a visão num editorial da Lancet sobre o relatório de um grupo onde participo para a Comisssão Europeia, com o documento final disponível aqui. Encontra-se em discussão pública outro relatório sobre qualidade em saúde, com destaque para patient safety (aqui).
Author Archives: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE
BES e grupos familiares
Uma pergunta interessante é quanto dos problemas do grupo Espirito Santo derivam de ser um grupo familiar.
O primeiro aspecto é ter gestão de um banco que se subordina depois aos interesses de um grupo de accionistas que assegura o controlo através de uma cascata de participações. Outro aspecto central: o tempo que se está no topo da gestão da empresa ou do grupo, com pouco escrutínio sobre a qualidade dessa gestão. Estes aspectos foram bem descritos por Ricardo Reis, aqui.
Mas há outros problemas com que grupos económicos familiares se defrontam (uma revisão da literatura aqui), bem como vantagens. Curioso que entre as vantagens se apontem as ligações políticas – que terão “falhado”, ao não haver o sim político a que a CGD emprestasse ao Grupo Espirito Santo –
Outras vantagens, como capital humano e visão de longo prazo, têm que ser vistas também no contexto da economia em que se está. Restringir a gestão do grupo económico à família é “exigir” que o talento de gestão dentro da família seja maior do que o talento que poderá ser encontrado no exterior, no “mercado”, e quanto maior for a educação em geral da população, mais difícil será que essa vantagem de manter a gestão dentro da família seja duradoura.
Por fim, a visão de longo prazo, ao manter um negócio de família com a perspectiva de ser um legado para as gerações futuras, poderá evitar-se tomar decisões de curto prazo com custos para a sobrevivência no longo prazo. Não conheço o suficiente do Grupo Espirito Santo para saber se as regras internas dentro da família asseguram essa visão de longo prazo a quem está à frente do grupo, ou apenas garantem o interesse nos resultados durante o período que está à frente.
De um ponto de vista mais científico, há neste caso do grupo Espirito Santo material interessante para ser estudado também pelos outros grupos de natureza familiar de grande dimensão em Portugal.
BES e supervisão bancária
Uma das características do caso BES tem sido as críticas à actuação dos reguladores, nomeadamente ao Banco de Portugal (e num segundo nível à CMVM). Embora compreenda a tentação de criticar essas entidades, encontro alguma dificuldade em compreender a substância em muitas das criticas. Supervisão e regulação não são formas de gestão pública de entidades privadas. Não se pretendem substituir às decisões privadas. Não têm como objectivo evitar erros de gestão dos bancos privados. Têm como objectivo definir um enquadramento claro para o desenvolvimento das actividades bancárias, de verificar que esse enquadramento é respeitado e de penalizar quando não é.
No caso do BES / Grupo Espirito Santo, há também que incluir aqui entidades de supervisão de outros países, dado que existem holdings com sede no exterior, ou participadas com problemas noutros países (BES-Angola).
A determinação do momento certo de intervenção é sempre delicada. Esta discussão fez-me relembrar uma outra a propósito do momento de intervenção no caso BPN, e que reproduzo abaixo.
Pontos essenciais, que recupero a) haver necessidade de intervenção não é sinónimo de falha na supervisão; e, b) existe o risco de intervenção “demasiado cedo”.
Apontar o dedo ao regulador porque não fez a microgestão das entidades reguladas, neste caso o BES, é algo excessivo. As perguntas que se devem fazer é 1) se as regras de regulação deveriam ser diferentes? (e podem ser diferentes no quadro europeu?) 2) se a intervenção deveria ter ocorrido mais cedo.
Não creio que a resposta a qualquer das duas revele um clamoroso erro das entidades de supervisão.
Na minha leitura da cronologia, foi a intervenção (discreta, de bastidores) do Banco de Portugal que levou à necessidade de aumento de capital do BES, que obrigou a revelar a situação do grupo e os problemas com o BES Angola, e foi a recusa do poder político em instrumentalizar (dar apoio público) a CGD no apoio ao grupo Espirito Santo que tornou públicas as dificuldades (e levou no arrasto a PT com uma decisão que surge cada vez mais como de “favor” a um accionista e que teve já custos na operação de fusão com a brasileira Oi). A tentativa de obter uma solução de “economia de mercado” em vez de penalizar os contribuintes, directa ou indirectamente, já ou no futuro, parece não estar a resultar apenas com a mera mudança de gestão no BES. Mas tal não é uma falha de supervisão.
A decisão rápida deste fim de semana de cindir o BES em dois demonstra que esta possibilidade já devia estar a ser pensada (não se monta certamente em dois dias – identificar claramente o que são os activos “bons” e “maus” não se faz num par de horas), com a recolha da informação necessária; não resolve o problema do grupo Espirito Santo, mas essa não é a função do regulador prudencial (Banco de Portugal). Será que agora vai ser acusado de ter agido demasiado rápido?
Do passado, no Blog SEDES, 11 de Julho de 2009:
BPN, Parlamento e Banco de Portugal
Cada vez com maior frequência não compreendo o que se passa neste país.
Não estava à espera de ouvir o Governador do Banco de Portugal comentar os resultados da Comissão de Inquérito Parlamentar sobre o BPN.
É certo que o Governador foi duramente atacado no decorrer do inquérito. É certo que muito do que foi dito
sobre a supervisão bancária é despropositado.
Mas globalmente, e dentro do espectáculo politico a que nos habituaram no Parlamento, a condução da comissão até foi realizada com alguma sobriedade. Se houve alguns excessos, a existência desta comissão também contribuiu
para a ideia de que não poderá haver impunidade para quem tiver cometido fraudes, e que a informação não surge apenas por fugas de informação para os jornais.
A reacção agora do Governador do Banco de Portugal parece trazer apenas o sabor de quem se sentiu injustamente atacado (e repito, em vários aspectos isso pareceu-me ser verdade), e dele esperaria um maior distanciamente emocional.
10 Comentários para “BPN, Parlamento e Banco de Portugal”
para descarregar as emoções sobre o BES, conte-nos
BES passa a Novo Banco + BES – e depois?
Da leitura da resolução do banco de portugal, disponível aqui, pontos chave
da motivação para a intervenção:
a) resultados negativos piores do que esperado
b) desobediência das determinações do Banco de Portugal pela anterior gestão
c) incapacidade de obter fundos privados necessários face à incerteza sobre os “buracos” que ainda possam existir
d) ameaça à estabilidade do sistema financeiro: “Dada a relevância da instituição no conjunto do sistema bancário e no financiamento da economia, estes problemas punham em causa a estabilidade do sistema de pagamentos e do sistema financeiro nacional”.
comentário/perguntas: qual a importância relativa de cada aspecto? a alínea c) significa a incapacidade de fazer aumento de capital, ou incapacidade imediata de obter financiamento no mercado interbancário? a alínea b) não deverá ter consequências criminais? os actos praticados em desobediência são integralmente válidas? qual o papel dos outros accionistas do banco? (afinal o grupo Espirito Santo controla(va) apenas uma parte do capital)
da solução
a) preservam-se os clientes e os trabalhadores – “Nada muda para os clientes. Os clientes podem realizar todas as operações como habitualmente e sem perturbações. O conteúdo das relações contratuais com os clientes permanece inalterado. Os balcões do Novo Banco, que manterão para já a marca e o logotipo do BES, e os serviços de banca telefónica e de homebanking continuarão a funcionar regularmente. Todos os colaboradores do BES passam a ser colaboradores do Novo Banco, com salvaguarda dos seus direitos.”
Ou seja quem tem depósitos continua a tê-los e a poder movimentar as suas contas; quem tem créditos à habitação continuará a ter que pagar as prestações, e por ai fora.
Os trabalhadores, de momento, não sofrem alteração na sua situação. Esta será provavelmente uma fase de transição para eles.
b) o contribuinte não vai ter que contribuir: “esta operação não envolve custos para o erário público.”
c) os accionistas suportarão as perdas: “as perdas relacionadas com os ativos problemáticos serão suportadas pelos acionistas e credores subordinados do Banco Espírito Santo, S.A.” e os activos problemáticos “correspondem a responsabilidades de outras entidades do Grupo Espírito Santo e às participações no Banco Espírito Santo Angola, S.A., por cujas perdas respondem os acionistas e os credores subordinados do Banco Espírito Santo, S.A.”
d) de onde vem o dinheiro? do fundo de resolução! quem financia o fundo de resolução? “Os recursos do Fundo de Resolução são provenientes do pagamento das contribuições devidas pelas instituições participantes no Fundo e da contribuição sobre o setor bancário, que, de acordo com o normativo aplicável, são cobradas sem pôr em causa os rácios de solvabilidade.” Sobre o fundo de resolução, ver aqui para mais detalhes. Mas o fundo de resolução tem cerca de 380 milhões de euros, são precisos 4 900 milhões de euros – os outros bancos irão contribuir até 500 milhões e o estado com 4 400 milhões de euros. O fundo de resolução pede um empréstimo ao estado: “Fundo contraiu um empréstimo junto do Estado Português. O empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução será temporário e substituível por empréstimos de instituições de crédito.” Afinal o erário público poderá vir a ter custos? se o pagamento de juros pelo empréstimo pelo banco ao fundo e por este ao estado for superior aos juros da dívida pública, então o erário público poderá até beneficiar. Mas essa informação sobre as taxas de juro não está disponível.
O que fica ainda por saber:
a) quem vão ser os accionistas do Novo Banco e como vão ser determinados? (será uma venda do Novo Banco tão rápida quanto possível?)
b) quem vai gerir o BES que fica, com que mandato e durante quanto tempo? (vão os accionistas actuais ter capacidade de decisão sobre isso? não deveria ser eles a encontrar a solução? o “risco sistémico” supostamente estará associado com o NovoBanco, por isso qual o risco para o sistema financeiro de este BES emagrecido ser gerido pelos accionistas? – é que se não desapareceu o riso sistémico, porquê ter esta solução; se desapareceu, porque não serem agora os accionistas privados a tomar conta e encontrar uma solução?)
c) em que é que esta solução é diferente de uma falência do banco (e é)? rápida passagem dos activos e passivos produtivos para outra entidade para não ser perder o tempo das batalhas jurídicas de falência + accionistas a perderem todo e qualquer direito sobre a actividade com valor realizada pelo BES?
d) se for vendido o Novo Banco, qual o destino da respectiva receita? (pagar o empréstimo ao estado português?!)
e) quais os horizontes temporais dos próximos passos?
f) com esta solução evitou-se uma “corrida” ao BES, mas conseguiu-se mesmo devolver a confiança aos clientes? da resposta a esta pergunta dependerá o valor do que vier a seguir – se a confiança estiver perdida, a venda e integração noutra entidade bancária será a solução que resta, e mais vale adoptá-la rapidamente do que ter o estado a colocar dinheiro sucessivamente para no final ser essa de qualquer modo a solução.
g) e os accionistas que acorreram ao aumento de capital há pouco tempo? não se sentirão enganados? terão base legal para alguma acção e contra quem?
Tentações a evitar:
a) não vender pelo melhor preço tão rápido quanto possível
b) o Banco de Portugal fazer a gestão do Novo Banco de forma permanente, ainda que indirectamente
Por fim, dizer que não custa nada ao erário público só será possível se o empréstimo ao Novo Banco (e apenas este deve ser incluído) for reembolsado e pagar juros acima dos da dívida pública.
BES e economia de mercado
Estando de férias, tenho procurado não estar actualizado quanto ao caso BES. Mas acaba por ser impossível, pelas notícias que vão surgindo e pelas perguntas e anseios que se encontram um pouco por todo lado (amigos, familiares, desconhecidos na bomba de gasolina,…).
Diversos comentários têm incidido sobre o que significa o caso BES para a “superioridade” da gestão privada versus a gestão pública; ou em versões mais suaves sobre a relevância para a sustentar a privatização ou não da Caixa Geral de Depósitos.
Como ponto de partida, a gestão privada sempre fez erros; aliás, todos os dias há empresas que fecham por erros de decisão dos seus gestores. São é pequenas demais para chamar a atenção. Tal como muitas vezes o que se chama de sucesso de gestão privada é acaso da sorte. O que faz diferente o caso do BES é a dimensão do grupo, e a série de decisões (fraudes?) que foram tomadas.
Interessa-me aqui discutir não o que correu mal no grupo ou na supervisão (fica para os próximos dias), e sim como encaixar este caso no funcionamento de economia de mercado.
Sabendo-se que todos os dias há gestores e donos de empresas que cometem erros na condução dos seus negócios, como é que o funcionamento de uma economia de mercado os resolve? bom, deixa que essas empresas desapareçam do mercado; por vezes, tão rapidamente como surgiram. Outras vezes desaparecem porque não acompanharam os anseios e desejos dos consumidores. A Maconde desapareceu, mas a Zara floresceu.
No caso do BES e do grupo Espirito Santo, o que sucede neste momento é poder haver receio (?) de que seja grande demais para desaparecer. Esse sentimento, de ser grande demais, elimina o “medo de desaparecer” como disciplina para a boa gestão. Aliás, não ter o “medo de desaparecer” é o que faz a gestão pública ter também problemas em muitas decisões. “Desaparecer” significa, no contexto de economia de mercado, que os donos – accionistas no caso de sociedades anónimas – tenham que suportar os custos das más decisões tomadas pelos gestores das empresas (que podem ser eles próprios, ou contratados), sem que isso signifique que as actividades realizadas deixem de ser feitas, ou que os activos produtivos (físicos, humanos e organizacionais) tenham que ser destruídos. A falência do grupo Espirito Santo não constitui uma prova de falhanço da gestão privada face à gestão pública, mas a forma como essa falência é tratada constitui um teste ao funcionamento de uma economia de mercado como a portuguesa.
Aplicando estes princípios ao caso BES e grupo Espírito Santo, a solução de economia de mercado é claramente a falência do grupo, com perdas a serem suportadas pelos accionistas, e com a rápida venda de todos os activos produtivos. Significa que a marca BES pode desaparecer? sim, claro. Basta que outro banco ou entidade compre o banco e lhe mude a designação (por integração noutra estrutura já existente ou por redenominação). O mesmo sucederá com outras empresas do grupo (empresas que vão do turismo à saúde), sem que isso implique o encerramento dessas empresas. São claramente oportunidades de crescimento por aquisição (e que vão igualmente exigir atenção da Autoridade da Concorrência, mas isso é num momento mais à frente, para evitar eventual aumento de concentração e poder de mercado). Os clientes destas empresas do universo Espirito Santo não necessitam de ser afectados de forma substancial, desde que todo o processo seja célere, e não se procure formas artificiais de manter o grupo e o BES como estavam.
Centrando no banco, significa que o mesmo deverá ou receber novos accionistas (ou reforço dos actuais, o que não parece verosímil nesta altura) ou ser vendido tão rápido quanto possível. Deve-se evitar a nacionalização (ou a sua compra pela Caixa Geral de Depósitos, não vá alguém ainda lembrar-se disso). Conseguir fazê-lo sem qualquer implicação para os contribuintes seria um sinal de maioridade da economia portuguesa e dos seus mecanismos de funcionamento enquanto economia de mercado.
Qualquer que seja a solução encontrada para o BES, será quase inevitável que venham a surgir alterações na forma como o banco se encontra organizado, e o encerramento de balcões e mudanças internas, incluindo saídas de pessoal, virá a estar no horizonte. E daí virá alguma pressão social, que terá de ser antecipada e minorados os custos de transição para as pessoas afectadas (mas não através de sustentação artificial de postos de trabalho).
As notícias que têm saído sobre o que são as intenções das autoridades económicas apontam no sentido de ser o normal funcionamento da economia a resolver esta situação. A penalização dos accionistas deverá ser clara. A manutenção produtiva dos activos do banco deverá ser assegurada, mesmo com mudança de accionistas. É bom que assim seja, pois de outro modo todos os grandes grupos económicos portugueses (e bancos) podem começar a sentir que também são demasiado grandes para falirem…
(actualizado a 3 de Agosto 2014)
Para discussão nos próximos dias: BES e regulação, BES e grupos familiares,… (sobretudo se continuar um Verão frio e ventoso)
Ainda os centros de investigação da FCT e a sua avaliação
Continuam a surgir pedidos (exigências?) da sua suspensão e revogação dos efeitos, com base na presunção de uma “má” avaliação, que teria gerado muitos “falsos negativos” – centros que merecem passar à fase seguinte e ao financiamento que a ela está associado.
Num texto anterior e no post do Pedro Magalhães e do Luis Aguiar-Conraria, o aspecto mais saliente do actual processo de avaliação foi a importância de ser um centro grande, intencional ou não. Normalmente, a ideia de centros maiores recolherem economias de escala e com isso conseguirem melhores resultados da sua investigação está presente, de forma implícita ou explícita, nas discussões sobre os centros de investigação. A avaliação em curso está a dar um sinal claro para que os centros de menor dimensão se juntem. A pergunta natural é que evidência existe sobre essa “hipótese” de quanto maior for o centro de investigação mais produtivo (por investigador) em média.
Um aspecto associado a este é a capacidade de os centros de investigação aumentarem o número de membros com ele associados juntando investigadores a tempo parcial. Ter investigadores a tempo parcial num centro poderá trazer a vantagem da diversidade de visões (aumentando a produtividade de quem participar no centro) e a desvantagem de dispersão (reduzindo essa produtividade). Se a desvantagem for mais forte que a vantagem, o sinal dado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia para centros de investigação maiores (com mais membros) poderá resultar na adição de investigadores a tempo parcial e com um efeito final negativo. Por isso, é necessário também saber mais sobre que resultados são obtidos pelos centros de investigação.
A primeira dificuldade está logo em definir o que é a “produção” de um centro de investigação. O conjunto de dados coligidos por Pedro Magalhães e Luis Aguiar-Conraria permite ter três indicadores diferentes (pelo menos): total de publicações, citações e índice-h (h publicações citadas pelo menos h vezes). Embora os resultados possam diferir de acordo com o indicador escolhido, existe forte correlação entre eles (quadro 1 abaixo), pelo que vou usar publicações e um
índice compósito dos três, obtido como a primeira componente extraída numa análise de componentes principais (basicamente, uma forma de resumir a informação dos três indicadores num só).
Para ver o papel dos investigadores a tempo parcial, tendo os membros de cada centro de investigação, como publicado na avaliação da FCT, e o seu equivalente em tempo integral, através dos dados recolhidos por Pedro Magalhães e Luis Aguiar-Conraria, o rácio dá uma medida da importância dos investigadores a tempo parcial – quanto maior rácio, maior essa importância (só um centro não terá investigadores a tempo parcial, mas é pequeno – 11 membros), logo a importância não é ter ou não ter, é a extensão em que se tem.
Recuperando as análises estatísticas de Pedro Magalhães e Luis Aguiar-Conraria, e adicionando apenas a variável “parcial” (= membros do centro / equivalente em tempo integral), resulta de forma clara um efeito negativo e presente em todas essas variantes (quadros 2 a 4 abaixo). Daqui sai que os centros com maior número de investigadores a tempo parcial têm menor probabilidade de passar à segunda fase, e tiveram em média pior avaliação. Os avaliadores não deram preferência à diversidade, prevalecendo, na minha interpretação, as desvantagens da dispersão. Ou, numa visão mais céptica, aumentar a dimensão dos centros de forma artificial, aumentando os seus membros mas não em termos de dedicação efectiva, não produzirá efeitos em termos de melhor avaliação.
Mas estes são resultados referentes a avaliação, nada dizendo quanto à produção dos centros e sobre se maior número de investigadores se traduz em maior produção por investigador. Tomando as publicações como indicador de produção, e diferenciando entre diferentes práticas entre áreas científicas – não só as diferenças entre publicar artigos curtos e artigos longos, como a prática de quem assina esses artigos, e o papel de outras publicações – o argumento pode ser analisado através do conceito de elasticidade – se um aumento de x% no número de investigadores produzir um aumento de y% (> x%) então a lógica de maior dimensão levar a maior produtividade por investigador recebe suporte dos dados. Tomando análise de regressão com as variáveis em logaritmos, o coeficiente de regressão dá directamente esta relação (∆y%/∆x%), sendo que se for superior a 1 tem-se suporte de “economias de escala” no número de investigadores.
Como os centros de investigação mais pequenos podem ter um comportamento diferente, é feita a distinção entre os centros com menos de 25 FTE e os que têm mais. É feita também uma regressão linear (variáveis expressas em logaritmos) e uma análise de fronteira estocástica (uma forma de reconhecer a possibilidade de ineficiências). A distinção entre áreas científicas é feita usando as informações da base de dados de Pedro Magalhães e Luís Aguiar-Conraria (que tem a característica de um mesmo centro poder estar em duas áreas diferentes – 35 centros surgem em duas áreas, e 11 em três áreas).
Destas análises resultou que a estimativa pontual para a elasticidade publicações – FTE é inferior a 1, embora não se rejeite a hipótese de ser igual 1, no caso dos centros de investigação com igual ou menos de 25 FTE (quadro 1). Para os centros de investigação com mais de 25 FTE, o resultado é essencialmente o mesmo – a estimativa pontual é inferior a 1, mas não se rejeita que seja igual a 1 (quadros 7 a 9). Ou seja, pelo menos em termos de publicações não se encontram os efeitos esperados de dimensão sobre a produtividade dos investigadores
Se forem usados como indicadores de produção o número de citações e o índice-h, o que se encontra? para os centros de investigação com igual número ou menos de 25 FTE não há relação entre dimensão e citações ou índice-h; para os maiores de 25 FTE, a elasticidade é unitária no caso das citações e inferior a esse valor para o índice-h. Não há qualquer evidência de vantagem de dimensão absoluta para a produtividade individual dos investigadores.
Usando uma estimações de fronteira estocástica, e apenas para a variável publicações, dividindo novamente entre centros grandes e centros pequenos (FTE maior ou menor que 25), as estimativas obtidas são suficientemente próximas de 1 para que não se rejeite essa hipótese. Ou seja, mesmo procurando distinguir os centros de investigação mais eficientes (no sentido de mais publicações para os mesmos FTE) não há evidência que aumentar a dimensão dos centros se traduza em maior produtividade por membro do centro de investigação. (quadros 5 e 6)
Estas explorações colocam em dúvida a razoabilidade de uma estratégia de financiamento ou avaliação de centros de investigação que conduza a centros de maior dimensão com o objectivo de gerar mais output científico se medido pelas publicações científicas. A dimensão poderá ter outras vantagens, mas nesse caso deverão ser tornadas quais as que se esperam obter. Uma nota de curiosidade para o efeito de ter mais membros em tempo parcial para os grandes centros de investigação – surgem com um efeito positivo na fronteira, implicando que centros de investigação que sejam eficientes em termos de produção científica medida por publicações tendem a beneficiar do efeito de diversidade.
Em suma, a avaliação da FCT deu maior probabilidade de passagem à fase seguinte a centros de investigação maiores, havendo uma penalização dos que aumentaram a dimensão por inclusão de proporcionalmente mais investigadores a tempo parcial.
Implícita a essa característica estará a visão de que maior dimensão ajuda à produtividade da investigação. Usando dados publicamente disponíveis sobre publicações no período 2008-2012 como medida de produção científica, não se encontra evidência que sustente essa visão. Ou as vantagens da dimensão são outras, e devem ser explicitadas, ou está-se a partir de uma premissa errada quanto aos factores que determinam a produtividade dos investigadores.
Num artigo do jornal Público de 30 de Julho, André Freire insurge-se – mais uma voz – contra a avaliação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, por o respectivo centro de investigação – CIES-IUL – não ter passado à segunda fase. Só por curiosidade fui verificar, de acordo com os modelos estatísticos, qual o valor da probabilidade de passar à segunda fase dadas as características do centro em causa. Se for um valor baixo, significa que face à comparação com os restantes centros, a decisão de não passar estará bem dentro do quadro geral; se for um valor elevado, significará que é provavelmente um falso negativo – em comparação com outros centros de investigação de características observáveis similares nestas bases de dados sobre a avaliação e sobre os centros, a decisão surge como estranha. (quadro 11)
Destes cálculos, usando o modelo de identificação das características de passagem à segunda fase de Pedro Magalhães e Luís Aguiar-Conraria, a versão adicional que usei acima, ou outras variantes, a probabilidade encontrada esteve sempre acima dos 90%. Ou seja, será uma das unidades a merecer uma apreciação cuidada do resultado da primeira fase.
Notas: Definição das variáveis usadas – loutput= ln(publicações 2008-2012), lfte=ln (FTE- full time equivalent), parcial = membros/FTE, restantes variáveis – ver o post de Pedro Magalhães e Luis Aguiar-Conraria.

Quadro 5 – Fronteira escolástica, publicações cientificas como medida de resultado, centros grandes (FTE > 25)

Quadro 6 – Fronteira escolástica, publicações cientificas como medida de resultado, centros pequenos (FTE ≤ 25)
sobre a avaliação dos centros de investigação,
que levou a tanta insatisfação pública dos avaliados negativamente, de acordo com o que se vai lendo nos jornais, há alguns aspectos que não têm sido devidamente analisados, com o detalhe que merecem. O que fica na memória das diferentes notícias, entrevistas, reportagens, é a ideia de que esta avaliação procura destruir o sistema de ciência nacional. Curioso é que não haja o cuidado metodológico de análise do que foram os resultados da avaliação que se exige na produção de conhecimento científico.
Primeiro aspecto importante: nesta primeira fase da avaliação, foram seleccionados centros de investigação para uma segunda fase. Como há incertezas e erros, é natural que existam falsos negativos (casos que deveriam passar à segunda fase, e não o foram) como falsos positivos (centros que passam à segunda fase, sem que tal se justifique). Para os primeiros, prevê-se o mecanismo de contestação, para os segundos existe a possibilidade de ver baixar a sua avaliação na segunda fase. Exigir-se que esta segunda possibilidade não esteja presente é admitir que a avaliação de primeira fase terá sido infalível, não havendo então lugar a discordar por haver centros que não passaram à segunda fase. Ou ainda mais estranho querer-se afirmar que o sistema de avaliação só falhará em identificar adequadamente centros de investigação num dos sentidos. Não me parece haver nada que o justifique.
Segundo aspecto, diz-se que metade do sistema cientifico deixa de ser apoiado – há aqui uma grande imprecisão, resultante de uma característica que tem passado em grande medida ao largo da discussão – os centros de investigação de maior dimensão, recolhendo eventualmente dimensão crítica para melhorar o seu desempenho, tiveram maior probabilidade de passar à segunda fase. Isto faz com que se em número de centros quase 50% não tenham passado à segunda fase, esses mesmos centros representam apenas 33% do total de investigadores abrangidos pelos 322 centros avaliados.
A principal característica desta avaliação foi a de encontrar, em média, uma forte associação entre a dimensão do centro de investigação e a passagem à segunda fase – ou seja, centros maiores tendem a ser melhores; ou dito de outro modo, há muitos centros de investigação de baixa dimensão, com menos de 25 investigadores, que acabam por não seguir em frente na avaliação. Não é claro que a solução para esses centros seja a extinção, poderá haver a alternativa de se juntarem a outros similares, atingindo massa crítica.
Não significa que não tenham existidos erros de avaliação, e que não tenham existido erros na comunicação e tratamento dos resultados. Contudo, a defesa de que todos os centros são, ou têm de ser, excelentes e financiados de forma igual, apenas por existirem, como parece estar implícito, não é provavelmente defensável. A questão central que se coloca é como dar o salto seguinte de melhoria de todo o sistema de investigação, e se a maior dimensão traz de facto vantagens. Esse traço presente nos resultados tem estado fora da discussão, mas não haverá realmente centros de investigação demasiados e de dimensão insuficiente?
Para dar suporte às afirmações acima sobre o papel da dimensão dos centros avaliados, basta ir buscar a informação publicamente disponível no site da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (ficheiro excel disponível aqui). Com base nesta informação, retira-se, tratando todos os centros por igual e sem atender às diferentes áreas científicas (por essa informação não constar do ficheiro disponibilizado), que
a) os centros que passam à fase 2 (variável passar=1) são 53% do total e abrangem 2/3 dos investigadores:
b) 118 centros (em 322) têm menos de 25 investigadores (média de 16 investigadores por centro, mínimo de 10), e 103 têm entre 25 e 50 investigadores – ou seja, um pouco mais de 2/3 dos centros têm 50 ou menos investigadores.
c) a percentagem de centros que passou à segunda fase é maior nos grupos de dimensão superior do número de membros do centro; há uma relação clara entre ter maior dimensão e maior probabilidade de passar à segunda fase, mas para todas as classes de dimensão, há centros de dimensão que passam à fase 2 e centros que não passam.
d) dos centros de investigação que não passaram à segunda fase, houve a classificação de “poor” – “fair” – “good”, e mais uma vez existe uma associação entre maior dimensão do centro de investigação e melhor nota.
e) um teste simples sobre a diferença do número de membros entre os centros de investigação que passam à fase 2 e os que não passam confirmam que em média os que passaram são maiores.
Human Development Report 2014
disponibilizado pelas Nações Unidas, aqui. Este ano sobre a importância de construir a capacidade das sociedades responderem a situações e choques adversos, uma vez que não será possível evitar choques imprevisíveis, como catástrofes naturais mas não só. É uma mudança de perspectiva sobre a intervenção pública.
em ritmo de entrada em férias,
leitura sugerida sobre a ligação PT – BES como reflexo de um problema mais profundo das empresas portuguesas, por Ricardo Reis, aqui
















Ressabiado é o termo.
Desde que me lembre, o Banco de Portugal foi uma instituição respeitada e que sempre primou pela sua imagem de independencia e rigor tecnico.
A actuação deste governador tem vindo a destoar do passado do banco, pelas imprudentes participações em manobras políticas (quem não se lembra do famoso “cálculo do défice”) e pelo apoio ao governo em declarações e omissões públicas muitas vezes despropositadas para o seu cargo.
Ao queixar-se agora de o terem envolvido na luta política, está a colher os resultados da sua falta de independência e está a confundir a sua pessoa com a instituição.
Os factos demonstram que a supervisão falhou e, como mais alto responsável, deveria o governador assumir as falhas e propor as medidas correctivas necessárias.
Ao recusar a evidência e ao continuar a alimentar a polémica política, está o governador a prejudicar a instituição e a demonstrar que não tem de facto a independência e a discrição que o cargo exige.
Ricardo,
Há, na discussão, dois aspectos que me parecem muito diferentes:
a) o envolvimento no calor da luta politica – e aqui, com esta última intervenção,
Vitor Constâncio deixou-se levar para ela
b) falha de supervisão – é fácil depois de conhecidos os problemas argumentar
que houve falha de supervisão – devia ter existido intervenção mais cedo do que sucedeu; mas em cada momento, com os dados disponíveis, o Banco de Portugal tem também que ponderar se ao agir não provoca outra falha – intervir quando não se justifica essa intervenção. A supervisão bancária recebeu menos importância do que deveria por parte do Banco de Portugal? possivelmente, mas daí não se pode concluir que houve falha grave de supervisão. O que se diria se o Banco de Portugal sugerisse a nacionalização de um banco que depois se revelasse não ter qualquer problema?
Caro Pedro
È de facto mais fácil à posteriori tirar conclusões e por isso mesmo é que hoje os resultados demonstram que a supervisão não foi eficaz.
Agora, em vez de negar a evidencia, seria inteligente e constructivo corrigir o que falhou, para prevenir futuras falhas da mesma natureza.
Não devemos contaminar as análises e o estudo das soluções com os melindres pessoais e a procura de bodes expiatórios, mas é preocupante que o governador continue a negar que a supervisão não foi eficaz.
Se “tudo correu bem”, então não há razão para melhorar a supervisão de forma a prevenir casos semelhantes no futuro.E então como podemos confiar no nosso sistema financeiro?
Gostava de passar algum tempo sobre o assunto dos dados disponíveis.
Eu nunca estive ligado à supervisão bancária, confesso. Mas se estivesse, eis o que faria.
Em casos como o BPN, qualquer pessoa que trabalhasse no meio financeiro em Portugal poderia adiantar ao Banco de Portugal que o BPN era uma instituição sem estratégia, sem factores de diferenciação, a trabalhar um mercado altamente concorrencial.
Não é preciso ser um génio da finança para entender que o BPN não tinha hipóteses de sobrevivência. Neste caso, haveria que perguntar como estaria de facto a sobreviver. Para colocar esta pergunta basta viver em Lisboa e tomar café com duas ou três pessoas do meio bancário para ficar a par. Ninguém entendia como o BPN sobrevivia.
A próxima fase seria um pedido de documentação. O Banco de Portugal teria que entender o BPN suficientemente bem para estar convencido que o banco não iria representar um potencial problema. Para tal, devia ter elaborado uma lista de perguntas e um pedido de documentação.
Se no final das suas perguntas o Banco de Portugal chegasse à conclusão que não haveria problema tendo também em conta a documentação, tudo bem. Respostas menos boas ou falta de informação seriam motivo para mais preocupação e para medidas correctivas.
Existem inúmeras medidas correctivas que poderiam ter sido tomadas pelo Banco de Portugal. O que mais critico no caso BPN foi a atitude “tudo ou nada” do Banco de Portugal. Não se fez nada e depois nacionalizou-se. Por isso o argumento do risco de nacionalizar um banco que revelasse não ter problema, para mim, não faz sentido.
Para além disso, parece-me que se tratava de um caso para invocar princípios de boa gestão bancário e alegar que o BPN não estava a seguir os mesmos. O que me parece foi que o Banco de Portugal seguiu regras burocráticas e fechou os olhos.
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Hum…como pontos de acordo, podemos ter:
a) supervisão bancária devia ter estado mais atenta a alguns sinais – e aqui o facto de terem existido administradores que sairam, não assinaram contas e ninguém, leia-se Banco de Portugal, quis falar com eles, é evidência dessa desatenção; não significa que tivesse sentido intervir mais cedo com a
informação que estava então disponível.
b) supervisão bancária baseada em regras de cavalheirismo e idoneidade aceite sem reservas não será mais possível, alguma coisa vai ter de mudar nas capacidades de investigação e de exercício de pedidos de informação e eventualmente “raides” para recolha de informação
Como desacordo meu com muita argumentação que tem sido feita:
– que o Banco de Portugal falhou totalmente (afinal, o BPN estava em investigação)
– que devia ter tido uma intervenção mais cedo, e
– que não detectou as fraudes por incompetência da supervisão
Agora, no final, é para mim claro que o Governador não se deveria envolver
em acusações à Comissão de Inquérito Parlamentar.
As perguntas preocupantes para a confiança no sistema são:
Será que já foi apurado pelo BP tudo o que se passou realmente no BCP,BPN,BPP?
Será que está em análise a forma como foi possível as irregularidades não terem sido detectados?
será que estão a ser implementadas medidas correctoras de forma a evitar estes casos no futuro?
Ou será que ninguem se atreve a fazer o levantamento dos problemas, para não contrariar o Governador?
Sem querer prolongar demasiado a discussão, a minha resposta ao comentário do Pedro Pita Barros, que desde já agradeço, é a seguinte.
(Este texto foi também publicado no meu blog http://kambaia.blogspot.com)
(1) Pedro Pita Barros é da opinião que o Banco de Portugal não falhou totalmente. De facto, estamos em desacordo. A meu ver, a nacionalização de um banco no qual houve fraude é um falhanço total da regulação. Como refere Pedro Pita Barros, o BPN já estava a ser investigado antes da nacionalização. O Banco de Portugal tinha à sua disposição um arsenal de medidas correctivas que podia ter accionado. Sem querer ser exaustivo estou a pensar, entre outras medidas, no seguinte: (i) censura pública (ii) multas (iii) proibição de exercer actividade bancária para parte do banco (o que talvez tivesse permitido salvar alguns departamentos do BPN, sacrificando outros);
(2) Pedro Pita Barros não é da opinião que o Banco de Portugal devia ter tido uma intervenção mais cedo. Eu realmente não estou de acordo. A partir do momento em que havia suspeita, penso que devia ter sido pedida informação. Se a informação se revelasse insuficiente, rapidamente o Banco de Portugal devia ter aplicado uma das sanções que menciono no ponto anterior;
(3) Finalmente, Pedro Pita Barros é da opinião que o facto do Banco de Portugal não detectar falhas não revela incompetência. Tenho a opinião contrária, como facilmente se pode concluir do ponto anterior. Penso que a incompetência tem muitas maneiras de se manifestar. Não faltou tempo ao Banco de Portugal e não são precisos tantos recursos como isso para pedir uma lista de informação. Basta enviar um e-mail. Se a resposta é insuficiente ou revela falhas, as sanções descritas acima também não me parecem muito difíceis de implementar e não deveriam ocupar muitos recursos.
Bom sumário nos pontos (1) e (2). O (3) merece apenas o esclarecimento adicional de nem sempre se poder concluir que não detecção de falhas que houve incompetência. Se houver incompetência, não serão detectadas falhas. Mas retirar daqui que se houve falha é porque houve incompetência não é directo. Dou o benefício da dúvida ao Banco de Portugal.
Concordamos em discordar neste caso.
Outros haverá em que talvez venhamos a concordar.