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a PT e a concorrência

5 comentários

Como não seria difícil antecipar, depois da manifestação de interesse firme da Altice, começam a surgir outros interessados entre eles a NOS, ou melhor os seus accionistas, a dizerem-se dispostos a participar numa solução, além de fundos internacionais. Curiosamente, apenas da Vodafone não se ouviu qualquer reacção (ainda).

Dada o peso da PT no mercado nacional de telecomunicações, qualquer solução que envolva empresas que já estejam a actuar no mercado nacional irá implicar uma análise pela Anacom e pela Autoridade da Concorrência (esta última com poder decisório sobre qualquer solução que tenha natureza de concentração). O que trará para a discussão a importância da celeridade do processo para quem está a vender.

Até certo ponto há um paralelo com o que foi a venda da Espirito Santo Saúde. Num mercado com relativamente poucos operadores, soluções nacionais têm que passar mais crivos do que a entrada de uma empresa que não estivesse até agora a trabalhar em Portugal neste sector. A outra diferença é não ser uma operação em bolsa. Como já foi várias vezes referido, os activos da PT Portugal são propriedade da Oi, e a PT cotada em bolsa é accionista da Oi. Daí que o processo de venda não tenha que ser necessariamente ao melhor preço oferecido de forma transparente, podendo quem vende dar maior ou menor importância à velocidade da operação (aceitando um menor preço, ou não).

Em termos de impacto sobre o mercado nacional, a aquisição da PT pela NOS será o que obriga a maior trabalho de análise, sendo quase inevitável a venda de activos de uma eventual nova empresa, colocando-se então a questão de venda a quem (à Cabovisão?). Uma outra solução é a própria NOS desfazer-se enquanto tal, com cada um dos grandes accionistas a assumir-se como líder de um grupo de telecomunicações em Portugal, hipótese que foi levantada em alguns jornais.

Curiosamente, se a fusão que criou a NOS deu na altura espaço à PT para atacar comercialmente o mercado, com o lançamento do Meo e dos respectivos “pacotes” de produtos, e as confusões da PT com o universo Espirito Santo deram espaço para a NOS atacar comercialmente o mercado, uma reconfiguração do mercado que venha a envolver a NOS deixa espaço para uma empresa como a Vodafone ser mais activa comercialmente durante este tempo. Veremos se o será ou se não resistirá à tentação de também entrar na corrida por (alguns) activos da PT.

Pergunta que fica no ar: será que vai suceder como noutros casos, e no final são os chineses que compram tudo? (até agora não há nenhum sinal vindo de empresas chinesas, nem consta que haja interesse; seria uma mudança face aos últimos grandes negócios empresariais em Portugal).

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa

5 thoughts on “a PT e a concorrência

  1. Pedro, não vão ser os chineses, desta vez. A dona da PT precisa de dinheiro, já.
    Um VC ( Apax; Bain e ……) podem ate oferecer menos e ficar com a PT. Não tem que negociar nada. O regulador nada tem para obstar. A dona da PT não tem qualquer interesse no que acontece a empresa depois da venda. Calce os sapatos dos accionistas da Oi e a resposta surge de imediato a sua frente.

    Sobre o “Apelo……”: uma pergunta para o Pedro: tem mesmo respeito por esta proposta e pelos seus subscritores ( entenda-se : não pelas pessoas mas enquanto subscritores desta proposta) ?
    SP.

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    • Nota: a discussão sobre se Apax ou Bain são VC’s ou PE’s e’ para o caso irrelevante. Uma e outra tem por objectivo saída ate 5 anos e a estratégia sera construída para esse objectivo. Mas nada disto e’ relevante para a Oi.
      Na verdade a estratégia da PT que conheciamos , foi sempre a maximizacao dos CF para permitir que os accionistas ( os que mandavam) realizassem liquidez. Penso que hoje estamos de acordo que nunca houve outra estratégia na PT que não aquela.
      SP

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    • Caro Sérgio,
      Também acho que não surgirão chineses neste caso, lancei a pergunta mais em tom de provocação, dado que tem sido daí que tem vindo o “músculo” financeiro para as aquisições de maior volume.

      Sobre a proposta e quem subscreveu – tenho forte discordância com a proposta, como ficou óbvio, mas isso não significa que não tenha respeito no sentido de as pessoas terem legitimidade para a fazerem e a defenderem com os argumentos que acharem adequados. A preocupação subjacente à proposta é real, e partilhada por muitos. A forma de lhe responder é que está em discussão.

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  2. Certo Certo é que a rede de fibra ótica “zeinalifera” está a olhar, lá do fundo, para a solução que há-de revitalizar o famoso operador lusófono com 2 pernas.
    Desta vez parece que o Norte quererá descer ao sul total PT e Angola subir até Nós.
    A menos que a Telefónica telefone a alguém com financiamento transfronteiriço.

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  3. Bem, agora que a Isabel dos Santos lançou OPA vamos ver no que isto dá. É um bocado confuso, pq a PT SGPS não é propriamente a PT mas uma posição no CA da holding da PT e da Oi certamente pode ter alguma influencia não?

    Neste caso que é que a ANACOM pode fazer? Resta saber se a Isabel dos Santos apenas quer comprar a parte da Unitel detida pela ou se quer também a PT Portugal, que nesse caso acho que seria péssimo por razões de poder de mercado excessivo..

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