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Programa do Governo – Política do medicamento

3 comentários

O que é proposto no programa de Governo sobre política do medicamento não é uma verdadeira política do medicamento e sim uma listagem de medidas que vinham a ser defendidas pelos partidos actualmente apoiantes do Governo.

Falta, no programa do Governo, uma visão integradora do que se pretende para a área do medicamento.

Alguns dos aspectos relevantes do que é (e não é) uma política do medicamento encontram-se discutidos numa análise dos últimos dez anos da política do medicamento, disponível aqui em pdf, e aqui em versão encadernada.

Importante é a omissão de como se pretende alcançar e monitorizar a evolução da despesa pública com medicamentos, já que existe um objectivo concreto traçado pela troika e aceite pelo Governo português no memorando de entendimento: baixar a despesa pública com medicamentos para 1,25% e depois 1% do PIB, em linha com os outros países da OCDE.

Desconhecida's avatar

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

3 thoughts on “Programa do Governo – Política do medicamento

  1. Francisco Velez Roxo's avatar

    Pedro
    Num tema que não domino muito bem ficou-me da leitura e do teu “statement” sobre o programa de governo -“Importante é a omissão de como se pretende alcançar e monitorizar a evolução da despesa pública com medicamentos”..
    Se ligar este tema com o da gestão da informação em saúde, tiro sempre a mesma conclusão: “não tarada nada e estamos a falar nos “lobbies poderosos” do medicamento.
    Quando Politica é actuação.
    😦
    Abraço
    Francisco

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  2. Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE's avatar

    A gestão da informação em saúde e a monitorização do que se passa no sector do medicamento estão ligadas.

    Sobre os lobbies poderosos, tudo é lobby até certo ponto; o importante é incorporar essa característica e tê-la em atenção de forma antecipada. Isso será a actuação política.

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  3. Vladimiro Jorge Silva's avatar

    As despesas com medicamentos são um daqueles assuntos que dão água pela barba a todos os que os analisam… a acreditar no que tem sido referido na comunicação social (em http://www.jn.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1879897&page=-1, por exemplo), os objectivos da Troika para o ambulatório (“The new system should ensure a reduction in public spending on pharmaceuticals and encourage the sales of less expensive pharmaceuticals. The aim is that lower profits will contribute at least EUR 50 million to the reduction in public expense with drugs distribution”) já foram triplicados só até Maio…
    Não sei quanto é que isto representa em percentagem do PIB, mas deixo a provocação: será que ainda se pode baixar mais? Ou a Troika pede mais 50 milhões a partir de Maio e até ao fim do ano? O texto não é claro… Ou (ainda mais provocatório) será que temos margem para aumentar a despesa em mais 100 milhões?

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