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encontro Presente no Futuro, projecções para 2030

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O encontro promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos teve vários aspectos interessantes. Um deles foi a apresentação de projecções da população para 2030, disponíveis aqui.

A propósito dessas projecções, fiz uma breve reflexão sobre as respectivas implicações para a área da saúde.

A principal característica dos cenários demográficos é o aumento da população idosa. Esse aumento é tão pronunciado que provavelmente irá motivar uma alteração na classificação do que é considerado idoso.

Em termos de efeitos sobre o sector da Saúde, importa saber se este aumento da população em idades mais avançadas é acompanhado de maior ou de menor carga de doença e incapacidades.

O chamado envelhecimento saudável poderá fazer com que o aumento previsto da população idosa não seja necessariamente um fardo pesado em termos do sector da Saúde. Irá, certamente, obrigar a redefinir o que é feito em termos de prestação de cuidados de saúde – é previsível que esta população idosa venha a ter condições crónicas que podem ser acompanhadas de forma remota. Não haverá necessariamente que deixar a habitação de família para que se receba cuidados de saúde.

Embora não seja facilmente perceptível dos gráficos, será interessante conhecer as diferenças de evolução entre homens e mulheres na população idosa, em particular se poderá aumentar o número de idosos solitários por sobrevivência de apenas um dos membros do casal, e se o aumento da esperança de vida se traduz também num aumento da vida comum do casal. Este aspecto tem duas implicações em termos da prestação de cuidados de saúde – por um lado, os cuidados informais prestados no interior da família pelo cônjuge; e por outro lado, os custos de saúde de uma vivência mais isolada (saúde física e mental). Provavelmente, esta evolução não será apenas determinada pela demografia, mas conhecer demograficamente as tendências poderá contribuir para um melhor conhecimento do tipo de necessidades de intervenção em Saúde.

Tradicionalmente, o envelhecimento da população não tem sido o principal factor de aumento de despesas na área da saúde, e não há motivo para pensar que esta evolução demográfica prevista venha a ser diferente. Obriga é a uma combinação de tipos de cuidados prestados diferentes, com o aumento da importância dos cuidados continuados, dos cuidados domiciliários e da capacidade de autogestão da doença por parte da população.

Estes são os efeitos diretos. Há, adicionalmente, um efeito indireto potencialmente relevante. A prestação de cuidados de saúde a idosos é intensiva em trabalho humano. O cuidar de uma pessoa leva o seu tempo e não pode ser facilmente transformado em tarefa mecanizada e automática. Assim, os requisitos de maior número de trabalhadores na área da saúde vai encontrar uma população ativa decrescente em número. A capacidade de apoiar a população idosa poderá vir a ser limitada pela falta de quem o faça. Esta evolução do lado da população disponível para trabalhar será uma força adicional para se repensar o modelo de prestação de cuidados de saúde a uma população cada mais envelhecida, mas provavelmente menos incapacitada, a viver até mais tarde na sua casa de família, eventualmente sozinha. Os desafios principais que se colocam não serão na tecnologia de ponta a prolongar a vida mais uns dias ou semanas, e sim na manutenção da qualidade de vida e na promoção da saúde no meio habitual de vivência da pessoa idosa. É um desafio mais organizacional que financeiro ou tecnológico.

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

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