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Gabinete de crise nº 3, na série vivendo com o coronavirus (20)

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Terceiro programa Gabinete de Crise, na Rádio Observador, sobre “estamos a conseguir tirar pressão ao Serviço Nacional de Saúde?, pressão devido à COVID-19 naturalmente, e tendo como convidado Pedro Ponce, médico de cuidados intensivos, a dar o relato da realidade que vê.

Do meu lado, o contributo por escrito segundo as linhas habituais (a versão oral é sempre ligeiramente diferente da versão escrita, por isso sugiro ouvir primeiro, e ler depois).

Número da semana: -60% de movimento de pessoas em lojas, mercados, supermercados e farmácias depois da declaração do estado de emergência, menos do que em geral. É importante por revelar que em locais de compra de bens essenciais, locais candidatos a serem pontos de transmissão de contágio, houve uma diminuição acentuada da circulação de pessoas. Também revela que a logística de abastecimento destes bens esssenciais tem sido assegurada por produtores, transportadores e distribuidores.

Tema da semana: a capacidade do sistema de saúde em dar resposta, tendo como centro o Serviço Nacional de Saúde em Portugal. Primeiro ponto, nenhum sistema de saúde está preparado – no sentido de ter capacidade imediatamente disponível – para responder a uma pandemia que leve a um número elevado de casos de internamento e em unidades de cuidados intensivos. O que é importante é perceber suficientemente cedo os sinais do que possa estar a chegar e preparar da melhor forma – o que significa neste contexto, só colocar dentro do hospital quem realmente precise e mobilizar a capacidade adicional para as zonas de intervenção críticas. Nesta pandemia, tivemos algum tempo de avanço – vimos o que sucedeu na China, e depois em Itália e Espanha. Comparação internacional das capacidades dos sistemas de saúde: a informação é antiga e não tem em conta estes elementos de flexibilidade. Antecipamos com quatro linhas de atuação – primeiro, ganhar tempo – com identificação e isolamento dos primeiros casos; segundo, estratégia global de manter doentes que não precisam de internamento fora dos hospitais – o que ficou conhecido como os 80 – 15 – 5. Ter anunciado e feito desde o início garantiu que não se “inundou” os hospitais logo à partida; c) mobilização de capacidade interna – preparando outros serviços que não apenas pneumologia para receber doentes COVID e adquirindo mais ventiladores; Faz parte deste esforço adiar cirurgias não urgentes (mas as cirurgias urgentes devem continuar, e quem precisar deve continuar a ir procurar ajuda) d) contratar antecipadamente com o setor privado a opção de usar capacidade que tenham, se vier a ser necessário usá-la. Com a incerteza sobre o que vai ser realmente necessário, esta flexibilidade de utilização progressiva de capacidade é importante. Até porque a capacidade aqui é não só camas, ventiladores mas também profissionais de saúde. E se ventiladores podem ser comprados, não se consegue formar profissionais de saúde a tempo. Em momentos anormais, os números de capacidade normal dizem muito pouco, sendo muito mais importante ter a flexibilidade de adicionar capacidade antecipadamente e conforme se previr que vai sendo necessário. De momento, estas linhas de resposta parecem estar a conseguir evitar as situações dramáticas que foram reportadas em Espanha e Itália, e agora em Nova Iorque.

Mito da semana:  vai haver uma vacina em breve, até ao Verão. É falso porque a produção de uma vacina, com os testes necessários para garantir que protege e é segura, bem o próprio processo de a produzir, não leva menos de um ano depois de descoberta, e neste momento não há sequer uma descoberta comprovada. Há várias tentativas em curso, mas sem certeza do que possam originar.

Esperança da semana: os números de novos doentes confirmados indiciam que as medidas de restrição de mobilidade e distanciamento social estão a começar a produzir os efeitos pretendidos. A esperança é que esta evolução se confirme nos próximos dias e semanas, e para que isso aconteça é necessário manter o esforço.

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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