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por onde andamos? segundo a Google – vivendo com o coronavirus (34)

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Sobre a evolução da COVID-19, tem sido crescente a preocupação com a situação na zona de Lisboa, levando até a intervenções das autoridades de saúde pública dirigidas a locais específicos para parar surtos detetados.

A pergunta que fica a pairar é saber se estes surtos são apenas a parte visível de um problema geral de menor contenção, de menor adesão às regras pretendidas de distanciamento fisico (prefiro esta expressão a distanciamento social) para evitar o contágio. Utilizando os dados disponibilizados publicamente pela Google (os Google Community Mobility Reports), é possível traçar a comparação da zona de Lisboa com o resto do país segundo seis categorias de mobilidade. Essa comparação é apresentada nos gráficos seguintes.

A mensagem principal é que Lisboa não está com maior mobilidade face a Portugal como um todo, se alguma regularidade existe é a situação de mobilidade das pessoas, medida pela Google, estar em Lisboa abaixo, mais contida, do que o país como um todo. Até na semana depois do inicio da segunda fase de desconfinamento, em que o calor convidou a ir à praia, de onde aliás houve várias reportagens, em Lisboa o aumento de mobilidade foi menor do que no global (sendo que pela primeira vez se teve a nível nacional maior circulação do que no mês antes das decisões de confinamento). Assim, não parece existir um problema geral de desconfinamento demasiado rápido em Lisboa, sendo mais um problema de surtos localizados, como tem sido reportado pelas autoridades de saúde.

Um outro aspecto interessante que se retira dos gráficos, apenas por inspecção visual, mas provavelmente sobrevive numa análise estatística mais detalhada, é o inicio da nova fase de mobilidade começou na realidade depois da Páscoa. Teve um pequeno salto depois de 4 de maio (inicio da primeira fase oficial de desconfinamento), e um segundo salto depois de 18 de maio (segunda fase oficial de desconfinamento). Ou seja, temos sido disciplinados, mas ainda assim um pouco menos do que tentamos acreditar. Felizmente, e exceptuando os surtos na zona de Lisboa, sem consequências na propagação da COVID-19.

É também curioso reparar na importância do “sair de casa” – no início das limitações de mobilidade temos uma queda rápida, e até antecipada da mobilidade relacionada com emprego, com lazer e com compras essenciais. Mas houve uma pequena compensação com mais mobilidade nas zonas residenciais. Que começa a diminuir no momento em que as outras mobilidades começam a aumentar. Também se observa facilmente que a utilização de transportes e a passagem por pontos centrais de distribuição de transportes públicas ainda está a um nível muito abaixo face ao pré-pandemia, enquanto noutros tipos de mobilidade, a segunda fase de desconfinamento já praticamente levou para uma situação perto da anterior (o bom tempo da semana de 18 de maio provavelmente teve um papel importante na mobilidade da categoria “parques e praias”.

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

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