Momentos económicos… e não só

About economics in general, health economics most of the time


4 comentários

e depois das revistas académicas, as conferências…

só por graça, e por ter surgido em comentários que recebi, aqui fica a noticia de uma conferência de economia e gestão num cruzeiro nas Caraíbas; também há possibilidades no Hawaii e noutros destinos igualmente “pouco” atractivos. Mas o custo da inscrição nesta conferência (hesitei sobre a utilização de aspas) acaba por ser inferior ao custo de inscrição de outras conferências academicamente com mais reputação (menos de 400 USD nesta conferencia vs cerca de 900 USD noutras), que agora se dedicam também a praticar preços elevados para gerar receita para os organizadores (abuso de posição dominante?).

Screen Shot 2015-01-20 at 16.17.29 Screen Shot 2015-01-20 at 16.17.20 Screen Shot 2015-01-20 at 16.17.11 Screen Shot 2015-01-20 at 16.17.05 Screen Shot 2015-01-20 at 16.16.58


Deixe um comentário

as avaliações da Fundação para a Ciência e a Tecnologia

dos centros de investigação deram muito que falar durante o Verão, embora as versões definitivas saídas há poucos dias tenham passado relativamente despercebidas. É interessante ver que posicionamento está associado com os 10 centros que passaram à segunda avaliação nesta versão final face à versão inicial. Procurando usar a relação estatística entre a decisão de passar à segunda fase de avaliação, é possível obter uma estimativa da probabilidade cada um desses 10 centros ter uma decisão de passagem à segunda fase, com base nas decisões de todos os outros centros e nas características de cada centro. A relação estatística envolveu a estimação de um modelo probit (apresentado no final deste post, mais detalhes dos dados e das variáveis usadas estão aqui). As probabilidades para os 10 centros são:   .2007464, .2916102, .4771398,  .5284375,  .6417158,  .685995, .8014539, .9862189,  .9995956

Ou seja, há centros que em comparação com outros não deveriam ter sido repescados (2), outros estarão numa zona de incerteza (2) e os restantes têm características que sugerem essa passagem. A figura seguinte ilustra essas situações de mudança com os pontos laranja a representarem as unidades de investigação que na versão inicial não tinham passado à segunda fase e que na versão final tiveram essa decisão. Duas das unidades de investigação mais vocais por não terem passado incluem-se neste lote de 10 com mudança de decisão, e de forma correcta se se comparar com a sua posição relativa. Nota-se também acima de certa dimensão (cerca de 60 investigadores em equivalente em tempo integral) todas as unidades passaram à segunda fase (ver quadro descritivo abaixo).

Centros que viram a sua decisão mudada face à probabilidade de passagem

Centros que viram a sua decisão mudada face à probabilidade de passagem

 

 

Caracteristicas do grupo que passou à segunda fase (1) e do grupo que não passou (0)

Caracteristicas do grupo que passou à segunda fase (1) e do grupo que não passou (0)

Screen Shot 2014-10-11 at 21.57.45


9 comentários

sobre a avaliação dos centros de investigação,

que levou a tanta insatisfação pública dos avaliados negativamente, de acordo com o que se vai lendo nos jornais, há alguns aspectos que não têm sido devidamente analisados, com o detalhe que merecem. O que fica na memória das diferentes notícias, entrevistas, reportagens, é a ideia de que esta avaliação procura destruir o sistema de ciência nacional. Curioso é que não haja o cuidado metodológico de análise do que foram os resultados da avaliação que se exige na produção de conhecimento científico.

Primeiro aspecto importante: nesta primeira fase da avaliação, foram seleccionados centros de investigação para uma segunda fase. Como há incertezas e erros, é natural que existam falsos negativos (casos que deveriam passar à segunda fase, e não o foram) como falsos positivos (centros que passam à segunda fase, sem que tal se justifique). Para os primeiros, prevê-se o mecanismo de contestação, para os segundos existe a possibilidade  de ver  baixar a sua avaliação na segunda fase. Exigir-se que esta segunda possibilidade não esteja presente é admitir que a avaliação de primeira fase terá sido infalível, não havendo então lugar a discordar por haver centros que não passaram à segunda fase. Ou ainda mais estranho querer-se afirmar que o sistema de avaliação só falhará em identificar adequadamente centros de investigação num dos sentidos. Não me parece haver nada que o justifique.

Segundo aspecto, diz-se que metade do sistema cientifico deixa de ser apoiado – há aqui uma grande imprecisão, resultante de uma característica que tem passado em grande medida ao largo da discussão – os centros de investigação de maior dimensão, recolhendo eventualmente dimensão crítica para melhorar o seu desempenho, tiveram maior probabilidade de passar à segunda fase. Isto faz com que se em número de centros quase 50% não tenham passado à segunda fase, esses mesmos centros representam apenas 33% do total de investigadores abrangidos pelos 322 centros avaliados.

A principal característica desta avaliação foi a de encontrar, em média, uma forte associação entre a dimensão do centro de investigação e a passagem à segunda fase – ou seja, centros maiores tendem a ser melhores; ou dito de outro modo, há muitos centros de investigação de baixa dimensão, com menos de 25 investigadores, que acabam por não seguir em frente na avaliação. Não é claro que a solução para esses centros seja a extinção, poderá haver a alternativa de se juntarem a outros similares, atingindo massa crítica.

Não significa que não tenham existidos erros de avaliação, e que não tenham existido erros na comunicação e tratamento dos resultados. Contudo, a defesa de que todos os centros são, ou têm de ser, excelentes e financiados de forma igual, apenas por existirem, como parece estar implícito, não é provavelmente defensável. A questão central que se coloca é como dar o salto seguinte de melhoria de todo o sistema de investigação, e se a maior dimensão traz de facto vantagens. Esse traço presente nos resultados tem estado fora da discussão, mas não haverá realmente centros de investigação demasiados e de dimensão insuficiente?

Para dar suporte às afirmações acima sobre o papel da dimensão dos centros avaliados, basta ir buscar a informação publicamente disponível no site da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (ficheiro excel disponível aqui). Com base nesta informação, retira-se, tratando todos os centros por igual e sem atender às diferentes áreas científicas (por essa informação não constar do ficheiro disponibilizado), que

a) os centros que passam à fase 2 (variável passar=1) são 53% do total e abrangem 2/3 dos investigadores:

Centros que passam à segunda fase

Centros que passam à segunda fase

 

 

 

 

 

 

 

 

b) 118 centros (em 322) têm menos de 25 investigadores (média de 16 investigadores por centro, mínimo de 10), e 103 têm entre 25 e 50 investigadores – ou seja, um pouco mais de 2/3 dos centros têm 50 ou menos investigadores.

Número de investigadores por centro, por grupo de dimensão

Número de investigadores por centro, por grupo de dimensão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

c) a percentagem de centros que passou à segunda fase é maior nos grupos de dimensão superior do número de membros do centro; há uma relação clara entre ter maior dimensão e maior probabilidade de passar à segunda fase, mas para todas as classes de dimensão, há centros de dimensão que passam à fase 2 e centros que não passam.

percentagem de passagem à fase 2 segundo a dimensão do centro

percentagem de passagem à fase 2 segundo a dimensão do centro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

d) dos centros de investigação que não passaram à segunda fase, houve a classificação de “poor” – “fair” – “good”, e mais uma vez existe uma associação entre maior dimensão do centro de investigação e melhor nota.

Dimensão média dos centros, segundo a classificação atribuída (para os que não passaram à fase 2)

Dimensão média dos centros, segundo a classificação atribuída (para os que não passaram à fase 2)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

e) um teste simples sobre a diferença do número de membros entre os centros de investigação que passam à fase 2 e os que não passam confirmam que em média os que passaram são maiores.

Teste de diferença de médias de dimensão (número de membros)

Teste de diferença de médias de dimensão (número de membros)