Início da manhã de trabalho. Entrar no carro, ligar o rádio, colocar na TSF, para no caminho, no trânsito maior ou menor consoante os dias, ouvir Fernando Alves, e o seu programa. Um hábito de décadas, cumprido de manhã. Por vezes, repetido ou só tido à tarde, aquando da repetição em antena. Uma vez ou outra, a procura da versão do dia no site da TSF. Reduzindo a velocidade se necessário para ouvir até ao fim.
Sexta-feira, 29 de Setembro de 2023, hábito repetido. Crónica dos “Sinais” do dia tendo como ponto de partida o livro Montevideu de Enrique Vila-Matas. Tendo como ponto de chegada o fim do programa, a saída de Fernando Alves. Até pensei que tinha ouvido mal, pelo que mais tarde fui verificar ao site da TSF, para verificar, e encontro a inesperada frase “Partilho convosco esta passagem do magnífico livro que me ocupa por estes dias, na última crónica que assino nesta rádio.”
Irei, como provavelmente muitas pessoas, sentir a falta da voz única de rádio de Fernando Alves, e dos Sinais que nos trazia, inesperados e inteligentes, com o seu questionamento, ou chamadas de atenção, sobre a nossa vida e os seus detalhes.
Com muita pena pela decisão de Fernando Alves, fica o agradecimento como ouvinte regular de mais de duas décadas dos Sinais, e a esperança que talvez não seja irreversível, e um destes dias, ao ligar o rádio por acaso, tenha novamente a companhia da voz e dos textos de Fernando Alves.
Para quem quiser ouvir a última crónica dos Sinais de Fernando Alves, aqui fica. Vale a pena, como é usual.