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o relatório da OCDE (4)

3 comentários

O primeiro capítulo do relatório da OCDE tem como tema a produtividade e as reformas estruturais.

As primeiras linhas apresentam a visão da OCDE do que é preciso para conseguir aumentar o crescimento da produtividade em todos os sectores da economia: criar um ambiente para o funcionamento das empresas que leve a investimento, inovação e criação de emprego, com investimento em capital humano. Até aqui não há propriamente uma ideia nova. Sendo esta uma afirmação geral, os problemas surgem quando criar esse ambiente choca com outros interesses e objectivos, particulares ou públicos. O problema não está normalmente em objectivos genéricos, está depois no estabelecer de prioridades e de como gerir objectivos que não são mutuamente compatíveis embora cada um por si seja desejado.

De seguida, vem logo um exemplo dessas tensões. O relatório da OCDE expressa a opinião de ser necessário ter crescimento salarial ajustado ao crescimento da produtividade do trabalho e reduzir a tributação sobre o trabalho (o que implica aumentar a tributação nalgum outro ponto do sistema, caso não haja capacidade de reduzir impostos e manter o equilíbrio das contas públicas, como é actualmente a situação).

A moderação salarial, no sentido de acompanhar o crescimento da produtividade, é a forma de manter o equilíbrio dentro da economia, sendo que sectores com maior crescimento da produtividade tenderão ainda assim a ter crescimento salarial ligeiramente inferior ao da produtividade, e sectores com baixo crescimento da produtividade tenderão a ter salários a crescer mais rapidamente que a sua produtividade. Isto sucede quando os trabalhadores se podem movimentar de uns sectores para outros, como forma de resposta a diferentes aumentos salariais por sector. Assim, esta moderação salarial deverá ser vista no conjunto da economia, e não se poderá alinhar por aumentos salariais em todos os sectores que sejam similares aos aumentos nas áreas onde ocorre maior crescimento da produtividade. Daí que seja perigoso estabelecer aqui regras absolutas que sejam vertidas em acordos de concertação social, mas acompanhamento da evolução salarial, por sector, e sua compatibilidade com o crescimento da produtividade deverá estar presente como forma de aferir a evolução da economia portuguesa.

 

A OCDE apresenta ainda nesta parte inicial uma visão clara para o desenvolvimento da economia portuguesa – desenvolver não só o sector industrial, como ter um sector de serviços “vibrante” que apoie a competitividade das empresas portuguesas – ou seja, colocar o sector de serviços ao serviço da capacidade exportadora das empresas portuguesas. O que implica que o sector dos serviços tem que se inserir mais nas cadeias de valor internacionais – produzir mais bens e serviços intermédios, em Portugal e no exterior. O desempenho das grandes empresas de serviços tem que passar a ser avaliado também em termos de capacidade de ter bons serviços que atraiam outras empresas a estabelecerem-se em Portugal. Nos últimos dias, recordo-me de ter visto em vários jornais económicos notícias sobre outsourcing e grandes empresas. Normalmente, mais sobre como essas empresas recorrem a serviços externos. Mais interessante será perceber como essas mesmas empresas podem servir outras empresas (eventualmente maiores do que elas noutros países, servir as PMEs em Portugal). Um exemplo será o anúncio da Cloudpt, serviço da Portugal Telecom. Recordo-me de ter visto grande publicidade sobre ele, não me ficou na memória o comunicar a importância que o serviço pode ter para as empresas exportadoras (pode ter?). Até é possível que lá estivesse referido, mas não ficou na memória (talvez por eu não ter uma empresa exportadoras…). Mas é esse tipo de serviços que poderá vir a dar espaço para este papel de desenvolvimento da actividade económica. Exemplos similares devem ser procurados para as outras grandes empresas portuguesas: que fazem a GALP e a EDP em termos de serviços prestados que ajudem as empresas exportadoras portuguesas? Em termos de negócio rentável para ambas as partes e não em parcerias que tenham como objectivo ir buscar fundos comunitários.

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

3 thoughts on “o relatório da OCDE (4)

  1. Bom dia.

    Talvez um pouco fora deste contexto, mas, uma vez que sabe muito sobre a “nossa saúde”! (verdade).

    Gostaria de deixar aqui alguns aspectos quanto aos médicos:

    1 – não seria de já no proximo ano lectivo, de reduzir o numero de vagas em medicina ? ( licenciatura das mais dispenddioas para os nossos impostos, e pode ser mais uma para todos emigrarem)

    2 – que fazer com todos os médicos que se licenciaram no último ano lectivo e no em curso, que não terão sequer acesso ao internanto? ( ficam cvom o canudo e sem experiencia…..)

    3 – como melhor (bem) aproveitar todos os médicos que estão no fim das especialidades? (dado que teminada a licenciatura, o internato e a especialidade – se bem que nestas últimas duas etapas já são muito uteis, uma vez que já tratam doentes, como se sabe – podem não ter vagas.

    4 – como fazer que médicos mais velhos deixem o SNS quando estão em idade de o fazer se se ameça – a todos nós mécdicos ou porteiros – em acabar com reformas e pensós?

    Obrigado.

    cumprimentos

    akm

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  2. Se não houver capacidade , e não tem havido, de todos e cada “nosso” profissional da politica – governaç~es, oposições, anda so on…- em Reformar o Estado, e Reformarem-se a Si Prorios, “isto” vai rebentar!

    No caso a saúde devera ser por todos abordada como vem sendo feita pelo Pedro Pita Barros. E nas outras areas do Estado Social – Educaçao e segirança Social – tambem.

    E na Justiça,. e ,………..mas……

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  3. Pingback: perguntas e (tentativas) de resposta | Momentos económicos... e não só

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