Momentos económicos… e não só

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Relatório de Primavera 2012 (2)

A publicação do Relatório de Primavera do OPSS leva sempre a reacções defensivas por parte dos sucessivos ministérios da saúde, o que não deixa de ser interessante e revelador da atenção com que este relatório é recebido todos os anos. Não foi excepção este ano. As réplicas e tréplicas (que existem por vezes) situam-se normalmente mais no campo político que no campo técnico, por ambos os lados. O OPSS não enjeita essa discussão política, e até promove essa discussão política, o que é salutar.

Mas continuemos com a leitura do texto produzido este ano.

O capítulo 3 trata da política e governação da saúde. O capitulo abre com a referência às dívidas existentes e com referência ao memorando de entendimento com a troika refere “É fácil reconhecer que uma parte das medidas incluídas no MdE com a Troika são necessárias e que o país teria beneficiado se estas tivessem sido há muito implementadas. ” mas não indica quais são estas medidas necessárias (e por diferença, as que estão a mais). Sem essa identificação torna-se mais complicado avaliar a posição de que existem riscos excessivos de as aplicar todas ao mesmo tempo – embora também não se diga quais são esses riscos de forma precisa; há apenas a referência de risco para o sistema de saúde (e não apenas Serviço Nacional de Saúde), pressuponho que seja riscos para a saúde da população e para o acesso desta a cuidados de saúde.

O texto contém uma gralha quando refere  “Reforço do orçamento em 1,5 milhões de euros para pagar, em 2012, cerca de metade da dívida acumulada”, pois estão em causa 1,5 mil milhões de euros.

Interessante é a conclusão de que “A análise da implementação das medidas do MdE e a insatisfação manifesta na comunicação social por parte de alguns atores socioeconómicos de saúde, indica que o Ministro da Saúde tem resistido invulgarmente bem às pressões desses setores.” Esperemos que seja a realidade e que se mantenha, uma vez que será condição necessária para uma condução bem sucedida dos destinos do Serviço Nacional de Saúde. A este aspecto positivo contrapõe-se  a “ausência de um sistema de monitorização e alerta precoce sobre os efeitos da crise na saúde”, bem como a procura de instrumentos que possam ser usados caso haja preocupação resultante do alerta precoce. Tanto mais que os indicadores para avaliar o impacto da actual situação económica são provavelmente diferentes dos tradicionais indicadores de seguimento. Em particular, será relevante monitorar o estado de saúde da população e não apenas se se faz mais ou menos consultas, mais ou menos cirurgias. Aqui, creio que seria de exigir um pouco mais do OPSS, e dado que não há um conjunto de indicadores ou informações definidas e divulgadas publicamente pelo ministério da saúde para seguir os efeitos da crise, o OPSS poderia ter pelo menos feito uma lista dos indicadores que gostaria de ver recolhidos, com que periodicidade e por quem divulgados, para fazer esse seguimento. Do texto, fico com a impressão que parte desses indicadores deverão estar ligados à saúde mental,  outros com acidentes (e para além dos rodoviários, os acidentes de trabalho também estarão a diminuir com a redução da actividade da construção civil, normalmente originadora desse tipo de acidentes).

(continua…)


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Relatório de Primavera 2012 (1)

Foi hoje apresentado pelo Observatório Português dos Sistemas de Saúde 2012, com o titulo crise & saúde – um país em sofrimento; infelizmente por outros compromissos não tive possibilidade de estar presente na apresentação, mas já comecei a ler o relatório. E irei fazendo aqui uma discussão do relatório, conforme for conseguindo ler.

A primeira parte revê os fundamentos da crise, numa visão que dá primazia às explicações externas / da economia internacional sobre as internas / da economia nacional para a crise, em que me pareceu dar-se menos importância às condições nacionais do que é a minha interpretação. No entanto, não é aspecto crucial para o tema da crise & saúde.

A segunda parte trata dos efeitos da crise na saúde, com recurso à literatura internacional sobre o tema. Aliás, curiosa a apresentação gráfica deste ano do relatório de primavera, com a inclusão de caixas sumário ao longo do texto, e com a indicação das referências bibliográficas dentro do próprio texto.

Percorrem os argumentos conhecidos na literatura sobre acidentes rodoviários e suicídios e sua relação com a crise. Dá-me a oportunidade de relembrar que temos motivos para pensar que o mesmo se verificará em Portugal, como explorei num post antigo (dezembro de 2011), aqui.

Sobre o pico de mortalidade no inicio do corrente ano, que foi apressadamente ligado por alguns comentadores à crise e às medidas que estavam a ser adoptadas, o relatório de primavera refere “Não foi estabelecida nenhuma relação entre a crise económica e este excesso de mortalidade de inverno. Contudo, não foram estudadas as diferenças socioeconómicas dos padrões da mortalidade. É importante realçar que o estudo também revela que somente em Espanha e Portugal se observou um excesso de mortalidade significativa para o grupo etário dos 15 aos 64 anos.” A referência a um grupo etário tão amplo significa que nas populações mais vulneráveis (crianças até 14 anos, adultos com mais de 64 anos) não ocorreu um efeito anormal? de qualquer modo, e usando os trabalhos do Instituto Nacional de Saúde (INSA), este pico de mortalidade foi já desmontado (aqui e aqui); seria interessante ver se o acumulado de mortalidade num período curto de tempo é similar entre picos, bem como traçar o excesso de mortalidade face ao previsto com base nos picos passados do mesmo vírus, mas como essa análise não foi feita, que eu tenha visto, nem houve disponibilidade do INSA para ceder a informação necessária, ficarei na dúvida sobre se se pode ou não falar de um pico “excessivo”. De resto, a apresentação de efeitos da crise com recurso a eventos pontuais saídos na imprensa teria a ganhar com a apresentação de informação sistematizada.

Esta segunda parte termina com uma referência ao Memorando de Entendimento com a troika, mas sobretudo para referir aspectos formais e não ainda impactos sentidos das diversas medidas adoptadas.

(continua…)


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Debates: A saúde um ano depois da troika – 3. Economia e Saúde

O último debate da série de três realizados sobre saúde na Livraria Ferin ocorreu ontem, 6 de Junho, tratou de Economia e Saúde, tendo como convidados Henrique Medina Carreira e Francisco Ramos. Segue-se um relato e leitura pessoais do que foi discutido, e com o qual os leitores e os presentes podem ou não concordar.

A pergunta lançada para discussão foi simples: qual o estado da situação, um ano de troika depois?

A intervenção de H Medina Carreira colocou na frente de discussão o contexto de toda a despesa pública, com um crescimento histórico sustentado da despesa pública ao mesmo tempo que se tem um menor crescimento ou mesmo decréscimo da actividade económica.

As pensões constituem uma pressão tremenda para o crescimento das despesas sociais. Das outras despesas sociais, apenas a educação teve uma compressão, com tudo o resto a aumentar também.

É o euro o problema? Não é o euro, na visão de Medina Carreira, e sim a desindustrialização das economias do ocidente, com a passagem para a produção de serviços desqualificados. Mesmo “consertando” o euro, não vai ser suficiente. “Vamos ter políticas sociais decrescentes.”

E com o decréscimo da produção, caso se mantenha, a redução das politicas sociais não vai ser compensada com acréscimo de despesa privada – se não há produção, não há rendimento.

A sugestão de Medina Carreira é que o modelo não tem solução, e para procurar uma solução é necessário um ministro que trate de todas as politicas sociais de forma integrada.

Os cortes a olho não são uma ideia de reforma e limita-se a deixar tudo descaracterizado. Tem que se olhar para o sistema social de uma forma que faça escolhas entre áreas de intervenção, dado o dinheiro que vamos ter.

Francisco Ramos, por seu lado, centrou-se na área da saúde, e sobretudo no sentimento de injustiça, que tem diversas faces, de quem está na saúde face ao que se está a passar.

A primeira face desse sentimento de injustiça está associada com a dimensão do esforço que é pedido a cada um dos sectores – porque não um capítulo especial do dinheiro da troika para financiar a saúde, tal como se fez com o sector bancário? Reduzir a despesa pública não deve ser independente do comportamento no passado recente e nesse passado recente (última década) as despesas públicas com saúde não cresceram muito.

A segunda face de injustiça referida por Francisco Ramos está ligada a que nem todas as medidas no Memorando de Entendimento têm tido igual aplicação, dando como exemplo a ADSE, referindo que esta é uma escolha de onde cortar que constitui também um sinal político.

Referiu que há um conjunto de oportunidades na redução de custos de factores de produção (trabalhadores, medicamentos, transportes, serviços privados prestados ao serviço nacional de saúde); já  quanto à reforma hospitalar exprimiu dúvidas sobre o seu ritmo, embora reconheça que fazer tudo bem e depressa não é possível. Espera também que não seja uma oportunidade perdida em termos de foco na análise da efectividade das tecnologias.

Reconhece que não há uma resposta clara e satisfatória para o caminho do sistema de saúde ser sustentável, uma vez que não há mesmo num contexto internacional uma resposta de como se ter um sistema de saúde de qualidade e com acesso universal sem crescimento dos custos.

Da discussão realizada com a audiência, resultaram algumas ideias – não há um país que possa servir de referencia; que temos de ver o que há disponível e partir daí para a definição do modelo de saúde; que não podemos desprezar o ponto de partida.


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no dinheirovivo.pt de hoje

o início de discussão sobre as implicações do documento da Entidade Reguladora da Saúde que fala em encerramentos de serviços,

fecham-se hospitais públicos?


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no dinheirovivo.pt de hoje

sobre o acordo entre o Governo e a APIFARMA, aqui


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mortalidade e gripe, informação actualizada

o INSA tornou público mais um boletim, de onde se retira o retorno à normalidade da mortalidade, em concordância com a redução da gripe sazonal, conforme se vê da figura seguinte, retirada do boletim,


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horas extraordinárias e ideias novas para reduzir custos na saúde

As despesas com horas extraordinárias ganharam ao longo dos anos grande espaço no total das despesas com pessoal dos hospitais, e torna-se necessário pensar em novas formas de organização para controlar o seu crescimento. O método tradicional do sector público, e o SNS não fugiu a isso, é a redução de preços administrativamente decretada – redução do valor pago. Mas noutros lados procuram-se soluções diferentes – uma proposta curiosa está no trabalho – A New Paradigm to Reduce Nursing Rate Impact on Health Service Organizations (HSOs) Through Hedging, por Deisell Martinez, em que basicamente se procura contratar fora do hospital recursos humanos mas num sistema com pagamento em duas partes – uma fixa, de garantia de disponibilidade de recursos humanos (no caso, enfermeiros) caso sejam necessários, e um salário, previamente acordado, por cada hora usada quando for necessária. Este sistema basicamente cria uma bolsa de enfermeiros a que diferentes entidades podem recorrer, desde que não o façam todas ao mesmo tempo. Se os picos de necessidade são diferentes de instituição para instituição, este sistema permite organizar o trabalho, no caso de enfermagem, com menores custos do que recorrer a horas extraordinárias. Será pelo menos uma ideia a inspirar adaptação à realidade nacional, e que só é possível nas zonas geográficas onde estejam presentes várias instituições que utilizem serviços de enfermagem. É também preciso resolver pensar como é que o próprio sistema altera as decisões de gestão dentro das organizações. Mas é um ponto de partida interessante, que poderia ser explorado.


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segunda revisão do MoU – saúde (parte 7 / os tempos de aplicação)

A segunda revisão do Memorando de Entendimento adiciona um novo anexo, o anexo 5, com uma recolha sistemática dos momentos de implementação das diferentes medidas, agrupadas de acordo com o trimestre de conclusão para revisão pelo acompanhamento do programa, que no caso das medidas específicas do sector da saúde é:

4º trimestre de 2011

– legislação para indexação automática à inflação das taxas moderadoras (não deixando de ser curioso surgir aqui, quando essa actualização automática foi abandonada no texto principal, bem como nos documentos legais)

– redução da despesa pública com os subsistemas de saúde, com objectivos de 30% em 2012 e 20% em 2013. Manter reduções adicionais até aos subsistemas serem auto-financiados em 2016. (mais uma vez,este objectivo contrasta com a ausência de poupanças específicas a serem alcançadas)

– preparar o plano estratégico para o sector da saúde

– reduzir os preços dos medicamentos originais quando se dá o momento de perda de patente

– concentrar no ministério da saúde as decisões de preços de medicamentos

– produzir legislação de actualização do sistema de preços de referência internacional

– produzir a primeira avaliação trimestral dos padrões de prescrição de medicamentos

– produzir legislação para a prescrição por DCI

– estabelecer orientações para a prescrição de medicamentos e de exames complementares de diagnóstico

– produzir legislação para reduzir as barreiras legais à entrada de medicamentos genéricos

– implementar efectivamente a regulamentação e regulação relativa às farmácias

– alterar as regras de remuneração da actividade de distribuição de medicamentos, gerando poupanças de 50 Milhões de euros na despesa pública com medicamentos, resultante de redução de lucros no sector farmacêutico

– produzir legislação para que as compras centralizadas sejam uma realidade

– finalizar a codificação e registo central de dispositivos médicos

– reduzir em 10% as despesas com prestadores convencionados

– implementar uma estratégia de recuperação de pagamentos atrasados a fornecedores, criando um mecanismo em conjunto com o Ministério das Finanças para evitar repetição desta situação

–  continuar a publicação das normas de orientação clínica

– melhorar o processo de nomeação de responsáveis para os hospitais.

 

1º trimestre de 2012

– desenhar e aplicar um sistema de sanções e penalidades associado com a monitorização da prescrição

– colocar em funcionamento as compras centralizadas

– implementar a revisão regular dos preços pagos aos prestadores privados

– cumprir as regras de concorrência na prestação de serviços de saúde no sector privado

– reforçar as medidas que reduzam consultas desnecessárias de urgências e a especialistas

– estabelecer sistema geral de comparação de indicadores entre hospitais do sistema público

– alcançar a interoperabilidade plena entre todos os sistemas de tecnologias de informação do sistema de saúde

– reduzir em 15% os custos operacionais dos hospitais

– transformar consultas externas hospitalares em consultas nos cuidados de saúde primários

– actualizar o inventário de recursos humanos na saúde, por área , região, e instituição, para identificação de futuras necessidades de recursos humanos

– adoptar regras que aumentem a mobilidade dos recursos humanos, nomeadamente médicos

– adopção de regras que permitam reduzir a despesa com horas extraordinárias num valor de 10% em 2012, e mais 10% em 2013.

– implementar um sistema  rigoroso de controle de horas e actividades do pessoal hospitalar.

 

Nas medidas a estarem concluídas no final de 2011, várias ficaram por fazer e noutras não há informação pública sobre o grau de cumprimento.

 


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desafios à indústria farmacêutica

Tendo como pano de fundo a conferência de 26-01-2012 sobre a indústria farmacêutica, perguntaram-me quais os 5 desafios principais para a indústria farmacêutica nos próximos anos. A minha resposta:

Vou tomar os desafios à indústria farmacêutica em Portugal, que é diferente da indústria farmacêutica portuguesa:
Desafio 1: ajustarem-se a condições de mercado mais duras, isto é, preços mais baixos. A pressão para baixar a despesa pública vai continuar nos próximos anos, pelo menos até final de 2013, em que há uma meta concreta para a despesa pública em medicamentos como proporção do PIB estabelecida no Memorando de Entendimento.
Desafio 2: conseguir a introdução de novos produtos no mercado nacional, passando a barreira de aprovação para reembolso. Pelo mesmo motivo do ponto anterior, a introdução de novos produtos tem que passar um crivo de demonstrar que o valor em termos de melhor saúde que traz compensa o seu custo e ao mesmo tempo não pode ter um acréscimo de custos que torne inviável o objectivo traçado de contenção da despesa pública em medicamentos. Encontrar mecanismos de acesso ao mercado compatíveis com o interesse das empresas, com o interesse orçamental e com o interesse dos cidadãos será um dos desafios para os próximos anos.
Desafio 3: conseguir a introdução de novos produtos no mercado nacional, passando a barreira da falta de interesse na perspectiva da casa-mãe multinacional. Na medida em que muitos países adoptam hoje, tal como Portugal, sistemas de referenciação internacional, isto é, fixam preços no seu país em função de preços noutros países, preços muito baixos em Portugal podem ser usados para baixar preços noutros países, de maior dimensão e de maior interesse para as empresas. Logo, as casas-mãe poderão optar por não introduzir produtos em Portugal como forma de não prejudicar as operações noutros mercados. Portugal tem sido identificado já em vários estudos como um dos países onde a inovação é mais tardiamente introduzida pelas empresas por ter preços de entrada relativamente baixos quando comparado com outros países. Adicionando o problema de exportações a preço baixo a partir de Portugal para países de preços mais elevados, nomeadamente dentro da União Europeia, manter o interesse no mercado português por parte das casas-mãe será um desafio para a indústria farmacêutica em Portugal.
Desafio 4: Sobrevivência a prazo da indústria de base nacional implica a realização de inovação e desenvolvimento. Encontrar a forma de o fazer, num contexto de (ainda mais) baixo apoio do sistema público de apoio a I&D, será um desafio importante. Encontrar formas de financiamento da inovação, encontrar parcerias com universidades para desenvolvimento de novos produtos, encontrar parcerias com empresas que tenham a capacidade financeira e comercial de lançar os produtos, são caminhos possíveis.
Desafio 5: Contribuir para um quadro estável de funcionamento do sector. As dívidas à indústria farmacêutica por parte dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, os acordos globais de contenção de despesa que não são cumpridos até ao fim (pelo Estado, normalmente), as constantes alterações legislativas no campo do medicamento, introduzem instabilidade no planeamento e organização do sector. As empresas têm que encontrar uma forma diferente da que usaram até agora para conseguir um quadro mais estável, embora não dependa integralmente delas.


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segunda revisão do MoU – saúde (parte 3 / prescrição de medicamentos)

No campo da prescrição e monitorização da prescrição de medicamentos, surge uma alteração no Memorando de Entendimento face à versão anterior:

– deve ser desenhado e aplicado um sistema de sanções e penalidades, como complemento ao sistema de monitorização da prescrição, devendo esse sistema estar concluído no primeiro trimestre de 2012.

Embora seja natural que um sistema de monitorização deva ter consequências, o facto de se ter que agora prever sanções e penalidades concretas implica a definição do que são desvios aceitáveis e não aceitáveis face à norma, e como são verificadas as justificações desses desvios. Será necessário estabelecer um balanço entre a verificação possível e as consequências que se querem criar.