Momentos económicos… e não só

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a mesada do pai

As noticias referentes à quinta avaliação da troika são deprimentes. Não porque a economia esteja deprimida (e estamos realmente em recessão económica). E sim pela atitude que revela. Todos os relatos das reuniões sugerem que representantes de organizações, de parceiros sociais e de partidos politicos que o verbo mais usado tem sido “pedir”, normalmente no contexto de “alguém que representa a organização X” pede à Troika [mais dinheiros/mais tempo/ambos/flexibilização] (escolher conforme os casos).

É claramente uma atitude de pedir ao pai um aumento da mesada, prometendo que um dia nos iremos portar bem.

O que eu gostaria de ver? o assumir que a situação actual é uma responsabilidade nossa, de Portugal, e que teremos de ser nós a sair dela, de preferência com soluções que consigam reunir os esforços de todos, antes na preparação, depois na execução. Para fazer isso é necessário apresentar capacidade técnica de análise, e capacidade de execução. Duas áreas em que aparentemente temos sido parcos. Por exemplo, não se deveria admitir que o seguinte tipo de relato sobre reuniões com a troika “os partidos não avançaram com nada de concreto”. E não admitir não significa silenciar jornalistas e sim exigir que os partidos apresentem propostas concretas, que estejam quantificadas, que falem a “linguagem da troika” se é a ela que precisamos de convencer, que mostrem que as soluções são pensadas e estudadas e não atiradas ideias para o ar baseadas em três ou quatro conversas, e leitura de três ou quatro blogs. Antes da chegada da troika, os partidos tinham obrigação de colocar em cima da mesa análises técnicas de suporte das suas opiniões. Em vez de colocar a decisão na troika, através do pedido, e quem sabe até da “cunha” tão portuguesa junto das altas instâncias das instituições da troika, procurar ganhar os objectivos através da consistência técnica nos argumentos e na discussão técnica com as equipas da troika.

Será assim tão dificil?

 

 


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despesas com medicamentos

saiu recentemente mais um relatório do infarmed sobre despesas com medicamentos, que permite a actualização da sua evolução e aproximação ao objectivo estabelecido no memorando de entendimento. Os valores anualizados de forma a que cada mês tenha a informação do ano que termina nesse mesmo mês estão na figura seguinte.

Daqui se observa que se a despesa em ambulatório poderá ver o seu objectivo alcançado, já a despesa com medicamentos dificilmente irá cumprir. Os objectivos são os estabelecidos no protocolo entre o Governo e a Indústria Farmacêutica para cumprimento dos valores com o que o Governo se comprometeu no Memorando de Entendimento.

Se o acordo entre o Governo e a APIFARMA for cumprido, nominalmente será garantido o objectivo da troika para a despesa pública com medicamentos. Mas fica a preocupação com 2013, e o cumprimento do objectivo desse ano, bem como a preocupação com a dinâmica de despesa, que não é alterada pela existência de protocolos.


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no dinheirovivo.pt de hoje

sobre o que será o sucesso ou o falhanço central do Ministério das Finanças neste ano de 2012, aqui. Não coloco o défice público como o elemento central. Claro que falhar as metas do défice são um falhanço, como cumprir seria um sucesso. Só que há um aspecto mais crucial – algo duramente criticado em documento de agosto 2011:  ter mecanismos que controlem a capacidade dos organismos públicos criarem despesa. Essa foi uma meta a que este Governo se comprometeu, e em que depende essencialmente de si (ao contrário do défice, que tem vários aspectos externos a influenciar, como se tem discutido, a recolha de impostos e as prestações sociais).