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“Desemprego pode ser oportunidade para mudar de vida” e George Clooney

7 comentários

esta frase de Pedro Passos Coelho vai ecoar nos corredores, nos écrans e nos comentários políticos dos próximos dias, bem como a sua frase gémea, “Precisamos de compreender melhor o que está a acontecer no mercado de trabalho“. A segunda frase e o que lhe está subjacente é saudável. Claro que todos preferíamos que o Governo soubesse exactamente todos os detalhes de funcionamento do mercado de trabalho; infelizmente, ninguém os sabe, temos conhecimento em grande medida retrospectivo, e alguns princípios e regularidades. Mas é impossível que um Governo consiga conhecer e prever as decisões de milhares de empresas e milhões de trabalhadores. Reconhecer que é necessário actualizar o nosso conhecimento sobre o mercado de trabalho, sua evolução, determinantes dessa evolução, o que se está a mudar, etc…, é o primeiro passo para definir políticas apropriadas, baseadas “no que é” e não naquilo que alguns “acham que é” ou no que outros “querem que seja”.

A primeira frase, por outro lado, é mais susceptível a interpretações menos felizes. Pode ser lida de várias formas. Uma interpretação é: dado que se ficou desempregado, o melhor é usar essa situação para mudar, não baixar os braços, procurar emprego noutras áreas ou mesmo, e melhor ainda, procurar criar o seu próprio emprego.

A segunda interpretação é: dado que se quer que os portugueses mudem, arrisquem mais, sejam mais empreendedores, então vamos atirá-los para o desemprego, que é a única forma de mudarem!

As implicações destas duas interpretações são também muito diferentes. Na primeira, há o papel positivo de “business angels” e de fundos de capital de risco para ajudar ao nascimento de novas empresas e novos empregos. Como o Estado não é investidor desta natureza, deve procurar criar o contexto em que a iniciativa privada se possa desenvolver. Na segunda interpretação, basta criar desemprego, ou pelo menos não combater o desemprego.Dificilmente alguém dirá ser a favor da segunda opção, mesmo que que interiormente o seja. Mas as opções políticas permitirão distinguir se predomina a primeira ou a segunda interpretação.

A propósito destas frases, recordei-me de um filme com George Clooney, Up in the air, para relembrar aqui, e passarmos a ficar à espera do “packet”(?!).

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

7 thoughts on ““Desemprego pode ser oportunidade para mudar de vida” e George Clooney

  1. Cada vez mais isto se parece com um repetição de They Shoot Horses, Don’t They de Sydney Pollack (1969)

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  2. They Shoot Horses Don’t They?

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  3. Pedro:Se é verdade que este tema semântico divagante “tipo correio em posta restante” dá para chegar ao George Clooney, eu contraproponho uma versão mais António ilva.: isto não passa de cena do Pateo das Cantigas.Ora toma lá:))

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  4. Se o Governo não percebe o que está a acontecer no mercado de trabalho, então devia ter informado a troika da necessidade de estudos antes de avançar com as medidas do memorando.Decidir sem ter a capacidade mínima para prever as suas consequências parece-me um péssimo princípio.

    De qualquer modo, não me parece difícil perceber que o aumento do desemprego se deve à conjuntura recessiva. Por exemplo, o travão brusco colocado às obras públicas atirou muitos trabalhadores para o desemprego. Não são precisos muitos estudos para entender isto.

    Em relação às “oportunidades”, existem quando a economia está em fase de expansão e/ou temos uma destruição criadora na acepção que Schumpeter lhe deu. O problema português é que não temos nem uma coisa nem outra.

    Faz falta um estudo para perceber por que motivo não surgem empresários em Portugal. Não os empresários em nome individual que se limitam a criar o seu próprio emprego mas aqueles que partindo duma ideia e de um projecto conseguem criar empresas lucrativas, sustentáveis no longo prazo, e criam empregos para os outros. Talvez o problema não esteja nas leis laborais mas sim no enquadramento dos mercados de produtos e serviços e nas barreiras que impedem a afirmação de empresas nascentes. Ah, e nas nossas universidades.

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  5. E já agora na falta de espirito da banca e dos centros de decisão para apoiar e disponibilizar capital para as empresas industriais, agricolas e pescas.

    Éra mais fácil ( e ainda é) obter emprestimos para uma pizzaria. que para comprar máquinas.

    Éra mais fácil ( e ainda é) obter deferimento de apoios para um bar do que despachar um RIME para uma empresa industrial.

    Éra mais fácil (e ainda é) ter um seguro para ir à lua do que obter um seguro de estragos por intemperies para a agricultura

    Por isso os transacionaveis estão como estão, desde à anos!

    Nada nisto tem a ver com as leis laborais, isso é uma falácia para acobertar o que não se sabe, a menos que se queira competir com a china naquilo que ela já está a deixar de fazer, series longas, sem qualidade e muito baratas.

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