Momentos económicos… e não só

About economics in general, health economics most of the time


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no outro lado do mundo,

mais precisamente em Darwin, encontra-se a empresa/aventura de um brasileiro, o Ricardo, que depois de ter feito os seus estudos e trabalhado em marketing decidiu partir “à procura de si mesmo”.  Acabou a fundar uma empresa que recicla materiais de lona usados nos “comboios de atrelados” (road trains, no termo original) que circulam pelas estradas desertas da Austrália.

Não se limitam a reciclar, mas incorporam design e funcionalidade nas peças que fabricam, e vendem-nas em mercados e feira. A foto que se segue é do mercado na praia de Mindil, onde duas vezes por semana se faz festa para ver o pôr do sol (o que é também um bom exemplo de como gerar receitas locais com base no turismo).

Demorou dois anos a passar da ideia ao “mercado”, com vários testes pelo caminho para desenvolver o conceito e perceber o que as pessoas estão dispostas a adquirir, não por ser reciclado mas pelo design e apesar de ser material reciclado.

A empresa chama-se afroblonde, e vale a pena uma visita. Não sei se vende apenas a turistas, mas segundo quem viu, é fácil encontrar nas cabeças que passeiam por Darwin os chapéus criados por esta “aventura”, e que não são baratos em valor absoluto e por comparação com os tradicionais chapéus australianos.

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alegria no trabalho, álcool e que mais?

A teoria, num acordão recente e que tem recebido atenção nas redes sociais, de que estar “um pouco tonto” no local de trabalho não é mau talvez explique muito do que se passa no país; também um pouco surreal é a sugestão que o álcool ajuda a esquecer as agruras da vida e pode beneficiar a produtividade, e já agora pode ajudar a agricultura – não se lembraram deste argumento.

*sigh*

Mas é pouco e provavelmente injusto ficarmos por aqui, pois há mais na justificação na decisão do que a “vantagem” de esquecer as dificuldades da vida pelo consumo de álcool em quantidades generosas – a forma de obter a informação sobre a condição do trabalhador, por exemplo.

Se é pouco razoável a defesa de ser melhor ir trabalhar “um pouco tonto” por ingestão de álcool, o fundamental da decisão está, parece-me, também na forma como a informação foi obtida – no limite, e levando ao extremo, será que os empregadores devem ter acesso aos nossos registos médicos sem autorização?

Enfim, há sempre mais a saber do que os elementos que provocam a reacção pública. Justificada no que toca às considerações sobre álcool e alegria no trabalho, mas ignorando os outros elementos da decisão e que são também eles importantes.

Versão completa da decisão aqui: http://www.dgsi.pt/jtrp.nsf/d1d5ce625d24df5380257583004ee7d7/607f88788f74558980257bab0055e0f9?OpenDocument


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o que seria se este não fosse o verão mais frio dos últimos anos…

há um mês a notícia era o frio no Verão

agora são os máximos históricos,

qual será a correlação disto com a temperatura política?

ou apenas os meteorologistas a competirem nas previsões?

 


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post convidado: o que há de comum entre a política e o Carnaval?

Este blog funciona num registo de espaço livre de discussão, está aberto a comentários, e até a textos de convidados. Em vez de um comentário mais longo a um texto, pode justificar-se a colocação de um texto. Ou simplesmente, não se querer abrir um blog e ainda assim querer expressar uma opinião.

Este é o primeiro post convidado, da autoria de Francisco Severino.

“O que há de comum entre a política e o Carnaval?

À primeira vista deveríamos estranhar esta associação, mas desconfio bem que não serão poucos os que terão esboçado um sorriso ao ler o título.

Já todos aliás nos habituamos a ver um certo político com responsabilidades regionais a participar num carnaval conhecido, mas não é nisso que estou a pensar.

Peço alguma paciência ao leitor e explicarei o que leva a pensar que há muito me comum entre o carnaval e a política.

Estando Portugal no meio do que será porventura uma das mais graves crises económicas da sua já longa história, não consigo deixar de ficar triste com o nível, a seriedade (ou falta dela) e o nível de profundidade do debate político.

Alguns dirão que a política é também o reflexo do país que temos.

Sem dúvida o será.

Mas gostaria de acreditar que para além do nível de educação académico, vivia num país com melhores valores – algo que não depende tanto da escola, mas sobretudo daquilo que os pais, a família e a sociedade em geral nos transmitem.

Acreditava eu ser hoje aceite pela vasta maioria dos portugueses que a raiz da crise que temos vivido há mais de 10 anos resulta da progressiva perda de competitividade que em última análise resultou no crescimento do desemprego.

Facto que alguns contestam mas que os números não deixam margem para dúvida é que ao longo destes mesmos 10 anos (e ainda mais ao longo dos últimos 30), o Estado Social foi crescendo até chegar no que é hoje.

Só para ilustrar o que refiro, de acordo com a classificação COFOG em 2011 gastámos mais de 30% do nosso PIB com o Estado Social (Proteção Social, Educação e Saúde), valor 50% mais elevado do que em 2000 quando gastávamos pouco mais de 20% do PIB nestas funções. Em termos nominais em 2000 gastámos pouco mais de 31 mil milhões de euros com o Estado Social. Em 2011 este valor foi de 53 mil Milhões de Euros, ou sejam mais de 5000€ por cada português.

Chegada a chamada crise da dívida soberana dos periféricos e eis que Portugal se vê a braços com a necessidade de reduzir rapidamente a despesa pública.

Esta redução reduz a procura interna o que induz uma recessão.

Quando os nossos principais parceiros comerciais (Espanha, Alemanha, França, …) resolvem também aplicar medidas de austeridade as suas economias reduzem o crescimento e algumas entram em recessão e as nossas exportações ressentem-se.

Reconhecendo que o nível de impostos é mais elevado do que o que a maioria dos portugueses parece disponível para aceitar o Governo tentou (de forma pouco eficaz diga-se) lançar o debate sobre a reforma do Estado e sobre o nível de Estado que queremos.

Algo que o Ministro das Finanças em tempos explicou dizendo que “Existe aparentemente um enorme desvio entre o que os portugueses acham que devem ter como funções do Estado e os impostos que estão dispostos a pagar”.

E deste “enorme desvio” têm resultado os enormes deficits que em apenas pouco mais de uma década a dívida acumulada em % do PIB tenha passado de manos de 50% para mais de 120% do PIB.

Lançado o processo da “reforma do Estado” – ou seja, com a promessa da redução estrutural de despesa – o Governo conseguisse convencer os seus (atuais) principais credores _ a troika – a concederem-lhe uma reestruturação da sua dívida – sim leram bem, Portugal conseguiu reestruturar parte da sua dívida! – Falo, claro, da extensão das maturidades.

E foi na sequência da extensão das maturidades (o soft reestructuring) e deste compromisso com a reforma do Estado que Portugal conseguiu convencer mais uns novos financiadores. Colocámos assim a primeira emissão de Obrigações do Tesourou a 10 anos desde o início da crise soberana.

Foi assim com alguma surpresa que pude hoje nos últimos dias este artigo http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=27&did=109681 que refere como um dos principais partidos do arco da Governação vai fazer propostas para aumentar as pensões (mínimas) e também o salário mínimo.

Curiosa porque o programa de ajustamento subscrito supostamente pelos 3 partidos do arco da Governação estabeleceu claramente que durante o programa de ajustamento (2011-2014) não haveria aumento do salário mínimo nacional.

Mais curiosa a proposta quando no âmbito das propostas para a reforma do Estado o Governo anunciou a redução das pensões – bem sei que também disse que iria salvaguardar as pensões mais baixas.

Mas deixem-me clarificar a minha posição – acredito que são boas propostas…

Propostas com as quais no campo dos princípios concordo completamente.

Isto é, concordo que deveremos ter como objectivo aumentar as pensões de sobrevivência, reduzindo assim o fenómeno da pobreza na velhice – algo, já agora, que os nossos quase 20% de despesa no PIB com a Proteção Social não parece ser eficazes a fazer…talvez antes de “atirar mais dinheiro para o problema”, nos devêssemos debruçar sobre o que está errado no atual sistema que, sendo caro (i.e. consome muitos recursos), é ineficaz (i.e. não parece combater eficazmente a pobreza e exclusão social).

Concordo também que deveremos ter como objectivo que o salário mínimo nacional possa subir, pois deve ser bastante difícil viver com este valor.

…o que já não concordo é que este seja o momento para o fazer!

E não me parece que o seja por pelo menos duas ordens de razões:

1) aumentar as pensões implica quase certamente aumentar a despesa pública

i.e. não imagino que a proposta passe pelo aumento das pensões mínimas (na sua maioria não contributivas) à custa da redução das restantes pensões (que resultam de regimes contributivos)

2) aumentar o salário mínimo deverá resultar a curto prazo em menos criação de emprego e a curto/médio prazo em mais desemprego

Que estas propostas fossem apresentadas por centrais sindicais ou por partidos mais pequenos e radicais, já nos habituamos (infelizmente!), mas que surja de um partido no arco da governação preocupa-me deveras.

Como não acredito que não conheçam e que não concordem com análise simples que acabei de fazer, só posso concluir que se trata de “publicidade enganosa”. Sabem certamente que caso formem Governo não poderão executar as medidas que agora propõem.

Entraríamos então na já habitual fase de culpas sobre os antecessores que afinal deixaram o país muito pior do que pensavam, etc, etc.

Fosse uma empresa privada a fazer publicidade a um seu qualquer produto e estou certo que levaria uma pesada multa por “publicidade enganosa”.

Mas neste caso não há problema, afinal é só política e na política, como no Carnaval, ninguém leva a mal.

Afinal e ainda para mais este ano é ano de eleições…

Eu acredito que uma pessoa pode fazer a diferença.

Acredito também que os atos, mais do que as palavras, revelam os valores de quem as pratica.”


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ciência, fraude e erros

depois do erro de excel no trabalho de Rogoff e Reinhart, notícias do campo da psicologia, de dados inventados ao longo de 10 anos, vale a pena ler o artigo na New York Times  / Magazine (aqui), mas também já houve fraude na investigação sobre células estaminais (ver aqui). Existem vários outros exemplos em muitas áreas (aqui novamente em medicina)  e provavelmente há mais casos desconhecidos, ainda assim é assinalável que o sistema científico tenha capacidade de detectar e até propor formas de correcção – neste artigo discute-se os limites e possibilidades actuais de detectar artigos fraudulentos. Há uns anos houve o caso Sokal, em que este investigador inventou um artigo só para ver se conseguia publicar textos sem sentido mas com ar sofisticado e transdisciplinar (ver aqui um resumo).

Voltemos aos dados que tenho para trabalhar…


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são os italianos e espanhóis mais ricos que os alemães?

A propósito de um trabalho do Banco Central Europeu, surgiu a informação que os cidadãos dos países do Sul da Europa – em particular, espanhóis, italianos, cipriotas, seriam mais ricos que os alemães. Paul de Grauwe olhou para a questão através das desigualdades que também existem na Alemanha (aqui).

Uma questão similar tinha-me sido levantada há dias por um colega. Utilizando dados do inquérito SHARE, para 2011, que abrange apenas cidadãos acima de 50 anos mas tem um conjunto alargado de países inquiridos, entre os quais Portugal, é possível olhar um pouco mais para esta discussão, para este grupo da população e analisando um dos principais activos – a propriedade de habitação própria.

A importância desta discussão está em levar a questionar o apoio do Norte da Europa, leia-se Alemanha, ao Sul, leia-se países do Mediterrâneo pertencentes à zona euro.

Primeiro dado, os alemães têm por escolha comprar menos habitação própria. Esse facto é muito claro na população acima dos 50 anos, sendo mais natural no Sul da Europa uma percentagem muito elevada de pessoas acima desta idade que é dono da sua casa. (a responsabilidade dos gráficos e de imprecisões que neles possam constar são minha responsabilidade)

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Os alemães por outro lado são os que têm menos dívidas na aquisição de habitação própria.

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Em termos de rendimento ajustando para os níveis de preços em cada país e para a composição dos agregados familiares, na população com mais de 50 anos, os alemães não são os mais ricos, sendo mesmo ultrapassados pelos espanhóis. Mas como estamos a falar de habitação própria e resultante de valores auto-reportados pelos próprios donos das habitações, a existência de uma “bolha” de preços na habitação em Espanha poderá reflectir-se em valorizações pessoais e não de mercado (valor de transacção) das habitações. O valor de mercado é aquele pelo qual conseguimos vender não aquele pelo qual gostaríamos de vender ou que achamos que é “justo” vender. Por isso, a percentagem de proprietários sem dívida relacionada com a habitação poderá ser uma melhor aproximação da riqueza da população com mais de 50 anos de cada país, e nesse indicador os alemães surgem muito claramente diferenciados do sul da Europa (tal como os holandeses).

É preciso ter o cuidado de estes valores não serem rendimentos nominais de cada cidadão, e dizerem respeito a uma parte da população apenas.

Ainda assim, é notável que as diferenças entre os cidadãos de diferentes países assinalem rendimentos mensais que depois de ajustados para a dimensão do agregado familiar e poder de compra que não são muito diferentes entre países e em particular a Alemanha não aparece como uma posição de muito maior rendimento que os restantes, pelo menos nesta população. Se tal se deve à generosidade dos sistemas de pensões ou a outro motivo, é algo que não é possível aqui distinguir.

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publicidade …

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… o desafio foi não ter equações, modelos estatísticos ou gráficos… tem um par de números, ainda assim…
Mrec_SNS


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pseudónimos, política e economia

a curiosa situação de um consultor do FMI que escreve sobre Portugal e que é demitido do seu cargo numa fundação do PSOE, ver aqui, por não revelar o nome de quem redigiu artigos verdadeiramente artigos publicados sob pseudónimo. Os artigos existem. A dúvida é saber se seria um estratagema para receber por parte de quem adjudicava os artigos.

Numa espécie de volte-face literário, surge a ex-mulher do consultor a dizer que é ela a autora dos artigos, que faz outras coisas com o mesmo pseudónimo e que o ex-marido não saberia de nada por tudo ser feito através da representante editorial dela (ver aqui a noticia e aqui). Mas o diário El Mundo mantém dúvidas (aqui) dizendo que alguns dos artigos do pseudónimo são idênticos a escritos do consultor do FMI.

A realidade ultrapassa a ficção. Cuidado com os pseudónimos. E como a hipersensibilidade social na actual crise pode disparar em qualquer sentido, a uma velocidade esmagadora de qualquer análise racional.


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viagens de comboio e a CP

Alguma coisa vai mudando na CP, ou melhor nas várias CPs que são as suas unidades negócios, com aspectos bons e outros a melhorar.

Tive recentemente que fazer uma deslocação a Braga por motivos profissionais, e como de costume tratei de usar a CP. Hábito de algum tempo a esta parte, consultar a internet para ver horários e comprar bilhetes. Sabendo de uma ligação directa Lisboa – Braga em comboio alfa pendular, foi a primeira procura que fiz. As ligações lá estavam, mas o horário era pouco interessante para o comboio directo, ou muito cedo (sair de Lisboa pelas 7h00, quando o compromisso era às 14h30) ou muito tarde. Arrumada a questão do comboio directo, houve então que encontrar a alternativa. Nada de muito complicado. No mesmo sítio de internet, basta mudar de janelinha e lá surgem as várias alternativas. Tudo muito claro, incluindo os transbordos e as horas. Só que ficou a faltar a possibilidade de comprar directamente, naquele momento, o bilhete. Como gosto de escolher o lugar onde vou, e como estou habituado a fazer essa escolha nos comboios alfa pendular, assumi que poderia comprar a parte Lisboa – Porto pela internet, seleccionando o lugar, e depois na bilheteira da estação de embarque compraria a parte seguinte da viagem, Porto – Braga. Decidi poupar o custo de uma chamada telefónica para os serviços da CP a confirmar que o poderia fazer, de tão simples me pareceu que seria em qualquer bilheteira comprar um bilhete para qualquer percurso oferecido pela CP no país.

Deste confiar numa abrangência do sistema de bilheteira resultou a primeira surpresa. Não é possível comprar um bilhete Porto – Braga antecipadamente em Lisboa. Mas posso comprar Lisboa – Braga naquele momento. Fico sem perceber se é um problema tecnológico, o que não parece plausível, ou um problema de gestão das unidades de negócio. E na descrição da viagem que é feita no site da CP não há referência a esta dificuldade.

Resultou daqui um pequeno problema – o tempo para comprar o bilhete Porto – Braga na estação de Campanhã. Sem atrasos na chegada e partida, são 11 minutos disponíveis. É um tempo mais do que suficiente se…

Os possíveis “se” são muitos, e o primeiro é o momento de chegada. Sem atrasos, pelo menos desta vez. Os dois primeiros minutos são passados a percorrer a distância entre a plataforma de chegada e a bilheteira, procurando ao mesmo tempo identificar de que plataforma sai o comboio para Braga. A plataforma de chegada é longe da bilheteira, mas a de partida é logo a primeira, menos mal. Zona de bilheteiras. Necessidade de decidir entre máquina automática ou atendimento humano, sujeito a fila de 4 pessoas. 9 minutos para a partida. As máquinas estão vazias mas oferecem escolhas que precisam de informação – é o cartão Andante ou o outro? Na dúvida, tenta-se a fila. Passam os minutos. Falta de trocos de quem está a ser atendido. Que quer ainda mais uma explicação e um mapa. 2 minutos e sou atendido. Era o outro cartão, o verde, e não o Andante. Que o guarde que serve para o futuro, ainda recomenda o funcionário da CP. Andemos que o comboio para Braga está a entrar na estação. Validação do bilhete à entrada da plataforma e entrar para uma carruagem ampla. Faz parte da rede urbana do Porto. Excelente comboio, a deixar entrar todo o Sol do início de tarde. Deu ainda para constatar que a escolha de cartão para viajar até Braga, que não foi óbvia quando olhava para as bilheteiras electrónicas, é partilhada por mais pessoas. Uma rapariga que viajava para o mesmo destino teve longa conversa, à minha frente, com o revisor. Tinha ela usado um cartão Andante com nove zonas, o mesmo número de zonas para chegar a Braga. Mas as nove zonas do cartão Andante não são as mesmas. Fiquei a saber pelos esclarecimentos do revisor que o cartão Andante é válido para andar em comboios da CP na área do Porto, mas só até parte das linhas. O cartão Andante é multimodal e azul (tenho um da última viagem que fiz ao Porto, utilizado no Metro). Só que para ir além de uma “coroa” é necessário o cartão verde da CP. Os limites do Andante foram prontamente cantados pelo revisor. E o azar de serem nove zonas que qualquer dos cartões sobre só ajuda à confusão (a acreditar que são nove zonas em cada caso, não fui confirmar). E acresce ainda que o custo de usar o Andante nas zonas todas é superior ao preço do bilhete Porto – Braga, aspecto também clara e rapidamente detalhado pelo revisor. E no final, lá deixou a rapariga seguir até Braga sem outra penalização além de ter pago um bilhete mais caro com o cartão Andante. E toda a forma como as explicações foram prestadas e como a recomendação de usar o cartão CP foi feita deixa subentendido que este será uma situação vulgar na linha.

Pedido: para ir de Lisboa a Braga fazendo transbordo em Porto – Campanhã, poderá a CP oferecer o bilhete completo para aquisição via internet, ou pelo menos permitir em qualquer bilheteira comprar bilhete para qualquer percurso?

A ida teve a emoção de conseguir em 11 minutos fazer a mudança de comboios, e para o futuro já tenho o meu cartão verde que deverá facilitar o processo. O regresso foi feito em comboio directo, com a boa novidade de oferecer “wifi free” em teste. Perfeito. Deu para fazer algum trabalho atrasado. Espero que mantenham o teste por bastante tempo, pois a alternativa será o wifi pago. Ou talvez passe a estar incluído no preço do bilhete. Passar a wifi pago parece ser a opção mais natural – só usa e paga quem quer. Mas terá um ligeiro problema – qual será a sua real procura? quem está mais disposto a pagar também tenderá a ter mais facilmente alternativas como ter uma ligação em pen usb de banda larga, ou via telefone.

Viajar de comboio em Portugal está a melhorar, pelo menos nesta linha. E se da próxima vez verificar que o meu pedido pode ser satisfeito, significará que novos passos centrados nos passageiros estão a ser dados.

 


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Balanço de 2012

1- Portugal não saiu do euro (a Grécia também se aguenta) e o euro ainda existe.

2- A Troika continuou a visitar-nos com frequência, e deu espaço para respirar no défice deste ano mas pouco.

3- Não houve renegociação da dívida.

4- Não houve mais surpresas ou buracos vindos da Madeira que comprometam os objectivos gerais.

5- Sarkozy foi corrido em França mas Hollande ainda não cumpriu as expectativas. E ainda vai ter que se haver com o Gerard Depardieu.

6- De TSU para manifestação colossal para aumento enorme de impostos e logo de seguida refundação do estado social, os últimos quatro meses do ano foram frenéticos.

7- Mais um campeonato europeu que não ganhamos, mas mais uma vez atropelamos a Holanda, fomos atropelados pela Alemanha, e recuperamos o trauma do golo de Poborski há muitos anos atrás com a vitória sobre a Republica Checa. Faltou só uma pontinha de sorte a Cristiano Ronaldo no jogo com a Espanha.

8- O país descobriu Artur Baptista da Silva. Com grande injustiça para outros como ele que permanecem na penumbra mediática.

9- Ainda não foi este ano que se descobriu petróleo em Portugal.

10- (cada um coloque o que quiser, desde uma canção a um filme, ou outra coisa qualquer)