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eficiência nos custos hospitalares

3 comentários

decorreu ontem a apresentação dos resultados de um estudo sobre os custos e a eficiência no sector hospitalar do Serviço Nacional de Saúde (a eficiência dos hospitais privados não foi analisada).

A notícia sobre o estudo surgiu em diferentes pontos, um deles aqui, o resumo do estudo pode ser visto aqui.

O estudo, realizado utilizando uma metodologia que avalia a eficiência de cada episódio de internamento – excluem-se as urgências e as consultas como grandes agregados de “produção”, aponta para um limite máximo de cerca de 800 milhões de euros de poupança, conforme refere a noticia.

O estudo considera diversas fontes de falta de eficiência, procurando captar as diferentes faces da realidade da actividade hospitalar de internamento de doentes: falta de eficiência pura, complicações evitáveis, readmissões, admissões precoces, dias de internamento excessivos, admissões tardias e cesarianas em excesso.

Há um conjunto de comentários que vale a pena fazer quanto à notícia e aos resultados do estudo. Os 800 milhões de euros são um limite superior, pois como os próprios autores referem a contabilização de cada linha de potencial ineficiência é calculada independentemente das restantes, e como tal é possível, e provável, que existam duplicações num montante considerável.

Só que mesmo descontando essas duplicações os valores de poupança potencial vão continuar a ser significativos – suponhamos, sem qualquer base, que as duplicações seriam 50%, então ainda haveria um potencial de 400 milhões; ou se forem 25%, haveria um potencial de 600 milhões de euros. Em qualquer dos casos, valores importantes. Naturalmente, um próximo passo dos autores será estabelecerem um limiar inferior às poupanças possíveis, e avaliar se esse limiar inferior tem os mesmo elementos determinantes do limiar superior.

Para os tais 800 milhões de euros contribuem com mais de metade as situações associadas com complicações evitáveis e com dias de internamento excessivos. Dentro destas duas, será provavelmente na segunda categoria que haverá maior capacidade de intervenção.

Cabe agora aos profissionais, de saúde e de gestão, retirarem as suas conclusões, e olharem para dentro dos seus hospitais.

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

3 thoughts on “eficiência nos custos hospitalares

  1. Pedro
    Aguardando pela leitura total e pela clarificação da metodologia, nao posso deixar de concordar com esta tua apreciação.Cada hospital na sua dinâmica em função do mercado, melhora pela imposição, motivação e colaboracao.Para além da comparacao.
    Mas…a grande questao sera sempre saber onde começa o papel dos profissionais da saude por segmentos e clusters neste tema e acaba a lógica sócio qualquercoisa de que a rede SNS e uma ” coisa muito complexa”.Pergunto aqui: e de tao heterogénea, nao tem só a ganhar se, com transparência e normalização de dados e informações, complementar os estudos com outras dimensoes de analise dinamica ( por exemplo resultadis da criacao de CH e ULS).
    Porque mesmo rigorosos, os estudos, nunca poderão ser apresentados e discutidos,sem uma perspectiva de propostas simples e credíveis na implementação para alterar o panorama.E tendo em conta esta realidade de ” condados” que temos nao Pais.
    Num Pais tao pequeno e, descontando alguns problemas latinos de ” capelinhas” há que agilizar o bom senso e a comparacao bem segmentada/ clusterizada. E descontando as pequenas regionalisses que na saude fazem menos sentido que na educação ( por exemplo).
    Os hospitais sao Organizações muito complexas mas as vezes “complexiza -se” demasiado a sua agilizacao, com dedos apontados indiscriminadamente aos custos sem distinguir entre o que sao custos ligados a prestação dos servicos core e custos da falta de eficiencia da maquina rotineira que os presta.
    Um tema interessante, mesmo lateral face ao grande bolo dos custos nao sera, por exemplo medir o impacto da melhoria de processos na reducao de custos? E dou um exemplo: 2 hospitais com a mesma dimensão e que tem sistemas informáticos diferentes, tendo um 3 elementos na equipa e outro 9, poderão ser comparados em terrmos de custos no apoio a boa prestação de servicos core,sem que isso nao seja um elemento de custo significativo a considerar, por exemplo, nos custos de Seguranca do doente (utilizando as regras JCI da acreditacao ou outras ) ?
    e há mais muito mais no campo do ” saudes”.
    Abraço roxo
    Francisco

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  2. Curiosamente saiu um estudo na semana anterior com um titulo parecido: “Centros de saúde: custos evitáveis podem atingir os 900 milhões de euros”.
    Mas para além dos custos evitáveis e dos custos em excesso (que acabam por ser o mesmo), não podem esquecer os investimentos realizados completamente desajustados. Quantos estudos económicos (de efetividade, utilidade ou de benefício) são feitos nos Hospitais e Centros de Saúde, no momento de escolher o equipamento A ou equipamento B (da terapeutica A ou da terapeutica B)? Quando tivémos oportunidade de investir (Com fundos do Saude 21 e outros), como é que foram feitas as escolhas? A escolha recaiu sobre o mais custo-efetivo? A um ano? A cinco anos? Contemplaram-se os custos de manutenção nos exercicios financeiros seguintes? Pois ….. Aproveitando o tema lançado pelo Drº Francisco Roxo, na área dos SIs e TIs, alguem sabe qual foi o somatório de investimento em SW e HW desde 2000 no sector da Saúde? Quantos Datacenters foram construidos? Quantos PCs e servidores? Quantas e quais as aplicações? Qual o custo de manutenção dessas infraestrturas? Qual era o resultado esperado (antes do investimento) e quais os resultados alcançados (após periodo de instalação)? Outra pergunta que me atormenta: Quanto custou ao longo de 10 anos a indefinição da estratégia do IGIF (agora ACSS) neste sector?

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  3. Caro Carlos,
    o estudo sobre centros de saúde foi da mesma equipa que fez este estudo sobre eficiência de custos hospitalares, e um terceiro sobre eficiência no consumo de medicamentos, sendo o conjunto de estudos encomendado pela fundação francisco manuel dos santos,

    de resto, as questões que coloca são pertinentes, e não conheço que haja informação para lhes dar resposta

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