A apresentação de Neil Lunt na conferência do health cluster portugal sobre turismo médico tem como ponto de chegada o tratamento do que Neil considera serem três mitos: o mito do crescimento exponencial do turismo médico; o mito de que o turismo médico é um mercado global; e o mito de a intervenção pública (governamental) poder ser útil.
Relativamente a estes três mitos, no primeiro deles, a conclusão é que não existe um crescimento exponencial, não há qualquer dado que o permita confirmar, e as expectativas de crescimento apontadas há menos de meia dúzia de anos não se concretizaram.
O segundo mito é avaliado de outra forma. Não sendo uma característica universal – nem todo o turismo médico será um mercado global, é plausível que tal ocorra para alguns tipos de cuidados. Mas alerta para que este não será um campo neutro para todos os que nele pretendem estar. Há vantagens de alguns intervenientes que poderão ser difíceis de combater (mas que por outro lado dão a esses mesmos intervenientes oportunidades mais amplas).
Quanto ao terceiro mito, remete para os mitos 1 e 2 para argumentar que não é fácil perceber qual a intervenção pública (em termos de políticas adoptadas) que é mais razoável, nem que problema justifica essa intervenção.
Tendo esta caracterização geral da intervenção do Neil Lunt, pode-se agora passar à sua discussão e às implicações que tem para Portugal.
(continua…)