Momentos económicos… e não só

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Programa eleitoral do PS (3)

Como entretanto o projeto de programa eleitoral do PS passou a ser mesmo programa, a continuação da leitura comentada passa a ser ao programa eleitoral, mas mantenho a numeração que vinha dos textos anteriores.

O terceiro texto é um pouco mais longo, e saiu no Observador (aqui). Reproduzo abaixo para ficar no blog com um registo completo.

Caminhos para a saúde: 5 propostas do PS

O Programa Eleitoral do Partido Socialista tem, como era esperado, um capítulo dedicado à saúde. Relativamente à proposta colocada em discussão pública, o documento final tem algumas diferenças, mais de detalhe do que em elementos essenciais. A consulta pública não resultou, pois, em sugestões importantes ou que tenham sido acolhidas.

As propostas apresentadas procuram exaustividade, cobrindo diversas áreas. Como tal, em várias situações são dadas indicações de que rumos poderão ser prosseguidos mas com detalhe insuficiente para se conseguir discernir qual o seu verdadeiro alcance e potencial efeito.

Na impossibilidade de cobrir todas as ideias apresentadas, tomemos cinco das principais propostas. A primeira é a integração das “prestações de saúde com as da segurança social”. A justificação dada é uma maior coordenação no apoio à população idosa. Compreende-se a justificação. Contudo, a segurança social abarca muitas intervenções além da associada com esse apoio. Se a ideia é juntar num organismo comum apenas e unicamente esse apoio, canalizando verbas quer do Ministério da Segurança Social (ou como se venha a chamar num eventual Governo do PS) quer do Ministério da Saúde, mantendo as restantes intervenções das respectivas áreas separadas, poderá haver alguma vantagem. O objectivo é vencer descoordenação que exista. A solução seria assim proporcionada.

Mas se o objectivo for juntar os dois ministérios num só, a “solução” provavelmente falhará, mesmo que as situações relacionadas com o emprego sejam colocadas noutro ministério, separadas das prestações sociais. Os tempos de decisão de cada uma das áreas são diferentes. No campo da saúde há sempre uma premência maior na garantia da assistência à população, enquanto na Segurança Social a definição do sistema de pensões e o seu financiamento apelam a um pensamento de longo prazo. Não é que na saúde não se tenha que pensar no longo prazo (é o que implica prevenção da doença e promoção da saúde), mas o mais imediato acaba por captar a atenção de quem decide. Claro que na segurança social, nomeadamente nas pensões, se pensa também como as pagar hoje e amanhã, e há as prestações sociais de combate à exclusão e à pobreza que têm igualmente natureza mais imediata. Mas a atenção na segurança social, pensões em particular, está nas regras de longo prazo. Querer juntar decisões que exigem tempos de decisão e tempos de reflexão tão diferentes num só ministério tem tudo para não funcionar.

A este argumento junta-se a recente experiência de superministérios da presente legislatura, que tiveram o resultado final conhecido de separação a meio do percurso. Curiosamente, esta proposta, com alguma importância, é mencionada apenas na introdução do capítulo. Não há a sua exploração ou fornecimento de mais detalhes posteriormente.

Uma segunda proposta, de âmbito genérico e estratégico, surge numa secção que destaca “uma nova ambição para a Saúde Pública” e consiste na estratégia “saúde em todas as políticas”. Esta ideia foi formalmente defendida pela presidência finlandesa da União Europeia há dez anos, e está também presente do recente Relatório Gulbenkian sobre a Saúde (“Um futuro para a Saúde – Todos temos um papel a desempenhar”). É uma estratégia que se baseia na intervenção de múltiplos sectores de atuação pública para promoção da saúde, e não apenas tratar doentes. Assim especificado, é demasiado vago, mas será difícil concretizar qual a abordagem concreta, pois dependerá também da colaboração de outros ministérios (que terão deixar de ver o Ministério da Saúde apenas como um concorrente por recursos financeiros do sector público).

A terceira proposta, ou conjunto de propostas, gira à volta de “reforçar o poder do cidadão no SNS”. É traduzida num primeiro princípio, o de liberdade de escolha (ainda que com a salvaguarda de “respeito pela hierarquia técnica e pelas regras de referenciação do SNS”). Embora seja fácil defender este princípio, nem sempre é claro quais as consequências dessa defesa em termos de políticas. Pode-se pretender ter liberdade de escolha dentro de um quadro em que há forte regulação das entidades do SNS que prestam os cuidados de saúde, ou usar essa liberdade de escolha como forma de motivar uma melhor prestação de cuidados de saúde. Mas nesse caso, o que se está a dizer é que se pretende ter concorrência dentro do sector público, caso em que será necessário perceber em que factores as diferentes unidades “concorrem” para serem escolhidas e quais as consequências de não serem selecionadas. Será possível ter “falências”? ou a liberdade de escolha resulta no final em premiar quem pior gere (tendo menos trabalho e/ou reclamando mais recursos)? Liberdade de escolha não é equivalente a concorrência. E concorrência necessita de ser enquadrada num conjunto de condições para que possa produzir resultados socialmente favoráveis.

Por outro lado, “reforçar o poder do cidadão” poderá também ser no sentido de uma maior capacidade de decisão do cidadão, como verdadeiro parceiro no processo de definição dos cuidados de saúde. É um papel diferente do mero exercício de uma liberdade de escolha de prestador de cuidados de saúde. Exige uma mudança da forma como os profissionais de saúde, nomeadamente os médicos, se relacionam com os doentes.

A quarta proposta que merece referência é a expansão dos cuidados de saúde primários, em particular com a instalação de meios auxiliares de diagnóstico e de terapêutica. O recurso à urgência hospitalar tem sido um tradicional factor de disfuncionalidade no SNS, pois existe disponibilidade a todas as horas e todos os dias e oferece a conveniência de ter no mesmo local a possibilidade de atendimento e da realização dos exames que sejam necessários. Sendo uma intervenção que faz sentido, será necessário depois tratar das decisões que evitem duplicações desnecessárias. Curiosamente, em todo o documento não há menção a outras formas de resposta dos cuidados de saúde primários, como a figura do enfermeiro de família e a linha Saúde24.

Por fim,  a quinta proposta a referenciar é o papel dos cuidadores informais. É um aspecto pouco conhecido e pouco desenvolvido em Portugal, mas que se antecipa venha a ter um lugar relevante no futuro dos sistema de saúde.

Globalmente, o programa do PS toca em muitos aspectos da prestação de cuidados de saúde, e de uma forma geral com propostas que merecem ser discutidas. Nota-se a ausência de uma ideia clara sobre as fontes de fundos para o SNS, havendo como única referência os elevados pagamentos diretos das famílias, que se pretende que diminuam. Como grande parte desses pagamentos estão associados com a utilização de medicamentos, fica no ar a possibilidade de uma alteração das comparticipações do Estado, geral a toda a população, ou então programas de apoio social à compra de medicamentos, com verificação da necessidade de apoio. O que traria de novo a questão de integração de diferentes políticas sociais, combate à pobreza e política de saúde neste caso. Ficou, também aqui, a faltar o detalhe necessário para uma apreciação mais completa.

A transformação de muitas das ideias presentes no programa apresentado em medidas concretas irá exigir um trabalho suplementar de detalhe, incluindo as suas implicações em termos de necessidades de recursos e de mudança de sistemas de financiamento das entidades que fazem parte do Serviço Nacional de Saúde, e frequentemente boas ideias perdem-se numa má concretização. Está, de qualquer forma, lançado um conjunto de ideias para discussão.


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IMF country report 15/21 sobre Portugal

O relatório, de Janeiro de 2015, tem dois pontos centrais: necessidade de reforçar a estabilidade do sector financeiro num contexto de baixa taxa de crescimento económico e excessiva dívida empresarial.

É também referido que a política orçamental, no seu objectivo para 2015, se baseia em projecções optimistas.

Há também o risco do investimento produtivo vir a ser mal direcionado, pois os preços dos bens transacionáveis voltaram a crescer durante o ano de 2014, o que torna esse sector relativamente mais atractivo para investimento, dependendo da evolução dos respectivos custos. Resta saber, o que não é detalhado no relatório, se esse aumento de preços decorreu de aumento de custos e talvez até menor margem nos sectores não transacionáveis, ou se é resultado de capacidade em aumentar em preços (poder de mercado).

Retira-se igualmente da leitura do relatório que as limitações ao crescimento e ao emprego continuam presentes. Em particular, a elevada dívida das empresas impede o investimento produtivo. Por seu lado, os desempregados vão perdendo a sua capacidade de inserção no mercado de trabalho.


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sobre o “Programa Nacional de Reformas 2015” (7)

e chegando ao fim.

Os quadros do capítulo 6 são impossíveis de ler se não forem (muito) ampliados. Tem um resumo com uma coluna de implicações orçamentais, em que apenas numa minoria há referência ao que possam ser essas implicações. Há alguma coisa no mercado de trabalho, há referências a situações que não têm implicações orçamentais porque usam fundos estruturais e há alguma coisa na despesa social. Em 17 páginas de letra muito miudinha, há 104 entradas das quais 22 tiveram direito a um comentário (nalguns casos quantificação) sobre efeitos orçamentais.


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sobre o “Programa Nacional de Reformas 2015” (6)

(continuando)

  1. Mercado de habitação e economia paralela nesse mercado: como é sobretudo acompanhamento, nada sairá em tempo útil. É um sector de pouca agilidade em Portugal, e que contribui para pouca mobilidade geográfica da população, o que poderia facilitar também questões de emprego (todos querem emprego qualificado à porta de casa, em vez de considerar mudanças de localização para obter um emprego melhor – é quase mais fácil ver pessoas a mudar para Londres, Lausanne ou Barcelona do que para o Porto em resposta a um desafio profissional).
  2. Aspectos legais de regulação a serem melhorados.
  3. Eliminar restrições em serviços profissionais: aparentemente está em curso, com produção legislativa como solução. E provavelmente irá sendo adiado e transformado até que o efeito seja nulo em termos práticos.

25, Eliminar atrasos de pagamentos no sector público – ainda uma questão…

  1. Garantir recursos adequados aos reguladores nacionais e à Autoridade da Concorrência. Pensar na “accountability” das respectivas acções; nomeações mais clara nas escolhas e nos mandatos recebidos pelos reguladores.
  2. Modernização da Administração Pública (Central, Regional e Local) – a habitual aposta nas TICS; e integração de serviços públicos no contacto com o cidadão.
  3. Melhorar a eficácia do sistema judicial e aumentar a transparência. Novamente só se fala em códigos e organização judiciária, não da prática da justiça. Remeter para a sessão do Nuno Garoupa nas Sextas da Reforma é o mais natural.
  4. Falam em contratar uma Universidade para avaliar as reformas… nem merece mais comentários. Esperemos que seja uma universidade fora de Portugal, para não haver problemas de conflitos de interesses.

(continua)


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uma nota de satisfação

pelo sucesso na frente científica da investigação feita em Portugal em economia. A revista cientifica International Journal of Industrial Organization (para a maior parte das pessoas calculo que perfeitamente desconhecida, mas que é bastante conceituada na sua área) atribui um prémio aos dois melhores trabalhos nela publicados em cada ano. E este ano o prémio (referente a trabalhos publicados em 2014) vai para portugueses a trabalhar em Portugal.

Os parabéns à Rosa Branca, ao Duarte Brito, ao Hélder Vasconcelos e ao Ricardo Ribeiro !

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Projeto de programa eleitoral do PS – versão para debate público (2)

A primeira proposta do PS é dedicada a procurar garantir um melhor acesso dos cidadãos ao SNS no seu primeiro contacto quando se sentem doentes, “ampliando a capacidade de, num só local, o cidadão obter consulta, meios de diagnóstico e terapêutica que ali possam ser concentrados, evitando o constante reenvio para unidades dispersas e longínquas”. Embora não o seja dito neste ponto, o pensamento é de reforço de cuidados de saúde primários, procurando também ao mesmo tempo resolver um problema crónico de utilização excessiva de urgências (que é um problema por resolver de uma forma que desperdiça recursos escassos situações clínicas que podem ser igualmente resolvidas com mais proximidade nos cuidados de saúde primários). Esta é também uma proposta que surge no mais recente relatório sobre Portugal pela OCDE, e que vai de encontro ao que tem sido encontrado como factor relevante para a procura do primeiro ponto de contacto com o Serviço Nacional de Saúde – conveniência de atendimento e realização de exames num único momento e local.

A transição do actual uso da urgência hospitalar como ponto privilegiado de acesso não programado dos cidadãos (onde vão quando se sentem doentes e querem resolver rapidamente a sua situação) para esses outros locais é algo que precisa de ser pensado com cuidado, não sendo de excluir que nalguns casos a própria urgência hospitalar possa ser a melhor solução (no relatório OCDE, é apontado que ter especialistas de medicina geral e familiar nas urgências hospitalares pode também ser uma solução nalgumas zonas).

A segunda proposta muda de plano, e em vez de acesso centra-se na protecção financeira das famílias. A proposta é que os “32% [de pagamentos das famílias] têm que ser progressivamente revertidos para valores que não discriminem o acesso, nem tornem insolventes as famílias.”

Há aqui algumas observações relevantes. Segundo a Conta Satélite da Saúde (cujo ano mais recente nesta data de consulta é 2013), as despesas directas das famílias com saúde são 27,58% das despesas totais em saúde. Houve uma subida deste valor desde 2010, inevitável face à redução dos benefícios fiscais que transformavam despesa privada em despesa pública em saúde através do sistema de impostos.

Mais importante do que esta percentagem, numa lógica de protecção das famílias que parece estar aqui presente, é o peso das despesas com a saúde nos orçamentos familiares. Esta preocupação tem sido formalizada no conceito de despesas catastróficas em saúde, isto é, despesas que provocam uma redução no rendimento disponível do agregado familiar suficientemente forte para que haja um efeito empobrecedor ou de redução substancial de outros consumos essenciais das famílias.

Da análise mais detalhada deste conceito de despesas catastróficas, e que pode ser feita de várias formas, infere-se que em Portugal os copagamentos com medicamentos são especialmente relevantes para os agregados familiares de menores rendimentos, enquanto a utilização de serviços privados (incluindo no parte relevante cuidados de saúde oral / medicina dentária) é relevante nos escalões de rendimento mais elevados. A evidência mais recente para Portugal é de 2010/2011, do último inquérito às despesas das famílias realizado (este ano deverá iniciar-se outro). Duas análises de despesas catastróficas podem ser consultadas aqui e aqui.

Infelizmente, não há um detalhar de como o programa do PS pretende proceder a este re-equilibrio, que será mais uma questão de que protecção financeira se quer dar. O que obriga a conhecer o perfil de despesas catastróficas, por um lado, e o custo do “risco” destas despesas para as famílias (se não é despesa privada, terá que ser despesa pública).

Admitindo que estas despesas privadas directas são demasiado elevadas, então a consequência imediata é a redução dos copagamentos nos medicamentos, aumentando a parte comparticipada pelo Estado. Se não for este o “mecanismo”, interessa saber qual possa ser. Repor deduções fiscais, por exemplo, é outra possibilidade, mas que terá como consequência beneficiar mais os níveis de rendimento médio e alto (os rendimentos baixos que não chegam a pagar impostos não beneficiam por definição de uma dedução fiscal).

Note-se que os valores de 2011(26,35%), 2012 (28,36%) e 2013 (27,58%)  incluem o efeito de redução de preços de medicamentos que se fez sentir nesses anos e que exerceu um efeito protector das famílias (os casos de despesas ditas catastróficas de saúde teriam certamente sido mais se não tivesse ocorrido a redução dos preços dos medicamentos).

Assim, para debate fica a forma pela qual se podem reduzir as despesas directas das famílias. Os medicamentos parecem ser um ponto de análise relativamente óbvio, nas três componentes – nível de consumo (prescrição), preço (pressão para redução), e cobertura dada pelo Serviço Nacional de Saúde (eventual aumento da proporção do preço paga pelo SNS).


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Projeto de programa eleitoral do PS – versão para debate público (1)

O PS disponibilizou online as suas propostas para o programa eleitoral (aqui). Uma vez que é dito na capa do texto que é para debate público, decidi fazer uma leitura comentada. Pelo menos na parte que diz respeito à saúde. Esta leitura acompanhada é feita atendendo a dois outros textos recentes sobre o sector da saúde em Portugal. O primeiro é o Relatório Gulbenkian. O segundo é o relatório OCDE (disponibilizado há poucos dias, e que depois também aqui comentarei). No caso do Relatório Gulbenkian, devo fazer desde já a declaração de interesses de nele ter colaborado.

A parte dedicada ao sector da Saúde tem como título “Defender o SNS, promover a Saúde” e ocupa quase 5 páginas.

Numa apreciação geral, as ideias apresentadas pelo PS (descontando a parte de discurso político inevitável) são globalmente fáceis de receber concordância, e surgem no seguimento do que tem sido o “mainstream” do pensamento sobre o sector da saúde em Portugal desde há vários anos (sobre a linha de continuidade política na saúde em Portugal, podem-se ir ver os textos de Jorge Simões, actual presidente da Entidade Reguladora da Saúde).

As propostas tocam apenas num único ponto no SNS enquanto entidade que organiza o financiamento (origem de fundos) no sector da saúde, sendo a esmagadora maioria referente ao funcionamento do Serviço Nacional de Saúde como entidade prestadora de cuidados de saúde.

Embora compreenda que este é um documento político, gostaria de ter visto nalguns pontos a indicação da base de evidência que é usada para várias das afirmações produzidas. (Antecipo que esta vá ser uma observação recorrente a outros programas políticos)

O primeiro comentário é não ser clara qual é a visão de fundo que se tem para a saúde, ou pelo menos vê-la explicitada de forma clara.

Por exemplo, gostava de saber se o programa político do PS concorda, ou não, com a proposta do Relatório Gulbenkian de “uma visão partilhada para o sector da saúde em que todos têm um papel a desempenhar – cidadãos, profissionais de saúde, professores e empresários, municípios e Governo, com o objectivo de passar de um sistema em que se fazem procedimentos a doentes para outro sistema em que os cidadãos são parceiros na promoção da saúde e nas decisões sobre cuidados de saúde, em que se usa o conhecimento e a tecnologia mais recentes para fornecer acesso  a aconselhamento e a serviços de elevada qualidade nas residências habituais, nas comunidades e nos prestadores de saúde. É uma visão que mantém os valores fundadores do Serviços Nacional de Saúde, e que baseada nos pontos fortes do actual sistema de saúde, procura novas abordagens, uma melhor saúde e uma base de custos mais sustentável.” (tradução livre da versão inglesa).

Ter uma visão, esta ou outra, que se afirme pela positiva do que se quer alcançar é mais interessante do que simplesmente dizer que se quer desfazer o que foi feito nos últimos anos (a principal mensagem dos primeiros parágrafos da parte da saúde na proposta de programa do PS).

(continua…)


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sobre o “Programa Nacional de Reformas 2015” (5)

(continuando)

  1. Reforçar a cooperação entre a investigação pública e o sector empresarial e impulsionar a transferência de conhecimentos. Não há aqui uma ideia nova. Na verdade achei muito similar em espírito ao documento “Centeno” para o PS. (ou vice-versa)
  2. Estabilidade do sistema financeiro, com atenção à detecção precoce de endividamento excessivo.

Porque não deixar os mecanismos económicos funcionar? Nem todas as empresas são viáveis, e tentar recuperar empresas a todo o custo poderá ser pior a prazo do que ter formas de apoiar de modo eficaz quem perde emprego a encontrar outro.

  1. Aplicar medidas no sector da energia, atuar sobre as regras que distorcem o funcionamento do mercado: neste ponto, o aspecto central, que é difícil de especificar, é como se vai lidar com as empresas do sector com um historial de forte poder de negociação.
  2. Aplicar plano de longo prazo dos transportes, investimentos e fusões, ajustamento das regras de regulação neste campo.
  3. Assegurar a sustentabilidade financeira das empresas públicas no sector dos transportes, com redução dos custos operacionais. E deixar de as usar como instrumento de investimento público ou de intervenção política junto das populações, também seria um passo acertado.
  4. Reforçar a eficiência e a concorrência no sector ferroviário: mas a descrição da experiência de outros países seria útil para saber o que funciona e o que não funciona. Nem todas as alterações neste sentido noutros países podem ser classificadas como rotundo sucesso.

(continua…mas será interrompida por uns dias para dar lugar aos comentários sobre a proposta de programa do PS para a saúde)


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sobre o “Programa Nacional de Reformas 2015” (4)

(continuando…)

  1. Reforma das políticas activas de emprego – há a referência a publicação de diplomas e programas, mas não são reportados dados sobre efeitos esperados e porque esses efeitos são esperados. O mesmo se passa quanto ao emprego jovem.
  2. Garantir cobertura adequada da assistência social, incluindo o rendimento social de inserção e a ativação efetiva dos beneficiários das prestações sociais. Volta aqui a questão da economia social e solidária, com as parcerias com o sector social. A utilização dos parceiros do sector dito social poderá ser útil, mas também poderá, se as parcerias não forem bem construídas, resultar em instituições que ficam dependentes exclusivamente do apoio público para as suas actividades.
  3. Melhorar a qualidade e relevância do sistema de ensino, tendo como objectivo a redução do abandono escolar precoce e das baixas taxas de desempenho do ensino. O que deveria levantar a discussão do que é “desempenho do ensino” em primeiro lugar, e do contributo dos vários factores que o determinam. Só assim se perceberá que “alavancas” faz sentido utilizar e com que resultados (e em que prazo se esperam esses resultados).
  4. Eficiência das despesas com educação, e atender às competências relativamente ao mercado de trabalho. Neste campo há diferentes acções, que procuram antecipar necessidades e dar informação sobre oportunidades de emprego. Mas há também uma multiplicidade de programas e organismos que parecem ter subjacente uma pretensão de descobrir a “solução”, quando provavelmente a intervenção pública deve procurar sobretudo criar as condições para que as decisões individuais, com base na informação disponível, gerem os melhores caminhos. Parece haver uma produção massiva de documentos que têm como objectivo determinar as decisões “correctas” da população, o que normalmente não se traduz em muito.

(continua…)