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gabinete de crise, radio observador – vivendo com o coronavirus (43)

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Esta semana um pouco mais atrasado a dar o resumo do Gabinete de Crise da passada sexta-feira, disponível aqui. Amanhã vai ter nova edição.

O tema da semana foi a saúde mental em tempos de COVID-19.

Número da semana: 45% – percentagem dos portugueses que num inquérito (estudo internacional sobre a COVID-19 em que a Nova SBE esteve envolvida) realizado nas duas primeiras semanas de Abril dizia não ter ansiedade quando perguntado sobre o seu estado de saúde. 

Esse valor era de 64% na Dinamarca, 56% na Holanda, 53% na Alemanha, 44% no Reino Unido, 46% em Itália, 47% em França,. Mas os que diziam sofrer de forte ansiedade eram apenas 3% em Portugal e em Itália, sendo cerca de 6% na Dinamarca, Alemanha e Holanda, 7% em França, e 9% no Reino Unido. Ou seja, nessa fase de muita incerteza e com entre duas semanas a um mês de confinamento, cerca de metade dos portugueses dizia ter ansiedade moderada. E sem diferenças sistemáticas entre grupos etários, e com as mulheres a revelarem estarem mais ansiosas. 
Como lidar com os desafios de saúde mental?

Preocupação atenta será o lema desta semana, como foi nas últimas semanas, e como provavelmente será nas próximas semanas.

Surtos de contágio associados com eventos perfeitamente evitáveis foram a nota dominante das duas últimas semanas, nomeadamente com reuniões ou festas, espontâneas ou não, de jovens. Estas situações que aparentemente se repetem lançam desde já a questão de saber quanto poderá estar associado a necessidades de saúde mental, de retomar alguma normalidade (o que nestes grupos remete para socialização). Mas a incapacidade de conseguir realizar isolamento domiciliário por falta de condições de habitação também tem contribuído para se espalhar o contágio.

Lares – necessidade de manter a preocupação atenta – funcionários e visitas, mas também fornecedores de produtos, etc. Não está a ser muito diferente em Espanha, onde têm existido surtos por vários locais, nas zonas que tentaram readquirir normalidade mais cedo. E com semelhanças com o que vemos

A existência de surtos também cria algumas dificuldades na interpretação do famoso Rt (o número de casos novos gerados por cada infetado). Se houver poucos infetados e de repente houver um surto, o Rt sobe imenso (como valor médio), mas se os casos forem logo isolados, cai de seguida.

Média de novos casos diários por semana (semana “Gabinete de crise”, de 6ª a 5ª seguinte)

 Lisboa e Vale do TejoResto do PaísTotal nacional
8 a 14 de maio118110229
15 a 21 de maio15868227
22 a 28 de maio20634240
29 maio a 4 junho25925285
5 de junho a 11 de junho28942331
12 de junho a 18 de junho25852311
19 de junho a 25 de junho25675332

Nota: valores arredondados à unidade

Média de valores diários por semana (semana “Gabinete de crise”, de 6ª a 5ª seguinte)

 ÓbitosInternadosInternados em UCI
8 a 14 de maio11762113
15 a 21 de maio13636103
22 a 28 de maio1353275
29 maio a 4 junho1247061
5 de junho a 11 de junho740361
12 de junho a 18 de junho342771
19 de junho a 25 de junho442770

Nota: valores arredondados à unidade

Mito/Alerta da semana: Fazer mais testes significa mais casos. É uma forma imprecisa de falar – os casos existem, quer haja testes ou não. O fazer mais testes para detetar contágios significa apenas que se conhecem mais casos e como tal consegue-se agir mais rapidamente no sentido de conter a cadeia de contágio. Logo, quando muito, mais testes hoje e menos casos no futuro, por intervenção. E quando se fala de testes frequentemente não se é claro sobre se estamos a falar de testes para saber se alguém naquele momento tem COVID-19 – e estes testes devem ser feitos em casos de suspeita ou risco elevado – e testes para saber quem já esteve exposto à COVID-19 alguma vez – e estes testes devem ser feitos por amostragem aleatória para dar uma imagem da epidemia na população. Os testes de que se fala quando se diz que mais testes são mais casos são os primeiros, os que devem ser feitos para encontrar casos atuais para quebrar cadeias de contágio. 

Esperança da semana: há cerca de 15 dias, houve o longo fim de semana do 10 de Junho, onde de acordo com o Google mobility report, a mobilidade dos portugueses em espaços públicos de lazer como praias e parques esteve muito acima do que foi nas semanas e meses anteriores, e acima do período pré-covid (medido no Inverno), e até ao momento não houve surtos identificados com as idas à praia nessa altura. A nota de esperança é que apesar de tudo conseguimos ir à praia mantendo condições de segurança, o que será uma excelente notícia para o Verão, se se confirmar nos próximos dias.

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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