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a mesada do pai

5 comentários

As noticias referentes à quinta avaliação da troika são deprimentes. Não porque a economia esteja deprimida (e estamos realmente em recessão económica). E sim pela atitude que revela. Todos os relatos das reuniões sugerem que representantes de organizações, de parceiros sociais e de partidos politicos que o verbo mais usado tem sido “pedir”, normalmente no contexto de “alguém que representa a organização X” pede à Troika [mais dinheiros/mais tempo/ambos/flexibilização] (escolher conforme os casos).

É claramente uma atitude de pedir ao pai um aumento da mesada, prometendo que um dia nos iremos portar bem.

O que eu gostaria de ver? o assumir que a situação actual é uma responsabilidade nossa, de Portugal, e que teremos de ser nós a sair dela, de preferência com soluções que consigam reunir os esforços de todos, antes na preparação, depois na execução. Para fazer isso é necessário apresentar capacidade técnica de análise, e capacidade de execução. Duas áreas em que aparentemente temos sido parcos. Por exemplo, não se deveria admitir que o seguinte tipo de relato sobre reuniões com a troika “os partidos não avançaram com nada de concreto”. E não admitir não significa silenciar jornalistas e sim exigir que os partidos apresentem propostas concretas, que estejam quantificadas, que falem a “linguagem da troika” se é a ela que precisamos de convencer, que mostrem que as soluções são pensadas e estudadas e não atiradas ideias para o ar baseadas em três ou quatro conversas, e leitura de três ou quatro blogs. Antes da chegada da troika, os partidos tinham obrigação de colocar em cima da mesa análises técnicas de suporte das suas opiniões. Em vez de colocar a decisão na troika, através do pedido, e quem sabe até da “cunha” tão portuguesa junto das altas instâncias das instituições da troika, procurar ganhar os objectivos através da consistência técnica nos argumentos e na discussão técnica com as equipas da troika.

Será assim tão dificil?

 

 

Desconhecida's avatar

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

5 thoughts on “a mesada do pai

  1. Desconhecida's avatar

    Nem mais!
    Comentei para o lado a reacção dos parceiros sociais com a ideia de que a “troika sacudiu a água do capote”. Como qualquer credor, o que quer é que lhe paguem. Se é com estas medidas ou com outras, é mais ou menos irrelevante (apenas é preciso garantir que as medidas que Portugal escolher permitem à troika acreditar que vamos mesmo pagar).

    Por uma vez, sejamos donos do nosso destino, em vez da nossa habitual reacção de que “a culpa é deles” (“eles” é um grupo que se define pela negativa: não sei quem inclui mas eu é que não sou de certeza!).

    Um abraço,

    Gonçalo Leónidas Rocha

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  2. Francisco Velez Roxo's avatar

    Pedro:
    Á tua pergunta: Sera assim tao dificil? Respondo: E!
    Porque as famosas Elites Nacionais estao a jogar para nulos mas sem seguir as regras do King:
    – respeitar os adversários
    – jogar em silêncio
    – só jogar na sua vez
    – não comentar as jogadas dos adversários
    – “fair play” na sorte das cartas
     Que diferenca no que se esta a passar (na comunicação do conteudo das reuniões com a Troika) para a cultura do KING que é a alegria do participante que e mandante! E em que promovê-la é um dever!
    Tal como numa democracia em que a dimensão financeira supervisada esta menos em elites e mais em elotes.
    Abraco
    Francisco

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    • Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE's avatar

      E como mudamos/ melhoramos as regras do jogo?

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      • Francisco Velez Roxo's avatar

        Mudamos de jogo!!Com treinadores externos temporariamente pode mudar-se mais rápido, mas nao se muda o clubismo nacional.Somos actualmente um protectorado e a responsabilidade e nossa.A maior parte dos jogadores das equipas de futebol nacionais nenhum cá nasceu nem foi aqui formado..Os treinadores nacionais no entanto estao a recuperar bem da fase em que havia quase só treinadores estrangeiros.O paradigma ” erasmus” vai impor alguma ” morinhizacao” das capacidades e competencias nacionais.Vai ser duro mas depois do que ainda Ai vem com o OE 2013 e a possível evolucao de Espanha, vai obrigar- nos a ser mais rigoroso e comedidos.
        Tenho pena nao ver Universidades Portuguesas a acompanhar mais a ” troikada ” Volta a Portugal em etapas trimestrais.Precisamente por razoes do rigor de debate com os Troikos juizes da Volta, mais do que simples encontros, certamente por vezes mal coordenados como e da nossa tradição.
        Em final de Outubro a mesada natalícia este ano vai ser muito diferente, penso eu de que:))
        Francisco

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  3. ceu's avatar

    é tão difícil que não conseguem fazê-lo!

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