Momentos económicos… e não só

About economics in general, health economics most of the time


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Um novo blog

do grupo de investigação Nova Healthcare Initiative, bloggersdasaúde. Com o primeiro post hoje, no Dia Mundial da Saúde, e sobre o pacto para a saúde que o Presidente da República voltou a colocar na agenda da discussão pública.


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Inovação disruptiva em saúde

Hoje é dia de “post preguiçoso”,  documento disponível sobre inovação disruptiva em saúde, versão final (aqui), no seguimento do post sobre “disruptive innovation” de há uns meses atrás. Para conhecimento e discussão.

Disruptive Innovation: Final EXPH Opinion adopted

Today, the Commission’s independent Expert Panel which gives non-binding advice on matters related to “effective ways of investing in health”, adopted its opinion on the implications of Disruptive Innovation for health and health care in Europe. This final opinion reflects the comments received during the public consultation period, during which contributions were received from 25 parties.

Definition

Innovation can be categorised as non-disruptive or disruptive. Non-disruptive innovations aim to make improvements to existing systems without overly disrupting the status quo. Disruptive innovations, as the name suggests, are more radical. They result in organisational changes, new networks and new players, and displace older organisational structures, workforce, processes, products, services and technologies.

Opinion

The Opinion aims to identify drivers and barriers for the implementation of disruptive innovation, assesses its relevance in the EU, and identify strategic areas of focus.

It finds that disruptive innovation can be an important mechanism for improving health and health care in Europe. Disruptive innovations provide new and different perspectives that, in the long run, tend to reduce costs and complexity in favour of improved access and the empowerment of the citizen/patient. Policy makers should thus, see disruptive innovations as possible new ways of developing sustainable European health systems.

Barriers to disruptive innovation include lack of engagement of patients/people, lack of coordination, resistance of the health workforce and organisational/institutional structures, inadequate networks and processes, economic and legal factors and lack of political support.

The implementation of any (disruptive) innovation should carefully address the issues of relevance, equity (including access), quality, cost-effectiveness, person- and people centeredness, and sustainability. Health policy should be designed to encourage enablers for developing and implementing disruptive innovations and reduce the potential barriers.

While disruptive innovation can be an important concept for policy analysis, it does not mean that other types of innovation are less desirable. Incremental innovation can be very important, as well as more radical innovations that may not be classified as disruptive.

Conteúdo do trabalho:

THE CONCEPT OF DISRUPTIVE INNOVATION;

CHRISTENSEN CONCEPT OF DISRUPTIVE INNOVATION;

DISRUPTIVE INNOVATION IN HEALTH CARE (The applicability of disruptive innovation to health care;  EXPH concept of disruptive; Elements that characterise disruptive innovation);

TAXONOMY OF DISRUPTIVE INNOVATION; DIFFERENT OPTIONS TO CLASSIFY DISRUPTIVE INNOVATIONS; THE FIELD OF APPLICATION; EXAMPLES ILLUSTRATING THE TAXONOMY; STRATEGIC AREAS FOR DISRUPTIVE INNOVATION;

DISRUPTIVE INNOVATION AND TRANSLATIONAL RESEARCH; DISRUPTIVE INNOVATION AND TECHNOLOGY IN MEDICINE; DISRUPTIVE INNOVATION AND PRECISION MEDICINE;

DISRUPTIVE INNOVATION AND HEALTH AND CARE PROFESSIONAL;

DISRUPTIVE INNOVATION AND HEALTH PROMOTION;

IMPLEMENTING DISRUPTIVE INNOVATION;  FACTORS THAT TRIGGER DISRUPTIVE INNOVATIONS IN HEALTH (BARRIERS TO DISRUPTIVE INNOVATION IMPLEMENTATION; ADOPTION AND DIFFUSION OF DISRUPTIVE INNOVATION; POLICY ISSUES);

CASE STUDIES: NEW AND MORE EFFECTIVE TREATMENT FOR HCV; COMMUNITY-BASED MENTAL HEALTH; POPULATION BASED ACCOUNTABLE ORGANISATIONS; ANTI-ULCER DRUGS; DIABETIC PATIENT SELF-MANAGEMENT; MINIMAL INVASIVE SURGERY;  PATIENT-CENTRED CARE; THE SWEDISH REHABILITATION GUARANTEE;

CONCLUSIONS AND POLICY RECOMMENDATIONS


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Carros elétricos & Tesla modelo 3

A generalização dos carros elétricos parece estar cada vez mais perto. A Tesla tem estado na linha da frente, sendo uma empresa que não vem da produção de carros com motor de combustão. Essa característica dá-lhe uma vantagem em termos de inovação – não tem que pensar que os seus novos modelos vão canibalizar as vendas dos carros com motores tradicionais. Até agora a Tesla tem-se mantido sobretudo num segmento de consumidores que estão dispostos a pagar um preço elevado.

O novo modelo 3 da Tesla pretende ser o passo decisivo para a massificação  na utilização dos carros elétricos, com um preço de cerca de 31 mil euros (antes de impostos, claro, se e quando vier a ser vendido em Portugal). Além dos aspectos de engenharia e software dos novos carros, há um elemento muito curioso – o carro ainda não está em produção, prevê-se que só para final de 2017 esteja disponível, e a esta distância a Tesla abriu a possibilidade de reserva para compra, pagando um valor de 1000 dólares. Segundo o presidente da empresa no Twitter, conseguiu em dois dias 232 mil reservas de vendas, o que significa 232 milhões de dólares de “empréstimo” a taxa de juro zero!

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Mas para o tempo que vai demorar até ao carro estar disponível, este valor não será certamente suficiente, e a empresa terá que obter outros financiamentos. Por outro lado, o anúncio e o sucesso em criar interesse suficiente para fazer reservas por 1000 dólares, ou 1000 euros no caso da zona euro (pelo menos para Portugal). Estas reservas podem ser canceladas a qualquer momento, sendo restituído o valor (ver aqui), factor que terá contribuído para o seu sucesso mas que significa que nem todas as reservas provavelmente significarão vendas.

Será por isso interessante perceber se os produtores tradicionais de automóveis com novos modelos elétricos que possam surgir no mercado antes do modelo 3 do Tesla terão capacidade de aproveitar a notoriedade e ganhar posição de mercado. Em qualquer caso, o mercado dos veículos elétricos poderá estar a entrar numa fase decisiva de crescimento.

(nota mental: o que também os vai tornar um apetecível alvo para tributação em Portugal)

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Observatório mensal da dívida dos hospitais EPE, segundo a execução orçamental (nº 23 – Março 2016)

A execução orçamental referente a Fevereiro de 2016 traz alguma clarificação adicional aos resultados mais recentes. E as noticias não são boas. O crescimento das dívidas dos hospitais EPE aponta para que tenha ocorrido uma inversão da tendência de descida anterior. A primeira figura abaixo mostra a evolução com uma alteração de tendência no final do Verão de 2015, e pode ser comparada com a hipótese de não alteração da tendência de descida em 2015, que está na segunda figura. Torna-se muito claro que os últimos valores estão acima do que seria a linha de tendência média vinda de 2015.

Esta evolução torna-se preocupante por se ciclicamente se vir a traduzir em dois aspectos negativos: a necessidade de um orçamento rectificativo para o serviço nacional de saúde mais cedo ou mais tarde (provavelmente ainda neste governo) e a desresponsabilização da gestão dos hospitais face a esta dívida, traduzindo-se tipicamente em menor pressão para gerir adequadamente. A aprovação do orçamento do estado para 2016 não vai, de acordo com o que é publicamente conhecido, alterar de forma significativa este aspecto.

 

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a propósito da distribuição de médicos,

três mapas retirados da PORDATA, com a comparação entre 2001 – 2009 – 2014 do número de utentes por médico – quanto mais clara a cor, mais médicos por habitante (menor número de habitantes por médico). Em geral, a situação foi melhorando de mapa para mapa (ficando mais claro), incluindo mesmo os anos mais recentes. Nem todos os concelhos melhoraram é certo, mas a evolução global tem sido positiva. Quem quiser ver o seu concelho, basta ir à PORDATA.

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Isenções de taxas moderadoras – uma actualização

Em 2011, no início dos tempos da Troika, foram revistas, com alargamento, as isenções de taxas moderadoras, ao mesmo tempo que o valor destas era praticamente duplicado. Enquanto a troika “andou por aí” foram sendo feitas actualizações regulares ao número de cidadãos isentos, que deixou de ser publicamente divulgado logo que a troika saiu (Verão de 2014), e só agora com o novo portal da saúde teremos aparentemente informação regularmente actualizada (também divulgada no site da ACSS). A promessa da ACSS é de divulgação mensal.

Olhando numa comparação temporal das situações, encontra-se nos últimos anos um efeito associado com a alteração do limite de isenção para jovens, que passou para os 18 anos, abrangendo por isso mais isentos nessa categoria.

Fora esse efeito, que provavelmente captura por transferência alguma diminuição de situações de isenção por desemprego, é apenas notável que o número de doentes crónicos registados com isenção seja precisamente de 890 120 desde 2011. Fica a sensação que se fez uma estimativa na altura de revisão das isenções (está assinalada no gráfico abaixo como “previsão”) e depois não houve forma de fazer aí qualquer actualização. Não é credível que o número de doentes crónicos tenha permanecido inalterado em cinco anos.

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Fonte: Recolha própria por print screen ao longo dos anos…

taxas moderadoras 2016

Fonte: Página da ACSS,


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Entrevista do Ministro da Saúde – um comentário

No fim de semana que passou, houve uma primeira grande entrevista do Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes. Como é natural, além de responder às perguntas, há mensagens que procura passar. O tom geral é de prudente firmeza nas ideias. Há uma continuidade em várias matérias (tal como em muitos aspectos os governos anteriores continuaram medidas dos seus antecessores, no campo da saúde há uma maior continuidade de visão e de políticas do que noutras áreas da governação).

O que retirei do que foi afirmado, juntando algumas das afirmações (e comentário quando houver algo a comentar):

  • desmaterialização de processos e receita sem papel
  • centralização das compras e negociação com fornecedores
  • luta contra a fraude
  • reforço da quota de mercado dos genéricos – o comentário aqui é que não é só a quota que conta, se um medicamento original tiver preço similar ao dos genéricos deve contar como genérico (pseudo-genérico, numa proposta de terminologia) para efeitos de impacto sobre o mercado; num inquérito realizado em 2015, um número substancial de pessoas já pedia substituição por genérico na farmácia – acima de 40% nos grupos sócio-económicos mais elevado e mais baixos, sendo menor esse pedido para quem se encontrava no meio da classificação sócio-económica
  • tornar as farmácias menos dependentes dos preços dos medicamentos para ter margem – embora seja certo que os tempos de grandes lucros nas farmácias não retornarão, é correcto procurar este caminho para que não se perca a rede de farmácias (sabendo que inevitavelmente a dinâmica normal leva a que umas fechem e outras abram em substituição; a preocupação deve ser com a rede em geral)
  • Dividas dos hospitais do SNS – parte será uma questão de dotação orçamental, mas parte é uma questão de gestão; não há uma resposta clara, veremos o que se conseguirá fazer.
  • Reforço dos cuidados de saúde primários e linha saúde24 – é consensual que as urgências, nomeadamente as hospitalares, não deverão ser o primeiro ponto de contacto do cidadão com o Serviço Nacional de Saúde. É continuar um movimento que já se notou entre 2013 e 2015 de maior recurso dos cidadãos a situações de consultas programadas. O papel da linha saúde24 tem sido menor do que devia.
  • Redes de referenciação e competição pela qualidade – a qualidade da intervenção pode exigir prática em muitos casos que só se consegue com concentração de actividade (sobretudo nas situações mais raras), mas mais qualidade vai ser também argumento para maior pagamento (e logo maior despesa), será uma tensão a ter em conta certamente.
  • Liberdade de escolha de hospitais – o exercício de liberdade de escolha é mais delicado do que possa parecer em termos de equilíbrio do sistema. O ponto de vista do doente é o mais fácil. Mais complicado será gerir o que sucede se houver um desvio de procura muito significativo de uns hospitais para outros – os que perdem procura, perdem orçamento? os que ganham procura, ganham o orçamento dos que perdem procura? É dito que haverá liberdade de escolha, mas não como se organizam os fluxos financeiros associados (“money follow the patient?”) E se houver excesso de procura num hospital, como são geridos os diversos pedidos?
  • A equidade trata-se na contribuição não no momento de necessidade – de acordo.
  • Relação público – privado – é expresso o receio da relação “predadora do SNS” por parte do sector privado. Aqui creio que será relevante ter em conta que parte do crescimento do sector privado organizado em grupos com hospitais de grande dimensão se deveu também (e em grande medida?) à redução da actividade privada de pequeno consultório privado. Pelo menos, em termos agregados, esse reajuste dentro da esfera privada pareceu estar bastante presente.
  • Parcerias público – privadas – à espera da avaliação da Entidade Reguladora da Saúde. Vale a pena notar aqui que o modelo de parcerias adoptado em Portugal não gerou os problemas que foram encontrados noutros países (incluindo Inglaterra).
  • Papel dos cuidados informais – a concretizar-se as intenções será uma mudança importante no Serviço Nacional de Saúde, no caminho de uma nova visão, que irá ser sobretudo desafiadora no campo de organização (mais do que no campo financeiro).
  • Prevenção e estilos de vida saudável – na linha do ponto anterior, será uma mudança relevante, em termos de filosofia, e na linha do que era proposto no Relatório Gulbenkian liderado por Nigel Crisp.
  • ADSE – não me pronuncio (fica lá para o Verão).

Globalmente, sem anúncios dramáticos, com uma visão (adequada) de evolução em algumas áreas. Dos problemas complicados, como os recursos humanos, a referência à necessidade de reforço de equipas quando os horários voltarem às 35horas, o que também significará, subentende-se, reforço orçamental. A exigência sobre capacidade de entendimento das oscilações de orçamentos para o Serviço Nacional de Saúde daqui a uns anos quando se olhar para esta década vai ser grande.

 

 

Declaração de interesses: Nomeado para a comissão que olha para a situação da ADSE a pedido do atual Ministro da Saúde.


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Patriotismo, preços e comportamento económico

O prémio da melhor frase da semana passada vai directa para o Ministro da Economia, que “pede aos Portugueses que não abasteçam em Espanha” por civismo e para pagarem impostos em Portugal em lugar de os dar ao Governo espanhol. Até se compreende a preocupação. Mas ao mesmo tempo levanta duas preocupações. A primeira é sobre a compreensão do comportamento económico. Não deveria haver qualquer espanto por parte do Ministério da Economia (ou de qualquer economista) sobre o ajustamento de comportamento dos consumidores – procurar adquirir o produto que pretendem onde for mais barato, ponderando preços e custos de deslocação. Antecipar a reacção natural dos consumidores a alterações de preços é essencial. O patriotismo não faz parte das escolhas económicas de consumo.
A segunda preocupação é saber se as estimativas de receita que estavam previstas como resultado do aumento de tributação sobre combustíveis nas contas do Governo tiveram em conta este ajustamento (que naturalmente reduz a receita fiscal por comparação com uma situação de procura fixa e aumento do imposto). É que a redução dos preços internacionais do petróleo baixa o preço da gasolina em Portugal e em Espanha. Se Portugal decide manter o preço ao consumidor subindo o imposto e a Espanha não o faz, o preço em Espanha torna-se obviamente mais atractivo e irá buscar procura a Portugal, fazendo com que as receitas fiscais em Espanha aumentem.

Além de pedir aos Portugueses que não procurem adquirir combustível onde for mais barato, outros elementos da wish list do Ministro da Economia poderão ser (a) pedir ao Governo espanhol que por solidariedade mande para Portugal as receitas adicionais de imposto que os portugueses a comprar em Espanha irão provocar; ou (b) pedir ao Governo espanhol que também aumente os impostos em Espanha.

Este episódio faz relembrar os problemas que houve no passado sempre que se tentou interferir de forma permanente nos preços dos combustíveis não se obteve bons resultados (há quinze anos, num dos  Governos de António Guterres também foi uma tentação a que não resistiu – noticia aqui e aqui – com resultados que foram depois desastrosos; também o choques petrolífero dos anos oitenta e a forma como se tentou (não) ajustar criaram problemas à economia portuguesa).


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o que nos diz o crescimento dos países da troika + 1

Portugal, Grécia e Irlanda foram países que tiveram resgates internacionais, a Espanha “apenas” ao seu sector bancário, como é conhecido. A base de dados AMECO da Comissão Europeia realiza dois cálculos que ajudam a ver as diferenças entre estes países, antes e depois, dessas situações – o primeiro é o cálculo do PIB potencial, que em termos simples é o que a economia poderia produzir de forma estável e regular com base nos recursos disponíveis e eficiência na sua utilização, e o segundo o gap entre o PIB observado e o potencial (quando o gap é positivo, a economia consegue estar acima do seu potencial, logo terá pressões de inflação e salarial; quando é negativo está-se em períodos de recessão).

O primeiro dá uma ideia da capacidade estrutural de produção da economia, enquanto o segundo mostra a distância a que se está desse potencial. Olhando para os valores destes quatro países desde 2000, vemos que a Irlanda apesar do sobressalto dos anos da troika, acaba por retomar uma linha de crescimento forte do PIB potencial. E apesar de tudo, o seu afastamento do PIB potencial durante os anos de crise foi de curta duração. A estrutura produtiva da Irlanda recuperou sem grande problema. A Grécia por seu lado teve um “afundamento”, em termos de crise/recessão mas também em termos de potencial.

Portugal, neste panorama, e apesar das dificuldades sentidas, teve uma quase estabilidade do PIB potencial, e a recessão não foi tão forte quanto o verificado em Espanha e na Grécia. Mas a preocupação aqui não é tanto efeito de ciclo (gap do PIB) e sim a falta de crescimento esperado no PIB potencial.

A discussão do orçamento português, interna e externamente, não se pode esquecer deste aspecto – não é apenas um problema de dinamizar a procura interna (que actuará sobretudo no gap) como não é apenas um problema de cumprir regras orçamentais. A questão foi, é e vai ser nos próximos anos como é que dentro das regras orçamentais se consegue melhorar o crescimento do PIB potencial. Para planos A e planos B (ou C…) que sejam discutidos, fazer sempre a pergunta “como é que afecta o PIB potencial?”. Só mantendo essa preocupação presente teremos possibilidade de melhorar a economia, e o nível de vida da população.

 

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gap do PIB

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PIB potencial


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“Reforma da ADSE: uma nomeação inaceitável”, por João Semedo

Não é meu costume responder a ataques com motivações políticas, mas por esta vez abro uma excepção.
Por duas razões. Primeiro, para informar João Semedo do que ele não sabe, e do triste que é criar processos de intenções nos outros. Segundo, porque não há de facto nada a esconder, e se João Semedo quisesse realmente conhecer a situação em vez de a aproveitar para jogos políticos inconsequentes, e tivesse perguntado um pouco mais, talvez todos tirássemos mais benefício da sua atenção.

É verdade que o Ministro da Saúde me nomeou para presidir a uma Comissão para apresentar propostas de evolução da ADSE.
O trabalho realizado por essa Comissão ainda agora se inicia, e é menorizar os restantes membros da Comissão sugerir
que tudo ficará condicionado ao que o presidente quiser. Ademais, haverá clareza nos trabalhos da Comissão, com consulta pública do relatório que vier a ser produzido, e sua (eventual) revisão face a essa consulta pública. Espero que a presteza de atenção de João Semedo a criticar lhe permita também fazer uma análise técnica do que vier a constar desse documento. De outro modo, ficará apenas a tristeza da critica pela crítica. Conforme consta do despacho de nomeação da Comissão, o exercício desta função é não remunerada.

É verdade que o Reitor da Universidade Nova de Lisboa me nomeou para pertencer ao conselho directivo do consórcio TANK – Tagus Academic Network for Knowledge, que é criado em conjunto com a José de Mello Saúde. Não é uma parceria público – privada, e sim uma parceria para potenciar o ensino e a investigação em diferentes áreas (medicina, direito, gestão, engenharia, entre outros). Tem o mesmo espirito de outras parcerias de outras Universidades públicas.  Esta posição surge por inerência da minha situação de vice-reitor na Universidade Nova de Lisboa. A presidência do conselho directivo do consórcio TANK tem a duração de um ano e é não remunerada (isto é, faz parte das minhas funções oficiais na Universidade). A minha presença é de representação da Universidade Nova de Lisboa.  Não há qualquer função de gestão no grupo José de Mello Saúde.

Compreendo que seja tentador encontrar conspirações em todo o lado, até para ter textos citados nos media. Neste caso, gostaria que João Semedo visse primeiro o resultados dos trabalhos da Comissão, e falasse depois. Prefiro ser avaliado nos méritos do trabalho desenvolvido, e espero por isso honestidade de quem criticar quando vir os resultados do trabalho realizado pela Comissão. 

Claro que pode haver aqui outras intenções, mas não tendo sido declaradas por João Semedo, não vou imputar qualquer outra que não seja a reacção de quem procurou o pior dos mundos nestas duas situações. E não deixo de ficar surpreendido com a atenção que João Semedo me dedica, uma vez que não sou, nem pretendo ser, político no activo.