Momentos económicos… e não só

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O envelhecimento é inimigo do estado social?

Foi este o tema de uma sessão da conferência Presente no Futuro em que participei. Três pessoas, três respostas diferentes — sim, não e talvez. Nada como a diversidade para animar o debate.

A minha resposta é o “não”. Não vejo o envelhecimento como um inimigo do estado social. O estado social não é uma instituição imutável ou uma regra inalterável. O estado social é uma resposta da sociedade a problemas. E se os problemas evoluem, as respostas devem acompanhar essa evolução.

O envelhecimento constitui uma ameaça ou melhor um desafio ao estado social como está desenhado actualmente, não ao estado social enquanto ideia de resposta a problemas da sociedade.

O debate acabou por se centrar muito nos aspectos de pensões e segurança social, o que é compreensível. As pensões são o aspecto mais sensível do estado social ao envelhecimento.

Os aspectos relacionados com a saúde são diferentes, e ao contrário do que ainda muitas vezes se diz, o envelhecimento não é um inimigo do estado social no campo da saúde no sentido de provocar despesas incontroláveis (detalhei as razões neste texto).

No campo de apoio às situações de desemprego e na procura de novo emprego, há flutuações conjunturais consoante o estado da actividade económica, mas a menos que o chamado desemprego estrutural se fixe em valores muito elevados, não é um problema fundamental.

No campo da educação, dificilmente se poderá dizer que o envelhecimento traz problemas particulares.

Daí a tendência natural para focar nos aspectos de pensões e reforma.

Neste campo, a minha razão para dizer “não” à pergunta de partida está em que devemos e podemos repensar o estado social nesta área. Para o fazer, temos que desligar primeiro dos problemas financeiros. Depois teremos que os introduzir, mas como restrição e não como objectivo em si mesmo.

Desligar dos problemas financeiros significa pensar no queremos do sistema de pensões, pensar no papel que tem o estado social neste campo. A minha sugestão é começar por ver o papel do estado social como sendo uma protecção na fragilidade de fim de vida, o que significa pensar e definir o que é essa fragilidade e o que é esse fim de vida. A partir daqui poderemos construir a resposta que como sociedade queremos dar, e definir que estado social pretendemos.

As restrições de recursos a esse estado social desejado podem então ser adicionadas e ver que estado social é realizável. Mas comecemos pela ambição e não pelas limitações.


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A situação das farmácias

Ontem foi apresentado o estudo em que estive envolvido nos últimos meses sobre a situação actual das farmácias, e as exigências do Memorando de Entendimento. Os documentos referentes à sessão estão aquiaquiaqui.

Trataram-se de vários aspectos:

a) actualização de um estudo que foi feito pela autoridade da concorrência – resultado: de acordo com as estimações obtidas, o preço médio por receita é inferior ao custo variável médio (custo marginal no sentido económico do termo). Não havendo capacidade de cobrir custos fixos, haverá encerramento de farmácias. É um problema económico e não um problema financeiro (como o resultante de fazer investimentos elevados com dívida, por exemplo), em que o último pode levar também a encerramento ou venda da farmácia, mas com substituição e abertura de nova farmácia.

b) estimativa da redução da receita como resultado da alteração do sistema de margens da distribuição, usando para o efeito números reais de transacções realizadas nos primeiros cinco meses do ano, e depois projectadas para o resto do ano – resultado: 75 milhões de euros, acima dos 50 milhões de euros.

c) avaliação da existência de localização geográfica de situações de maior vulnerabilidade das farmácias – os problemas encontrados encontram-se espalhados pelo território nacional, não havendo grandes diferenças entre zonas. Há farmácias com situação difícil em todas as regiões.

d) avaliação de quebra na rede através do conhecimento das dificuldades dos utentes – não se encontra (ainda?) uma situação diferente da encontrada em estudos anteriores.

e) foram analisadas regularidades na resposta às dificuldades actuais: poupança de custos, com ganhos de eficiência – não é suficiente para recuperar margens positivas; venda de outros produtos de saúde – não há evidência de capacidade de compensação cruzada, outras entidades que os podem vender também exercem pressão concorrencial, não são fracção suficientemente importante das receitas das farmácias; remuneração de outros actos farmacêuticos não remunerados actualmente – podem contribuir, mas não são em número suficiente para serem solução

Numa segunda parte do workshop, foram apresentadas situações reais de 4 farmácias, como ilustração das dificuldades e tentativa de resolução dos problemas actuais. Foi iniciada a discussão de possíveis caminhos de solução, que terá provavelmente de cobrir as várias áreas simultaneamente:

1) ganhos de eficiência na estrutura de custos

2) remuneração dos serviços prestados, que terão de ter propriedades que lhes permitam ser incluídos num sistema de pagamento; a definição de actos farmacêuticos terá de fazer parte desta solução

3) rever parâmetros do actual sistema de margens, deixando de depender tanto do preço dos medicamentos e passando a ter mais relevância a componente fixa na dispensa de medicamentos; principal obstáculo: aumento de preços nos medicamentos mais baratos (mas que estão abaixo dos 2 euros).

A versão texto do estudo, com os detalhes da análise, será disponibilizada em breve.

Perguntas, sugestões e comentários podem ser enviados para ppbarros@novasbe.pt


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a quinta visita da troika

A apresentação de ontem do ministro das finanças sobre a quinta visita da troika trouxe algumas novidades, e desvendou várias das propostas que deverão surgir nas propostas para o orçamento do estado 2013.

O elemento mais marcante foi o anunciado adiamento de cumprimento da meta quantitativa para o défice público em um ano, justificado pelo agravamento das condições externas.

Sendo algo que vinha sendo pedido pelos partidos da oposição, com destaque para o PS, politicamente não deixa de ser um ponto a favor deste partido.

Economicamente, porém, devemos procurar pensar além da mera luta política. Esta situação de adiamento do cumprimento do critério défice público face ao PIB pode ter subjacente duas situações e será importante conhecer com algum rigor qual delas é a verdadeira. A primeira será a diferença entre o planeado e o observado se dever aos chamados “estabilizadores automáticos” – em tempos de crise, menores receitas de impostos e maiores prestações de apoio ao desemprego geram maior défice. Se o chamado défice estrutural evolui no sentido pretendido e montante pretendido, e apenas se registaram desvios por efeito dos estabilizadores automáticos, temos uma situação conjuntural de défice acima da meta. A segunda situação corresponde a que apesar de alguma contribuição dos “estabilizadores automáticos” para a situação actual, a evolução do défice estrutural ficou aquém do planeado e necessário para cumprir os objectivos. Neste segundo caso, as contas públicas portuguesas continuam a ter os seus problemas estruturais, e as dificuldades de financiamento no mercado internacional poderão voltar a repetir-se. A clarificação de qual destas duas situações ocorre é importante.

O aspecto seguinte é saber o que deve ser feito no próximo ano, sabendo-se que a meta quantitativa do défice deslizou um ano. Uma alternativa é aligeirar as reformas, nomeadamente no sector público, para aproveitar o ano adicional. Esta alternativa seria a tradução neste contexto do hábito nacional de “deixar tudo para o último minuto”, ou seja, só ajustar quando for mesmo preciso. A outra alternativa é manter o propósito das reformas mais estruturais no sector público, e com isso, independentemente da meta do défice público, manter os objectivos em termos de mecanismos, objectivos e já agora resultados da transformação da economia e do estado.

Ou seja, como que fingir que não houve adiamento. Na verdade, as transformações em curso não podem ter como único objectivo cumprir valores para o rácio défice público sobre o PIB e apenas enquanto durar o programa de ajustamento. Tem que haver o objectivo global de aumentar a produtividade da economia portuguesa, e sobre esse aspecto o resumo que foi feito desta quinta avaliação da troika foi parco. Talvez a versão escrita traga algo mais. É certo que o governo não pode comandar a produtividade na economia, tal depende das empresas em grande medida. Mas pode-se perceber que obstáculos foram removidos a que essa maior produtividade possa surgir no sector privado. Pode-se perceber se o estado está ele próprio a aumentar a sua produtividade e a contribuir para gerar as condições para que o sector privado também tenha aumentos de produtividade. Não estou a falar de programas de investimento público ou de estímulo. Estou a pensar nas condições estruturais da economia. Aqui não deverá haver adiamento de pensamento e de acção.

Compreendo o centrar na conjuntura, mas deveria haver sempre a preocupação de saber qual o caminho de longo prazo.

 


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Eppur si muove (rectificado)

Depois dos anúncios de hoje pelo ministro das finanças, há matéria para muitos comentários, que se irão fazendo nos próximos. Houve na apresentação uma afirmação que me pareceu estranha – esperar um crescimento do emprego de 1% no mesmo ano em que o PIB (real) se reduz em 1% não é o mais natural dos resultados.

ADENDA: Segundo a sugestão do Luís A-C, não terá sido bem isto o que foi dito, e o que encontrei foi uma previsão de aumento do desemprego de 0,5% em 2013, o que já faz bastante mais sentido.

E por isso tive a curiosidade de ir ver se houve algum ano no passado recente (depois de 1984) em que tal tivesse sucedido. Basta descarregar os números do site da PORDATA (também poderia ser da AMECO, a base de dados da Comissão Europeia), e fazer um gráfico.

ADENDA: Decidi fazer um gráfico corrigido nas linhas de referência face à previsão que encontrei -1% PIB, -0,5% PIB. O ponto de cruzamento das previsões faz sentido. Pode não ser animador, mas não levanta as dúvidas que a anterior interpretação tinha (a interpretação inicial pode ser encontrada no final deste post). Ainda bem, que gosto mais quando os números fazem sentido.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(TEXTO ANTERIOR: Eu sei que as estimativas apresentadas pelo ministro das finanças se baseiam em modelos da economia de estrutura complexa, ainda assim, e sem querer falar de causalidade ou associação, pareceu-me interessante procurar ver havia algum caso em que com crescimento do PIB real abaixo de -1% se tinha ao mesmo tempo um crescimento do emprego de 1%. Se não houver, o modelo de previsão usado está a dar resultados que nunca se verificaram na economia. Pode até suceder que o modelo esteja certo, e seja o que virá a acontecer, mas não conhecer o modelo, não o poder replicar e ver os resultados, não é muito animador para aceitar a previsão – afinal é a única área do gráfico em que não houve observações nos últimos 30 anos.)


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no dinheirovivo.pt, ainda a “descascar” os anúncios de sexta-feira,

apesar de tudo, ainda há aspectos técnicos a discutir, que os políticos vão ser tratados até à exaustão; nos aspectos técnicos interessa-me em particular saber se a descida da TSU como anunciado pode ter o resultado pretendido, como descrevo na contribuição para o dinheirovivo.pt de hoje. Não é só uma questão de as empresas decidirem ficar os fundos libertados pelos trabalhadores, é a existência de isenções de contribuição que já existem (e para esses casos esta medida nada adiciona) e ter conhecimento do que é a principal barreira ao investimento e à contratação de mais trabalhadores.

Além de que a prazo o relevante é a soma das duas contribuições, trabalhadores e empresas, e essa subiu face ao que existia antes. Aliás, é curioso a preocupação expressa por empresários de que esta medida seja má e que preferiam como estava – se é apenas pela distribuição diferente de encargos em termos oficiais, têm a possibilidade de a compensar aumentando os salários aos trabalhadores, embora haja sempre 1,5% adicionais de contribuição que terão de ser pagos por alguém.

 


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sobre as medidas anunciadas,

há qualquer coisa no que foi dito que obriga a pensar mais e a ir buscar alguma teoria económica, usada para uma opinião, expressa no dinheirovivo.pt; essencialmente, em termos técnicos, tudo pode resultar desta medida – trabalhadores procurarem compensar a perda de rendimento (retirando por isso espaço à contratação de desempregados), ou simplesmente aceitarem a redução de salário e trabalharem menos; empresas em dificuldades com algum alívio à custa da redução dos salários dos trabalhadores, mas em que parte dessa redução é apropriada pelo estado; aumento do peso do estado na contratação de um novo trabalhador – se quiser pagar 1000 liquidos, o valor bruto a ser pago vai ser agora superior. Gostava de ver os estudos técnicos de fundamentação, incluindo as elasticidades da procura e da oferta de trabalho ao salário relevante em cada caso. Há a certeza que esta era a melhor medida possível para o objectivo pretendido (e já agora qual é ele exactamente, cumprir o valor do défice durante o programa de ajustamento?)

Por outro lado, acompanho Mira Amaral na preocupação com nada ser feito do lado da despesa pública. Será que veremos essa parte no Orçamento do Estado para 2013?


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mudanças fiscais

duas noticias de ontem merecem um rápido comentário, ambas no campo da estrutura fiscal. A primeira é a discussão sobre os escalões de IRS e sobre se o seu número é elevado ou não. No actual contexto, é inevitável pensar-se que se vai traduzir num aumento de impostos sobre o rendimento. Para além desse sentimento que gera, por o governo ter necessidade de mais receita, também as circunstâncias de incerteza aconselham prudência numa mudança dessas, e o “conservadorismo” nas estimativas de impacto da mudança irá traduzir-se que a falhar-se previsões se falhe arrecadando mais impostos do que menos. Todo o processo acabará por ter um enviezamento no sentido do aumento de impostos. Não é claro que esta seja a melhor altura de fazer uma reforma fiscal, na medida em que as necessidades de curto prazo vão ditar uma estrutura que depois será permanente. Aliás, o desdobramento de alguns escalões ao longo do tempo tem sido resultado de exigências do momento e não de uma filosofia de longo prazo sobre a estrutura óptima de tributação.

O segundo comentário é sobre o benefício fiscal do IVA para os contribuintes, com a notícia de que será automaticamente registado (pelo menos nalguns sítios) e que o contribuinte terá apenas que fornecer o número de contribuinte. A funcionar é uma forma de reduzir os custos do cidadão em aceder ao benefício. Mas também foi dito, a confiar nos relatos da imprensa, que para os serviços que não tiverem este automatismo, será mantida a obrigação do utente guardar as facturas para inspecção por “divergência fiscal, que tem de ser avaliada pelos serviços.” Oops, beneficiar de forma automática aumenta a minha probabilidade de ter de perder tempo a explicar ao fisco as facturas que guardei. Reduzir os custos do benefício por um lado, mas aumentar por outro. Será que 250 euros (máximo) de crédito fiscal compensam perder tempo nas repartições de finanças? Não se conseguirá pensar aqui num noutro sistema mais simples? que não imponha custos adicionais sobre os cidadãos? por exemplo, o cidadão “reclamar” online o crédito, introduzindo no portal das finanças as facturas e respectivo valor ao longo do ano, que poderiam ser validadas por cruzamento de informação pelo próprio estado?  (mesmo que nem toda a gente tenha acesso online seria pelo menos uma forma de reduzir os custos).

Claro que também se pode ter a dúvida sobre o funcionamento do sistema. Aqui tenho um pouco mais de confiança que o habitual, por experiência própria. Há algum tempo, por um serviço prestado, uma entidade argumentou que não me daria recibo em papel, pois o mesmo ficaria disponível online via portal das finanças. Não acreditando muito, lá deixei de exigir esse recibo em papel. Até que um dia decidi verificar no portal das finanças se lá estava. Embora tenha demorado um pouco mais do que pensava, encontrei finalmente esses pagamentos efectivamente registados, e melhor organizados do que se eu tivesse guardado (e provavelmente perdido) os recibos em papel. Conceptualmente, não haverá grande diferença no novo sistema, só uma questão de dimensão, o que nos tempos informáticos que vivemos é cada vez menos uma forte restrição. Não será provavelmente por aqui que se terá sucesso ou insucesso e sim pela avaliação do incómodo de ainda ter que guardar alguns documentos, e da probabilidade de ter que perder tempo a mostrá-los à administração fiscal.


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a mesada do pai

As noticias referentes à quinta avaliação da troika são deprimentes. Não porque a economia esteja deprimida (e estamos realmente em recessão económica). E sim pela atitude que revela. Todos os relatos das reuniões sugerem que representantes de organizações, de parceiros sociais e de partidos politicos que o verbo mais usado tem sido “pedir”, normalmente no contexto de “alguém que representa a organização X” pede à Troika [mais dinheiros/mais tempo/ambos/flexibilização] (escolher conforme os casos).

É claramente uma atitude de pedir ao pai um aumento da mesada, prometendo que um dia nos iremos portar bem.

O que eu gostaria de ver? o assumir que a situação actual é uma responsabilidade nossa, de Portugal, e que teremos de ser nós a sair dela, de preferência com soluções que consigam reunir os esforços de todos, antes na preparação, depois na execução. Para fazer isso é necessário apresentar capacidade técnica de análise, e capacidade de execução. Duas áreas em que aparentemente temos sido parcos. Por exemplo, não se deveria admitir que o seguinte tipo de relato sobre reuniões com a troika “os partidos não avançaram com nada de concreto”. E não admitir não significa silenciar jornalistas e sim exigir que os partidos apresentem propostas concretas, que estejam quantificadas, que falem a “linguagem da troika” se é a ela que precisamos de convencer, que mostrem que as soluções são pensadas e estudadas e não atiradas ideias para o ar baseadas em três ou quatro conversas, e leitura de três ou quatro blogs. Antes da chegada da troika, os partidos tinham obrigação de colocar em cima da mesa análises técnicas de suporte das suas opiniões. Em vez de colocar a decisão na troika, através do pedido, e quem sabe até da “cunha” tão portuguesa junto das altas instâncias das instituições da troika, procurar ganhar os objectivos através da consistência técnica nos argumentos e na discussão técnica com as equipas da troika.

Será assim tão dificil?

 

 


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despesas com medicamentos

saiu recentemente mais um relatório do infarmed sobre despesas com medicamentos, que permite a actualização da sua evolução e aproximação ao objectivo estabelecido no memorando de entendimento. Os valores anualizados de forma a que cada mês tenha a informação do ano que termina nesse mesmo mês estão na figura seguinte.

Daqui se observa que se a despesa em ambulatório poderá ver o seu objectivo alcançado, já a despesa com medicamentos dificilmente irá cumprir. Os objectivos são os estabelecidos no protocolo entre o Governo e a Indústria Farmacêutica para cumprimento dos valores com o que o Governo se comprometeu no Memorando de Entendimento.

Se o acordo entre o Governo e a APIFARMA for cumprido, nominalmente será garantido o objectivo da troika para a despesa pública com medicamentos. Mas fica a preocupação com 2013, e o cumprimento do objectivo desse ano, bem como a preocupação com a dinâmica de despesa, que não é alterada pela existência de protocolos.


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no dinheirovivo.pt de hoje

sobre o que será o sucesso ou o falhanço central do Ministério das Finanças neste ano de 2012, aqui. Não coloco o défice público como o elemento central. Claro que falhar as metas do défice são um falhanço, como cumprir seria um sucesso. Só que há um aspecto mais crucial – algo duramente criticado em documento de agosto 2011:  ter mecanismos que controlem a capacidade dos organismos públicos criarem despesa. Essa foi uma meta a que este Governo se comprometeu, e em que depende essencialmente de si (ao contrário do défice, que tem vários aspectos externos a influenciar, como se tem discutido, a recolha de impostos e as prestações sociais).