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O percurso da Saúde: Portugal na Europa

Este é o título do recente livro de António Correia de Campos e Jorge Simões, que em vez de estar na prateleira está na secretária para ser lido, e proponho uma sua leitura comentada nos próximos tempos.

A introdução do livro está organizada em 27 pontos que quase parecem entradas de uma pequena enciclopédia sobre o nascimento, crescimento e futuro do Serviço Nacional de Saúde. Essas “entradas” arrumam-se em dois grandes grupos – evolução do que hoje chamamos políticas de saúde ao longo do tempo e em Portugal, e o Serviço Nacional de Saúde, nos tempos mais recentes.

O primeiro aspecto importante, que ressalta dessas “entradas” é o grau de continuidade das políticas públicas relativas à assistência na doença, e que culminou com a criação do SNS em 1979. Retomando outros escritos, mas sumariados aqui de forma clara, mais do que um marco completamente inesperado, a criação do Serviço Nacional de Saúde surge por impulso político mas de uma forma que continua de algum modo políticas anteriormente iniciadas. Interessante igualmente as notas sobre as resistências que subsistiram até em 1993 se completar o quadro legal do SNS, bem como a “entrada 14” sobre a oficialização das Misericórdias.

Para o futuro, são apenas apresentadas, nesta introdução, as preocupações com a tecnologia, seja novos produtos seja sistemas de informação, aspectos que provavelmente serão desenvolvidos adiante.

 

 


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horas extraordinárias e ideias novas para reduzir custos na saúde

As despesas com horas extraordinárias ganharam ao longo dos anos grande espaço no total das despesas com pessoal dos hospitais, e torna-se necessário pensar em novas formas de organização para controlar o seu crescimento. O método tradicional do sector público, e o SNS não fugiu a isso, é a redução de preços administrativamente decretada – redução do valor pago. Mas noutros lados procuram-se soluções diferentes – uma proposta curiosa está no trabalho – A New Paradigm to Reduce Nursing Rate Impact on Health Service Organizations (HSOs) Through Hedging, por Deisell Martinez, em que basicamente se procura contratar fora do hospital recursos humanos mas num sistema com pagamento em duas partes – uma fixa, de garantia de disponibilidade de recursos humanos (no caso, enfermeiros) caso sejam necessários, e um salário, previamente acordado, por cada hora usada quando for necessária. Este sistema basicamente cria uma bolsa de enfermeiros a que diferentes entidades podem recorrer, desde que não o façam todas ao mesmo tempo. Se os picos de necessidade são diferentes de instituição para instituição, este sistema permite organizar o trabalho, no caso de enfermagem, com menores custos do que recorrer a horas extraordinárias. Será pelo menos uma ideia a inspirar adaptação à realidade nacional, e que só é possível nas zonas geográficas onde estejam presentes várias instituições que utilizem serviços de enfermagem. É também preciso resolver pensar como é que o próprio sistema altera as decisões de gestão dentro das organizações. Mas é um ponto de partida interessante, que poderia ser explorado.