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sobre as medidas anunciadas,

8 comentários

há qualquer coisa no que foi dito que obriga a pensar mais e a ir buscar alguma teoria económica, usada para uma opinião, expressa no dinheirovivo.pt; essencialmente, em termos técnicos, tudo pode resultar desta medida – trabalhadores procurarem compensar a perda de rendimento (retirando por isso espaço à contratação de desempregados), ou simplesmente aceitarem a redução de salário e trabalharem menos; empresas em dificuldades com algum alívio à custa da redução dos salários dos trabalhadores, mas em que parte dessa redução é apropriada pelo estado; aumento do peso do estado na contratação de um novo trabalhador – se quiser pagar 1000 liquidos, o valor bruto a ser pago vai ser agora superior. Gostava de ver os estudos técnicos de fundamentação, incluindo as elasticidades da procura e da oferta de trabalho ao salário relevante em cada caso. Há a certeza que esta era a melhor medida possível para o objectivo pretendido (e já agora qual é ele exactamente, cumprir o valor do défice durante o programa de ajustamento?)

Por outro lado, acompanho Mira Amaral na preocupação com nada ser feito do lado da despesa pública. Será que veremos essa parte no Orçamento do Estado para 2013?

Desconhecida's avatar

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

8 thoughts on “sobre as medidas anunciadas,

  1. CSJ's avatar

    E como ficam os independentes? E os falsos recibos verdes? Há alteração nos valores a pagar à segurança social?
    Mais uma vez se apresentam medidas confusas que aparentemente criam regimes de excepção. Exactamente o contrário do que os poderes públicos deveriam fazer.

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  2. Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE's avatar

    Do comunicado feito, nada foi dito sobre esses casos, e não encontrei no site do governo qualquer esclarecimento, pelo menos por enquanto e de uma forma rápida.
    O palpite é todas as contribuições para a segurança social acabarão por ser ajustadas.
    É de esperar que depois do anúncio genérico seja dada informação de forma clara sobre todos os casos.

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  3. Vladimiro Silva's avatar

    Na mouche, Prof… infelizmente é pouco provável que haja uma fundamentação técnica objectiva e credível para o que foi anunciado hoje. Não só porque isso seria extremamente difícil de fazer, mas principalmente porque entre nós não há esse hábito. Provavelmente a fundamentação é algo do género “a troika mandou”.

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  4. Pingback: Como dar a volta ao Constitucional « Desvio Colossal

  5. Daniel Ribeiro's avatar

    Pedro,
    Admiro a tua boa fé!… que ainda admites que haja elasticiades e estudos técnicos que expliquem o inexplicável: – isto vais obviamente traduzir-se em mais diminuição da procura e a diminuição da procura não cria emprego.
    A diminuição da procura faz cair as vendas; e não é sem financiamento e com a procura a cair ainda mais do que tem caído que as empresas vão investir e que o desemprego vai dimuir. OU que a queda das receitas fiscais vai inverter e o equilibrio da finanças públicas será mais fácil ou até automático.
    Ainda vem aí o orçamento e logo se verá que despesa pública será afectada e que outras medidas serão ainda adoptadas mas não, por agora o primeiro ministro nada disse sobre profissionais independentes …
    Aguardo pelo comunicado da troika para ver se encontro alguma lógica no facto do PM ter ontem vindo dizer o que disse, porque isto, assim, é mau de mais… e é perverso!
    Como sabes, penso que seria bem melhor que se cuidasse de fazer com que a desaceleração não tivesse sido nem venha a ser tão forte, nem desta maneira.
    A menos que haja ‘petróleo no beato’… como já comentei noutro sítio. É que se não há, por mais que aumentem as exportações (oxalá), que país teremos sem mercado interno? Será um país sem gente dentro… será um país?

    Um abraço
    D

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  6. Francisco Velez Roxo's avatar

    Pedro
    Hoje no jornal i o César das Neves, da uma entrevista ” gélida e morna a maneira Neves” que foi feita antes da Comunicação do PM de ontem.
    Seria curioso ter o depoimento dele sobre a sua frase “Pelos disparates que fizemos, até estamos a pagar barato”…E saber ainda o que ele pensa da posição correcta do Mira Amaral.E desta tua dupla questao: a medida e para o objectivo deficit e ou para combater o desemprego?E como se compatibilizam se foi para ambos?
    Encaixando a tua perspectiva, com a qual concordo, ambos, Neves e Mira, situam a analise a um nivel que nunca e muito técnico mas sobretudo abrangente politicamente.Porque sao apenas entrevistas.E este e um problema.Parece que nunca ninguém quer ou sabe justificar tecnicamente decisoes tomadas.
    Sendo o tema do desemprego o mas critico e o mais incomparável no passado, a questao fiscal como foi tratada revela, no mínimo a teoria do ” a rasca” perante, parece, uma única obsessão de demonstrar aos mercados e aos ” donos da bola europeia” que fomos capazes ( há algum exito face ao que foi encontrada financeiramente e verdade).
    No entanto, quer-me parecer que este cenário foi estudado logo que o TC contrariou alguma ” esperança total sem bons alicerces “. E, mesmo estando a iser mal apresentado e no meio de varias ” embrulhadas do governo” nos últimos tempos, com alguma ” esperteza de comunicação -o momento- e um pouco o tudo ou nada de uma governação que tecnicamente tinha melhor aureola no inicio.
    E cá ficamos a espera da Troika Conclusion calcados com os ” segundos mais caros sapatos do mundo ” ( no mercado internacional).
    Abraco
    Francisco

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  7. Pedro Pinheiro's avatar

    A questão da desvalorizaçao dos salários reais para tornar as nossasempresas competitivas, foi o instrumento escolhido para financiar a descida da TSU. por outro lado, obedece a uma estratégia do nosso”timoneiro” de levar-nos para uma recessão profunda, não pense que não sabem para onde estamos a caminhar, contudo, cortando no rendimento disponível das famílias, vamos importar muito menos(menos carros,LCD,Plasmaetc), e se (sublinho) incentivarmos as exportações, torna-se possível equilibrar a balança de pagamentos, e assim, pagar juros de dívida e dívida. O facto de estarmos em recessão não significa que não tenha dinheiro para pagar, repare, que o meu rendimento pode cair para metade, contudo se eu reduzir drásticamente a minha despesa e produzir o que necessito consigo viver melhor e pagar algumas dívidas. Agora, para esta equação resultar, seria perfeito emigração em massa,sobretudo se trouxesse remessas, e outra variável decisiva, as exportações crescerem consideravelmente. Era necessário não pagar subsidios de desemprego( parece que já querem reduzir para algo insignificante, quer no tempo a atribuir, assim como nos montantes a receber), reduzir drásticamente o peso do Estado, no fundo um Estado Social Minimo, e todos os seus serviços financiados pelo o utilizador-pagador. Espero estar enganado, mas parece-me que é para este tipo de ajustamento que estamos a caminhar..
    O que efetivamente se pretende é atingir o valor do déficit acordado com a Troika. Preocupações com o emprego??? Só pode ser uma piada de mal gosto. As empresas que se sustentam no mercado interno acrescerão dificuldades, que de maneira nenhuma é compensada pelo corte na TSU. Do que vale a uma empresa com 5 trabalhadores o corte na TSU, se grande parte da sua receita vai ser diminuída em virtude da contração interna. Obrigarem-se a tornarem-se exportadoras?? E quem não conseguir?’ Só lhe resta o empobrecimento? A falência e consequentemente o desemprego. O corte da TSU, devia ser realizado só no setor transacionado, mas não a custa dos trabalhadores, mas sim à custa das diminuições das rendas das parcerias público privadas.
    Contudo, existe obstáculos a este ajustamento: Os países importadores dos nossos produtos estarem aplicarem as mesmas medidas de austeridade, fosse possível uma redução na despesa pública que compensasse a quebra na receita( o que não está a acontecer), e sobretudo os contratos ruinosos com as parcerias público privadas que nos vai consumir nos próximos anos uma boa parte das receitas.
    É um ajustamento que chamaria-lhe do tipo darwinismo social, onde os critérios da equidade, da justiça socail, são preteridos pela lei dos imunes. Era possível, todos sabemos um outro tipo de ajustamento, se a Europa fosse uns Estados Unidos da América. Krugman, no seu último livro tem os postulados desse ajustamento, sobretudo, mais humano, mais justo…

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