A reorganização da rede hospitalar recebe também menção no programa do governo, acompanhada das buzzwords habituais neste tipo de contexto. Contudo, há que ser bastante mais concreto:
-que princípios vão ser usados para definir concentrações e encerramentos?
-que processo vai ser seguido?
– como se define maior equidade territorial e como se mede o grau actual da inequidade territorial (para saber onde está o problema que se pretende corrigir)?
– que mecanismos de avaliação de desempenho são estabelecidos e com que consequências?
Há que ter em atenção a experiência recente, desde 2002 com o processo de criação dos hospitais SA (depois EPE). Qualquer processo de reorganização hospitalar, mesmo que contenha na base uma forte racionalidade técnicas, acaba por ter uma componente de processo político bastante importante e o necessitar de ser organizada desde o início em termos de comunicação e actuação política.
Dito isto, não deixa de ser surpreendente que não tenha vertido para o programa do governo o conjunto de intervenções, calendarizadas, previstas no Memorando de Entendimento com a Troika.
5 \05\+00:00 Julho \05\+00:00 2011 às 09:52
Pedro
O tema dos Hospitais é como a história do Pedro salvo seja) e o Lobo.:))E como não há Troika sem senão…esperemos que os lobos não comam o Pedro.
Vai ser o tema mais duro por razões de “história Politica”.Mas só no litoral…
E se fosse transparente, para além do balanço e demonstração de resultados para fisco, auditorias, inspecções,… ver, que cada grande centro hospitalar tem neste momento, face a fechos e aberturas, uma previsão de eficiência social que deve ser pedagogicamente bem explicada? Não direi à maneira anglosaxónica mas pelo menos à maneira “troikitica”?
Neste momento aposto mais em Quick Wins que em grandes palneamentos meu caro Pedro.O que não quer dizer ausencia de estratégia….
Abraço
FVRoxo
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5 \05\+00:00 Julho \05\+00:00 2011 às 09:55
Planeamentos e não “palneamentos”:))
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5 \05\+00:00 Julho \05\+00:00 2011 às 10:03
Neste caso, o que se espera é que os lobos não comam o Paulo !!
Quick wins é perigoso se for apenas “chutar” problemas para a frente; digamos quick wins com holofotes ligados – a transparência que referes, que transformo em publicitação.
Quick wins tem outra vantagem – permite discutir caso a caso, em lugar de uma grande manta de planeamento central, facilmente bloqueável – mas mesmo para esses quick wins é importante saber quais os objectivos e princípios. Esta minha insistência decorre da sensação de “cortina de fumo” que sinto quando vejo as “palavras do costume” serem alinhadas no discurso.
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5 \05\+00:00 Julho \05\+00:00 2011 às 11:31
espera-se de facto que nao sejam mais banalidades e palavrinhas da Economia da Saude num discurso Politico.
Concordo com a analise das quick wins, é preciso nao empurrar os problemas de fundo para a frente,.. mas algo de muito poderoso tem que ser feito.
Isto é poderoso:
E se fosse transparente, para além do balanço e demonstração de resultados para fisco, auditorias, inspecções,…
Ja alguma decisao de fundo nos ultimos 10 anos foi tomada assim com auditorias e inspecçoes e fisco ?
Nao creio, ha muita cortina de fumo no Litoral
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5 \05\+00:00 Julho \05\+00:00 2011 às 11:39
Ja houve analises economicas ao funcionamento de um hospital ?
– analise de preços de custos e evoluçao temporal
– custos com pessoal face aos custos totais de 1 hospital e sua evoluçao
– o que interessa sub-contratar ou melhorar num serviço/hospital
– analises de servicos como centros de custos e autonomia nas compras de cada serviço ao seus fornecedores
– publicitar custos de cada serviço para ver qual o serviço que compra melhor
– custos com os Conselhos de Administraçao e Assessores
– analises SWOT aos hospitais em raios de 50-70 kms
A Saude é um bem, mas os hospitais há muito que tem nos seus C.A. autocarros de gentes… sem qualquer beneficio para o utente, ou sem que isso tenha reflexos.
Isto deverá ter interesse na analise!
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5 \05\+00:00 Julho \05\+00:00 2011 às 16:21
Quem nos dera que as análises económicas fossem feitas com a racionalidade expressa pelo Duarte Nuno! Temo que os “históricos” e os tubarões se imponham, contrariando tudo o que faz sentido.
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5 \05\+00:00 Julho \05\+00:00 2011 às 16:49
O conceito de rede hospitalar é muito antigo em Portugal. Em 1946, a Lei 2011 definia um sistema hospitalar regionalizado, baseado em princípios de hierarquia técnica, complementaridade de valências e coordenação de actividades.
Nessa rede assumiam particular importância a interacção entre os diversos hospitais e os fluxos de doentes, quer os de natureza centrípeta, quer os de natureza centrífuga.
Nunca fomos capazes de operacionalizar a lei.
O PNS 2004-2010 definia como orientações estratégicas e intervenções necessárias:
“Reestruturar os cuidados hospitalares.
Definir-se-á um mapa de distribuição dos hospitais que permita identificar uma rede hospitalar e a sua interacção, numa lógica de funcionalidade, de garantia de competência e de capacidade, com reforço da articulação inter-hospitalar.
Definir-se-ão critérios objectivos para a existência das unidades. Não se devem criar unidades, expandir hospitais ou criar outras unidades de saúde sem haver uma justificação concreta e mensurável.
Será feita a avaliação das unidades hospitalares existentes, de forma a adequar a oferta de serviços à procura e à capacidade instalada.
Irão ser criados centros de excelência, com condições adequadas para o desenvolvimento de técnicas inovadoras, escudados em redes de referenciação, como forma de “escoamento” de doentes.
As estruturas hospitalares já existentes serão readaptadas, mediante o recurso a iniciativas similares a Parcerias Público-Privadas.
Definir-se-á mais claramente o papel de cada hospital ao nível dos cuidados a prestar (mais intensivos e menos intensivos, universitários e de retaguarda) e dotação dos meios humanos, técnicos e financeiros adequados ao cumprimento das suas funções e a uma eficaz articulação em rede.”
Ressalvando o antepenúltimo parágrafo, ditado pelo progresso técnico e o penúltimo, cujo significado escapa ao meu entendimento, diria que tudo o resto estava previsto na Lei 2011.
A realidade em Portugal fica tão longe da Norma!
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5 \05\+00:00 Julho \05\+00:00 2011 às 20:06
SG sabe porque nao ha analises destas, porque ha sempre guerras nos C.A dos hospitais entre quem manda, um economista ou um medico…e claro porque é sempre melhor ter um Portugal todo atascado em divida, a Saude e o dogma SNS, tem sobrevivido…
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9 \09\+00:00 Julho \09\+00:00 2011 às 15:28
A leitura dos comentários de todos, deixa-me duas grandes questões e as de sempre:
1-Fotografia do que há e com transparência do quanto custa quanto vale existe? Da leitura dos trabalhos do novo Plano da Saude parece-me existe mas não muito quantificado como seria simples e lógico em especial para efeitos comparativos entre as realidades dos 3 grandes “aglomerados de doenças e doentes.Porto, Coimbra e Lisboa) e as realidades dos 5 médios centros (Braga/Guimarães, Viseu, Santarém, Évora e Faro). Porque o resto é o que era e será (com melhorias operacionais e controlo de desempenho ajustado às realidades sociais em particular demográficas)
2-.Operacionalização das leis-Como muito bem refere Meneses Cordeiro é sempre a mesma história: “leis para que vos quero”? e a resposta é sempre a mesma:Para provocar a actuação dos juristas:))
Esperemos que o “Paulo e o Lobo” permita uma história diferente no futuro.:)
Abraço
Francisco
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