Confesso que tenho alguma admiração pelo humor inglês e pela sua capacidade engenhosa. Para a situação actual de Portugal, surgiu-me como actual, depois de rever e relembrar, um cartaz antigo, com uma história curiosa que pode ser vista aqui. Dedicado a todos os funcionários públicos, grupo a que pertenço.

Category Archives: …e não só
Londres, em trabalho
Sobre como acompanhar sistemas se saúde e o processo de reformas.
a pedido (#1)
Hoje inicio um novo tipo de posts, os que são feitos a pedido. Neste caso, via facebook, sobre a conferência sobre violência e género realizada a semana passada na Faculdade de Ciências Humanas, e organizada pelo Manuel Lisboa e sua equipa do Observatório Nacional de Violência e Género.
Estive apenas presente, por culpa de outros compromissos, na sessão 6, onde falaram:
Miguel Lorente Acosta Social changes and violence against women: the posmachism
Elza Pais Evolução das políticas públicas no combate à violência de género em Portugal
O Miguel Lorente centrou-se a sua discussão na mudança social e no sentido e significado dessa mudança social. Em particular, deu destaque às mudanças sociais que em lugar de se dirigirem à origem da violência tomam caminhos que questionam essa própria violência.
O seu ponto de partida, se percebi bem, é o de que os homens procuram manter uma posição de referência e de poder nas relações. As políticas de igualdade são vistas como como sendo contra os homens, e em lugar de se ter uma solução de adaptação ou uma solução de resistência, tem-se encontrar uma adaptação resistente, que Miguel Lorente denomina de pós-machismo, que procura manter o referencial tradicional, e a sua estratégia consiste em criticar o modelo tradicional. Não procura construir uma alternativa, apenas contrariar as políticas de igualdade de género.
Elza Pais apresentou uma visão das políticas públicas seguidas na última década, revendo os seus marcos principais (como a violência doméstica se ter tornado crime público) e como têm contribuído para que a sociedade se liberte gradualmente das tradições de desigualdade e discriminação. Referiu a importância da criação de uma consciência colectivo, bem como a relevância da igualdade de género para o próprio desenvolvimento económico, apelando ao relatório 2012 do Banco Mundial sobre o assunto.
De uma forma geral, as políticas nacionais têm acompanhado as directrizes europeias e comunitárias, e houve forte empenhamento político nas acções tomadas. As políticas encontram-se estruturadas em torno de linhas base: protecção às vitimas, punição dos agressores e estruturas de apoio.
O resultado foi um aumento das denúncias, que tem também de ser visto no contexto do alargamento do conceito de violência, para além das seguranças legais que ajudam ao reporte. Referiu ainda que a participação e colaboração das magistraturas é difícil.
Elza Pais manifestou esperança em que se possa prosseguir as políticas nesta área mesmo no actual contexto de crise. Em particular, destacou a importância de manter as campanhas que alertam para a violência no namoro.
(o Facebook da conferência: aqui)
e para variar de tema, um pouco de música
podemos baixar os braços, ou não, face às actuais dificuldades,
http://www.youtube.com/watch?v=HbfJf-4dbO4
(música original de Peter Gabriel)
e
http://www.youtube.com/watch?v=dsmAMKUIXbE
(por Christy Moore)
para além das imagens e do som, as letras são tão aplicáveis hoje como há cerca de 25 anos (quando surgiram), don’t give up e, e especialmente, ordinary men.
Nobel da Economia 2011: apostas da Northwestern University e outras
A Universidade de Northwestern faz um inquérito aos seus docentes sobre potenciais candidatos
Este ano vai à frente Jean Tirole da Univ Toulouse (e MIT). (e eles acertaram no ano passado !!)
Outra previsão de Olaf Storbeck aqui: Shiller, Easterlin, Krueger, e De Soto. Ver também aqui os resultados intercalares de um sistema de previsão criado pela Universidade de Harvard (mas entretanto suspenso por razões legais)
Um resumo destas previsões pelo Economist. Previsões mais antigas da Univ Chicago via Steven Leavitt: aqui.
Temos ainda a aposta do Pedro Lains – Banco Central Europeu, “pela sua contribuição absolutamente fundamental para a reinvenção da ciência económica, o keymanismo (ou será friednesianismo?)”
Do comentário ao meu post anterior:
Jean Tirole, Bengt Holmstrom, Oliver Hart ou / e Paul Milgrom – Microeconomia / Incentivos / Regulação; todos eles candidatos habituais e que provavelmente ganharão um Nobel um dia, coloco à frente Jean Tirole, que também escreveu bastante sobre regulação de mercados financeiros, seguido de Paul Milgrom e Oliver Hart – gosto especialmente dos avanços na teoria de contratos incompletos de Oliver Hart.
e mantenho as minhas apostas: Jordi Gali e Ken Rogoff.
Amanhã ao meio dia, saberemos. Quem quiser pode seguir o anúncio aqui.
Steve Jobs 1955 – 2011
5 de outubro de 2011
Uma das principais exportações nacionais – 30 graus e sol em Outubro.
um desabafo sobre comunicação
De vez em quando dou por mim a ler os documentos que os Governos vão publicando; não apenas o que sai no Diário da República mas também outras fontes, e de entre elas o portal do Governo. Decidi abrir um dedicado aos 100 dias do Governo de Passos Coelho, aqui. E deparei com esta frase de entrada:
“Nunca outros fizeram tanto em tão pouco tempo; porém este muito sabe a pouco, quando se conhece a dimensão dos problemas que o País enfrenta e tudo aquilo que ainda falta fazer, para colocar Portugal no caminho do crescimento económico”
e de repente senti-me cansado e desmoralizado. Esta frase ou é conclusão ou é propaganda sem substância. Se é conclusão deveria vir no final da listagem das medidas do Governo (e já agora apresentarem algures ou uma ligação ou uma descrição das medidas que “outros” fizeram no mesmo tempo).
O resto da informação contida é útil e interessante, podia ser melhorada com uns links para os diplomas legais e documentos oficiais quando existam, mas enfim, não é crítico. Se mantiverem o hábito de regularmente, digamos no final de cada trimestre, fazerem um resumo desta natureza, aumenta certamente a proximidade do cidadão ao Governo e ao que é feito, não sendo as diversas contestações que vão surgindo as únicas fontes de informação sobre o trabalho desenvolvido.
Mesmo assim, pensei que seria melhor que apenas descrevessem o que fizessem, bem como o que falta, e deixar aos leitores tirar essa conclusão de “nunca outros fizeram tanto em tão pouco tempo”, porque se os leitores não retirarem essa conclusão, então a afirmação cai na categoria da propaganda e não da conclusão.
Até pode ser que esta seja a forma certa de comunicar com a população portuguesa, e então sinto-me desanimado por não estar em sintonia.
Enfim, foi um desabafo, talvez passe com o tempo; talvez as introduções dos próximos documentos sobre medidas adoptadas sejam, a meu ver mais felizes. Sim, porque espero que haja mais documentos destes e regulares.
da imprensa de ontem
Henrique Raposo, na sua crónica no Expresso, desta vez entitulada Iliteracia Crónica, fala sobre escrita, escrita para a net e escrita para papel. E sobre a tentação de na escrita da net cedermos à tentação das palavras mais bombásticas e imediatas, do risco que é escrever para receber os “like” de popularidade. Isto a propósito do video sobre o pretenso corretor que denunciou o controlo da Goldman Sachs sobre o mundo actual (e que afinal não era o que parecia).
Como ainda não tinha cedido à pressão dos “likes” senti-me mais confortável, de qualquer modo os que recebo são de amigos e conhecidos por simpatia, mas fiquei preocupado com o que possa ter de tentação. Apesar de parecer que qualquer um pode ser jornalista, a falta de controles sobre o que é publicado é também um risco, sobretudo quando se lê e se aceita acriticamente essa leitura.
Gostava de pensar que teremos uma solução para este problema da pressa da leitura na net se traduzir cada vez mais numa versão electrónica do velho jogo de crianças “telefone estragado”. Enquanto não a descubro, vou lendo em papel :D.
depois dos emails da Nigéria com fortunas, os caçadores de autógrafos…
Hoje apeteceu-me focar no “… e não só” do título deste blog,
no meio das dezenas de emails desta manhã, um delirante pedido de autógrafo
Professor
Pedro Pita Barros
Faculdade de Economia (Faculty of Economics)
Universidade Nova de Lisboa
.
Good morning
My name is Andrzej Migdalek.
I am a collector of autographs for 20 years.
I collect autographs of famous and popular with the world of politics, culture,
science and sport from around the world.
In my collection I have over 8 thousand of the original autographs.
I kindly ask for an autograph.
An autograph would be an honor for me.
A heartfelt greeting from Polish.
Yours sincerely:
Andrzej Migdalek.
Below I’ve included your postal address:
.
Andrzej Migdalek
ul. 1000-lecia 22/6/1
41-933 Bytom
Poland
Naturalmente, este email “cheira” a problemas, até pelo inglês (google translator?) do texto, pelo que uma busca rápida revelou esta análise:
http://arnoldzwicky.wordpress.com/2011/01/16/autograph-spam/
E tenham cuidado com estas coisas 😉
