Na secção dedicada à transformação do sector da saúde surge uma referência à abordagem de Porter e Teisberg à criação de valor no sector da saúde, embora apenas lateralmente uma vez que essa perspectiva não é desenvolvida, comentada ou analisada de forma sistemática na sua aplicação a Portugal.
Em contrapartida, é dada grande atenção à literacia em saúde. Essa preocupação é perfeitamente justificada na medida em que se antevê um crescimento da utilização das tecnologias de informação e comunicação na ligação entre o cidadão e o sistema de saúde.
Para que esse “salto” qualitativo seja dado, é necessário que o cidadão tenha literacia em saúde – saiba interpretar e compreender a informação – mas também que tenha literacia informática e capacidade económica real de utilizar os instrumentos associados.
A literacia em saúde é essencial para uma correcta utilização do sistema de saúde, até porque a iliteracia se traduz na procura da tecnologia pela tecnologia, e frequentemente pela perspectiva de que o custo/preço elevado traduz necessariamente uma contribuição elevada (o que pode ou não suceder).
Mas neste campo do papel das tecnologias de informação e comunicação muito mais há para desenvolver e discutir, e ir para além dos lugares comuns de deixar de ter papel nas organizações para ser tudo digitalmente processado e da necessidade de interoperabilidade de sistemas de informação.
24 \24\+00:00 Junho \24\+00:00 2012 às 18:22
Pedro
Retomando o velho mote de Arnaldo de Matos ” educar a classe operaria” , na Saude há que educar muito tambem a classe dos profissionais da Saude com o auxilio das TICs, para se justificarem os milhoes gastos ( por vezes investidos…) e deixar-mos de falar tanto em ileteracia em Saude e falarmos mais em ileteracia de relacionamento em Saude.
E quanto ao ” menos papel” convém que o assunto nao se fique apenas por boas intenções.A realidade evidencia que da geito ter papel para justificar a ” lentidão” da resposta…mesmo falso em workflow totalcomo grande meta.
Abraco
Francisco
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24 \24\+00:00 Junho \24\+00:00 2012 às 19:44
Olá Francisco, a educação passa em parte substancial por se mostrar que pode ser um instrumento útil de funcionamento e não apenas uma forma de ser controlado, e para isso quem compra os SI deve ter em conta como pensa e como age quem os vai utilizar; e quem gere os SI deve saber colocar-se no lugar dos utilizadores; enfim, frases feitas mas que infelizmente não são levadas à prática na maior parte das vezes.
Quanto à vantagem da lentidão do papel tens que contrapor a vantagem de o sistema estar em baixo ou ter um qualquer bug, desculpas dessas sempre as haverá 🙂
abraço
Pedro
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25 \25\+00:00 Junho \25\+00:00 2012 às 21:25
Como interno de Medicina Geral e Familiar e com um interesse especial em TI, nomeadamente informática Médica, creio que devemos apesar de tudo, começar pela base da pirâmide naquilo que chamamos “ciclo de vida”. Passo a explicar: devemos investir nas crianças, nomeadamente na pré-primária e na primária com uma disciplina de estilos de vida saudáveis onde se consiga através dos vulgares TPC, manuais escolares e reuniões com os pais, influenciar de forma indirecta, usando os “petizes” como veículo de transmissão de informação, toda a família a adoptar estilos de vida saudáveis e a aumentar os seus níveis de literacia em Saúde.
Por outro lado, é importante ter agências de marketing a funcionar com as organizações de Saúde, porque queiramos, quer não, aquilo que queremos vender às pessoas é um produto, que se chama estilo de vida saudável e que queremos que seja tão “apetitoso” como um bom pacote de batatas fritas ou uma praia paradisíaca num destino qualquer. E os “lucros” que queremos obter são ganhos em Saúde da População e a correspondente redução da despesa em Saúde.
Finalmente, passando para a informação em formato TI, creio que é uma pecha importante e um nicho de mercado que poderia ser aproveitado (o programa Harvard Medical School está a dar os primeiros passos nesse sentido) pelas PME, recorrendo quer a software user friendly aplicável a smartphones, tablets, ou simples newsletters, onde fosse transmitida a informação em linguagem facilmente compreensível e tendo caras familiares do público em geral como patrocinadores.
Finalmente, é necessário melhorar os softwares de apoio à consulta de modo a permitir que, mediante o conjunto de condições clínicas de um determinado utente, os mesmos selecionem de forma inteligente qual o tipo de informação em Saúde que mais se adequasse a um determinado utente e lhe fosse entregue de forma recorrente, independentemente do meio de comunicação. Poderíamos ficar a discutir este assunto durante muito tempo, porque tem muito “mato” a desbravar e no nosso país ainda muita coisa falta a fazer, apesar das frases feitas e dos repetidos alertas. Mas água mole em pedra dura…
Em relação a criação de valor em Saúde de forma rápida: Software de informação em TI, Telemedicina, Sistemas de apoio ao diagnóstico, desenvolvimento de fármacos e exportação, especialmente novas moléculas, turismo de Saúde, recolha, reciclagem e reutilização de material hospitalar.
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