for this blog.
Here’s an excerpt:
The Louvre Museum has 8.5 million visitors per year. This blog was viewed about 99,000 times in 2014. If it were an exhibit at the Louvre Museum, it would take about 4 days for that many people to see it.






























