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Michael Porter em Lisboa, para falar sobre saúde (1)

1 Comentário

Conforme foi amplamente noticiado na imprensa, o conhecido guru da gestão, Michael Porter, deu uma conferência em Lisboa sobre o sector da saúde. Na mesma sessão, participaram também Miguel Gouveia e Farhad Riahl, mas destas apresentações trataremos depois.

O título da sessão era desde logo motivador: Redefining Portuguese Health Care.

E em grande medida, a apresentação não fugiu à questão central. Baseando-se nos seus trabalhos anteriores, Michael Porter faz realmente sugestões sobre como que princípios devem nortear a organização de um sistema de saúde, e o que deverá ser feito em Portugal para haver uma aproximação a esses princípios. Sem apresentar qualquer número ou valor, a discussão bateu-se no campo das ideias. Natural, atendendo a que a vantagem óbvia de Michael Porter não está no conhecimento dos números nacionais e sim na aplicação de novas ideias.

A intervenção de Porter esteve marcada por várias afirmações fortes do autor, nem que fosse para prender a atenção da audiência.

Desde logo na entrada, a incitação a que se mude de forma de pensar, deixando de lado os aspectos políticos da saúde, para se concentrar a atenção no criação de bons resultados para os doentes; e que desta preocupação resultará naturalmente um sistema financeiramente sustentável. Deixou claro desde início que a discussão seria sobre saúde e prestação de cuidados de saúde. E que a pretendia basear na realidade dos dia de hoje, sobretudo com o que se sabe da componente clínica.

Como primeiro comentário, deixo desde já a nota de que não houve uma definição do que é um sistema financeiramente sustentável. Aliás, as dificuldades de fazer essa definição são grandes, e na verdade não é central para os argumentos de Michael Porter. Ainda assim pareceu estar subjacente a noção de que se terá  um sistema público financeiramnete sustentável se a taxa de crescimento da despesas com cuidados de saúde por parte do sector público tender a diminuir.

Em qualquer caso, foi desde logo um bom delimitar do campo de discussão pretendido – nada sobre financiamento, tudo sobre prestação de cuidados e sua organização, e que daí advirá a solução para as necessidades de financiamento via contenção com a despesa, que não precisa de ser contenção nos resultados de saúde para os doentes.

(… continua …)

Desconhecida's avatar

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

One thought on “Michael Porter em Lisboa, para falar sobre saúde (1)

  1. Carlos's avatar

    Pedro, qualquer sistema que se preocupe mais com o doente tende também a reduzir custos (logo tende para a sustentabilidade financeira) porque o que temos hoje são sistemas que se alimentam a si mesmos (eu se tiver o azar de ter de ir ao SNS nunca mais de lá saio…, consultas de acompanhamento e pílulas para o resto da vida e descobrem sempre mais uma razão para ter de ir ao colega do lado, nem que seja por prevenção, que por sua vez nunca mais me larga…, o sistema tende a perpetuar-se a si próprio)
    O que o Porter disse é que se nos preocuparmos com o cliente (centrar no doente) em primeiro lugar, na criação de valor, então o sistema tende para a sustentabilidade financeira mas, mais importante, serve melhor o doente e de uma forma mais friendly porque pode não ser preciso estar dependente de infraestruturas pesadas.

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