Hoje o Ministro da Saúde foi ao Parlamento; revelou números novos e apresentou confirmação do que muitos suspeitavam.
A confirmação – a situação financeira dos hospitais EPE. Face aos números divulgados, é difícil perceber como é que as propostas de redução de custos que os próprios hospitais vão fazer irão dar resposta à actual situação. Mesmo sem conhecer o que está nessas propostas, a minha sensação é que se fosse fácil e óbvio, já o tinham feito. Além de que não é claro qual o interesse da direcção do hospital em apresentar um plano credível e não apenas para resolver o problema de mostrar que está ou quer fazer alguma coisa. Por exemplo, se o não cumprimento do plano de redução de custos apresentado implicar o desemprego da direcção, os planos apresentados serão certamente mais realistas.
A surpresa: o número de utentes sem médico de família. Trata-se de um valor muito elevado, mais do que vinha a ser referido no passado. Foi referido, segundo percebi, que o valor ainda não tinha sido expurgado de situações anómalas (provavelmente duplas inscrições, óbitos, mudanças de morada, etc…). Primeiro, sendo verdade que cada vez que se fala no número de cidadãos sem médicos de família, esse argumento é sempre usado, pergunto-me porque é que os sistemas informáticos das ARS não o resolveram ainda. As pessoas não mudam de BI nem de nome facilmente, tem de existir uma forma de verificação anual das situações. Segundo, a concentração das pessoas sem médico de família é elevada e surge sobretudo em Lisboa e Vale do Tejo. Perceber porquê é o próximo passo (falta de médicos? falta de produtividade dos médicos? que faixas etárias estão abrangidas? etc…)
A “emergência financeira” não vai dar grande margem para despesas, pelo que as actuações vão ter que passar por reorganizações, e é provável que a própria redução da despesa dos hospitais e a falta de médicos de família possam ter soluções que se articulem – por exemplo, evitar que as pessoas cheguem aos hospitais e sejam tratadas nos cuidados de saúde primários, com a deslocação de actividade dos médicos hospitalares para os cuidados de saúde primários (mesmo que parcialmente). A “emergência financeira” vai obrigar a procurar soluções fora do habitual.
7 \07\+00:00 Setembro \07\+00:00 2011 às 22:57
Caro Pedro
1-Nada de novo nos números apontados a não ser que , como no deserto, uma duna estava esconder um grande camelo deitado. E o camelo levantou-se naquele gesto bem conhecido e com elevado solavanco.
Relativamente aos Hospitais, o oásis dunal (ou seria dumal?) do governo anterior desfez-se apenas em areia de praia.
Porque andou sempre a brincar com baldinhos e patinhospróximo da costa.Nem chegou a entrar no deserto
Nas Organizações Hospitais, qualquer gestor mediano sabe como dar a volta ao texto quando não é controlado milimetricamente porque está a jogar para a fotografia.Ou para a serigrafia.
Mas atenção ao tema :não é apenas a expressão financeira que interessa e que agora se revela no seu máximo pico.
Há todo um substrato para a medida da falta de dinheiro, tal como registo (electrónico de preferencia) dos actos médicos e de enfermagem de A a Z, GDHs e a sua aplicação, etc, cuja expressão quantitativa, se não tiver consolidação semanal (vá lá mensal) e for bem correlacionada com os pagamentos ACSS, nunca acontecerá no sentido da total transparência e do rigor. E depois o dinheiro lá terá que ser discutido quase dia a dia.O que houver.
2-Os Sistemas de Informação da Saúde em Portugal são uma manta de retalhos e de capelinhas de hardware e software. E serviços.
Ainda que 80 a 90% dos dados estejam disponiveis nos diferentes Hospitais, a sua consolidação em sede das ARSs deve ter muitos problemas por aquilo que me apercebo desde há alguns anos.
Os dados relativos aos cuidados primários não têm grande dificuldade e são os que me parece funcionarem mais ou menos.Agora os dos hospitais…estão com dificuldades processuais.
Como estamos em aperto pode ser que ninguém queira reiventar a roda.
A lógica multibanco seria fácil de aplicar aqui (como de resto noutras áreas de governo da coisa publica) mas inventaram-se soluções de ricos desde 2001 (quando até havia software de borla e propriedade do Estado (SONHO (hospitais) e SINUS (CS).) para dizer-mos ao mundo:temos tudo do melhor.Em infraestruturas, equipamentos,etc.E agora somos pobres com tudo do melhor em TICS (?)
A realidade é que “um barco bem pintado” mas que tenha problemas de estabilidade, pode adornar no mar.Com lindas cores.E isso parece-me é o que se evidencia nos SI da Saude por cá.Coisa que NL, DE, UK, FR,….já resolveram qb há algum tempo
3-Quanto aos Médicos de Familia, veremos.
Eu estou mais numa de equipas de saude familiar (médico e enfermeiros) com alargamento de poder de intervenção dos segundos a exemplo do que acontece em áreas especificas do NHS.
Veremos até onde vai a Troika da bata branca:))
Abraço FVRoxo
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10 \10\+00:00 Setembro \10\+00:00 2011 às 22:05
Caros Pedro Pita Barros e FV Roxo,
Sobre os Utentes sem MdF: recomendo a leitura de um artigo do JN que aborda esta questão e em que se elencam um conjunto de questões que inibem a utilização do RNU como fonte de atribuição de MdF aos Utentes do SNS. A surpresa do Pedro é justificada, mas alerto para o facto de que o que o Ministro disse foi que esse é o número que as ARS reportaram.
Sobre os SI: de facto os CSP evoluíram de forma mais integrada nos últimos 4 anos; os HH têm sido menos acompanhados/orientados pela ACSS. Isto é fundamentalmente motivado pela sistémica carência de meios, nomeadamente recursos humanos, a que obviamente não são alheias as prioridades políticas atribuídas. Porém efectivamente os hospitais têm dificuldades processuais, por enquanto, não relacionadas com as TIC, ainda…
“Coisa que NL, DE, UK, FR,….já resolveram qb há algum tempo” falta demonstrar. Apenas UK faz efectivamente um esforço notável de integração, porém após muitos biliões de libras despendidos (sabe-se lá se bem ou mal) e de várias idas do PM ao Parlamento: e não só Tony Blair mas tb já David Cameron. Quanto a FR convenhamos que os hospitais não “falam” uns com os outros; e os CSP são tão privatizados que nem podem ser comparáveis ao burgo nacional. O resto carece de evidências claras fora dos fora mais ou menos mediatizados com objectivos mais ou menos politizados e UE-izados,,,
Mas apesar da crise muito se pode fazer no contexto actual: o driver da troika não é milagreiro mas oferece a possibilidade de dar impulsos realmente importantes no SIS (Sistema de Informação da Saúde). Assim o Governo tenha “o engenho e arte” para concretizar as iniciativas em curso e as que vierem a ser identificadas.
Abraço,
Fernando Mota
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10 \10\+00:00 Setembro \10\+00:00 2011 às 22:53
Por lapso não mencionei o artigo do JN em questão. Foi publicado em 20 de Agosto com o tÍtulo “Erro de 1 milhão no relatório sobre utentes sem médico de família” assinado por Alfredo Maia e Ivete Carneiro.
FM
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11 \11\+00:00 Setembro \11\+00:00 2011 às 00:00
Caro Fernando Mota,
Obrigado pelo seu contributo, sobre os números, houve ainda mais uma noticia:
Ministro fala em 1,7 milhões de utentes sem médico mas admite que possam ser menos
2011-09-07
O ministro da Saúde, Paulo Macedo, afirmou esta quarta-feira no Parlamento que existem cerca de 1,7 milhões de pessoas sem médico de família em Portugal.
O número resulta de um levantamento feito pelas cinco Administrações Regionais de Saúde. Mas, segundo o próprio titular da pasta admitiu, precisa de ser expurgado, pois inclui utentes já mortos ou inscritos em duplicado.
Mesmo desconhecendo a dimensão dos portugueses que não têm clínico atribuído, Paulo Macedo comprometeu-se a dar um médico de família a cada português.
Um relatório recente da Administração Central do Sistema de Saúde também sustentava que no final de 2010 ainda havia 1,5 milhões de utentes sem médico de família, contrariando a anterior ministra da Saúde, que falava em 500 mil. Mas, tal como noticiou o JN, este último parece ser o número mais próximo da realidade.
Em primeiro lugar, há mais de 11,4 milhões de utentes inscritos, quando a população residente no Continente é de pouco mais de dez milhões. Em segundo lugar, o número de inscritos com médico atribuído ou sem médico por opção própria era de 9.517.837, em 31 de Dezembro de 2010 (os dados do Algarve são de 2009).
Ora, se considerarmos que a população residente é de 10.041.813 pessoas, conclui-se que afinal há 523.976 sem médico de família.
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1981232
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11 \11\+00:00 Setembro \11\+00:00 2011 às 09:36
Caro Fernando Mota
Obrigado pelo seu esclarecimento.Mas permita-me 4 comentários adicionais ao meu comentário:
1-Portugal em SIs é sempre um must mas quase sempre em Compras de Hardware e Software. Sempre no top das Modernices e das Clouds. Veja-se o exemplo dos Erps e dos CRMs em numero de licenças vendidas entre empresas e AP.
Quando há uns anos (1996-2005) fui presidente da ANETIE tive a primeira validação económica nacional do bem e do mal que era a importancia dos SIs.Do Bem porque permitiam saltos importantes a nivel de gestão de dados e de alguma informação.Do Mal porque as vendas e compras de H e S normalmente não eram orientadas por claras estratégias de negócio, mas sim por “temos que ter”.
2-Na AP e indo mais atrás, empresas como a desaparecida Sperry eram famosas porque conseguiam vender muito .Perguntava sempre: e que melhorias performance vão conseguir? Vender é vender e Comprar é comprar.E funcionar com resultados?…poucas respostas tinha com fundamento,Muitos “agora é que é”.
Passando a pente fino os resultados alcançados no seculo XXI com Kilos de TICs e Tiques de SIs, que ficou? Muita coisa mas pouca integração de milhares e milhares de soluções, de milhares e milhares de horas e horas de programação e programadores, empresas e empresecas (algumas com muitos Profs Universitários e Amigos a “viver à conta do Estado” para além dos seus tachinhos de vinculo permanente à coisa Publica),mas a não termos em termos de “satisfação de Clientes e Colaboradores”, Resultados visiveis e bem sustentados.E já nem falo dos “numeros” de investimento e manutenção que são sempre um Mistério.
3-Quer queiremos quer não, só o SFinanceiro em Portugal (a nivel macro sector e micro, Empresa a Empresa) e por força de uma conjuntura especial nos anos 90 deu um grande salto em frente na Coordenação e Segurança de Informação, na usabilidade dos Sis via multibanco. Desde 1985.
Na AP salvou-nos a Santa Internet em termos de Simplex.E algumas melhorias de controle de processos administrativos.
4- Na Saude e do que tenho analisado internacionalmente, da documentação disponivel (milhares de artigos, relatórios,, etc) e dos muitos depoimentos de quem tem vivido essas experiencias, (mesmo sabendo-se que AP é por todo o lado, um Mundo sem Liderança Empresarial porque, porque, porque, etc… ) há um dado claro: fez-se muita coisa mas sobretudo a integraçao entre Informática Clinica e Informatica de Gestão, anda muitas vezes a divagar em novas coisas (como é o caso da BI e do KM) mas não acerta o “pão com manteiga” como aconteceu e acontece com o SFinaceiro utilizando a SIBS. Porque se calhar não convem. E outos SSaude internacionais já têm
No caso da Saude como está em causa o “dinheirinho vivo” dos nossos impostos é pena que muita coisa “seja de morte” dos Hardware e Software e…da transparencia/responsabilização de quem levou isto ao desespero de
, por exemplo, num País minusculo, haver hospitais que não consolidam em sede de ARSs os seu dados semanalmente.
Problemas de liderança? Não me parece….Problemas de comunicação? Normalmente é uma boa desculpa…. Problemas de Bom Senso e Trabalho em equipa Sim.E de restrições de dinheiro como agora temos, também.
Aposto em melhorias.E menos reuniões e grupos de trabalho.Esforços não são resultados.
Abraç
FVRoxo
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