Tome-se um sector com poucas empresas.
Tem poucas empresas porque existem limitações legais à entrada, pelo uso de um recurso escasso e não expansível.
Juntem-se as poucas empresas e pergunte-se o que acham de permitir a entrada de mais uma.
A resposta é que a entrada será sempre prejudicial para as que já se encontram no mercado (o que é em geral verdade).
E encontrarão argumentos para dizer que se é mau para as empresas é mau para os consumidores.
Este último passo não é em geral verdadeiro. É pela substituição de umas empresas pelas outras que o consumidor tem acesso a novas ideias, a novas visões, a novos serviços e produtos.
A tentação de limitar a entrada de concorrentes existe sempre.
O sector das emissões televisivas não é diferente dos outros. É por estas e por outras que no Memorando de Entendimento se diz que existe pouca concorrência em Portugal, em geral.
1 \01\+00:00 Julho \01\+00:00 2011 às 17:45
Isto nao é bem verdade, vejamos o exemplo dos bancos em Portugal.
A concorrencia e a entrada de novos bancos so trouxe falencias (BPN e BPP).. em parte devido a fraca supervisao da CMVM e BdPortugal.
Conclusao: a concorrencia neste sector e fraca supervisao trouxeram produtos mascarados de baixo risco quando na realidade eram de alto risco.
O consumidor bancario hoje nao esta nada tranquilo. Nao so pelas falencias, mas pelo papel da CGD em todo o processo do BCP (emprestou dinheiro para pessoas serem accionistas)
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1 \01\+00:00 Julho \01\+00:00 2011 às 18:44
Duarte,
a concorrencia e a entrada no sector bancário também trouxeram o BCP e BPI, e depois o BES via privatização, vimos desaparecer o Totta & Açores e o Pinto & SottoMayor, aparecer o Santander primeiro de raiz depois comprando o Totta, que tinha sido vendido a Champalimaud para defesa de centros de decisão nacional; agora temos o azul do Barclays. O sector bancário é um bom exemplo do que ganhamos com a abertura à entrada.
BPN e BPP são casos maus, e de falha de supervisão? Sim, mas pelo menos no caso do BPP também foi erro não fechar logo. No caso BPN podemos atender à incerteza de ter risco sistémico no momento em que houve intervenção.
No crédito à habitação a concorrência foi elevada, e muita gente tem casa hoje por esse crédito fácil (se calhar demasiado fácil desde 2000, mas há ai outras razões).
No caso das televisões com o número de canais cabo que há, com a expansão dessa oferta, com a concorrência pela atenção dos espectadores a chegar à internet (a concorrência já não é só mudar de canal, é mudar de meio de comunicação – eu próprio para estar a escrever aqui não estou a ver – potencialmente – televisão), a entrada de um novo operador só pode ajudar a procurar o que mais capta a atenção dos espectadores.
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1 \01\+00:00 Julho \01\+00:00 2011 às 22:09
No sector das emissões televisivas, a questão do impacto da entrada nas receitas de publicidade das empresas já instaladas no mercado tem sido um argumento recorrente.
Aquando da discussão sobre a eventual abertura de um novo canal de televisão em sinal aberto, o presidente da Impresa defendia que esse novo canal deveria ser gerido pelos 3 operadores já existentes (RTP, SIC e TVI). Na altura, esta sua posição era defendida com base em dois argumentos principais. Por um lado, advogava que, sobretudo numa primeira fase da transição para a televisão digital, teria de ser aproveitada a força e a experiência dos operadores já existentes. Por outro lado, era sua convicção que em caso de atribuição do novo canal de sinal aberto a um novo operador, os preços da publicidade televisiva baixariam muito significativamente, com consequências nefastas para todos os operadores (a entrada de um novo operador acarretaria um aumento do tempo de publicidade por hora de emissão de 30 para 42 minutos).
Assim, não só havia a tentação de limitar a entrada de um novo concorrente, como se propunha uma solução coordenada entre as empresas instaladas para conseguir atingir esse objectivo final.
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