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A situação das farmácias

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Ontem foi apresentado o estudo em que estive envolvido nos últimos meses sobre a situação actual das farmácias, e as exigências do Memorando de Entendimento. Os documentos referentes à sessão estão aquiaquiaqui.

Trataram-se de vários aspectos:

a) actualização de um estudo que foi feito pela autoridade da concorrência – resultado: de acordo com as estimações obtidas, o preço médio por receita é inferior ao custo variável médio (custo marginal no sentido económico do termo). Não havendo capacidade de cobrir custos fixos, haverá encerramento de farmácias. É um problema económico e não um problema financeiro (como o resultante de fazer investimentos elevados com dívida, por exemplo), em que o último pode levar também a encerramento ou venda da farmácia, mas com substituição e abertura de nova farmácia.

b) estimativa da redução da receita como resultado da alteração do sistema de margens da distribuição, usando para o efeito números reais de transacções realizadas nos primeiros cinco meses do ano, e depois projectadas para o resto do ano – resultado: 75 milhões de euros, acima dos 50 milhões de euros.

c) avaliação da existência de localização geográfica de situações de maior vulnerabilidade das farmácias – os problemas encontrados encontram-se espalhados pelo território nacional, não havendo grandes diferenças entre zonas. Há farmácias com situação difícil em todas as regiões.

d) avaliação de quebra na rede através do conhecimento das dificuldades dos utentes – não se encontra (ainda?) uma situação diferente da encontrada em estudos anteriores.

e) foram analisadas regularidades na resposta às dificuldades actuais: poupança de custos, com ganhos de eficiência – não é suficiente para recuperar margens positivas; venda de outros produtos de saúde – não há evidência de capacidade de compensação cruzada, outras entidades que os podem vender também exercem pressão concorrencial, não são fracção suficientemente importante das receitas das farmácias; remuneração de outros actos farmacêuticos não remunerados actualmente – podem contribuir, mas não são em número suficiente para serem solução

Numa segunda parte do workshop, foram apresentadas situações reais de 4 farmácias, como ilustração das dificuldades e tentativa de resolução dos problemas actuais. Foi iniciada a discussão de possíveis caminhos de solução, que terá provavelmente de cobrir as várias áreas simultaneamente:

1) ganhos de eficiência na estrutura de custos

2) remuneração dos serviços prestados, que terão de ter propriedades que lhes permitam ser incluídos num sistema de pagamento; a definição de actos farmacêuticos terá de fazer parte desta solução

3) rever parâmetros do actual sistema de margens, deixando de depender tanto do preço dos medicamentos e passando a ter mais relevância a componente fixa na dispensa de medicamentos; principal obstáculo: aumento de preços nos medicamentos mais baratos (mas que estão abaixo dos 2 euros).

A versão texto do estudo, com os detalhes da análise, será disponibilizada em breve.

Perguntas, sugestões e comentários podem ser enviados para ppbarros@novasbe.pt

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

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