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2 comentários

 

(Des)emprego jovem

05/03/2012 | 15:27 | Dinheiro Vivo

 

Os últimos números sobre as taxas de desemprego em Portugal reforçaram a preocupação em particular com o desemprego jovem. Foi mesmo anunciado um novo programa de apoio ao emprego de jovens. É certamente bem vindo, mas a questão é se será suficiente.

Para fazer uma correcta apreciação do novo programa, será necessário conhecê-lo em detalhe, e saber se consegue ir mais além do que apenas subsidiar quem empregar jovens.

Um aspecto crucial a observar é se é um programa centrado no posto de trabalho, e logo nas empresas, ou se é centrado no jovem desempregado, e na sua capacidade de encontrar emprego (ou de criar emprego).

A distinção entre as duas abordagens não é irrelevante. Políticas de apoio ao emprego jovem baseadas no posto de trabalho, isto é, pagando parte dos custos das empresas fazem com que estas redireccionem as suas políticas de contratação para os jovens, mas numa perspectiva de curto prazo. É facilmente reconhecível o incentivo para haja uma grande rotação de trabalhadores por parte das empresas. Parece haver preocupação com este aspecto, mas será de antecipar como é que as empresas procurarão maximizar o montante de subsídio que recebem desta forma, sem cuidar necessariamente de garantir emprego futuro aos jovens que entrem nestes programas. Seria, neste campo, interessante experimentar com condições adicionais. Por exemplo, caso um jovem contratado ao abrigo deste programa viesse mais tarde a ser desempregado de longa duração, então o subsídio recebido pelo seu último empregador teria de ser devolvido (em parte ou totalmente). Uma pequena condição destas seria o suficiente para fazer com que o empregador que beneficia de um subsídio para empregar jovens terá o interesse em ou manter o posto de emprego ou preparar o jovem para conseguir outro posto de trabalho (caso em que a responsabilidade do empregador quanto a ter que devolver parte do subsídio terminaria).

Antecipo a objecção de que esta proposta faria muitos empregadores desistirem de participar no novo sistema. Mas na verdade se não quiserem participar então é porque a sua motivação é realmente receber um subsídio, nada mais. Caso em que estes apoios nada resolvem a prazo.

Dito de outro modo, o sistema de apoio deve garantir não só que as empresas têm incentivo a contratar jovens, como têm incentivo a que depois de terminado o período de tempo na empresa que é subsidiado haja empregabilidade de quem contrataram ao abrigo do programa, seja na sua empresa ou noutra.

Naturalmente, que esta ideia terá de ser aperfeiçoada e procurados os seus pontos fracos, mas creio merecer atenção pela intenção de fazer com que a própria empresa se preocupe com o futuro dos jovens que emprega, e não apenas com o montante de subsídio que entra com a elevada rotatividade dos jovens.

Se adicionalmente, se colocar a atenção no jovem e na sua procura de emprego, e não no posto de trabalho, fará sentido pensar em acções complementares ao subsídio.

Um dos elementos de conhecimento que se ganhou de muitos estudos sobre o mercado de trabalho foi a importância de as pessoas não ficarem demasiado tempo demasiado longe do que aí se passa. O desemprego de longa duração nos jovens é então especialmente preocupante.

Para manter a motivação e o interesse em procurar postos de trabalho, em lugar dos tradicionais cursos de formação, apostar em formação e reforço de competências base genéricas poderá fazer mais sentido do que tentar “treinar” para uma profissão específica. Por exemplo, apostar no desenvolvimento das chamadas “soft skills”: capacidade de comunicação oral e escrita, capacidade de desenvolver trabalho de forma autónoma, disciplina e brio profissional, entre outras. Mas também reforçar ou refrescar conhecimentos de línguas estrangeiras (inglês e espanhol à cabeça) e de matemática, por exemplo, mas numa perspectiva de ferramentas úteis e usadas no local de trabalho. Quase que uma simulação de situação de emprego.

A participação em actividades de voluntariado poderão ser parte desta actuação mais centrada na capacidade do jovem desenvolver a sua empregabilidade.

Vale a pena ir rever, publicitar e discutir o que outros países andam a pensar e fazer neste campo antes de tomar decisões definitivas.

Só com um programa diferente do habitual se conseguirá resultados diferentes dos habituais.

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Autor: Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE

Professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

2 thoughts on “no dinheirovivo.pt de hoje, para ajudar à discussão de ideias

  1. ceu's avatar

    eu adicionava o alemão às línguas estrangeiras…

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  2. Pedro Pita Barros, professor na Nova SBE's avatar

    Alemão como opção, ao nível do norueguês 🙂

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