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fusões de empresas de transportes – a gestão da procura

No seguimento da discussão de ontem, hoje pretendo discutir a racionalidade da fusão das empresas de transporte urbano à luz da gestão da procura.

A outra área de ganhos das fusões será do lado da gestão da procura – uma visão integrada de todos os modos de transporte poderá trazer uma melhor estrutura de preços e uma utilização mais racional dos diferentes modos de transporte e definição das respectivas redes de cobertura.

Neste ponto, não encontrei evidência internacional que analisasse a questão. Há aqui que usar alguns princípios da teoria de regulação económica. Em particular, parece-me relevante o resultado de que uma empresa monopolista regulada por “price-cap”, isto é, tendo que respeitar um índice de preços, eventualmente com evolução temporal anunciada, em que cada preço é ponderada pelas vendas respectivas, tende a estabelecer a estrutura de preços relativos (preços de metro face a preços de autocarro, por exemplo) que o regulador também fixaria, e fá-lo de uma forma descentralizada. Há apenas que ter o cuidado de assegurar que o índice de preços não é demasiado generoso para a empresa.

Dadas as características que aparentemente existem de monopólio natural nestas actividades, a regulação acabará por ser necessária, dado que a introdução de concorrência não é vantajosa (implicará custos mais elevados). Resta, porém, saber se as obrigações de serviço universal que sejam impostas poderão anular este resultado da teoria de regulação económica.

Adicionalmente, há que considerar dois aspectos potencialmente negativos destas fusões:
a) as empresas resultantes ficam sem concorrência de outros meios de transporte, o que a prazo as poderá levar a terem maiores custos apenas por falta de pressão para serem eficientes; o contra-argumento é que não se colocam em situação pior do que serem, como são hoje, empresas públicas.
b) estas grandes empresas ficam mais refém de sindicatos, e sujeitas a que greves criam mais perturbação, por afectarem toda a empresa, do que greves parcelares por meio de transporte como é mais comum quando são empresas separadas e especializadas no seu modo de transporte.
c) não é claro que empresas de autocarros não possam ter concorrência em zonas urbanas, sendo preciso conhecer melhor a dimensão mínima requerida para o efeito.

Tudo por junto, se à partida tinha alguma desconfiança quanto a estas fusões, a existência de economias de gama / diversificação, do lado dos custos, e uma regulação apertada em termos de “price cap” poder gerar decisões adequadas em termos de gestão da procura, sugerem que se olhe com cuidado para a ideia.

Em cima destas considerações técnicas, adiciono apenas a importância de separar de vez as decisões operacionais das empresas das decisões de investimento decididas pelo Governo e impostas às empresas; talvez fosse vantajoso ter um administrador não executivo com a única missão de zelar para que a condução da empresa não seja influenciada por decisões políticas do Governo que sejam abusivas do ponto de vista empresarial.


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fusões de empresas de transportes: existe alguma vantagem?

Ainda no seguimento das notícias sobre as transformações nas empresas de transportes, nomeadamente as planeadas fusões, pareceu-me que seria demasiado ligeiro comentar sem procurar alguma informação adicional. Em particular, estava interessado em saber se já existem exemplos deste tipo de fusões, e quais os seus efeitos.

À partida, é possível pensar-se que existem dois tipos de ganhos possíveis – por um lado, uma melhor gestão da procura, dado que em qualquer caso são todas empresas de actividade regulada; por outro lado, ganhos do lado dos custos, nomeadamente economias de gama (ou diversificação), e não tanto economias de escala. A usual palavra “sinergias” serve para quase tudo, mas convém dar-lhe conteúdo.

Uma rápida procura de literatura internacional sobre este tipo de operações não revelou grande informação:

– “Potential gains from mergers in local public transport: an efficiency analysis applied to Germany”, Matthias Walter, Astrid Cullmann, 2008, consideram diferentes tipos de fusões, envolvendo autocarros, metros de superfície e eléctricos. De acordo com os resultados obtidos, existem ganhos de juntar as diferentes companhias, e parte dos ganhos está em diversificação geográfica dos mercados (o que não estará em causa em Portugal).
– “Economies of Scale and Scope in Urban Public Transport”, Matthias Walter, 2009 – coloca de algum modo em questão as conclusões do estudo anterior: “From the finding of slight diseconomies of scope we conclude that bus and rail-bound services should not be integrated on the cost side” ou seja, não encontra vantagem, de acordo com a evidência observada para a Alemanha, em integrar serviços de autocarros com serviços de transporte que usam carris (e podemos incluir aqui como aproximação o metro).
– “Economies of scale and scope in local public transportation”, Medhi Farsi, Aurelio Fetz, Massimo Filippini, 2007, analisaram diversos tipos de transporte na Suiça, cobrindo autocarros, eléctricos e metros de superfície, encontrando evidência de economias de escala e de economias de diversificação, o que favorece uma grande empresa por cidade, cobrindo as diversas áreas de transporte, como forma de obter menores custos operacionais. As estimativas mais baixas apontam para ganhos de custos, tudo o resto constante, da ordem dos 10%. Naturalmente, para extrapolar para as cidades portuguesas será preciso ver as dimensões das empresas suíças analisadas e verificar qual a posição relativa das empresas portuguesas.

Assim, olhando apenas dos lados dos custos, parece fazer sentido a junção das empresas, sendo uma bilhética comum um dos campos onde esses custos podem ser recolhidos.

(continua amanhã, com o lado da procura)


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Nobel da Economia 2011

E saiu no Nobel da Economia 2011 o trabalho em Macroeconometria, definida como medir os efeitos de políticas económicas:

– C. A. Sims, Princeton University

– T. J Sargent, New York University

Contribuição premiada – o papel das expectativas na tarefa de estabelecer relaçõs de causalidade entre medidas de política e resultados.

Estabelecer causalidade é necessário para definir as políticas de interrvenção pública. Para estabelecer causalidade é necessário conhecer as expectativas dos agentes.

 


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sobre o novo plano de transportes, no dinheirovivo

cumprindo a tradição das segundas-feiras, está aqui o texto publicado no site dinheirovivo.pt,
sobre o anúncio do novo plano estratégico de transportes, que será tratado com mais detalhes
nos próximos dias.

Como não sou especialista em economia dos transportes, as minhas observações podem esquecer aspectos relevantes, pelo que conto com o olhar atento de quem ler para comentar.


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Nobel da Economia 2011: apostas da Northwestern University e outras

A Universidade de Northwestern faz um inquérito aos seus docentes sobre potenciais candidatos

http://expertlywrapped.wordpress.com/2011/10/06/kellogg-school-and-nu-economics-faculty-predict-the-2011-nobel-economics-laureates/

Este ano vai à frente Jean Tirole da Univ Toulouse (e MIT). (e eles acertaram no ano passado !!)

Outra previsão de Olaf Storbeck aqui: Shiller, Easterlin, Krueger, e De Soto. Ver também aqui os resultados intercalares de um sistema de previsão criado pela Universidade de Harvard (mas entretanto suspenso por razões legais)

Um resumo destas previsões pelo Economist. Previsões mais antigas da Univ Chicago via Steven Leavitt: aqui.

Temos ainda a aposta do Pedro Lains – Banco Central Europeu, “pela sua contribuição absolutamente fundamental para a reinvenção da ciência económica, o keymanismo (ou será friednesianismo?)”

Do comentário ao meu post anterior:

Jean Tirole, Bengt Holmstrom, Oliver Hart ou / e Paul Milgrom – Microeconomia / Incentivos / Regulação; todos eles candidatos habituais e que provavelmente ganharão um Nobel um dia, coloco à frente Jean Tirole, que também escreveu bastante sobre regulação de mercados financeiros, seguido de Paul Milgrom e Oliver Hart – gosto especialmente dos avanços na teoria de contratos incompletos de Oliver Hart.

e mantenho as minhas apostas: Jordi Gali e Ken Rogoff.

Amanhã ao meio dia, saberemos. Quem quiser pode seguir o anúncio aqui.


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Nobel da Economia 2011: apostas

Para a semana, segunda-feira, temos o anúncio do Nobel da Economia,

previsões de acordo com as citações científicas, pela Thomson Reuters aqui

e após uma rápida busca com o google, também aqui pelo site Mostly Economics.

Dadas as circunstâncias mundiais, aposto em alguém de macroeconomia,

Jordi Gali ou Ken Rogoff

outras apostas?


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Steve Jobs 1955 – 2011

 

Fica um pouco um sentimento de orfandade, desde 1988 que sou utilizador Apple (Macintosh, iPhone, iTunes, iMac, MacBook, iBook, etc…). Obrigado Steve Jobs.

5 de outubro de 2011

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Uma das principais exportações nacionais – 30 graus e sol em Outubro.


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o que está escrito (1)

Na revisão de 1 de Setembro feita pelo FMI do progresso do cumprimento do programa de ajustamento, para além da avaliação dos técnicos do FMI consta também uma carta de intenções assinada pelo Ministro de Estado e das Finanças e pelo Governador do Banco de Portugal. Dessa carta consta:

We are preparing a new draft Competition Law, clearly separating rules on competition enforcement procedures and penal procedures and harmonized with the EU competition legal framework, which we expect to present for public consultation by end-September, and approve by end-December 2011.

A expectativa de colocar a discussão pública até 1 de Outubro a nova lei da concorrência não foi cumprida, e se é pretendido que haja de facto discussão pública antes de uma aprovação até 31 de Dezembro de 2011, a proposta de nova lei tem que ser colocada desde já em discussão. E é importante que haja uma discussão participada e informada, e não apenas discussões de bastidores, para que se sinta que é um esforço de todos que está a querer transformar a economia.

Duas questões que gostaria de ver respondidas:

a) se o Ministro de Estado e das Finanças subscreve sem reservas a carta que assinou para o FMI, porque não insta o Governo publicamente a Autoridade da Concorrência a colocar a discussão pública a nova lei de concorrência?

b) se a Autoridade da Concorrência conhece a intenção do Governo de colocar a discussão pública a nova lei da concorrência, tal como escrito em documento assinado pelo Ministro de Estado e das Finanças e publicamente disponível, porque não coloca desde já a nova lei em discussão pública?

O meu receio que alguém algures esteja à espera de um “papelinho” de outrem algures e entretanto o tempo vai passando.


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recolha de informação

Só para acompanhamento da troika, as ligações principais para os documentos que vão surgindo:

Fundo Monetário Internacional: http://www.imf.org/external/country/prt/index.htm – contém o memorando de entendimento, e as avaliações que vão sendo feitas pelo FMI, para além de outros documentos.

Comissão Europeia: http://ec.europa.eu/economy_finance/eu_borrower/portugal/index_en.htm – contém o memorando de entendimento, e as avaliações de progresso pela Comissão Europeia

ESAME – Estrutura de Acompanhamento dos Memorandos: http://www.portugal.gov.pt/pt/GC19/Governo/Esame/Pages/Esame.aspx  contém documentos (duplicados com os acima, com versões em português) e relatórios (próprios de apresentação da ESAME sobre a situação corrente).

Banco de Portugal: http://www.bportugal.pt/pt-PT/OBancoeoEurosistema/ProgramaApoioEconomicoFinanceiro/Paginas/default.aspx – ligação do Banco de Portugal, contém muitos dos documentos e links acima, útil por ter ligação a estatísticas e a declarações do Banco de Portugal.

Ministério das Finanças: http://www.min-financas.pt/ 

Quem tiver mais links úteis é mandar ou colocar na caixa de comentários, que irei disponibilizando.