Momentos económicos… e não só

About economics in general, health economics most of the time


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descubra as 8 diferenças…

Por uns momentos fiquei baralhado.

Teria ocorrido mais uma fusão académica em Lisboa sem ter dado por isso?

Seria um episódio Twilight Zone?

Ou apenas uma versão de “descubra as 8 diferenças”?

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Isto há cada coisa…

(Nota: este ISEG está localizado em Paris)


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sou do tempo em que…

nos aviões se tinha o aviso de proibição de fumar, e não o moderno proibido usar o telemóvelIMG_2353


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debatezzzzz

é inescapável que haja um comentário sobre o debate de ontem, o problema é que há milhentos comentários sobre o debate … deixando de parte a ideia de originalidade na apreciação política, rápidas notas pessoais:

a) a dada altura já estava a contar quantas vezes Passos Coelho dizia o nome sócrates (até estava à espera de quando dizia não vou falar no nome sócrates, ooops I did it again…)

b) a dada altura já estava a antecipar que o António Costa ia olhar outra vez para mim (lá está ele a olhar para a camara directamente)

c) a dada altura, adormeci, literalmente, tenho testemunhas…

Ou seja, a primeira sensação foi de media training a mais, exageraram um pouco nisso, António Costa por vezes até parecia estar a recitar o que tinha treinado durante o dia.

Sobre conteúdo, não senti novidade em qualquer dos lados. António Costa naturalmente mais interessado em divulgar as suas propostas eleitorais. Passos Coelho basicamente a dizer que não se pode voltar à governação socialista anterior.

Houve uma área onde gostaria de ter visto mais detalhe e discussão no debate, mas provavelmente este não era o local certo: a segurança social – há aqui de facto duas propostas diferentes, e uma distinção relevante – o plafonamento que a coligação avança pretende ser uma solução para os problemas da segurança social, em termos de descontos e benefícios futuros (parece-me), enquanto o corte de contribuições proposto pelo PS pretende ser um instrumento de relançamento da economia, e como tal de natureza mais voluntária, deixando que as discrepâncias entre descontos e benefícios futuros sejam resolvidas pelo crescimento económico que argumentam seria conseguido. Por isso, as diferenças entre as duas visões são na realidade muito diferentes.

Nas várias reacções ao debate, e sobre “quem ganhou”, um exercício interessante seria confrontar a opinião do “fazedor de opinião” com o seu posicionamento na “bússola política“. No final de cada comentário deveria surgir esta informação – à primeira leitura de muitas reacções há uma associação muito grande entre quem se acha que esteve melhor no debate e o posicionamento (que pressuponho) nesta bússola política.


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Estatísticas sobre a saúde dos Portugueses, pela Direcção-Geral da Saúde

Documento disponível aqui, contendo informação sobre mortalidade, morbilidade e estilos de vida que afectam a saúde, em Portugal. Sobre os últimos dez anos, mostrando a evolução registada, numa tendência de tempo longo de melhoria.


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Estudo para a Ordem dos Médicos (3)

No estudo para a Ordem dos Médicos, baseado num inquérito às percepções dos médicos que responderam, há uma secção dedicada à prestação de cuidados, onde se apresentam as cautelas a ter (p. 13): “não ser possível perceber que motivos justificam as respostas dos médicos; (…) não se poder aferir a partir destas respostas conclusões relativas à menor autonomia da decisão médica; (…) não haver termos de comparação exatos face ao período anterior”. E a estes adiciona-se o problema de auto-selecção – se os médicos que ontem ter tido interferência no seu trabalho tiverem mais propensão a responder ao questionário, até como forma de expressar o seu desconforto ou desagrado, então as respostas não serão representativas. Sem essa análise sobre a presença de auto-selecção, é complicado fazer inferências. É como perguntar a 100 pessoas se estão satisfeitas com os últimos resultados da selecção nacional de futebol; se responderem apenas 8 e forem as únicas 8 insatisfeitas, então a conclusão é que 100% dos que respondem estão insatisfeitos. Mas são apenas 8% do total. Este exemplo mostra apenas que este aspecto de auto-selecção pode ser razoavelmente importante dado o tipo de perguntas que se faz, e por isso deveria ter sido analisado de algum modo (por exemplo, vendo se as características conhecidas dos médicos que respondem são similares às dos outros).

As conclusões obtidas, em termos de sentido, são plausíveis uma vez mais. Não se esperaria que durante este período tivessem diminuído as faltas de material, a pressão para gastar menos, etc. Mas os valores indicados não devem ser levados em conta, pois podem ou não corresponder à realidade. Voltemos à questão do desenho das perguntas – sendo de natureza qualitativa, um médico que responder que teve “falta recorrente de material” está-se a referir a quê exactamente? a todas as situações que teve? a 90%, 30%? na pergunta realizada, foi dito o que era “recorrente” (todas as vezes, muitas vezes, algumas vezes falta de material?). Também quanto à pressão para gastar menos com doentes, decorre de um ambiente geral ou há interferência com a decisão em cada doente? Sem uma noção quantitativa, é difícil ir mais longe.

Seria bom clarificar o que significa cada aspecto – por exemplo, “falta de medicamentos” na Tabela 2 – significa que não houve medicamentos para tratar os doentes nalguma situação, ou que não houve a disponibilização do medicamento preferido do médico e teve que optar por outro? são situações completamente distintas. E os valores da Tabela 2 também devem ser lidos como os anteriores casos de percepção: por exemplo, 40,7% dos médicos refere que teve pelo menos uma situação de “falta de medicamentos” que preferem usar, e não que faltaram medicamentos para 40,7% dos doentes tratados. (este último valor não se sabe qual é a partir das perguntas qualitativas que foram feitas, de acordo com a explicação apresentada no relatório).

Pelos aspectos de interpretação apontados, é difícil ver como os autores podem concluir “Este resultado corrobora a leitura a respeito do corte da despesa com medicamentos estar a criar barreiras ao acesso aos medicamentos considerados necessários”. A conclusão até pode ser verdadeira, mas não resulta de imediato da análise, sem se saber mais sobre o que foi e como foi perguntado. Por exemplo, será que se perguntou ao médico que se houve interferência no medicamento que queria usar, em quantos casos de doentes que estava a tratar isso sucedeu e se esse medicamento foi substituído por outro?

Apesar disso, e uma vez que a auto-selecção nas resposta mais natural será a de os médicos que tiveram mais restrições responderem para expressar o seu desagrado, os valores médicos globais na Tabela 1 nem surgem particularmente elevados nos aspectos de pressão para “não fazer”. Aliás, seria útil ter o número de respostas usadas em cada percentagem, pois a média global de médicos que mencionam “recusa de tratamentos inovadores” (9.9%) contrasta com os 52.5% de médicos da especialidade de urologia que referem como tendo ocorrido. Significa que haverá outras especialidades com valores muito baixos.

Seria interessante ter esta análise desdobrada por instituição – saber se a percepção dos médicos da mesma instituição mas de especialidades diferentes é a mesma ou não.

Também os valores da comparação entre tipo de instituição são plausíveis, embora seja difícil perceber  que enviesamentos poderão estar incorporados na decisão de responder ao inquérito.

O que se pode inferir então? da Tabela 2, os médicos que trabalham em PPP parecem ter mais interferência no que seriam as suas decisões de que medicamentos usar, mas em compensação as cirurgias acontecem mais vezes a tempo e horas – poderá ser visto como uma gestão mais activa nas PPP. O aspecto das cirurgias é similar nas PPP e nos hospitais privados, mas maior percentagem de médicos diz que são adiadas no sector público.

Note-se que a crer na descrição das perguntas feitas, nesta secção pergunta-se a situação em 2013 e não como evoluiu de 2011 para 2013 (“Uma das questões lançadas aos médicos disse respeito à forma como têm exercido a sua atividade nas diferentes organizações de saúde, isto é, que interferências têm sentido, se algumas, na prestação habitual de cuidados de saúde” p. 13)


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Relatório de Primavera 2015

Foi ontem divulgado o Relatório de Primavera do Observatório Português de Sistemas de Saúde (disponível aqui). Teve ampla divulgação nos meios de comunicação social (como é habitual), e reacção do Governo (aqui), como também é habitual. Segue para a lista de leituras comentadas, logo a seguir aos programas eleitorais dos partidos, e do estudo feito para a Ordem dos Médicos. O exercício de fact checking e análise crítica será certamente interessante. Sempre na esperança que possa haver mais discussão e análise do que apenas ver quem consegue aparecer mais vezes nos meios de comunicação social. Para discutir é preciso ler, pensar e confrontar com a informação disponível. Deixo a opinião sobre o Relatório da Primavera do OPSS para depois da leitura completa (basear-me apenas no press release poderá ser enganador, mas alguns dos temas foram tratados por vários posts ao longo do ano).


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uma nota de satisfação

pelo sucesso na frente científica da investigação feita em Portugal em economia. A revista cientifica International Journal of Industrial Organization (para a maior parte das pessoas calculo que perfeitamente desconhecida, mas que é bastante conceituada na sua área) atribui um prémio aos dois melhores trabalhos nela publicados em cada ano. E este ano o prémio (referente a trabalhos publicados em 2014) vai para portugueses a trabalhar em Portugal.

Os parabéns à Rosa Branca, ao Duarte Brito, ao Hélder Vasconcelos e ao Ricardo Ribeiro !

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sobre “uma década para Portugal” (17)

O capítulo de encerramento do relatório “uma década para Portugal” apresenta o cenário final, que “incorpora o impacto de todas as medidas apresentadas susceptíveis de serem quantificadas de forma relativamente fidedigna”.

É feita referência a um “instrumento analítico desenvolvido pelo grupo de trabalho”. Não custava nada ter disponibilizado esse instrumento para escrutínio. Não está detalhado como cada medida contribui para o cenário final. Não está descrito quais os objectivos e restrições contempladas. Por exemplo, uma maior produtividade no mercado de trabalho significa maiores receitas de impostos, menos despesas com subsídios de desemprego além de maior emprego e maior crescimento. Mas quanto e de que forma? e como são usadas as receitas adicionais, entram directamente para redução de dívida? E quando se baixa o IVA da restauração é possível ter efeitos fidedignos para entrarem no modelo de simulação? e como é tratada a incerteza sobre os efeitos? certamente fizeram alguma análise de sensibilidade quanto às medidas não produzirem os efeitos de crescimento esperado e apenas se traduzirem em despesa, como é que ficam as figuras nesse caso? (avaliar o risco de correr mal).

E depois há frases que me baralham, como “só com um crescimento do PIB vigoroso é possível simultaneamente criar emprego e aumentar produtividade”, tendo mais a pensar que um aumento da produtividade é que permite criar emprego e um crescimento do PIB.

E nos anexos, que são basicamente um quadro, não encontrei qualquer indicador ligado à produtividade (os custos unitários de trabalho dão cada vez uma boa caracterização dessa produtividade).

Globalmente, chega-se ao fim sem se falar de educação ou saúde, duas grandes áreas da despesa pública; não se fala do processo orçamental (quem estiver interessado, o documento Sextas da Reforma tem vários textos importantes sobre o assunto, e de como um melhor processo orçamental pode levar a uma administração pública com menos custos e mais ao serviço das necessidades da sociedade).


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sobre “uma década para Portugal” (16)

A quinta e última área de propostas do relatório é dedicada a “investimento, inovação e internacionalização das empresas portuguesas”. Nesta área há um interesse pelo papel dos centros tecnológicos, no aproveitamento dos fundos comunitários, e o habitual discurso sobre formação, qualificação e relação universidades-empresas.

Relativamente aos centros tecnológicos que foram bem sucedidos, é necessário perceber quais os factores essenciais que ditaram o seu sucesso. De outro modo, pode-se estar a criar apenas centros de custos e não de dinamização da transferência de tecnologia. É também relevante saber quanto tempo levaram essas estratégias e esses centros a produzir resultados. A pressa em ver resultados pode ser aqui má conselheira.

Em termos gerais, como os que estão no relatório, o importante será os dinheiros públicos disponíveis serem usados no que gera mais externalidades positivas ou serem usados no que gera mais conhecimento apropriáveis? no conhecimento geral ou na obtenção de patentes pelas universidades? e se há fundos públicos, como evitar que haja actividades de “rent seeking” e riscos de captura pelos “suspeitos do costume”?

Um dos nossos problemas passados foi o mau aproveitamento dos fundos estruturais e do investimento público de forma mais geral, aplicado em utilizações com pouco retorno social (ou privado).

Mais importante é encontrar novas formas de financiamento das empresas, isto é, novas formas de fazer a ligação entre quem poupa e entre quem quer investir. Numa visão mais ampla, a nossa ambição deveria ser tornar Portugal um país atractivo como lugar para qualquer empresário europeu querer iniciar um negócio (o que será também bom para os empresários portugueses). Tudo o resto, de pacotes e programas, gera apenas teias de complexidade e cumplicidade, e não garante que os fundos disponíveis são usados da forma que mais beneficia o crescimento económico, sobretudo quando os projectos que recebem esses fundos têm a sua rentabilidade privada assegurada por existir fundos públicos que neles são colocados.

Esta preocupação é comum aos vários campos de origem de propostas nesta área: “aumentar o investimento com execução extraordinária de fundos europeus”, “reforço excepcional e simplificação do crédito fiscal ao investimento (alteração no Regime Fiscal de Apoio ao Investimento e no regime contratual)”, “capitalização das empresas e desbloqueamento do financiamento aos bons projectos”, “Pacote de apoio à internacionalização: as empresas que internacionalizam reforçam-se em Portugal”, “promoção da reabilitação urbana e requalificação do património histórico”, “desenvolver a ligação universidade – empresa” para um novo patamar de inovação”, “descobrir e acelerar a inovação” e “a reforma da desburocratização para as empresas: menos tempo, pessoas e recursos dedicados à burocracia (SIMPLEX)”.

Há que aprender com os erros do passado nestas áreas, bem como com os sucessos. Saber o que funciona e o que não funciona. Quando se fala em processos de reestruturação, o fundamental não é o aspecto financeiro, e sim saber se os fundamentos da empresa justificam o esforço. Com a experiência que já existe, porque não criar um score da probabilidade de sucesso do processo e só aceitar quem tiver uma boa probabilidade de sucesso? fazer para os processos de reestruturação como os bancos fazem para a concessão de crédito?

Na definição de estratégias globais, acabar com a eterna tentação do Estado empresário, definindo programas e fundos que levem as empresas a fazerem aquilo que o Governo acha que elas devem fazer. Pelo dinheiro que lhes dê rentabilidade privada é natural que o façam, mesmo que o Governo tenha avaliado mal a rentabilidade social desses projectos. Claro que há exemplos favoráveis, como o turismo de Portugal nos últimos anos, mas será que é essa a regularidade. Teria preferido que neste campo, a discussão no relatório tivesse começado pelo que teve sucesso e não teve, antes de debitar o habitual leque de soluções.

No caso da ligação universidade – empresa, há que começar a pensar de forma diferente. Na verdade, no relatório há mais perguntas que respostas. A procura de respostas “habituais” deverá, aqui como nos outros casos, ser baseada na avaliação da experiência. Por exemplo, que resultados as várias incubadoras de empresas apresentam?

Porque não tentar uma abordagem baseada em definição de objectivos de investigação a serem alcançados, definir um problema que precise de uma inovação como resposta, e deixar que as empresas e universidades se juntem da maneira que acharem mais adequada para se candidatarem a procurarem essa inovação? Actuar pelos resultados e não pelos processos. Significa a necessidade de identificar bem o problema, e depois ter capacidade de acompanhamento dos trabalhos e dos dinheiros públicos que sejam gastos. Não tenho o modelo completo em mente, mas tentar algo de diferente parece ser crucial. E centrar a procura da inovação no que possa criar mais externalidades positivas e não gastar tantos esforços na selecção de empresas ou sectores (para uma necessidade a resposta pode até vir de um sector inesperado).

Quando cheguei às catapultas, só me lembrei de:

arene2

e o prémio da polémica da semana vai para

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lopestegui