Momentos económicos… e não só

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o relatório sobre a 11ª avaliação da troika – saúde (2)

A segunda constatação referente à 11ª avaliação da troika no sector da saúde é o que se passará na ADSE – é explicitamente mencionado o aumento a partir de maio da contribuição dos beneficiários.  O que é menos explícito é o que se passará com o excedente que seja gerado. A leitura do que está escrito no memorando de entendimento indicia que o excedente gerado transferido para o orçamento do estado, seja por contrapartida da despesa com medicamentos que é paga pelo SNS e que assim seria paga pela ADSE, ou simplesmente devolução dos 1,25% de contribuição do orçamento do estado se os 3,5% assegurarem o auto-financiamento da ADSE. Nada é dito sobre o que deve suceder caso os 3,5% excedam o que é necessário para esse auto-financiamento. A opção nesse caso será puramente nacional e não tem qualquer compromisso assumido.

Creio que só será possível saber que opções são realmente tomadas a este respeito com o orçamento de estado para 2015, e com o tratamento que aí for dado às contribuições para a ADSE e respectivo excedente gerado em 2014 (se o houver, de facto, como me parece provável).


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“saída limpa”: saída de quê? “limpa” porquê?

Ontem o primeiro-ministro anunciou o fim do programa de ajustamento, sem recurso ao chamado programa cautelar. E o termo “saída limpa” para descrever esta situação estará nos jornais todos ou quase todos. Porém, é necessário não entrar em euforias.

Primeiro, a saída foi apenas das visitas regulares da troika para avaliar o cumprimento do memorando de entendimento e, convém não esquecer, decidir sobre partes restantes dos empréstimos a Portugal. Os empréstimos permanecem. O acompanhamento da situação portuguesa irá continuar, mesmo que de forma mais discreta. Portugal saiu do acompanhamento público pela troika. Nada mais. Tudo o resto permanece, incluindo a necessidade de manter uma viragem na estrutura produtiva da economia e a necessidade de encontrar as formas de facilitar o aumento de produtividade. Não saímos das dificuldades. Ainda, pelo menos.

Segundo, “limpa” significa que terminou o programa de empréstimos assegurados a Portugal e que não há qualquer “seguro” que seja dado. Ou seja, Portugal se não conseguir colocar dívida pública em investidores estrangeiros terá que voltar a pedir apoio formal, ou encontrar outros mecanismos. O trabalho de bastidores e antecipado feito pelo IGCP construiu em grande medida esse “seguro” para o próximo ano. Cabe agora ao Governo, em ano de eleições, não deitar a perder esse esforço. Saída “limpa” significava não precisar de credores internacionais, o que só será possível com um superavit primário (receitas – despesas do estado sem incluir encargos da dívida pública) elevado – para que não fosse necessário emitir dívida; ou pelo menos ter superavit primário – a existência de um défice primário significa que a ausência de nova dívida leva a que o estado deixe de poder fazer os pagamentos a que se comprometeu, sejam pensões, salários ou outra coisa qualquer.

O que houve ontem foi o anúncio do fim formal do programa de ajustamento sem seguro formal para o próximo ano. Tudo o resto permanece igual. Ou quase tudo. A capacidade de “fazer asneira” é agora maior, pela ausência de um crivo público permanente (o acompanhamento privado da troika será sempre menos “pressionante”). A existência de um compromisso com um caminho orçamental, como foi feito na Irlanda, deveria ser parte de um “seguro” nesta saída, não está presente.

Veremos o que a proposta de orçamento do estado para 2015 nos irá reservar, uma vez que dentro de dias, aposto, começarão a surgir os habituais “comensais” do banquete do orçamento a procurar a sua fatia, de preferência recuperando os sacrifícios dos últimos três anos.


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novidades do banco central europeu sobre a 12ª avaliação

para quem tiver interesse em conhecer a declaração de hoje da troika, a dar sinal positivo para a 12ª avaliação, pode ler aqui

(se deixar de funcionar, o mesmo texto também está aqui, no site do FMI)


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o relatório sobre a 11ª avaliação da troika – saúde (1)

No momento em que são anunciados os resultados da 12ª avaliação da troika, e em que se instala a discussão sobre o Documento de Estratégia Orçamental, acaba por passar despercebido o relatório da avaliação anterior da troika, sobre a 11ª avaliação, disponibilizado apenas há dias, já com a última avaliação em curso. Curiosos timings que fazem com que nenhum dos documentos acabe por ter de facto uma discussão cuidada.

Por isso, uma rápida ronda sobre o primeiro destes documentos, a 11ª avaliação da troika.

Primeira constatação – sobre as taxas moderadoras o memorando inicial falava num aumento das taxas e revisão das isenções, o que foi feito na altura, com novas taxas moderadoras a entrarem em vigor em Janeiro de 2012, e um alargamento das situações de isenção. Logo na primeira revisão do memorando foi introduzido um objectivo de receita adicional de taxas moderadoras, objectivo esse que seria complicado de alcançar se as taxas moderadoras forem de facto moderadoras. Sem grande surpresa esse objectivo não foi sendo alcançado, apesar de subir a receita das taxas moderadoras em consequência do seu aumento. Nesta revisão do memorando que acompanhou a 11ª avaliação, este objectivo de receita de taxa moderadora deixou de figurar. Na própria observação da troika, este ponto do memorando foi “parcialmente observado”, referindo ainda que o aumento das situações de isenção por motivo de condição económica é naturalmente um factor contra ser alcançado o objectivo de receita estipulado há dois anos. Assim sendo, pode ser tomado como mais um objectivo da troika cumprido.

(continua…)