Momentos económicos… e não só

About economics in general, health economics most of the time

programa do governo – cuidados de proximidade

3 comentários

A passagem de cuidados hospitalares para cuidados de proximidade é outra linha de actuação prevista. De acordo com a experiência inglesa, com um Serviço Nacional de Saúde não muito distante do português, esta é uma evolução desejável e natural.

No entanto, e uma vez mais, os detalhes serão importantes e cruciais. Para além da retórica habitual sobre a importância da articulação entre diferentes níveis de cuidados, os mecanismos de pagamento terão que fomentar essa articulação.

O principal desafio que se coloca é a definição dos fluxos financeiros, e como estes reagem às decisões dos diversos agentes (hospitais e cuidados de proximidade). Sem acautelar essa definição, a resposta no terreno poderá ser distinta da pretendida.

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

3 thoughts on “programa do governo – cuidados de proximidade

  1. Caro Pedro
    Não me parece que, no actual contexto “O principal desafio que se coloca é a definição dos fluxos financeiros”.Porquê?
    Porque o modelo bem explicado e com evidencia clara dos processos de trabalho (onde há falhas terríveis a nível operacional) poderá evidenciar que “mais com menos dinheiro também é possível”.
    As autarquias deviam ser chamadas a intervir neste processo de uma forma menos financeira e mais de recursos que têm aos Kilos.
    FVroxo

    Gostar

    • Olá Francisco
      A razão da importância dos fluxos financeiros decorre dos interesses opostos que cada lado tem. As articulações no papel funcionam melhor se o dinheiro ajudar. Os hospitais teem interesse em transferir cedo os doentes, sobretudo se mais dias de internamento nao se traduzirem em mais receita mas apenas em mais custo. Quem recebe estes doentes prefere receber mais tarde, situações já mais estabilizadas e com menores custos previsíveis. Claro que o “papel” pode dizer que um doente é referenciado para transferência apenas quando adequado, mas isso é demasiado vago. Tens uma decisão de referenciação sem “preço” definido, ou a melhor, a preço zero. É um convite a disfuncionalidades. Porque não internalizar e serem os hospitais a pagar, talvez na margem, os cuidados que solicitam? Ou, no caso de complicações no doente, assumirem um pagamento adicional, para evitar a referenciação demasiado cedo?
      Neste sentido e que não tem a ver com ter mais custos parece-me razoável pedir que pensem bem o papel de incentivo que os fluxos de pagamento possuem. O tema é regras e não valores de pagamento.

      Não devia ter sido tão parco de palavras,

      Abraço

      Gostar

  2. Pedro
    De acordo com este esclarecimento adicional que te agradeço, fico 200% de acordo contigo e penso que o trabalho desenvolvido na ACSS é excelente para poder permitir clarificar este “magnanimo ponto” para o futuro.
    Obrigado pelo “momento pedagógico” :))
    Abraço
    Francisco

    Gostar

Deixe um momento económico para discussão...

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s