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Sobre a utilização de cuidados de saúde, 2012 vs 2014 (6)

4 comentários

Um aspecto que se suspeita ter ganho importância nos tempos mais recentes é a preocupação com eventuais repercussões no local de trabalho de faltar para ir a serviços de saúde. Apesar dos pequenos números, essa é também  tendência verificada nesta experiência, com uma diferença grande entre os dados de 2012 e 2014. Estas diferenças entre os dois anos não são justificadas por características dos entrevistados, pois em termos de regularidade sistemática encontra-se apenas a natural de pessoas com mais idade indicarem mais frequentemente que não trabalham.

Assim, este efeito associado com o que se passa no local de trabalho aparenta ter ganho importância desde 2012. A procurar-se confirmação em estudos mais aprofundados.

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Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

4 thoughts on “Sobre a utilização de cuidados de saúde, 2012 vs 2014 (6)

  1. Dado o seu interesse em tentar responder a algumas perguntas aqui no blog, tenho uma pergunta/sugestão.

    Por lei, desde 2009 que as entidades públicas têm de colocar todos os contratos públicos que fazem numa base de dados centralizada, o BASE. Ora, nem todas as entidades publicam dados, e nem todas as entidades publicam os dados *bem*. De qualquer forma, acredito que a base de dados constitui uma *amostra* do fenómeno.

    À uns tempos eu contactei o BASE, e desenvolvi com eles uma forma de poder fazer análises a esta base de dados oficial, que tenho apresentado, numa forma de blog, no site contratos.publicos.pt. Por exemplo, à uns tempos desenvolvi uma forma de comparar quantitativamente a qualidade da publicação entre entidades que fazem a mesma coisa (e.g. municípios). Ou seja, consigo dizer-lhe quão bem, em comparação com outros, os municípios publicam os contratos no BASE.

    Acha que seria possível e vantajoso usar esta base de dados para responder a perguntas na área da administração de saúde pública?

    Por exemplo, todos os centros hospitalares estão lá e, em principio, é possível comparar a qualidade das publicações dos contratos publicados por eles. Isto poderia ser interpretado como um “proxy” da qualidade do funcionamento dos seus serviços administrativos…

    Não sei, foi uma ideia que me surgiu quando vi este post…

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  2. Se há dados há certamente possibilidade de extrair informação útil. Resta saber com que trabalho e a que perguntas pode responder essa informação. O que significa qualidade das publicações dos contratos? (ter os itens completos?) e que informação se retira da base de dados oficial? (apenas a que também está visível para consulta online?).

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    • Antes de mais, obrigado pelo interesse. Peço desculpa pelo longo texto, mas deixou algumas perguntas pertinentes que requerem alguma explicação.

      Vou dividir nos vários pontos que colocou:

      ————-trabalho————-
      Em relação ao trabalho, do ponto de vista de dados, para mim é praticamente nulo. Eu tenho a base de dados num formato próprio para estatística. Por exemplo, um gráfico com a percentagem de contratos dos hospitais por ajuste directo vs concurso público em cada mês de 2009 a hoje é coisa de 20m. Acredito que o maior trabalho está na formalização do problema e desenvolvimento/procura de métodos de análise dedicados a estes dados.

      ————-informação————-
      Em relação à informação da base de dados: sim, o que há acesso é a informação pública. Acontece que a informação pública é só de contratos individuais, ou seja, não há agregados (estatísticos), por naturalmente precisarem de perguntas concretas… 😉

      A informação de cada contrato inclui:

      A- data de assinatura do contrato
      B- data de colocação do contrato na base de dados oficial
      C- preço
      D- contratantes e contratados
      E- categoria oficial do contrato
      F- tipo de contrato (serviço, construção, etc.)
      H- método de contratação (ajuste directo, concurso público, etc.)

      ————-perguntas a colocar————-
      Em relação às perguntas: certissimo, essa para mim é a questão fundamental. O meu background é física/estatística, pelo que as perguntas que eu imagino pertinentes podem não ser as que um economista considera pertinentes… dai lhe ter deixado o comentário.

      Também ainda não é 100% claro para mim que a informação permite responder a alguma pergunta relevante; para já é uma ideia. Dito isto, e tentando responder a “O que significa qualidade das publicações dos contratos?”

      ————-O que significa qualidade das publicações dos contratos?————-

      Por alto, vejo duas formas de quantificar a qualidade das publicações:

      1. o tempo médio de publicação dos contratos, ou seja, . Oficialmente, as entidades têm 10 dias para publicar o contrato[código dos contratos públicos]; a prática é diferente. Este tempo é uma medida directa do funcionamento do serviço administrativo.

      2. Especificidade média da categoria escolhida (usando E):

      A UE definiu um conjunto de ~9000 categorias para categorização da contratação pública europeia. Estão organizadas numa hierarquia, de acordo com a sua especificidade, ou seja
      * sem categoria: nível 0
      * categoria nível 1 (e.g. “Equipamento médico, medicamentos e produtos para cuidados pessoais”)
      * categoria nível 2 (e.g. “Produtos farmacêuticos”)
      * categoria nível 3 (e.g. “Medicamentos para o tracto digestivo e o metabolismo”)
      * …
      * categoria nível 7

      Pelas directivas oficiais da EU, as entidades têm de publicar os contratos de acordo com esta categorização e utilizar a categoria mais específica possível onde o contrato se insere [tenho a referência que afirma isto].

      Assim, a especificidade média dos contratos publicados pela entidade quantifica a qualidade da publicação.

      O importante é que ao comparar entidades com o mesmo padrão de compras (e.g. hospitais), se não houver uma categoria de nível 7 para um tipo de produtos, a entidade irá usar o nível 6 ou inferior. Ou seja, isto afecta *todas* as entidades. Assim, isto é um indicador comparativo entre entidades (onde um valor médio de 7 com variancia 0 não é necessariamente o ideal).

      Noto também que isto também não mede se é a categoria correcta ou não.
      A assunção que faço é que entidades que gastam mais tempo a escolher categorias mais específicas também gastam mais tempo a escolher as categorias mais correctas. Dai ter sugerido que isto é um “proxy” do funcionamento. É uma medida indirecta do funcionamento da administração.

      ————-Exemplo————-

      À uns tempos fiz esta comparação para municípios. Pode ter uma ideia em http://contratos.publicos.pt/ranking-especificidade-municípios e http://contratos.publicos.pt/municípios-tempo-médio-publicação-contratos (o texto é menos técnico pois a audiência é mais ampla)

      Abraço

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      • onde está “ou seja,” no “O que significa qualidade das publicações” queria dizer “ou seja, é o valor médio de (B – A), Expected(B-A)”; por ter usado o sinal de “” a fórmula desapareceu.

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