Momentos económicos… e não só

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em memória de Silva Lopes, profundo conhecedor da economia portuguesa

Um economista de argumentos precisos,  enorme experiência e conhecimento sobre a economia portuguesa. O primeiro contacto directo que tive com J Siilva Lopes foi no período em presidiu ao Conselho Económico e Social. Outros contactos foram surgindo naturalmente ao longo do tempo. Nunca deixou de olhar com atenção para a economia portuguesa e para o que nela se passou, incluindo o período da troika. Haverá certamente diversas homenagens e textos que descreverão de diversas formas e feitios como Silva Lopes  influenciou e participou em decisões de política económica em Portugal. Era uma voz que quando falava valia a pena ouvir.

Adicional – links a ler: Pedro Santos Guerreiro, Paul Krugman, Ricardo Reis

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PORDATA, indicadores, concurso e prémios

A PORDATA além de disponibilizar informação, agora faz um exercício não de crowdfunding mas de crowdsourced ideas – quem tiver ideias para indicadores que contem histórias relevantes, em qualquer área, e que usem os dados já presentes na PORDATA, seja dados municipais, portugueses, ou europeus, tem a possibilidade de propor que sejam incluídos na PORDATA. E ainda poder ganhar alguma coisita além da imortalidade do reconhecimento da proposta.

Um bom ponto de partida é ir revisitar as séries que nalgum momento já se foram buscar ao site da PORDATA para cálculos de apoio, e ver se descrevem uma realidade que valha a pena ser contada de forma genérica.

O desafio é interessante por também obrigar a pensar no que é útil calcular, e não apenas coleccionar séries de números ;-). Ah, ainda se tem tempo, a data limite é na terceira semana de maio de 2015.

A informação de anúncio é copiada do blog De Rerum Natura, porque me poupa o trabalho:

Concurso PORDATA Inovação

Anúncio recebido da PORDATA, base de dados de Portugal:

No âmbito da celebração do 5º aniversário da PORDATA, a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) apresenta a primeira edição do Prémio PORDATA Inovação.

Esta é uma iniciativa que, uma vez mais, dentro da missão da FFMS, procura promover e aprofundar o conhecimento da sociedade portuguesa.

O Prémio PORDATA Inovação pretende reforçar a articulação entre a PORDATA e os agentes de produção de conhecimento, incentivando o desenvolvimento de indicadores inovadores, que representem uma mais-valia para a compreensão das dinâmicas da sociedade. É, por isso, especialmente encorajada a participação da comunidade científica nacional.

Ver o link: Pordata

Prazo final de apresentação de propostas: 23 de Maio 2015.


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estudo da ERS “Os seguros de saúde e o acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde” (II)

O estudo da Entidade Reguladora da Saúde faz também uma comparação da presença de seguros de saúde em vários países europeus.

Esta comparação precisa de ser realizada com grande cuidado, pois a própria arquitectura dos sistemas de saúde dita papéis muito diferentes para o seguro de saúde.

Em Portugal, com um sistema de saúde baseado no Serviço Nacional de Saúde, que é essencialmente um seguro público de saúde, o espaço para o seguro privado de saúde é menor do que no outros países.

Existem, conceptualmente, três grandes áreas de intervenção do seguro privado quando se tem um Serviço Nacional de Saúde num país:

a) o seguro de saúde voluntário privado pode ser substituto do Serviço Nacional de Saúde, na modalidade de opting-out, em que cobre os mesmos riscos de saúde que o Serviço Nacional de Saúde;

b) o seguro de saúde voluntário privado é complementar ao Serviço Nacional de Saúde, no sentido em cobre riscos e cuidados de saúde que não são cobertos pelo Serviço Nacional de Saúde ou dá cobertura de seguro aos pagamentos directos das famílias;

c) o seguro de saúde voluntário privado duplica a cobertura do Serviço Nacional de Saúde, como forma de assegurar um acesso mais rápido a cuidados de saúde.

Nos países em que não há Serviço Nacional de Saúde, a cobertura básica de protecção financeira contra as despesas inesperadas em cuidados de saúde vem dos seguros de saúde que naturalmente vão ter um peso no financiamento da saúde muito maior. A média global, incluindo todos os países, faz por isso pouco sentido. Sobretudo se a comparação pretender ver qual o espaço que existe para o crescimento dos seguros de saúde em Portugal.

Adicionalmente, para falar no espaço de crescimento de seguro de saúde privado em Portugal é necessário pensar no que é verdadeiramente risco que pode ser coberto. Por exemplo, seguros anuais têm dificuldade em cobrir doentes crónicos, pois para esses parte do risco referente ao que vão precisar de cuidados de saúde desapareceu. O risco que existiu antes (de virem a ser ou não doentes crónicos) precisaria de seguros plurianuais, com regras de entrada e de saída eventualmente demasiado complexas para serem exequíveis em contratos que se pretendem também de simples entendimento. Há soluções para esses aspectos, afinal há países com financiamento das despesas de saúde assentes em mercado privado, e fortemente regulado, de seguro de saúde como a Suíça e a Holanda. Mas não é claro que essas soluções sejam as mesmas quando existe um Serviço Nacional de Saúde que cobre esses riscos. Por esse motivo, a discussão do espaço para seguro de saúde privado não pode ser realizada apenas com base numa comparação entre países.