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sobre as eleições europeias de ontem,

3 comentários

há grande expectativa sobre o que poderá mudar na política europeia; sobre isso, a minha impressão é que não haverá grandes mudanças, e menos do que se espera de Hollande; dentro do contexto internacional, teremos mais a ganhar em terminar o processo de ajustamento acordado do que jogar na incerteza do que a França poderá conseguir alterar ou não no rumo europeu, mas é assunto aberto a discussão, a minha visão no dinheirovivo.pt de hoje,

Continuar a caminhar

07/05/2012 | 02:33 | Dinheiro Vivo

Decorreram ontem eleições na Grécia e em França, com os resultados já conhecidos. Embora a França receba, em geral, mais atenção, pela dimensão e peso do país no centro das decisões europeias, as eleições gregas são bem mais importantes para o futuro de Portugal e da União Europeia, no futuro próximo.

A preocupação imediata é saber se haverá uma inversão do apoio do parlamento grego ao programa de austeridade. A questão no imediato é saber se o programa internacional de apoio se irá manter ou não, e mesmo saber se a Grécia se manterá na zona euro, ou não. Tudo dependerá do governo que se vier a formar na Grécia. Mas mesmo que os partidos “habituais” mantenham uma coligação que governe o país, parece ser clara uma forte reacção adversa traduzida pela forte votação nos partidos que abertamente se declararam contra o programa de ajustamento.

A médio prazo, as decisões em França são igualmente cruciais. O novo presidente francês pretende, segundo o seu programa eleitoral, rever a abordagem de política económica a nível europeu, focando mais em medidas de promoção do crescimento. Mas também referiu medidas na área da despesa pública e da segurança social que colocarão mais dificuldades de gestão macroeconómica em França.

Um terceiro factor de preocupação poderá vir da Alemanha, e de uma tendência para olhar para dentro face a resultados eleitorais regionais negativos, com uma menor procura de soluções à escala europeia.

Sendo certo que muito do que se passará na Europa nos próximos meses dependerá dos caminhos que os novos governos eleitos escolherem, coloca-se a questão de saber se Portugal deve, ou tem possibilidade, de mudar de política económica. Certamente que haverá apelos políticos nesse sentido.

No entanto, os factores fundamentais para a economia portuguesa não se alteraram. A necessidade de recuperar as contas públicas e a necessidade de reequilibrar as contas externas continuam presentes. A necessidade de orientar a estrutura produtiva para uma maior capacidade de exportação não se modificou. A necessidade de aumentar a produtividade por hora trabalhada permanece.

Por seu lado, os problemas da economia grega não se modificaram, e apesar do claro voto de protesto, a Grécia tem mais a ganhar com permanecer na zona euro do que sair. Também em França, o novo presidente terá que confrontar a sua plataforma eleitoral com a realidade que irá encontrar (não é certamente por acaso que depois das eleições se observa em geral uma diferença assinalável entre o prometido e o feito). Assim, provavelmente, a envolvente externa da economia portuguesa não se alterará no essencial no curto prazo.

E se as mudanças a nível da condução da União Europeia preconizadas por François Hollande se vierem a materializar, o seu efeito não será sentido no imediato, e recuperar os equilíbrios macroeconómicos em Portugal será a melhor forma de aproveitar qualquer impulso adicional à economia que venha de fora.

Devemos ter a esperança de que as mudanças políticas operadas nos nossos parceiros europeus sejam para melhor, mas não se pode esquecer que o caminho da economia portuguesa continua a ser difícil. Em linguagem técnica, manter o programa de ajustamento da economia portuguesa continua a ser estratégia dominante. Temos que continuar a caminhar para conseguir uma economia, no sector público e no sector privado, que melhore o seu desempenho.

Nova School of Business and Economics
ppbarros@fe.unl.pt

Desconhecida's avatar

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

3 thoughts on “sobre as eleições europeias de ontem,

  1. Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE's avatar

    Recebido via email:

    A propósito do teu artigo, que acabei de ler:

    1. hoje os preços das novas obrigações do tesouro gregas (após reestruturação) estavam a cotar a 21% face ao valor nominal (um desconto superior ao do PD!).

    Taxa de cupão = 2%, e yield = 22% (p = 21%) … os “mercados” não acreditam na Grécia;

    2. Mais grave, a troika não se entende na Grécia. Do último relatório do FMI na Grécia:

    “Staff argued that demand effects from the implementation of structural reforms, as well as weaker economic prospects in Europe, called for a longer adjustment period (thus also allowing a more accommodative fiscal policy in the near term). The authorities argued that prolonging the adjustment path beyond 2014 would pose risks to credibility, and given resistance from their European partners, worried that this would be seen as a lack of commitment to Stability and Growth Pact targets.”

    3. FMI e Hollande convergem!

    4. O poblema é que: (Reuters) – Greece might run out of cash by end-June if it does not have a government in place to negotiate a next aid tranche with the EU and the IMF and projected state revenues fall short, three finance ministry officials told Reuters on Monday.

    5. Concordo inteiramente com a conclusão do teu artigo: continuar a caminhar!

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  2. Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE's avatar

    Recebido via facebook:

    [1] A democracia é uma “chatice”.

    Pedro Pita Barros Ao contrário [1], é melhor ter o Hollande eleito em França do que o Monti designado em Itália; é melhor a confusão grega do que um governo tecnocrata por muitos anos. Os eleitos é que podem ter menos margem de mudança do que antecipam. Mas não devemos abdicar de representantes eleitos.

    [1] Não podíamos estar mais de acordo, estava a ser irónico. Acho é que estamos no campo experimental das ciências sociais com pouca intervenção do “indivíduo” e muita do iluminado no sentido platónico tão bem retratado pelo Karl Popper.

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  3. Jorge Bravo's avatar

    Isso, não devemos abdicar dos eleitos de e preferencia apostar naqueles que tenham ideias e não sejam apologistas dos Chicago Boys.

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