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Envelhecimento activo (2)

1 Comentário

No mesmo encontro em que falou o Comissário Europeu Andor, houve também intervenção da Baronesa Greengross que deu especial relevo ao peso futuro que terão as situações de demência na sociedade e nas respostas que esta terá de procurar, recolhendo ideias e soluções de muitas áreas.

Interessante o exemplo dado de convencer as pessoas a comer através da sugestão de cheiros de comida na altura certa.

Lançou alguns desafios a pensar: deixar de pensar em termos de idade, e sim em termos do que se consegue ou não fazer, por exemplo porque separar por idades em alguns tipos de ensino, como línguas estrangeiras.

Definiu como prioridades das políticas públicas três aspectos: envelhecimento saudável, manter as pessoas activas (a trabalhar) e desenho das casas, ruas e cidades que seja amiga desse envelhecimento activo.

Aconselhou também a que se ouçam os seniores sobre o que precisam, uma vez que frequentemente se constata que são intervenções com custos muito menores do que aquelas que os “profissionais” julgam que eles precisam. Aqui é fácil reconhecer o paternalismo que assiste à maioria das intervenções públicas, que sendo bem intencionadas, decidem pelos outros o que eles precisam, sobretudo no caso de idosos.

Por fim, deixou uma recomendação, falar sobre o fim da vida, é uma conversa difícil, mas devemos ouvir o que cada pessoa quer ou deseja para o seu final de vida, e para a tomada de decisões em seu lugar, quando a pessoa já não tiver essa capacidade de decisão própria. Há que reconhecer que as pessoas mais idosas têm capacidade de tomar decisões e dar contribuições para a melhoria da sua situação de fragilidade, agora e no futuro.

Na parte de discussão, deu uma interessante visão de como se pode tentar avançar nestas direcções – usar uma abordagem de defesa de direitos humanos: se uma casa não tem rampa de acesso, então está a infringir o direito humano de ter uma casa acessível, por exemplo.

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

One thought on “Envelhecimento activo (2)

  1. Sem dúvida o problema do envelhecimento da População e da procura de um envelhecimento ativo tem sido uma temática que tem sido varrida para debaixo do tapete enquanto se assobia para o lado. Mas, em conjunto com a baixa natalidade, esconde dentro de si uma tamanha complexidade e um risco potencial bem superior ao da atual crise de crédito. Os assuntos abordados pela Baronesa Greengross são pertinentes e alguns peculiares:

    muitas vezes ignoramos a ligação do cheiro à memória mas os cheiros, se nós estivermos atentos quando isso acontece, despertam no ser Humano as memórias mais vívidas e mais antigas. Isto já foi demonstrado, culminando com a entrega do prémio Nobel da medicina em 2004.

    http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/2004/press.html

    Também concordo que devemos de deixar de pensar em termos de idade e sim em termos do que se consegue ou não fazer; existe mais plasticidade para a aprendizagem do cérebro humano na infância e melhor e mais rápida capacidade de execução na adolescência e início da idade adulta e mais perícia e precisão numa idade mais avançada.

    A problemática do envelhecimento ativo talvez seja a pedra de toque: que soluções apresentar em termos de trabalho para pessoas com mais de 65 anos quando em termos formativos a esmagadora maioria não apresenta as competências necessárias às necessidades atuais do mercado? Potenciar as características de forma individual? Formar de forma estereotipada sem que se saiba como é que esses ganhos de competências sem saber previamente como estes ganhos de competências contribuirão para uma sociedade melhor e traduzindo-se “apenas” em ganhos para cada indivíduo?
    Em relação ao envelhecimento activo, efetivamente apresentam-se miríades de hipóteses sem muitas vezes se perguntar às pessoas envolvidas simplesmente o que desejam fazer. Saber escutar e refletir ainda é um traço de personalidade que escasseia na Sociedade Portuguesa.

    Falar sobre o fim da vida, é talvez o tema mais difícil, para o próprio, para as famílias e para os profissionais de Saúde. Existe uma percentagem muito considerável de profissionais de Saúde que nunca aborda este tema ao longo da vida dos utentes com os quais tem direto contacto, por falta de tempo, por não saber como o fazer, por falta de vontade, por… por…
    http://www.aafp.org/fpm/2008/0300/p18.html

    Preocupa-me também outro aspeto do envelhecimento populacional e da crise de crédito e de valores que vivemos: Estarão a ser criadas bases perigosas para uma luta inter geracional, onde os mais jovens estejam a desenvolver uma personalidade mais egoísta e de costas voltadas para as gerações mais velhas? Estará a desenvolver-se uma geração Y ainda mais egoísta em termos sociais que a dos Baby Boomers?

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