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Noticias da semana que passou

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Da semana passada, o sector da saúde continua a ser noticia, pela componente política e de políticas de saúde, mas também por evoluções que se vão conhecendo.


Destaco três noticias dos últimos sete dias que passaram relativamente despercebidas no meio do “ruído” geral do sector.

A primeira, a expansão segura da hospitalização domiciliária, em que os doentes passam a fase final do episódio de internamento hospitalar em sua casa. Do ponto de vista do abente é reconhecidamente melhor fazer a recuperação final em casa, com acompanhamento dos serviços hospitalares, pois é mais cómodo e até evita o risco de contrair infeções hospitalares. Do ponto de vista do hospital, é uma forma de ter capacidade de tratamento por internamento flexível, dado que o número de doentes que consegue ter em internamento aumenta ou diminui consoantes as necessidades e as oportunidades para a hospitalização domiciliária. Exige capacidade de organização e gestão e financeiramente é facilmente compensador para o orçamento hospitalar, e logo, para o orçamento da Unidade Local de Saúde (ULS) em que insere. É um bom exemplo de evolução dos serviços prestados pelo Serviço Nacional de Saúde, e que faz o seu caminho de forma sólida e longe dos holofotes da exposição politica (talvez também por isso tem sido um caminho seguro?).


A segunda “noticia”, que não surge enquanto tal nos meios de comunicação social, é a concretização do esperado valor muito baixo dos pagamentos em atraso das entidades do Serviço Nacional de Saúde, em Dezembro de 2024, segundo os valores divulgados pela Direção Geral do orçamento: cerca de 13 Milhões de euros, ou seja essencialmente próximos de zero. Cabe agora à gestão das ULS garantir que em 2025 o problema dos pagamentos em atraso não se volta a repetir, cabe à Direção-Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) acompanhar e fomentar as medidas de gestão que evitem o crescer dos pagamentos em atraso, cabe à Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) garantir que a DE-SNS se preocupa com o assunto e acompanha as vis nos seus esforços de gestão. Cabe ao Ministério da Saúde (Secretaria de Estado da Gestão da Saúde) assegurar e monitorizar que ACSS e DE-SNS cumprem as suas funções junto da gestão das unidades locais de saúde neste aspeto concreto (e infelizmente recorrente) da gestão do Serviço Nacional de Saúde. Daqui a um mês se verá qual o sinal transmitido pela evolução dos pagamentos em atraso.


Terceira “noticia” , a publicação pela OCDE de um trabalho de análise sobre a escolha de profissões de saúde por parte das novas gerações. São focadas as intenções de carreira dos jovens com 15 anos, o que permita antecipar o que se poderá passar daqui a uma década (e atuar entretanto, se for considerado que tal é necessário e passível de ter algum resultado). Face a 2018, há, no conjunto da OCDE, um menor interesse nas profissões de saúde (e um crescimento do interesse em profissões ligadas às tecnologias de informação e comunicado). Em Portugal, a situação é ligeiramente melhor em 2022 do que em 2018, nas intenções de carreira na área da saúde. O que poderá ser uma pressão forte é a procura externa de profissionais de saúde. Face a um menor interesse nestas profissões em paises como os Estados Unidos, o Canadá, a Bélgica, a Irlanda, a Franç.a, a Suécia e a Dinamarca, conjugada com o crescimento das necessidades, a mobilidade internacional de profissionais de saúde será provavelmente impulsionada pela procura de profissionais de saúde por parte destes países no mercado internacional (e Portugal tem ads tradicionalmente um pais de origem de profissi mais de saúde para estes fluxos de mobilidade internacional) É importante saber se o decréscimo de “treme em paises europeus se deve à COVID-19 e ao esforço que foi visivelmente feito pelos profissionais nesse periodo, e se o desinteresse é conjuntural ou estrutural (permanente). A situação reportada é similar para medicina e enfermagem. Em Portugal, é desejável saber mais, e de forma antecipada, sobre as intenções de carreira, na dupla componente de área de formação e potencial mobilidade internacional, para as profissões de saúde. O trabalho da OCDE seria mais informativo se contivesse informação e análise detalhada sobre a mobilidade internacional de profissionais de saúde e o que determina essa mesma mobilidade (que elementos de “procura”e de”oferta” têm sido relevantes e qual a sua evolução previsível na próxima década).

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Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

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