Momentos económicos… e não só

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The Economic Adjustment Program for Portugal – Second Review (parte 1)

Apesar de já ter sido publicado há algumas semanas, creio que ainda assim é útil fazer uma leitura cuidada do relatório da Comissão Europeia e do Relatório do FMI sobre a segunda revisão trimestral do programa de ajustamento contido no Memorando de Entendimento, para ver o progresso realizado mas também em que medida esse mesmo programa se vai ajustando em cada revisão.

Apesar de se manter em grande medida a estrutura, há algumas coisas novas e é preciso uma comparação cuidada para ir encontrando as diferenças. Irei procurar fazer esse esforço durante os próximos dias, nos temas que mais me interessam. Fica a sugestão de para outras áreas se fazer o mesmo exercício, similar ao de “encontre as 7 diferenças” tão comum nos jornais.

Antes de entrar nessa comparação, parece-me útil fazer o destaque de várias considerações das avaliações realizadas.

O sumário executivo do relatório da Comissão Europeia coloca desde logo as preocupações base resultantes do segundo trimestre do programa de ajustamento:

– uma maior contracção económica em 2012 – que traduz certamente as informações que foram dadas pelo Ministério das Finanças, dado que a descrição corresponde ao que têm sido as declarações do Ministro Vitor Gaspar

– pressão sobre a execução orçamental, por desvios de monta face às previsões – adopção de receitas adicionais, e derrapagens da despesa pública – reconhece-se que a utilização dos fundos de pensões foi a forma de se respeitar o objectivo do défice pública, com o custo de futuros pagamentos de pensões aos beneficiários desses fundos. [comentário: veremos ainda que confusões irão estar nos orçamentos futuros associados com esses pagamentos e essas pensões; basicamente teremos o estado como gestor de fundos de pensões de bancários a aplicar regras mais generosas do que as que aplica aos pensionistas pelos quais é responsável. No momento actual, esta situação parece aceitável para todos, mas conforme se for desvanecendo a pressão dos dias de hoje e a memórias das dificuldades actuais, surgirão provavelmente tensões com esta situação.]

– um objectivo orçamental de 4,5% do PIB, respeitando o que está estabelecido no programa de ajustamento

– empenho do Governo na realização de reformas na forma de controle orçamental, para evitar derrapagens futuras da despesa pública [comentário: este é um objectivo que está presente desde o início, e é consensual até ao momento em que novas regras comecem a ser aplicadas limitando de facto a capacidade de fazer despesa por parte das entidades públicas; resta saber se essas novas regras prejudicarão também o normal funcionamento das instituições públicas e o serviço por elas prestado à população. ]

– neste processo de ajustamento do processo de controle orçamental, surgem mencionados dois pontos importantes: os atrasos nos pagamentos a fornecedores do Estado, e refocar da actividade nos objectivos centrais da intervenção pública.

– o programa de reformas coloca à prova a capacidade administrativa do Estado, incluindo a sua capacidade técnica [comentário: que não saiu certamente reforçada nem fácil de reforçar com a redução salarial ocorrida – não são vão ser tempos de maior exigência técnica, como não vai haver capacidade de recrutar pessoas com qualificação e competência elevadas]


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mais duas novas portarias sobre medicamentos

Portaria n.º 4/2012 de 2 de janeiro

“O Decreto-Lei n.º 112/2011, de 29 de Novembro, estabeleceu o novo regime de preços dos medicamentos de uso humano sujeitos a receita médica e dos medicamentos não sujeitos a receita médica comparticipados, determinando que as matérias previstas no articulado e os respectivos procedimentos sejam regulamentados por portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da economia e da saúde. Importa assim estabelecer as regras de formação dos preços dos medicamentos, da sua alteração e da sua revisão anual, bem como os respectivos prazos. Concretiza-se também a redução de preço de medicamentos genéricos em relação aos medicamentos originadores, prevista no Memorando de Entendimento sobre as Condicionalidades de Política Económica firmado pelo Governo Português com o Fundo Monetário Internacional, a União Europeia e o Banco Central Europeu. Definem-se também os prazos a aplicar em 2012, excepcionalmente, de forma a operacionalizar a revisão de preços neste ano, com benefício para o Serviço Nacional de Saúde e os Utentes da revisão de preços estabelecida.”

Portaria n.º 3/2012 de 2 de janeiro

“O Decreto -Lei n.º 112/2011, de 29 de Novembro, estabeleceu no seu artigo 12.º que a revisão excepcional de preços dos medicamentos pode ocorrer por motivos de interesse público ou por iniciativa do titular da autorização da introdução no mercado, devendo a definição dos critérios, prazos e demais procedimentos que presidem à mesma ser definidos por portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da economia e da saúde.”


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hoje, no dinheirovivo.pt, para daqui a 365 dias

Isto é o que desejo escrever daqui a um ano

31 de Dezembro de 2012

02/01/2012 | 02:57 | Dinheiro Vivo

Nesta altura do ano, a maioria dos artigos divide-se entre os que fazem uma revisão de 2011 e os que olham para 2012. “Os desafios de 2012” é o título implícito de muitos dos artigos e comentários que se produzem durante estas semanas. E claro está a Troika e o Memorando que com ela assinamos não podem deixar de figurar. Não fugirei a esta tradição, mas avanço um ano. Penso no que gostaria de escrever no final de 2012 e a entrar em 2013, uma revisão do ano de 2012.

Assim, o meu desejo para 2012 é poder escrever a 31 de Dezembro de 2012 o seguinte: Como era antecipado, o ano de 2012 que agora termina foi de grandes dificuldades para todos os que vivem em Portugal, sobretudo o mês de Janeiro, com aumentos generalizados. O choque para os funcionários públicos chegou no Verão, com a ausência do subsídio de férias. Houve os que alteraram o seu comportamento desde o início do ano, e houve os que só nesta altura perceberam a falta que este salário adicional fez. E todos se começaram a preparar para a ausência do subsídio de Natal.

No sector privado sucederam-se as renegociações salariais em baixa, como forma de garantir os postos de emprego. As empresas com maior sucesso exportador conseguiram evitar essa renegociação.

Face às dificuldades encontradas, a necessidade aguça o engenho, e a gestão das empresas portuguesas, privadas e públicas, bem como da própria administração pública, deram um salto quantitativo. Para além de todos os aspecto legais de enquadramento das actividades económicas em Portugal, um dos bloqueios importantes tem sido tradicionalmente a qualidade da gestão e da gestão intermédia – orientada para a presença no posto de trabalho, e menos para a produtividade; orientada para fazer o que o chefe manda, e menos para a criatividade (até porque a “chefia direta” não gosta disso). A transformação da cultura de gestão ocorreu quer nas grandes empresas quer nas pequenas e médias empresas, que são a maioria. A maior qualidade de gestão nas pequenas e médias empresas levou-as a crescer, e a internacionalizar. Houve as que desapareceram, faz parte da evolução natural das economias, mas foram substituídas por novas empresas. E esta mudança faz toda a diferença na vida económica portuguesa, mas também na esperança e na confiança dos que cá vivem no seu futuro.

Na área da saúde, sendo o Serviço Nacional de Saúde o elemento central da prestação de cuidados de saúde em Portugal, a quebra nos salários gerou de início uma desmotivação e descontentamento geral. As perdas de salário, juntando redução de subsídios de férias e natal com a redução das horas extraordinárias, chegaram a 1/3 do salário anual em alguns casos.

Esta situação, potenciadora de um distanciamento dos profissionais de saúde face à sua actividade, continha o risco de uma real diminuição de cuidados a prestar segundo a necessidade, em qualidade e quantidade. O ano de 2012 começou por isso debaixo da ameaça de um retrocesso dos níveis assistenciais, pois a somar aos efeitos sobre os profissionais de saúde, as exigências de redução de custos eram elevadas.

Mas ao longo do ano de 2012 foram revistas as remunerações salariais dos diversos profissionais, orientadas agora para estruturas mais simples, com enquadramentos mais claros e menos propiciadores de comportamentos que criam desperdício de recursos. Esta alteração permite gastar globalmente menos. Envolveu também uma reorganização da forma como as diferentes profissões de saúde contribuem para o sistema de saúde, onde cada uma é aproveitada da forma que maior valor social gera. Uma das grandes dificuldades de 2012 esteve na gestão dos recursos humanos da saúde, a todos os níveis, incluindo as práticas de gestão, remuneração e organização das instituições. Um olhar cuidado e uma atuação inteligente permitiram manter os níveis assistenciais à população, com menores custos (embora não atingindo as metas inicialmente pretendidas).

Apesar de tudo, o ano de 2012 acaba melhor do que começou. Embora não antecipada no final de 2011, a transformação das práticas de gestão surgiu como a boa surpresa do ano para a economia portuguesa, dando-lhe capacidade de crescimento económico (e ajudando a cumprir as exigências do Memorando da Troika). Na área da saúde, foi o desafio (escondido) de reorganizar os recursos humanos sem comprometer o seu empenho profissional que permitiu não reduzir os níveis assistenciais, mesmo num ambiente de redução de custos.

Será possível escrever este texto daqui a um ano, a 31 de Dezembro de 2012?

Nova School of Business & Economics
ppbarros@fe.unl.pt
Escreve à segunda-feira


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Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um excerto:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 29.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 11 concertos egostados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo


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2012 — o ano

– da Troika?

– do Campeonato Europeu de Futebol?

– do fim do mundo como o conhecemos?

– depois de 2011 e antes de 2013?

– de 366 posts no blog?

Qualquer que seja a escolha, os desejos de um Bom Ano.


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a vida é feita de pequenos nadas

(post gémeo com o blog No reino da Dinamarca)

O tema de Sérgio Godinho serve bem aos sentimentos dos dias de hoje, numa realidade diferente é certo, mas onde a componente emocional face à crise económica é clara, e se transfere para a avaliação da actuação política.

Na actuação política, os “pequenos nadas” são substituídos pela necessidade (ou será exigência o melhor termo?) mediática dos “grandes anúncios”. Em cada declaração de um ministro, ou do primeiro-ministro, espera-se ou a solução de todos os problemas ou a origem de todos os males. Em cada afirmação proferida pela oposição procura-se a irresponsabilidade ou a alternativa inequívoca. Raramente se procede a uma discussão dos argumentos, a sua validação conceptual e / ou com base em evidência.

Ao optar por um Governo mais pequeno do que vinha sendo hábito em Portugal, o primeiro-ministro expõe, potencialmente, a maior pressão mediática cada um dos ministros. Potencialmente, porque a atenção centra-se na verdade sobre três, quatro ou cinco ministros, sendo que os restantes passam quase despercebidos na sua actuação (o que não é necessariamente negativo, dando a esses tempo para pensar antes de agir).

O grande desafio dos próximos anos é, como tem sido amplamente referido, a coesão nacional. E dado o contexto actual, a contribuição da classe política tem que passar por uma participação baseada mais nos argumentos e não unicamente nas emoções.

Aos poucos, vamos assistindo à escolha desse opção, embora com riscos. O exemplo do tema da emigração nas palavras do primeiro-ministro mostra como falar de um tema difícil pode ser levado para o campo emocional. Mas do lado da oposição, em geral, o discurso do Partido Socialista tem oscilado entre o puro apelo emocional (o caso da tremura das pernas dos banqueiros alemães) e a procura de um registo sério de discussão (por exemplo, as declarações recentes de Carlos Zorrinho sobre o apoio aos objectivos do Memorando de Entendimento).

A confiança nos membros da classe política como líderes do país para ultrapassar a crise económica será feita por uma sucessão de “pequenos nadas”, roubando a expressão, que conduzam a resultados e não pelos grandes anúncios que se esgotam nas televisões, ou no papel em que se escrevem.

A vida é feita de pequenos nadas:

Segunda-feira
trabalhei de olhos fechados
na terça-feira
acordei impaciente
na quarta-feira
vi os meus braços revoltados
na quinta-feira
lutei com a minha gente
na sexta-feira
soube que ia continuar
no sábado
fui à feira do lugar


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debate sobre o relatório da reforma hospitalar

Nos últimos dias tenho tido menos tempo para escrever aqui, mas a culpa não é (apenas) das festas da época. Tenho estado a escrever a versão final de um contributo de resposta à consulta pública, num esforço colectivo da Universidade Nova de Lisboa, o resultado final será dado a conhecer a 5 de Janeiro – veja-se o anúncio:

NOVA SAÚDE

No seguimento da consulta pública do relatório produzido pelo Grupo Técnico para a Reforma Hospitalar, a Universidade NOVA de Lisboa promove uma sessão de discussão pública  NOVA SAÚDE, sobre as opções e iniciativas enunciadas no relatório.  A Universidade enquanto instituição não vive separada da sociedade.

A discussão tem como ponto de partida um documento de apreciação elaborado por docentes de várias Faculdades e Escolas da NOVA,  presentes no sector da saúde. A iniciativa NOVA SAÚDE constitui uma contribuição da Universidade e do conhecimento nela gerado.

 A sessão de debate, aberta ao público, na presença do Reitor da NOVA, António Rendas,  terá lugar no dia 5 de Janeiro, das 10h30 ao 12h30, na Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa, no Campus de Campolide.

A mesa redonda NOVA SAÚDE conta com a presença de:

  • José Mendes Ribeiro (coordenador do Grupo Técnico para a Reforma Hospitalar)
  • José Caldas de Almeida (Faculdade de Ciências Médicas, NOVA)
  • Gilles Dussault (Instituto de Higiene e Medicina Tropical, NOVA)
  • Adalberto Campos Fernandes (Escola Nacional de Saúde Pública, NOVA)
  • Moderador: Pedro Pita Barros (Nova School of Business and Economics, NOVA)

Entrada livre, sujeita a registo para nova.comunica@unl.pt

Contamos com a sua presença!


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….comissões de utentes….

Nova técnica de chamar a atenção dos meios de comunicação social – entitular-se Comissão de Utentes, ver a lista, certamente ainda provisória e incompleta, aqui no original:

Comissão de Utentes de Auto-Estradas
Comissão de Utentes das Auto-Estradas do Interior
Comissão de Utentes das A 23, A 24 e A 25
Comissão de Utentes da A 23 do Médio Tejo
Comissão de Utentes contra as Portagens
Comissão de Utentes da Linha do Sado
Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul
Comissão de Utentes da Saúde de Lisboa
Comissão de Utentes de Centros de Saúde de Lisboa
Comissão de Utentes da Linha de Sintra
Comissão de Utentes da Linha da Azambuja
Comissão de Utentes dos transportes públicos de Setúbal
Comissão de Utentes do Hospital de S. Bernardo
Comissão de Utentes de Saúde do Sado
Comissão de Pais (muitas)

Seria curioso saber quantas pessoas estão inscritas em cada uma destas comissões, pergunta que nunca lhes foi feita, que me lembre de ter visto.

Ser a favor da sociedade civil e da sua expressão é diferente de aceitar que pequenos grupos se auto-entitulem representantes

dessa mesma sociedade civil.

 


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Uma prenda de Natal vinda China, no dinheirovivo.pt.

A venda da EDP a capitais chineses pode ser o início de uma relação mais aberta ao mundo, com implicações na própria gestão, o que me levou à reflexão de hoje no dinheirovivo.pt,

Uma prenda de Natal da China

26/12/2011 | 02:48 | Dinheiro Vivo

A venda de 21,35% da EDP à empresa China Three Gorges Corporation constituiu um sucesso deste Governo, e por diversos motivos. Uns gerais, outros particulares a esta opção.

Primeiro, a receita financeira é importante. Numa situação como a actual, não se liga à cor do dinheiro, neste caso à nacionalidade de quem compra. O ter-se tomado uma decisão com base em quem paga mais é um saudável princípio, face a alternativas como a qualidade do projecto industrial ou promessas futuras. Nada como um compromisso claro com o pagar hoje, em lugar de promessas futuras, em geral raramente concretizadas. Claro que a pergunta sobre qual o projecto industrial e de desenvolvimento é importante, mas é precisamente quem mais dinheiro está disposto a meter quem mais acredita que tem a ganhar com o desenvolvimento da empresa. Não creio que se possa pensar que a decisão da empresa chinesa tinha como base ajudar a Portugal, sem pensar no retorno que vai querer retirar do seu investimento. E esse é o maior incentivo a que a empresa seja bem gerida.

Segundo, a ausência de discussão sobre o papel dos centro de decisão nacionais. No passado, essa discussão levou a que empresas portuguesas fossem vendidas a accionistas de outros países, por intermédio de portugueses que tiveram como única função facilitar o processo e no caminho realizaram importantes mais valias. Desde a banca à energia assistiu-se repetidamente ao mesmo padrão. Por não se ter entrado nessa discussão desta vez, seja qual for o motivo que lhe esteja subjacente, foi também um sucesso da operação. A prazo, interessa pouco quem é o proprietário, interessa sim que sejam empresas bem geridas.

Terceiro, aparentemente as questões políticas, mesmo que afloradas de vez em quando – por exemplo, nas notícias sobre conversas de Angela Merkel com o primeiro-ministro português – acabaram por não ter influência decisiva no processo (a atender às informações públicas sobre a venda).

Quarto, não é esperar que a empresa chinesa tenha comprado a EDP com o objectivo de a gerir melhor por trazer consigo melhor capacidade tecnológica ou de gestão. É antes uma situação em que é a empresa chinesa que pode beneficiar da capacidade e conhecimento tecnológico nacional, trazendo quem compra apenas a capacidade financeira que poderá potenciar desenvolvimentos futuros. Creio ser natural pensar-se que o mercado português é pouco relevante para uma empresa chinesa, país em que cidades são maiores, em termos de população, que Portugal inteiro. Será uma empresa com ambições globais. Assim, há a oportunidade de colocar tecnologia portuguesa num mercado globalizado.

Quinto, tem sido referido por vezes que é uma venda que não deixa de ter riscos para Portugal. Afinal, a energia é um sector sensível em qualquer país. Mas Portugal participa já num mercado ibérico de electricidade, a EDP é apenas um dos produtores nesse mercado. A distribuição de energia, como actividade, é por seu lado uma actividade regulada, e não deixará de o ser. Como a venda seria feita de qualquer forma a uma empresa estrangeira, é até provavelmente melhor a prazo que quem compra não tivesse já instalado na Península Ibérica (situação dos alemães).

Sexto, sendo conhecido que muitas outras empresas portuguesas têm hoje importantes accionistas estrangeiros, e que provavelmente outras ainda verão iniciada ou reforçada a abertura a capitais oriundas de outros países, não deixa de ser salutar uma diversificação da origem geográfica desses capitais.

Concorrência pelas empresas nacionais entre capitais internacionais é a melhor forma de obter o máximo valor por essas empresas.

Sétimo, não deixará de ter riscos ter como grande accionista uma empresa cuja propriedade é de outro Estado. Mas aqui temos que confiar que o quadro institucional português, europeu e o enquadramento regulatório cumprirão o seu papel.

Em suma, a venda do capital da EDP aparenta ter sido um sucesso financeiro e político, tem o potencial de a prazo ser um sucesso económico, e constitui uma mudança de regime na forma de Portugal encarar o capital estrangeiro na economia portuguesa. Esta prenda de Natal vinda da China vale pelo dinheiro que traz mas também pelo que é uma mudança de atitude de Portugal face ao capital que vem de fora e sua origem.

Nova School of Business & Economics
ppbarros@novasbe.pt
Escreve à segunda-feira

 


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Feliz Natal (em 4 versões diferentes)