Momentos económicos… e não só

About economics in general, health economics most of the time


Deixe um comentário

The Economic Adjustment Program for Portugal – Second Review (parte 3)

No sumário executivo, a Comissão Europeia deixa um alerta importante: ” o sucesso do programa depende crucialmente da implementação de um vasto leque de reformas estruturais que removam rigidezes e estrangulamentos que estiveram por detrás de uma década de estagnação da economia”.

Esta preocupação deve ser lida em conjunto com a “democratização” da economia anunciada pelo Primeiro-Ministro – o que significa exactamente? como já tenho referido noutras ocasiões, é necessário que o Estado deixe de estar tão presente nas decisões empresariais, directamente ou indirectamente. Hoje em dia qualquer decisão de investimento ou de produção com relevância em Portugal interage com o Estado / Governo – seja porque precisa de autorização, seja porque o Estado / Governo quer ter uma palavra a dizer, quer porque o projecto empresarial procura algum apoio de programas especiais (leia-se subsídios) ou benefícios fiscais.

Poderá fazer sentido algum repensar dos limites da intervenção formal, directa, do Estado nas actividades económicas, até mesmo redefinir que serviços e actividades são desenvolvidas pelo Estado, mas bastante mais relevante para eliminar estrangulamentos e “democratizar” a economia será reduzir a presença tutelar, directa e indirecta, do Estado em muitas actividades e sectores. Esta segunda parte é mais complexa e mais difícil de fazer porque afecta directamente as rendas económicas de quem beneficia dessa presença tutelar do Estado / Governo.


Deixe um comentário

http://novatv.unl.pt/webcasting/

A sessão de debate sobre as propostas de reforma hospitalar, aberta ao público, será retransmitida em direto em novatv.unl.pt/webcasting/
Quinta-feira, dia 5 de Janeiro, a partir das 10h30
Programa:
A mesa redonda NOVA SAÚDE conta com a presença de:
•         José Mendes Ribeiro (coordenador do Grupo Técnico para a Reforma Hospitalar)
•         José Caldas de Almeida (Faculdade de Ciências Médicas, NOVA)
•         Gilles Dussault (Instituto de Higiene e Medicina Tropical, NOVA)
•         Adalberto Campos Fernandes (Escola Nacional de Saúde Pública, NOVA)
•         Moderador: Pedro Pita Barros (NOVA School of Business and Economics, NOVA)


Deixe um comentário

The Economic Adjustment Program for Portugal – Second Review (parte 2)

Ainda apenas da leitura do sumário executivo da avaliação feita pela Comissão Europeia, há uma pergunta que seria interessante, a meu ver, ser respondida com uma análise cuidada nos próximos meses:

– tendo havido um corte “temporário, mas duradouro” nos salários da função pública (e equiparados), qual tem de ser o crescimento económico do país, que por via de receitas fiscais adicionais, permita repor os níveis salariais sem colocar em causa os objectivos estabelecidos para o défice público?

Esta pergunta surge por provavelmente não ser possível reduzir ou limitar o crescimento das outras componentes da despesa pública para abrir espaço orçamental para que o corte salarial seja invertido. Assim, terá que ser por aumento das receitas fiscais decorrentes de maior crescimento económico que se poderá vir a ter essa possibilidade. Saber quanto é relevante, até porque quando houver maior crescimento económico, qualquer folga orçamental que surja terá que escolher entre três grandes vias:

– redução da dívida pública, acumulando excedentes orçamentais

– redução da carga fiscal sobre toda a população

– reposição dos níveis salariais da função pública.

Que opções serão tomadas? para cada nível de crescimento económico que venha a ser alcançado que escolhas serão realizadas entre estas três alternativas (pelo menos)?


Deixe um comentário

The Economic Adjustment Program for Portugal – Second Review (parte 1)

Apesar de já ter sido publicado há algumas semanas, creio que ainda assim é útil fazer uma leitura cuidada do relatório da Comissão Europeia e do Relatório do FMI sobre a segunda revisão trimestral do programa de ajustamento contido no Memorando de Entendimento, para ver o progresso realizado mas também em que medida esse mesmo programa se vai ajustando em cada revisão.

Apesar de se manter em grande medida a estrutura, há algumas coisas novas e é preciso uma comparação cuidada para ir encontrando as diferenças. Irei procurar fazer esse esforço durante os próximos dias, nos temas que mais me interessam. Fica a sugestão de para outras áreas se fazer o mesmo exercício, similar ao de “encontre as 7 diferenças” tão comum nos jornais.

Antes de entrar nessa comparação, parece-me útil fazer o destaque de várias considerações das avaliações realizadas.

O sumário executivo do relatório da Comissão Europeia coloca desde logo as preocupações base resultantes do segundo trimestre do programa de ajustamento:

– uma maior contracção económica em 2012 – que traduz certamente as informações que foram dadas pelo Ministério das Finanças, dado que a descrição corresponde ao que têm sido as declarações do Ministro Vitor Gaspar

– pressão sobre a execução orçamental, por desvios de monta face às previsões – adopção de receitas adicionais, e derrapagens da despesa pública – reconhece-se que a utilização dos fundos de pensões foi a forma de se respeitar o objectivo do défice pública, com o custo de futuros pagamentos de pensões aos beneficiários desses fundos. [comentário: veremos ainda que confusões irão estar nos orçamentos futuros associados com esses pagamentos e essas pensões; basicamente teremos o estado como gestor de fundos de pensões de bancários a aplicar regras mais generosas do que as que aplica aos pensionistas pelos quais é responsável. No momento actual, esta situação parece aceitável para todos, mas conforme se for desvanecendo a pressão dos dias de hoje e a memórias das dificuldades actuais, surgirão provavelmente tensões com esta situação.]

– um objectivo orçamental de 4,5% do PIB, respeitando o que está estabelecido no programa de ajustamento

– empenho do Governo na realização de reformas na forma de controle orçamental, para evitar derrapagens futuras da despesa pública [comentário: este é um objectivo que está presente desde o início, e é consensual até ao momento em que novas regras comecem a ser aplicadas limitando de facto a capacidade de fazer despesa por parte das entidades públicas; resta saber se essas novas regras prejudicarão também o normal funcionamento das instituições públicas e o serviço por elas prestado à população. ]

– neste processo de ajustamento do processo de controle orçamental, surgem mencionados dois pontos importantes: os atrasos nos pagamentos a fornecedores do Estado, e refocar da actividade nos objectivos centrais da intervenção pública.

– o programa de reformas coloca à prova a capacidade administrativa do Estado, incluindo a sua capacidade técnica [comentário: que não saiu certamente reforçada nem fácil de reforçar com a redução salarial ocorrida – não são vão ser tempos de maior exigência técnica, como não vai haver capacidade de recrutar pessoas com qualificação e competência elevadas]


1 Comentário

mais duas novas portarias sobre medicamentos

Portaria n.º 4/2012 de 2 de janeiro

“O Decreto-Lei n.º 112/2011, de 29 de Novembro, estabeleceu o novo regime de preços dos medicamentos de uso humano sujeitos a receita médica e dos medicamentos não sujeitos a receita médica comparticipados, determinando que as matérias previstas no articulado e os respectivos procedimentos sejam regulamentados por portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da economia e da saúde. Importa assim estabelecer as regras de formação dos preços dos medicamentos, da sua alteração e da sua revisão anual, bem como os respectivos prazos. Concretiza-se também a redução de preço de medicamentos genéricos em relação aos medicamentos originadores, prevista no Memorando de Entendimento sobre as Condicionalidades de Política Económica firmado pelo Governo Português com o Fundo Monetário Internacional, a União Europeia e o Banco Central Europeu. Definem-se também os prazos a aplicar em 2012, excepcionalmente, de forma a operacionalizar a revisão de preços neste ano, com benefício para o Serviço Nacional de Saúde e os Utentes da revisão de preços estabelecida.”

Portaria n.º 3/2012 de 2 de janeiro

“O Decreto -Lei n.º 112/2011, de 29 de Novembro, estabeleceu no seu artigo 12.º que a revisão excepcional de preços dos medicamentos pode ocorrer por motivos de interesse público ou por iniciativa do titular da autorização da introdução no mercado, devendo a definição dos critérios, prazos e demais procedimentos que presidem à mesma ser definidos por portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da economia e da saúde.”


1 Comentário

hoje, no dinheirovivo.pt, para daqui a 365 dias

Isto é o que desejo escrever daqui a um ano

31 de Dezembro de 2012

02/01/2012 | 02:57 | Dinheiro Vivo

Nesta altura do ano, a maioria dos artigos divide-se entre os que fazem uma revisão de 2011 e os que olham para 2012. “Os desafios de 2012” é o título implícito de muitos dos artigos e comentários que se produzem durante estas semanas. E claro está a Troika e o Memorando que com ela assinamos não podem deixar de figurar. Não fugirei a esta tradição, mas avanço um ano. Penso no que gostaria de escrever no final de 2012 e a entrar em 2013, uma revisão do ano de 2012.

Assim, o meu desejo para 2012 é poder escrever a 31 de Dezembro de 2012 o seguinte: Como era antecipado, o ano de 2012 que agora termina foi de grandes dificuldades para todos os que vivem em Portugal, sobretudo o mês de Janeiro, com aumentos generalizados. O choque para os funcionários públicos chegou no Verão, com a ausência do subsídio de férias. Houve os que alteraram o seu comportamento desde o início do ano, e houve os que só nesta altura perceberam a falta que este salário adicional fez. E todos se começaram a preparar para a ausência do subsídio de Natal.

No sector privado sucederam-se as renegociações salariais em baixa, como forma de garantir os postos de emprego. As empresas com maior sucesso exportador conseguiram evitar essa renegociação.

Face às dificuldades encontradas, a necessidade aguça o engenho, e a gestão das empresas portuguesas, privadas e públicas, bem como da própria administração pública, deram um salto quantitativo. Para além de todos os aspecto legais de enquadramento das actividades económicas em Portugal, um dos bloqueios importantes tem sido tradicionalmente a qualidade da gestão e da gestão intermédia – orientada para a presença no posto de trabalho, e menos para a produtividade; orientada para fazer o que o chefe manda, e menos para a criatividade (até porque a “chefia direta” não gosta disso). A transformação da cultura de gestão ocorreu quer nas grandes empresas quer nas pequenas e médias empresas, que são a maioria. A maior qualidade de gestão nas pequenas e médias empresas levou-as a crescer, e a internacionalizar. Houve as que desapareceram, faz parte da evolução natural das economias, mas foram substituídas por novas empresas. E esta mudança faz toda a diferença na vida económica portuguesa, mas também na esperança e na confiança dos que cá vivem no seu futuro.

Na área da saúde, sendo o Serviço Nacional de Saúde o elemento central da prestação de cuidados de saúde em Portugal, a quebra nos salários gerou de início uma desmotivação e descontentamento geral. As perdas de salário, juntando redução de subsídios de férias e natal com a redução das horas extraordinárias, chegaram a 1/3 do salário anual em alguns casos.

Esta situação, potenciadora de um distanciamento dos profissionais de saúde face à sua actividade, continha o risco de uma real diminuição de cuidados a prestar segundo a necessidade, em qualidade e quantidade. O ano de 2012 começou por isso debaixo da ameaça de um retrocesso dos níveis assistenciais, pois a somar aos efeitos sobre os profissionais de saúde, as exigências de redução de custos eram elevadas.

Mas ao longo do ano de 2012 foram revistas as remunerações salariais dos diversos profissionais, orientadas agora para estruturas mais simples, com enquadramentos mais claros e menos propiciadores de comportamentos que criam desperdício de recursos. Esta alteração permite gastar globalmente menos. Envolveu também uma reorganização da forma como as diferentes profissões de saúde contribuem para o sistema de saúde, onde cada uma é aproveitada da forma que maior valor social gera. Uma das grandes dificuldades de 2012 esteve na gestão dos recursos humanos da saúde, a todos os níveis, incluindo as práticas de gestão, remuneração e organização das instituições. Um olhar cuidado e uma atuação inteligente permitiram manter os níveis assistenciais à população, com menores custos (embora não atingindo as metas inicialmente pretendidas).

Apesar de tudo, o ano de 2012 acaba melhor do que começou. Embora não antecipada no final de 2011, a transformação das práticas de gestão surgiu como a boa surpresa do ano para a economia portuguesa, dando-lhe capacidade de crescimento económico (e ajudando a cumprir as exigências do Memorando da Troika). Na área da saúde, foi o desafio (escondido) de reorganizar os recursos humanos sem comprometer o seu empenho profissional que permitiu não reduzir os níveis assistenciais, mesmo num ambiente de redução de custos.

Será possível escrever este texto daqui a um ano, a 31 de Dezembro de 2012?

Nova School of Business & Economics
ppbarros@fe.unl.pt
Escreve à segunda-feira


Deixe um comentário

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um excerto:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 29.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 11 concertos egostados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo


1 Comentário

2012 — o ano

– da Troika?

– do Campeonato Europeu de Futebol?

– do fim do mundo como o conhecemos?

– depois de 2011 e antes de 2013?

– de 366 posts no blog?

Qualquer que seja a escolha, os desejos de um Bom Ano.