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Eppur si muove (rectificado)

5 comentários

Depois dos anúncios de hoje pelo ministro das finanças, há matéria para muitos comentários, que se irão fazendo nos próximos. Houve na apresentação uma afirmação que me pareceu estranha – esperar um crescimento do emprego de 1% no mesmo ano em que o PIB (real) se reduz em 1% não é o mais natural dos resultados.

ADENDA: Segundo a sugestão do Luís A-C, não terá sido bem isto o que foi dito, e o que encontrei foi uma previsão de aumento do desemprego de 0,5% em 2013, o que já faz bastante mais sentido.

E por isso tive a curiosidade de ir ver se houve algum ano no passado recente (depois de 1984) em que tal tivesse sucedido. Basta descarregar os números do site da PORDATA (também poderia ser da AMECO, a base de dados da Comissão Europeia), e fazer um gráfico.

ADENDA: Decidi fazer um gráfico corrigido nas linhas de referência face à previsão que encontrei -1% PIB, -0,5% PIB. O ponto de cruzamento das previsões faz sentido. Pode não ser animador, mas não levanta as dúvidas que a anterior interpretação tinha (a interpretação inicial pode ser encontrada no final deste post). Ainda bem, que gosto mais quando os números fazem sentido.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(TEXTO ANTERIOR: Eu sei que as estimativas apresentadas pelo ministro das finanças se baseiam em modelos da economia de estrutura complexa, ainda assim, e sem querer falar de causalidade ou associação, pareceu-me interessante procurar ver havia algum caso em que com crescimento do PIB real abaixo de -1% se tinha ao mesmo tempo um crescimento do emprego de 1%. Se não houver, o modelo de previsão usado está a dar resultados que nunca se verificaram na economia. Pode até suceder que o modelo esteja certo, e seja o que virá a acontecer, mas não conhecer o modelo, não o poder replicar e ver os resultados, não é muito animador para aceitar a previsão – afinal é a única área do gráfico em que não houve observações nos últimos 30 anos.)

Desconhecida's avatar

Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

5 thoughts on “Eppur si muove (rectificado)

  1. LA-C's avatar

    Se ouvi correctamente, o que Gaspar disse foi que o impacto da alteração da TSU ia levar a um aumento do emprego de 1%. Ou seja, o 1% é o impacto da medida, não uma previsão para o emprego. Pelo contrário, penso que o cenário macroeconómico para 2013 prevê um desemprego de 16%.

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  2. Desconhecida's avatar

    Penso que o 1% a que o MF se referia era incremental vs. um cenário de não o fazer “ceteris paribus”. É claro que isso nos deixa no mato sem cachorro quanto à avaliação do verdadeiro impacto, mas enfim. Para mim o enigma maior vai por outro lado: para o ano vamos ter de acordo com os anúncios feitos 4,9B de consolidação adicional (necessariamente recessiva mesmo sem contar com multiplicador) ao que se soma 2,8B de rendimento disponível retirado às famílias (e sim eu sei que parte grande é devolvida às empresas mas o multiplicador de um tecido empresarial sobre endividado não é seguramente o mesmo do de uma família com um orçamento esticado) ou seja só aqui temos quase 8B (4-5%) de efeito recessivo. De onde vai sair a fada que nos leva ao -1%?

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  3. Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE's avatar

    @Luis, o que percebi da declaração é que o impacto esperado de tudo seria o aumento de 1% no emprego, e uma redução no PIB de 1%. Não explicitou sobre que valor é o acréscimo de 1% no emprego. Tomei que esse acréscimo era sobre o emprego no final deste ano. Se estiver errado rectifico. Quanto ao impacto da TSU ter um impacto de 1% no emprego, o que percebi é que o prazo de impacto não seria no próximo ano, ou já estou a baralhar?

    @anónimo, o meu entendimento é que se referia à evolução do emprego em termos globais, uma vez que estava no mesmo contexto de falar do PIB. Se eu tiver entendido de forma errada o que foi dito, o que é possível porque não revi as declarações do ministro das finanças, então quando se souber a evolução esperada do emprego podemos verificar em que ponto do gráfico se coloca a previsão. Quanto ao -1% no PIB, também me parece complicado. Mas os efeitos podem ser mais complicados. Se a consolidação orçamental se refletir em maior crédito libertado para o sector privado (porque o estado não se endivida tanto), poderá ajudar a melhorar a situação económica por esse lado. Temos demasiados efeitos e demasiado incertos para ser fácil perceber qual o resultado final.

    Vou ver ser consigo ouvir outra vez as previsões.

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  4. Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE's avatar

    Olá João :D, não sei se as questões de financiamento são de segunda ordem neste momento, e certamente será preciso mais do que isso para chegar aos -1%, não sei é o quê.
    Outro efeito de segunda ordem relevante poderá ser o crescimento da economia informal.

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