Momentos económicos… e não só

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decompondo a evolução da despesa pública com medicamentos

Hoje é um post um pouco mais técnico, quem estiver com pressa pode saltar para as figuras que resumem o essencial.

A despesa pública em medicamentos em ambulatório é dada pela soma de todos os medicamentos, indexados por i, de: s_i x q_i x p_i em que s_i é a taxa de comparticipação do medicamento , p_i  é o preço do medicamento  e q_i  é a quantidade vendida do medicamento.

A redução da despesa pública pode estar a ocorrer por redução em qualquer um destes elementos ou por passagem do consumo de medicamentos com valores elevados de comparticipação ou de preço para medicamentos em que esses valores são baixos.

A informação publicamente disponível no sítio de internet do Infarmed não permite uma resposta produto a produto, mas é possível uma aproximação em termos agregados.

Para tornar a visualização mais simples, tome-se como ponto de referência Janeiro de 2009.

Avalia-se:

a) a evolução da taxa de comparticipação média, aproximada pelo rácio encargos do SNS sobre valor em PVP do mercado em ambulatório (enão apenas mercado do SNS, para capturar o efeito de passagem de consumo para outros medicamentos fora do âmbito do SNS).

b) a evolução do preço; o preço é aproximado pelo preço médio por embalagem, calculado como valor em PVP de mercado em ambulatório dividido pelo número total de embalagens.

c) a evolução da quantidade, que é aproximada pelo número total de embalagens.

Globalmente, desde Outubro de 2010, a evolução recente está assente numa ligeira redução do preço médio (nos últimos meses), de uma redução da “quantidade” face a 2009, mas que tem permanecido estável no último ano, e sobretudo uma redução da taxa de comparticipação implícita, revertendo uma tendência do ano de 2009 em que aumentou de forma importante o consumo de medicamentos mais comparticipados pelo SNS.

Uma separação adicional é entre genéricos e não genéricos, em que a componente de não genéricos é calculada por diferença entre o mercado total em PVP (embalagens) e as vendas referentes a genéricos em PVP (embalagens).

O que se denomina de “não genéricos” é, por isso, mais abrangente do que as vendas de medicamentos cobertas pelo Serviço Nacional de Saúde.

Adopta-se igualmente a perspectiva de índice de base 2009 =100 para comparar a evolução livre dos valores de partida de cada variável.

Da decomposição realizada, torna-se evidente que o principal ajustamento de preços tem vindo a ocorrer pelo decréscimo do preço dos medicamentos genéricos, quase 30% em média no último ano, quase 40% cumulativamente desde Janeiro de 2009.

Nos medicamentos não genéricos houve mesmo um ligeiro aumento de preços em média, durante a maior parte do tempo desde Janeiro de 2009, reflectindo certamente efeitos de alteração da estrutura de prescrição e consumo de medicamentos. Só no último mês de dados se regista uma diminuição do preço médio nos “não genéricos”.

Olhando para as quantidades,

Observa-se um crescimento do consumo de genéricos, sobretudo a partir do Outono de 2010, em que houve uma alteração importante no nível de consumo. As oscilações mensais desde então ocultam uma leve tendência crescente.

Para ter em conta padrões de sazonalidade e antecipações/adiamentos de compra de medicamentos à volta de medidas de política, tomo como indicador a soma da despesa em medicamentos de 12 meses consecutivos em que o último é o último mês para o qual há dados. Fica uma espécie de despesa anual rolante. Fazendo a taxa de crescimento dessa “despesa anual rolante” em Setembro de 2011 face a Setembro de 2010, tem-se um decréscimo de 19,51% nos encargos do SNS mas apenas um decréscimo de 7,85 do volume de vendas total. Para a comparação de Setembro de 2010 com Setembro de 2009, o crescimento dos encargos do SNS era +12,4%, mas o mercado total estava a baixar 1,37%.

Aparenta assim ter ocorrido uma inversão clara da evolução dos encargos do SNS, alicerçada em parte numa diminuição do preço médio dos genéricos (mesmo depois de ajustamentos de composição no consumo), e em parte (subtancial) na reversão da tendência de maior comparticipação do Estado – os utentes voltaram a suportar uma parte maior das despesas com medicamentos.

O ajustamento teve o seu início no Outono de 2010, por isso bastante antes da introdução dos objectivos da Troika. Resta saber se os próximos números dos meses futuros trarão mais novidades, ou a continuação destas tendências.


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medicamentos e memorando de entendimento

A medida do Memorando de Entendimento referente à despesa pública com medicamentos tem gerado alguma discussão, já que a exigência de que seja atingido um valor 1,25% do PIB em 2012 e 1% do PIB em 2013 é uma exigência forte.

Parte da discussão centrou-se sobre que despesa pública em medicamentos estaria incluída, uma vez que o Memorando de Entendimento faz uma referência a valores médios da OCDE, que usualmente incluem apenas a despesa de medicamentos em ambulatório.

Foi já esclarecido que o objectivo está estabelecido em termos de despesa pública total em medicamentos, expresso de forma clara pelo Secretário de Estado Manuel Teixeira na abertura da conferência anual do Infarmed, realizada a 10 de Outubro de 2011.

Utilizando os dados publicamente disponíveis no sítio de internet do Infarmed, tome-se para cada mês o valor da soma de despesa em medicamentos dos 12 meses anteriores, e divida-se por uma medida do PIB obtida com ponderação do número de meses já decorridos do ano e do ano anterior (por isso, livre também ela de sazonalidade), tem-se uma noção da evolução recente do indicador face ao objectivo. O valor do PIB nominal de 2011 é estimado usando a previsão de crescimento real (negativo) segundo o Governo e da taxa de inflação segundo a previsão do INE (sendo as previsões respectivamente de -1,9% para o crescimento real, e 3,5% para a inflação).

Pelos valores calculados, vê-se claramente que apesar da evolução no sentido de redução da despesa pública com medicamentos nos meses mais recentes ainda se está longe do objectivo traçado.

Constata-se também que tem sido a despesa pública em ambulatório a fazer o ajustamento de descida e que o processo se iniciou há cerca de um ano, antes do Memorando de Entendimento.

Amanhã continuarei a análise dos números e que se consegue identificar como estando na base da descida da despesa pública em medicamentos.

Nota: em alternativa aos dados do Infarmed, podia ter usado os dados da Conta Satélite da Saúde publicada pelo INE. Não o fiz porque sendo dados anuais não permitem um acompanhamento mais em cima da evolução real, e os dados do Infarmed são em princípio fiáveis (apesar de no caso das despesas hospitalares dependerem de reporte dos hospitais, e de nem todos os hospitais estarem incluídos em todos os meses – o valor obtido deve ser visto como um limite inferior ao verdadeiro rácio despesa pública em medicamentos face ao PIB).


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médicos, interior do país e planos de vida

Saiu hoje na imprensa uma notícia sobre a abertura de vagas para internos no interior do país, passando a beneficiar também de uma bolsa de 750 euros mensais adicional desde que assumam o compromisso de se fixarem nessas regiões durante tantos anos quantos os que tiveram de formação (os detalhes são os lidos na comunicação social, não tive acesso ao documento / plano original).

A fixação de médicos no interior do país, sendo uma preocupação, está assim a ter um princípio de solução, e adequado. Se há maior escassez de médicos numa região, uma das formas de os atrair é naturalmente pagando um salário superior. Está assim dado o primeiro passo. Mas se é primeiro passo, significa que outros têm que ser dados.

Tendo estado há cerca de mês e meio numa conferência na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, um dos temas que esteve em discussão foi precisamente o de atracção de médicos para o interior. E ficou claro que se o salário é uma parte importante, e sobretudo é o ponto de partida, de uma estratégia de fixação de médicos, a prazo não é tudo.

Significa que há um papel importante das instituições de saúde do interior. Esse papel é de oferecerem a esses médicos, que numa primeira fase podem ser atraídos sobretudo pelo incentivo salarial, um plano de vida atraente, com um projecto profissional que faça sentido para eles. Sem esse projecto profissional dificilmente o aspecto monetário será suficiente (a menos que seja muito generoso e permanente). A construção desse projecto, para que seja parte integrante do plano de vida dos médicos, tem que partir das instituições e não do Ministério da Saúde enquanto estrutura central. Cabe aos profissionais das instituições do interior construir e desenvolver esses projectos, para eles e para os que novos profissionais que aí se fixem. E escrevo profissionais porque de alguma forma todos as profissões que participam em instituições de prestação de cuidados de saúde têm de estar envolvidos.

Naturalmente que estes projectos profissionais não conseguirão reter todos os profissionais, mas em contrapartida até poderão vir a atrair outros mais tarde.

Esperemos que depois do primeiro passo as instituições de saúde do interior e as pessoas que os dirigem tenham a capacidade de dar os passos seguintes e construir os projectos profissionais que façam valer a pena ter planos de vida nessas regiões. Do que recordo da discussão na Universidade da Beira Interior, há a consciência dessa necessidade de médicos, há a consciência de que algo tem de ser feito e pelas instituições de saúde da região. É um começo. Resta agora fazerem o resto do percurso, pensando a longo prazo.

 

(post gémeo com o blog estado vigil)


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ainda a discussão sobre a função pública, no dinheirovivo.pt

Nas várias intervenções sobre os salários da função pública, grande parte da discussão acabou por centrar-se em questões de equidade (ou falta dela). Que eu tenha dado conta, praticamente ninguém discutiu o porquê da situação em primeiro lugar de querer pagar diferente à função pública ou se querer dar um vinculo definitivo de trabalho a quem está na função pública, remetendo-se implicitamente para o argumento simples e simplista de direitos adquiridos. Ora, é precisamente este aspecto que encontrei discutidos em dois artigos de Luís Fábrica, que me parecem merecedores de atenção, e que dão origem a questões relevantes também no campo das implicações económicas – é este o tema do meu artigo de hoje no dinheirovivo.pt, aqui:

 

Revisitando a discussão sobre os salários da função pública

14/11/2011 | 04:10 | Dinheiro Vivo

Dois recentes artigos de Luís Fábrica sobre a função pública são de leitura obrigatória. Esclarecem as origens e processo de geração dos desequilíbrios internos da função pública, nomeadamente o porquê da segurança de emprego e da lógica de um “prémio salarial” na função pública para alguns cargos (que já não existe neste momento). Mas também como ao longo do tempo essas razões levaram a um desequilíbrio que acaba por se virar contra a própria função pública.

À análise de Luís Fábrica podemos acrescentar a dimensão económica. O Governo, e a função pública como estrutura de suporte às decisões e actuação deste, detém um recurso económico escasso – o poder coercivo do Estado, seja pela positiva (licenciamentos e autorizações, distribuição de verbas) seja pela negativa (proibições e sanções, impostos, contribuições e taxas).

Este poder coercivo é único entre os agentes da economia, e a sua utilização tem uma componente apreciável de discricionariedade. Desde a atribuição de uma multa na construção de um edifício até à produção de legislação, muitas são as decisões da administração pública, exercida por funcionários públicos, que têm valor económico, e pelos quais não existe um “preço de mercado” que seja pago. Tomemos o exemplo de licenciamento de funcionamento de uma qualquer actividade. O preço pago pela licença não reflecte o seu valor económico, nem o deve fazer. A decisão do funcionário público em atribuir, ou não, a licença depende do zelo e interpretação que este coloque na verificação das condições para essa atribuição.

A redução dos salários nominais na função pública poderá acarretar comportamentos de ajustamento que potencialmente degradam o funcionamento da administração pública.

Esses ajustamentos no comportamento incluem complacência (e mesmo apoio) a colegas que desenvolvem outras actividades geradoras de rendimento durante o horário de trabalho, bem como corrupção, receber verbas ou “contribuições” para usar de forma favorável a quem “contribui” a discricionariedade da decisão da administração pública. O custo de uma pessoa, monetário e moral, de envolvimento nestas actividades é menor se o salário recebido for mais baixo.

A independência dos decisores na função pública justifica um “prémio salarial” em determinadas posições, por estarem na base de um recurso escasso que não está presente nas empresas privadas (o poder coercivo do Estado). A isenção da decisão da administração pública face ao poder político de cada momento justifica a segurança de emprego (argumento feito de forma muito clara por Luís Fábrica).

Estes argumentos levam não a uma redução do leque salarial da função pública, mas a um seu aumento, o que não tem sido socialmente aceitável. Coloca dilemas adicionais para um bom desempenho dos sistemas remuneratórios na administração pública.

A compreensão destes aspectos é fundamental para que a redução salarial na função pública não tenha efeitos inesperados, e que poderão ser potencialmente prejudiciais ao processo de transformação da economia. Basta pensar quanto dos (famigerados) custos de contexto dependem de facto de um bom processo de decisão dentro da administração pública.

Referências:
Apogeu e queda da função pública (veja aqui)
Os “privilégios” da função pública (veja aqui)

PS. O autor é funcionário público, leccionando numa universidade financiada pelo Orçamento do Estado.

Nova School of Business and Economics
Escreve à segunda-feira
Comentários e sugestões podem ser enviados para ppbarros@novasbe.pt


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Resultados da sondagem

Na semana passada lancei uma pequena sondagem sobre que impacto está a ter o ajustamento às medidas da troika no funcionamento das organizações.

As respostas obtidas estão no quadro seguinte, e apesar de susceptível de muitos enviezamentos e distorções, parece resultar que nem tudo ficou na mesma, embora não se tenha ainda instalado uma dinâmica clara de mudança. Daqui a seis meses, será diferente? tentaremos ver nessa altura.


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Assessment of implementation of Troika measures in the health sector

I provide below my assessment of the progress of the Portuguese Government in complying with the measures for the health sector that were laid out in the MoU (first version, May 2011; revised September 2011).

All comments, suggestions and corrections welcome. Even questions are welcome (though I may not have the answer).

Date

Required by the Memorandum of Understanding, update of September 2011

Current status of progress and implementation, October 2011

31.08.2011

Assess the 20 most relevant public-private partnerships.

A report was produced, covering almost all PPPs, including the
health sector. It is publicly available.

30.09.2011

Revision of exemptions from user charges. Means-testing to be
done in cooperation with Ministry of Social Security. (3.51)

Approved by Government at 29.09.2010. Exemptions are to be based
on two criteria: lack of financial means, clinical need (chronic conditions).

30.09.2011

Increase of user charges, ensuring that values are higher in
hospitals than in primary care; higher in emergency
room than in outpatient visits. (3.51)

Approved by Government at 29.09.2011. Values will be published
in a specific legal document. Not yet available.

30.09.2011

Set the maximum price of the first generic at 50% of the
originator price. (original May 2011: Set the
maximum price of the first generic at 60% of the originator price.)

Approved by Government at 29.09.2011.

30.09.2011

"Improve the monitoring system of prescription of medicines
and diagnostic; set in place a systematic assessment by individual doctor in
terms of volume and value" (3.59)

28.09.2011 – Despacho n 12950/2011
(Government Directive). Sets the minimum information to be reported. A
preliminary report was produced on 19.09.2011. According to press, individual
reports were sent to doctors.

30.09.2011

Mandatory electronic prescription of pharmaceutical products and
exams paid by the NHS (3.58)

It is in place since 01.08.2011.  Few exceptions exist.

30.09.2011

"Induce physicians at all levels of the system, both public
and private, to prescribe
generic medicines and the less costly available branded product" (3.60)

Not clear how to be done. Public statements reinforce this
intention. Portuguese Medical Association revealed that most physicians
prescribed generics (26.09.2011)

30.09.2011

Set legal framework for centralized purchasing and procurement.
(3.66)

SPMS is a public entity taking this role. It existed prior to
the MoU. It publicizes procurement tender offers in
the web (http://www.spms.pt).

30.09.2011

Stronger role to primary care, to reduce the use of hospital
emergency services. In particular, more "family health units" (USF)
should be created. (3.72)

There were 18 new USF since May, in a total of 311. This likely
reflects previous applications. Since May 2011, 19 new applications.

30.09.2011

Recover arrears. Set procedures to avoid them in the future.
(3.73)

No public information is available. News in the press reports
increasing arrears. The Government budget proposal for 2012 recognizes arrears
in the amount of 3,000 M€ (total NHS budget for 2012 around 7,500 M€). A plan
for recovery of arrears was announced to be disclosed
until the end of 2011.

30.09.2011

Detailed measures to achieve cost savings in hospitals. Target
value 200M€ over two years (2011 and 2012) (3.75)

The Government budget proposal for 2012 entails a 14% reduction
in wage payments to all civil servants. Reduction of over-time work payments,
both in value per hour and volume of hours. Own estimate of overall cost
savings: 300 – 400M€ yearly.

30.09.2011

Publication of clinical guidelines. Set audit system for
monitoring. (3.76)

A5 05.09.2011, a protocol between the Ministry of Health and the
Portuguese Medical Association to build clinical guidelines and train auditors
was signed.

30.09.2011

Monitor annually the demographic dynamics of physicians by
specialty, age, region, hospital, sector, to identify future needs. ((3.82)
The review added other professions, and the regions of Madeira and the
Azores.)

A study was produced by the ACSS, the financial agency of the
NHS.

30.09.2011

Prepare annual reports on the allocation of human resources.
(3.83)

No separate report. Can be seen as part of the report on medical
doctors’ needs, prepared by ACSS.

30.09.2011

Reduce the costs with
patients’ transportation by 1/3. (3.87)

A new regulation on
transport of non-urgent patients was enacted in May 2011. According to press,
transport of patients decreased 30% in the first semester. No information
about costs.

30.10.2011

Reduce fiscal credits to
health expenditures by 2/3.

Budget proposal for 2012
reduces fiscal credits to 2/3. In the two upper income brackets, no fiscal
credits are allowed.

31.12.2011

Set mechanisms to ensure a
more balanced distribution of GPs across the country. (3.72)

 

31.12.2011

All PPP (including health
sector PPP) are to be reviewed by an international auditor company.

 Seems to be under
way. No precise information was found.

31.12.2011

User charges are to be
automatically indexed to inflation. (3.51)

Approved by Government at
29.09.2011

31.12.2011

Reduction in budget costs
associated with ADSE, ADM, and SAD (civil servants and military health
services). 30% in 2012. (3.53)

The Government budget
proposal for 2012 satisfies this for the military. As to ADSE (civil
servants), accounting changes do not allow a clear reading. A significant
reduction seems to be in place.

31.12.2011

 Automatic reduction
of original pharmaceutical product prices when patent expires. (3.55)

Approved by Government at
29.09.2011.

31.12.2011

"Move the
responsibility of pricing medicines to the Ministry of Health (for example to
the Infarmed)."

Approved by Government at
29.09.2011.

31.12.2011

Revise the international
referencing system, using three countries of comparable GDP and with the
lowest prices within Europe. (3.57)

Approved by Government at
29.09.2011. Details yet to be known.

 31.12.2011

"Improve the
monitoring system of prescription of medicines and diagnostic and set in
place a systematic assessment by individual doctor in terms of volume and
value, vis-à-vis prescription
guidelines and peers" (3.59)

Despacho n 12950/2011
enacted by the Ministry of Health details information to be collected.
Monitoring template not publicly known.

31.12.2011

"Establish clear
rules for the prescription of drugs and the realization of complementary
diagnostic exams (prescription guidelines for physicians) on the basis of
international
prescription guidelines" (3.61)

At 05.09.2011, a protocol
between the Ministry of Health and the Portuguese Medical Association to
build clinical guidelines and train auditors was signed.

31.12.2011

Remover barriers to entry
of generics, in particular administrative and legal hurdles. (3.62)

New legislation to remove
barriers is under discussion in Parliament.

31.12.2011

"Effectively
implement the existing legislation regulating pharmacies" (3.63)

 

31.12.2011

Change margins of
pharmacies from constant percentage mark-up to regressive margins and fixed
fees. (3.64)

Under discussion to be
included in a new piece of legislation.

31.12.2011

"Finalize the uniform
coding system and a common registry for medical supplies." (3.67)

Under way by Infarmed
(pharmaceutical sector regulator) and SPMS (centralized procurement agency
for the health sector).

31.12.2011

 ((3.74) "change the existing accounting framework and adopt
accounting standards" to improve hospital management.)

 

31.12.2011

Increase competition
among private providers to the NHS. Reduce expenditure by 10% in 2011 and
another 10% in 2012. (3.68)

On 04.10.2011, the
Minister of Health announced a reduction in this expenditure in a conference.
Price reductions in laboratory tests and radiology were established. Dialysis
prices were reduced. Expected price reductions are of 12.5%. Hospitals are to
use internal idle capacity before outsourcing exams and tests to the private
sector.

31.12.2011

"ensure
a more transparent selection of the chairs and members of hospital
boards" (3.77)

No public information.
Currently the Ministry of Finance publishes who is in the board and the
remuneration of hospital boards with firm-like statutes.

31.12.2011

Publish a strategic plan
for the health sector, consistent with medium-run budget framework. (3.54)

 


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contratos implícitos vs contratos explícitos

Num comentário recebido há dias foi-me proposta a seguinte questão para discussão:

“Mais um pedido: o Estado quebrou os contratos com os func. públicos e reformados.Por que não com as PPPs e outros parceiros?”

Diversas respostas podem ser apresentadas para esta “simples” pergunta, não opto por nenhuma delas, ou por sub-conjuntos, vou-me limitar a enumerar:

1) porque tem mais impacto imediato em termos de despesa orçamental reduzir salários e pensões do que renegociar PPPs  – leva tempo e não é exactamente conhecido o potencial de redução nessa negociação (será supostamente objecto de negociação em breve, depois de conhecido um estudo sobre o assunto a estar pronto no início de 2012, primeiro trimestre). A escolha de uma solução rápida e de efeito conhecido poderá ter favorecido esta opção face a outras de efeito mais incerto.

2) porque se considera mais justo fazer recair sobre os trabalhadores da função pública e sobre os reformados o ajustamento – no caso dos funcionários públicos, já foi dito que são “mandriões” e ganham mais do que no sector privado (esta última parte já foi discutida e qualificada em vários aspectos)

3) porque no caso das PPPs e outros parceiros, os contratos legais assinados são susceptíveis de escrutínio legal pelos tribunais e a sua alteração não voluntária tem custos elevados,  as empresas e entidades privadas afectadas têm capacidade de mobilização para contestar legalmente a decisão; no caso dos funcionários públicos e reformados, a base legal para a redução dos salários e pensões parece ter sido caucionada legalmente, e cada funcionário público e cada reformado tem pouca capacidade de mobilização para contestar a medida

4) porque há um objectivo de redução da actividade do Estado, e reduzir salários é a forma de induzir maior saída / menor (tentativa de) entrada de trabalhadores na função pública

5) porque as promessas de pensões implícitas no sistema de repartição (“pay as you go”) não são sustentáveis com o crescimento (falta dele) da economia portuguesa – sistemas de pensões de repartição só conseguem crescer pensões se a actividade económica estiver a crescer.

6)… adicionar à vontade


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sobre a actual situação macroeconómica

a entrevista da Antena 1 ao meu colega na Faculdade Francesco Franco, aqui, minuto 3:15 até ao minuto 10, feita Domingo dia 6 de Novembro 2011.


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10 min – 8 ideias chave

Pediram-me que em 10 minutos fizesse um rápido enquadramento macro para as despesas com saúde, decidi concentrar-me em 8 ideias chave, a apresentação está disponível aqui. As ideias chave que escolhi  foram:

•#1 – perto de 10% do PIB é afecto à saúde e depois do “pico de 2005” houve contenção desse crescimento – efeito de variação do PIB é claro na comparação
•#2: não estamos sózinhos dentro da OCDE, no valor dedicado à saúde, mas ainda gastamos acima do que seria a média para a nossa riqueza
•#3 – a despesa pública em saúde cresceu acentuadamente
•#4: não estamos sózinhos na dimensão do sector público em saúde
•#5: o problema NÃO é o envelhecimento da população
•#6: crise e desemprego não criam pressão acrescida de despesa (ou sobre a saúde da população – efeito agregado diferente de efeito individual de desemprego)
•#7: o financiamento privado tem crescido, nos anos mais recentes devido aos pagamentos directos, com papel modesto do seguro privado
•#8: Temos um sistema de saúde misto em termos de prestação e financiamento, mesmo que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) seja o elemento central


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euro – should I stay or should I go?

Tem crescido a discussão sobre a participação de Portugal na zona euro, sobretudo depois de se ter tido a percepção de que a Grécia poderia estar para sair.

Vários argumentos têm sido apresentados de cada lado, a favor e contra a manutenção de Portugal no euro.

Do lado do contra a manutenção do euro, o principal argumento que tenho visto é a perda do instrumento da desvalorização cambial.

Do lado a favor da manutenção do euro, há uma divisão entre os que referem os custos de saída do euro neste momento e os que referem a importância da zona euro para o crescimento futuro.

Face a tantas opiniões, é bom que se procurem bases um pouco mais sólidas para a discussão. Em particular, interessa ter mais informação sobre o que será o futuro da economia portuguesa dentro do euro e fora do euro, caso tomasse essa opção. A realização destes exercícios de “bola de cristal” não são fáceis, nem isentos de críticas, mas sempre permitem opiniões mais informadas.

Dois trabalhos que são importantes para ajudar a pensar no tema (podem existir outros, aceitam-se sugestões):

a) António Pinto Barbosa, coordenador, O impacto do euro na economia portuguesa, 1998, Publicações D. Quixote – foi realizado de forma prospectiva, para pensar no potencial impacto que a adesão ao euro teria para a economia portuguesa. Tem a curiosidade de o actual ministro das finanças ter sido um dos participantes.

b) Luís Aguiar-Conraria, Fernando Alexandre e Manuel Correia de Pinho, 2010, O euro e o crescimento da economia portuguesa: uma análise contrafactual, Universidade do Minho – em que se avalia a experiência de Portugal no euro procurando avaliar o que teria sido a evolução da economia portuguesa caso não tivesse aderido ao euro.

Começando por este último artigo, a principal conclusão é a de que Portugal teria crescido mais se não tivesse participado no euro e tivesse mantido a dinâmica que vinha do período imediatamente anterior. A amplitude do ciclo económico seria porém maior. A análise é baseada na construção de modelos VAR (basicamente relações entre variáveis macroeconómicas, que se projectam mecanicamente – isto é, sem alteração e influência de políticas económicas – para o futuro). De alguma forma, esta análise dá algum suporte à ideia de Portugal ter entrado no euro com uma taxa escudo – euro demasiado desfavorável, e que afectou o crescimento da economia portuguesa. Não se pode contudo concluir daqui que a saída é forçosamente um melhor caminho.

O primeiro estudo referido, realizado em 1997, ao ser prospectivo aproxima-se mais do que é necessário avaliar hoje. Uma das componentes importantes desse estudo foi precisamente a importância do instrumento cambial, reproduzindo parte da página 22 desse estudo: “Ao procurar avaliar o impacto do euro na capacidade de reacção às perturbações assimétricas que atingem a economia portuguesa, há que considerar, em primeiro lugar, a questão da perda do instrumento cambial, em resultado da unificação monetária, e o potencial prejuízo que essa perda representará, no futuro, em termos de estabilização das referidas perturbações. Na avaliação desse prejuízo, importa começar por aferir o papel que o instrumento cambial desempenhou no passado. Aqui, a análise histórica revela que, nas últimas décadas, o câmbio não terá desempenhado um papel significativo como instrumento activo de estabilização dos principais choques macroeconómicos. No passado mais recente, terá servido fundamentalmente para neutralizar o diferencial de inflação de Portugal com o exterior (um problema que tende a desaparecer com a moeda única) e não propriamente como um amortecedor de perturbações macroeconómicas.” Concluem depois que a “perda do instrumento cambial não virá previsivelmente a representar, relativamente ao passado, um custo adicional significativo em matéria de estabilização”.

Ou seja, a evidência passada é a de que mesmo quando era possível, o instrumento cambial tinha apenas um papel de compensar diferenciais de inflação, e não de atenuar os ciclos económicos.

Em contraponto ao instrumento cambial, este estudo de 1997 referia ainda (p.24): “os ajustamentos requeridos na dívida pública e no saldo orçamental dos Estados-Membros, por força do Tratado e do Pacto de Estabilidade e Crescimento, irão possibilitar a criação de um espaço de manobra ao funcionamento dos mecanismos de estabilização automática dos orçamentos nacionais, que lhes poderá conferir, por essa via, uma eficácia estabilizadora”. Ora, foi este mecanismo e esta credibilidade de ajustamento que foi destruída pelos políticos europeus, com França e Alemanha à cabeça quando “furaram” os limites estabelecidos. O desenho económico pensado não resistiu à pressão política do momento.

Juntando estas duas peças do puzzle, não são tão antagónicas como parecem. Um elemento crucial é a interacção entre a decisão política e o modelo económico adoptado. A incerteza da actuação política na condução da política económica não é capturada pelo tipo de modelo usado no estudo de 2010, e os mecanismos formais dos tratados também são menos fortes do que se julgava (ou se queria crer). Olhar para o futuro implica assumir que quaisquer resoluções hoje serão ultrapassadas por outras medidas se isso for vantajoso no futuro, mesmo que se escreva hoje em tratado que não sucederá.

É certo que os custos de transição de euro para outra moeda serão substanciais. E, pessoalmente, a estabilidade e pertença da zona euro são a prazo, digamos 20 anos, mais compensadoras que uma gestão cambial de curto prazo. Mas seria bom ter alicerces mais fortes que convicções de pessoas (mais ou menos informadas, conforme os casos).

 

Trivia: 30 anos depois, The Clash, coloque-se Portugal e a zona euro nos protagonistas – http://www.youtube.com/watch?v=V1Gn0e7kvTA