As profissões de saúde são tratadas primeiro de uma forma genérica, levando a uma conclusão igualmente genérica de “A saúde necessita urgentemente de uma política para as profissões da saúde, para além da chamada gestão dos recursos humanos da saúde. A falta de uma visão a longo prazo é ponto cronicamente frágil da governação da saúde neste domínio.”
Embora advogando uma visão de longo prazo, o relatório não conseguiu ficar imune às situações de curto prazo indo atrás de uma notícia de jornal sobre contratação de médicos (que não se sabe se foi mesmo como noticiado, ou se será regularidade). Manifestar a preocupação é legitimo, mas a centralidade que foi dada a um exemplo parece-me excessiva.
Mas o relatório tem outros pontos de interesse,
a) o papel das carreiras médicas – como forma de estruturar remunerações, progressão e reconhecimento técnico da profissão
c) relação entre profissões de saúde, nomeadamente a relativa pouca utilização de enfermeiros em Portugal em comparação internacional.
Faltou a discussão sobre as admissões às escolas de medicina e abertura de escolas para diferentes profissões de saúde. Esta é uma discussão pouco pacífica, e onde se podem encontrar visões muito diversas (incluindo as de “protecção de coutadas e rendimentos” impedindo a entrada de mais profissionais nessas áreas, mas onde também podem existir argumentos válidos de capacidade formativa – ver aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).
1 \01\+00:00 Julho \01\+00:00 2012 às 09:58
Pedro
Estou cada vez mais numa de discutir papeis e competencias que estatutos e carreiras.Mas enfim, e uma longa luta que venho desenvolvendo desde há muito.A par da imperiosa obrigatoriedade de trabalho em equipa em moldes diferentes daqueles que se vêem em muitas situacoes de Organizações da Saude.
Estou em total acordo contigo que temas críticos como as admissões a medicina e a pouca utilização dos enfermeiros deveria ter merecido, desde sempre, mais atenção por parte do. OPSS.
Mas o que considero e que nada pode ser debatido sem duas balizas fundamentais: a humanização e a tecnologia nos cuidados em Saude.O resto sao diplomas e curricula.E debates sobre medidas de governo mais ou menos ditadas pelas circunstancias de curto prazo e pelas parangonas de jornais que teem de se vender.
A ver vamos se conseguimos ter antes do OE 2013 um pano de fundo mais assertivo para o debate.
Abraco de Domingo com Um Pedro a apitar a final em que no estamos:))
Francisco
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1 \01\+00:00 Julho \01\+00:00 2012 às 11:48
Bom Domingo. Efectivamente, o papel das carreiras médicas é tema que tem vindo a ser discutido ad eternum e cuja indefinição será um dos motivos que vai levar à realização da greve dos Médicos dias 11 e 12 de Julho. Creio ser necessária a clarificação das carreiras no sentido que permitam a estruturação e hierarquização por competências dos profissionais, permitindo que os mesmos tenham acesso à progressão por meritocracia.
Creio ser necessário investir mais no trabalho em equipa: a palavra equipa parece ser proferida muitas vezes em vão e sem resultados práticos especialmente a nível hospitalar e menos a nível das unidades de saúde familiares. É necessário conceptualizar novos modelos de trabalho em equipa e testá-los no terreno.
Em relação ao papel dos enfermeiros, sim, são necessários mais enfermeiros e com maior poder interventivo, mas com papeis e competências delineadas para que não se sobreponham papeis e se desperdicem recursos por duplicação de funções. Nós médicos somos avessos à mudança, mas esta tem que ser feita. No entanto, isto vai levar a que o número de profissionais médicos necessário seja menor do que o que actualmente se verifica, porque se forem atribuídas competências aos enfermeiros outrora atribuídas aos médicos, não haverá tanta necessidade destes profissionais. Tal poderá levar a médio prazo a um aumento do desemprego, tornando a profissão menos atrativa e a que haja uma redução da procura da mesma pelos jovens, a menos que estes tenham a plena consciência que entrarão num mercado de trabalho competitivo onde não haverá lugar para todos, como acontece em inúmeras profissões.
Quanto ao papel da humanização, é preemente investir tempo e recursos na melhoria deste papel, mas a título de exemplo, com propostas de redução de tempos de consulta para cada utente e com assimetrias crescentes na acessibilidade, não estarão as estruturas governantes a criar um grande contrassenso? Demasiados políticos e poucos estadistas ou talvez diminuição da acuidade visual-política (vulgo miopia)…
Bom fim de semana 🙂
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